Brasilia-51 anos!
Nas águas de março do Rio de Janeiro aprendi a nadar
Nunca imaginei soletrar Brasília
Uma ilha rodeada de Brasil por todos os lados
Cidade asa
Em Brasília aprendi a voar
Brasília
Mergulhei nas asas de um avião
Tomei banho de cachoeira e lavei meu coração
Vislumbrei meu futuro ao longo dos eixos
Quando olhei pela primeira vez
Parecia um deserto,
uma Brasília amarela empalidecida pelo barro
Fiz do barro matéria bruta misturada ao meu sangue e suor
Aprendi a criar a minha Brasília
Um mar de gente começou a vir pra cá
Gente de todo Estado, de todo lugar
O mar se abriu no coração do país
Brasília!
Tu me destes um novo aniversário
Na cidade mítica e mística
Desabrochei atriz
Brasília!
Namorei nas suas árvores
Paquerei nas tesourinhas
Experimentei diversão e protesto na Esplanada
Eu até casei debaixo do teu céu!
Brasília, meu avião...
Continuo correndo na frente
Sempre a contemplar seu horizonte infinito
Aonde mais tu queres me levar?
Cristiane Sobral, poetisa carioca
domingo, 29 de maio de 2011
Homenagem à Brasilia, terra quue me acolheu desde 1987!
A cidade da paz-Brasilia.
Ao Poeta Eduardo Dalter
A cidade brotou de palmas iluminadas,
de dedos mágicos, translúcidos.
Das luzes de Lúcio e Oscar,
do febril sangue de candangos.
Ela mantém em eixos e quadras
antigas ressonâncias, enraizando-se
E a bailar resplendores
nos alpendres das nuvens.
Sonhos consumados cantam
no concreto e no abstrato.
Alguns séculos repercutem
em nossos ombros e frontes.
Viver no coração desta cidade
é estender a paz nas próprias artérias.
Viver no coração desta cidade
é flutuar na singularidade de um mundo.
Joanyr de Oliveira, poeta mineiro
Ao Poeta Eduardo Dalter
A cidade brotou de palmas iluminadas,
de dedos mágicos, translúcidos.
Das luzes de Lúcio e Oscar,
do febril sangue de candangos.
Ela mantém em eixos e quadras
antigas ressonâncias, enraizando-se
E a bailar resplendores
nos alpendres das nuvens.
Sonhos consumados cantam
no concreto e no abstrato.
Alguns séculos repercutem
em nossos ombros e frontes.
Viver no coração desta cidade
é estender a paz nas próprias artérias.
Viver no coração desta cidade
é flutuar na singularidade de um mundo.
Joanyr de Oliveira, poeta mineiro
domingo, 22 de maio de 2011
S.audades-Clarice Linspector
Saudades
Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!
Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!
Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...
Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!
Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!
Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...
sábado, 21 de maio de 2011
em foco...Gabriel garcia Marquez
Gabriel Garcia Marquez retirou-se da vida pública por razões de saúde: Cancro linfático. Agora, parece que é cada vez mais grave. Enviou uma carta de despedida aos seus amigos que, graças à Internet, está a ser difundida. A sua leitura é recomendada porque é verdadeiramente comovedor este texto escrito por um dos Latino-americanos mais brilhantes dos últimos tempos.
"Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada
minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam, e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate!
Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto, não apenas o meu corpo, mas também a minha alma. Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que
nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à lua. Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas...
Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas.
Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor. Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria que aprender a voar sozinha. Aos velhos, ensinar-lhes-ia
que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta. Aprendi que quando um recém-nascido
aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, o tem agarrado para sempre.
Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de muito, porque quando me
Guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer..."
GABRIEL GARCIA MARQUEZ
"Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada
minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam, e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate!
Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto, não apenas o meu corpo, mas também a minha alma. Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que
nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à lua. Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas...
Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas.
Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor. Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria que aprender a voar sozinha. Aos velhos, ensinar-lhes-ia
que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta. Aprendi que quando um recém-nascido
aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, o tem agarrado para sempre.
Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de muito, porque quando me
Guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer..."
GABRIEL GARCIA MARQUEZ
quinta-feira, 12 de maio de 2011
-A morte de Osama Bin Laden e a midia nacional e internacional.
Achei interessante, repasso com a devida autorização.
-A morte de Osama Bin Laden e as mídias.
Começo me apresentando: Sou brasileiro, cidadão, bancário e psicólogo da cidade de Fortaleza-CE. Não tenho costume de escrever sobre política, nem fatos públicos e pra ser honesto sobre quase coisa nenhuma mas hoje não pude me conter. Espero que possam ler até o fim...
