sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

A Verdade na dualidade.

A VERDADE E A PERCEPÇÃO DA VERDADE

Embora não existam duas verdades diferentes, sem dúvida, há percepções diferentes sobre a verdade.
Nossa percepção da verdade é a percepção de nossos próprios conceitos, de nossos valores, de nossas realidades psicológicas, culturais ou espirituais, nossa identidade social ou familiar. Mas embora seja essa a nossa percepção da verdade, ainda sim está atrelada à nossa personalidade, e a forma através da qual desejamos que seja a verdade. Há desejo em nossa percepção, há um querer contido de que aquilo que se apresenta venha na forma em que acreditamos ser bom ou não. Os dois valores da dualidade estão cheios de nossos desejos e sentenças que podem obscurecer o contato com aquela verdade que está acima dos conceitos, dos desejos da percepção doutrinada pelos sentidos.
Todos os princípios que fundamentam uma determinada realidade obedecem a leis que regem sua existência, não significa que entendamos as leis que rejam a verdade, mas, existimos, então a verdade encontra-se em nós além de nossas falhas percepções. No passado acreditava-se que a matéria fosse sólida, hoje sabe-se que milhões de partículas flutuam no espaço atraídas umas pelas outras, mas há tanto “vazio” entre elas que poderia caber outro universo (e cabe) entre tudo que existe de material. Assim, não podemos bater o martelo para determinar a verdade apenas por nossa percepção limitada do aparentemente existe.
Ao determinarmos sem entendimento de nós mesmos, a realidade que desejamos ou acreditamos, estamos apenas limitando as possibilidades ou nos excluindo do potencial ativo que temos de experienciar o que pode vir a ser a maior revelação de todos os tempos para cada um e para todos, a verdade absoluta.
É claro que, se acreditamos que há uma verdade absoluta, também a estamos limitando a algo, por isso, mesmo esse “absoluto”, sem dúvida, deve também ser infinito, mas fora de nosso campo de entendimento, neste nível de nossa realidade conceitual. Se duas pessoas discutem um fato, então certamente não conhecem a verdade. Se duas pessoas buscam entendimento sobre um fato estão próximas a conhecer o caminho para verdade. Se duas pessoas abraçam-se independente de suas crenças e tomam como o mais importante o que podem fazer juntas, certamente elas vivem a verdade.
Nos parece então não ser importante a forma como cada um acredita, mas a sinergia que pode ser criada que extrapola o conceitual. Poderíamos claro pensar que pessoas que se unem para fazer o mal (dualidade) estão extrapolando e indo de encontro à verdade, já quer mercenários não se importam com a verdade do outro desde que sejam pagos. Mas estamos falando de uma sinergia que não vem do desejo puro e simples de receber algo em troca ou atingir os próprios objetivos para provar a própria verdade. Há um fator preponderante que tem se colocado como fundamental naquilo que é chamado de sinergia. Mesmo a física quântica, que têm como sua pedra filosofal a interação da “onda/partícula” com a consciência, entende que há um valor que pode dar sustentação as interações da consciência com a realidade.
Na significativa experiência com os cristais de água realizada pelo Dr. Masaru Emoto, provou-se que sentimentos importantes como o amor, paz, alegria, dão forma consistentes, harmônicas e de beleza indiscutível aos mesmos cristais. Já pensamentos de ódio, medo, guerra, inveja, criam forma desarmônicas e grotescas. Estamos falando sobre a pertinência do que se sente, de que há uma força maior atrás desses pensamentos de harmonia que nos aproximam mais da verdade. Se isso faz efeito sobre elementos como a água, qual o poder não pode exercer sobre nós, e mesmo se pensamos em outras pessoas com tal energia?
No budismo pode-se encontrar a definição mais próxima do que desejamos expressar aqui, não do que seja a verdade, mas do que não é a verdade. Mas dentro desse pensamento ainda pode-se encontrá-la, isso parece ser possível. Diz o Buda: “Quem acha a verdade nada diz que não saiba. Ele só afirma o que é certo. Ainda que isso possa ferir alguém, ele ou ela saberá dize-lo no momento exato, oportuno. Quem acha a verdade tem compaixão pelos outros e por isso não engana ninguém e só prega o que é de fato, o certo, aquilo que é relacionado com a meta suprema, aquilo que é grato e agradável aos outros”. Citamos ainda Krishnamurti: “Para sermos capazes de expressar a verdade que vemos, independente das ameaças que nos rodeiam, requer-se uma revolução em nosso pensar...”. E que revolução seria essa?
A revolução no acreditar, está no nosso pensamento. Somos afligidos, subjugados doutrinados pelo nosso pensar, por não conseguirmos renunciar a forma de usarmos nossa mente, nossa razão. Mas nossa razão já está sendo usada, ou manipulada pelas crenças limitadas, emoções conscientes e inconscientes. Deixamos de usar o melhor de nós no momento em que nos vemos acuados, isso nos afasta da descoberta da verdade. Amamos, somos alegres, temos disposição apenas quando as situações estão a nosso favor, ou são agradáveis, mas o antídoto para o sofrimento é vencer a ignorância pelo amor e compaixão, pelo perdão e compreensão dos próprios limites, pois, sem dúvida os limites levados aos extremos podem destruir completamente nossa capacidade de mudar, de transformar os parâmetros desta realidade e encontrar sim aquela verdade, que não são apenas “fatos percebidos”.
Sim, os fatos percebidos não são necessariamente a Verdade, mas apenas expressões de uma determinada realidade na qual vivemos. A isso damos um determinado valor sem levar em conta que há mais, muito mais e além. E nessa realidade que vivemos talvez essas expressões talvez tenham algum valor de aprendizado se a utilizarmos como alavanca e não como ponto final ou definição da “verdade oficial”. Quando Jesus Cristo diz: “Vós conhecereis a verdade e ela vos libertará”, certamente não pode estar dando implicação apenas àquilo que diz respeito ao que pensamos. Temos de revolucionar o pensamento e para isso temos de amar a nós mesmos profundamente desapegados da idéia da personalidade, mas voltados para a compreensão de que somos uma verdade inconsciente.
Por fim, e ao mesmo tempo dentro de um espírito de continuidade, a verdade só pode ser revelada, assim entendemos, quando nos libertamos de toda forma de autoridade a qual submetemos nossa mente e nossos sentidos, mas, isso para compreendermos o quão é necessária disciplina amorosa e desapegada dos “achares”. Há verdadeira felicidade, amor e compaixão na verdade, mas temos de usar esses parâmetros, a felicidade e o amor e compaixão, se desejamos mesmo estar libertos ou apenas continuar a repetir um padrão. A verdade é um caminho e não uma idéia.

Com amor e bênçãos,
Mauricio(Chaves de Enoch)

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