Dia 02/05/2011, acabo de chegar em casa depois de um dia de trabalho bastante conturbado, como são os primeiros dias úteis, especialmente nas segundas-feiras no Banco do Brasil. Fiquei sabendo vagamente da morte de Osama Bin Laden a partir de rápidos comentários de clientes. Resolvi assistir o jornal nacional para ver as notícias e fiquei realmente chocado com a forma que o assunto foi tratado. A morte era anunciada com um sorriso no rosto por simplesmente todos os repórteres, lembrava muito as coberturas festivas, como os carnavais, as vitórias esportistas, as festas de rua. As palavras “celebravam” “festejavam” “comemoravam” eram constantemente citadas e fiquei me perguntando se era realmente de uma morte que aquelas pessoas estavam falando. Em nenhum momento ninguém falava sobre como era um sintoma doentio a comemoração em praça pública de um assassinato. Ou de até que ponto aquele comportamento era ético?
Não estou aqui de maneira nenhuma defendendo as ações de Osama, muito pelo contrário, repudio seus atos, suas mortes. Mas a comemoração em praça pública de uma morte é pelo menos de se estranhar, de se questionar, e em nenhum momento houve um mínimo sinal do contraditório, do outro ponto de vista. Assistindo só conseguia me lembrar das antigas cerimônias de execução da Idade Média, ou mesmo as provocadas pelos regimes radicais como o Talibã, tão criticada pelo mundo “civilizado” ocidental, no qual o povo festejava os assassinatos, daquele que por algum motivo eles consideravam inferiores a si. E o que mais me impressionou é que os argumentos americanos não eram ditos como perspectivas e sim como a verdade nua e crua. Que isso acontecesse na mídia Americana não era de se estranhar, mas aqui no Brasil me pareceu um contra-senso. As questões éticas da comemoração de uma morte em nenhum momento foram questionadas. Era como se fosse o óbvio, natural, a comemoração daquelas mortes.
Uma avó americana foi mostrada com sua netinha tirando fotos dizendo que era uma lembrança para aquela criança da comemoração daquele dia. A netinha devia ter pouco mais de cinco anos. E o jornal seguia mostrando tudo direitinho, a grande festa, aquele momento tão bonito de assassinato. A sede de sangue era clara. As pessoas se abraçavam, comemoravam, as imagens chegavam a ser bonitas, parecia um réveillon, ou a comemoração de um título esportivo, mas não era, era a alegria pela morte, pelo sangue, pela vingança. Espero profundamente que daqui a 100 anos isso seja mostrada como sinal de primitivismo da humanidade do nosso tempo.
As imagens do 11 de setembro, que eram repetidas o tempo todo, parecia uma maneira de justificar o assassinato de Osama e de mais quatro pessoas, sem nenhum julgamento, e pior, sem nenhum questionamento ético.
Não agüento mais ver o discurso da paz servir de propósito pra guerra. A história é contada simplesmente por uma perspectiva, a americana, oferecida ao publico como uma verdade, que dispensa qualquer criticidade. O fato da operação ter sido feita exclusivamente por Americanos não é questionada. A troca de tiro não resultou em nenhum ferido do lado Ianque e cinco mortes do lado oposto leva a questionar até que ponto se tratou de uma troca de tiros ou de um simplesexecução sumária. E se foi uma execução sumária como parece ter sido, o discurso de que Osama usou sua esposa como escudo mais parece uma última provocação. “O morto era covarde”. Que Osama era corvarde isso é bem sabido, porém também covarde foi o ato de executar alguém sem julgamento. Não é claro e límpido que sangue só pede mais sangue. Que alguém vai querer vingar essa morte matando e que as mortes que virão pedirão mais morte ainda?
Nenhum detalhe sobre essa execução, a meu ver, pode ser levada a sério, pois não havia testemunhas, apenas os soldados americanos envolvidos. Nenhuma autoridade Paquistanesa envolvida na operação, e isso sequer foi questionado. Osama foi assassinado NO PAQUISTÃO. O exercito americano simplesmente entra, executa, destrói o cenário e se livra do corpo, e nada, absolutamente nada é questionado. Como se realmente o mundo fosse deles, como parecem verdadeiramente acreditar.
As autoridades do Paquistão sequer tomam conhecimento do caso. E assim parece se manter toda a imprensa local, pelo mesmo caminho.
Jogaram o corpo no mar. Pronto. Como se fosse a coisa mais natural do mundo. Fizeram um exame de DNA, a partir de uma suposta irmã de Osama, de um cara que diga-se de passagem tem 51 irmãos. Qual a seriedade disso? Ninguém questiona. É como se fosse a coisa mais natural do mundo. Não é claro e límpido que existe alguma coisa estranha aí?
Para piorar, ainda vem vários líderes mundiais a público dar os parabéns ao presidente americano. A justificativa que Obama não quis bombardear a casa a qual alegaram que se encontrava Osama por não querer ferir civis inocentes foi dita como a coisa mais normal do mundo sem mencionar o banho de sangue ao qual foi submetido o Afeganistão, como a morte de milhares de civis inocentes com a justificativa de encontrar Osama Bin Laden. É como se a guerra nunca tivesse acontecido.
Em nenhum momento um comentário crítico sobre as reais circunstancias políticas envolvidas no caso. Nada sobre a guerra do Iraque baseada exclusivamente na alegativa americana de que estes estavam produzindo armas químicas e nucleares, coisa que o próprio relatório americano desmentiu no final, quando admitiram que se enganaram e que não havia armas químicas nenhuma. Saldo da guerra: Mais de 100 mil mortos. Em nenhum momento o petróleo foi mencionado, é como se esse produto não tivesse nenhuma relação com as milhares de mortes. Em nenhum momento foi dito do financiamento americano ao grupo de Osama Bin Laden, antes destes se voltarem contra seus interesses puramente econômicos.
Espero que não fique aqui parecendo que estou defendendo os métodos ou atitudes terroristas, mas apenas dizendo que uma guerra como essa não tem mocinhos. O ódio só gera ódio dos dois lados. E isso precisa ser dito. É preciso dizer: BASTA, CHEGA DE SANGUE” Quero poder dizer aos meus filhos que nós vamos celebrar a paz e o amor e não a morte e a vingança. Milhares de pessoas morreram dos dois lados, tudo isso é lamentável, e a frase que vem a minha mente quando penso nisso todo é a da composição que diz que “Não importam os motivos da guerra a paz ainda é mais importante que eles”.
Obrigado pra quem leu meu desabafo até o fim. Se acharem válido podem passar pra frente.
Um abraço a todos,
Daniel Welton
-A morte de Osama Bin Laden e as mídias.
Começo me apresentando: Sou brasileiro, cidadão, bancário e psicólogo da cidade de Fortaleza-CE. Não tenho costume de escrever sobre política, nem fatos públicos e pra ser honesto sobre quase coisa nenhuma mas hoje não pude me conter. Espero que possam ler até o fim...
Dia 02/05/2011, acabo de chegar em casa depois de um dia de trabalho bastante conturbado, como são os primeiros dias úteis, especialmente nas segundas-feiras no Banco do Brasil. Fiquei sabendo vagamente da morte de Osama Bin Laden a partir de rápidos comentários de clientes. Resolvi assistir o jornal nacional para ver as notícias e fiquei realmente chocado com a forma que o assunto foi tratado. A morte era anunciada com um sorriso no rosto por simplesmente todos os repórteres, lembrava muito as coberturas festivas, como os carnavais, as vitórias esportistas, as festas de rua. As palavras “celebravam” “festejavam” “comemoravam” eram constantemente citadas e fiquei me perguntando se era realmente de uma morte que aquelas pessoas estavam falando. Em nenhum momento ninguém falava sobre como era um sintoma doentio a comemoração em praça pública de um assassinato. Ou de até que ponto aquele comportamento era ético?
Não estou aqui de maneira nenhuma defendendo as ações de Osama, muito pelo contrário, repudio seus atos, suas mortes. Mas a comemoração em praça pública de uma morte é pelo menos de se estranhar, de se questionar, e em nenhum momento houve um mínimo sinal do contraditório, do outro ponto de vista. Assistindo só conseguia me lembrar das antigas cerimônias de execução da Idade Média, ou mesmo as provocadas pelos regimes radicais como o Talibã, tão criticada pelo mundo “civilizado” ocidental, no qual o povo festejava os assassinatos, daquele que por algum motivo eles consideravam inferiores a si. E o que mais me impressionou é que os argumentos americanos não eram ditos como perspectivas e sim como a verdade nua e crua. Que isso acontecesse na mídia Americana não era de se estranhar, mas aqui no Brasil me pareceu um contra-senso. As questões éticas da comemoração de uma morte em nenhum momento foram questionadas. Era como se fosse o óbvio, natural, a comemoração daquelas mortes.
Uma avó americana foi mostrada com sua netinha tirando fotos dizendo que era uma lembrança para aquela criança da comemoração daquele dia. A netinha devia ter pouco mais de cinco anos. E o jornal seguia mostrando tudo direitinho, a grande festa, aquele momento tão bonito de assassinato. A sede de sangue era clara. As pessoas se abraçavam, comemoravam, as imagens chegavam a ser bonitas, parecia um réveillon, ou a comemoração de um título esportivo, mas não era, era a alegria pela morte, pelo sangue, pela vingança. Espero profundamente que daqui a 100 anos isso seja mostrada como sinal de primitivismo da humanidade do nosso tempo.
As imagens do 11 de setembro, que eram repetidas o tempo todo, parecia uma maneira de justificar o assassinato de Osama e de mais quatro pessoas, sem nenhum julgamento, e pior, sem nenhum questionamento ético.
Não agüento mais ver o discurso da paz servir de propósito pra guerra. A história é contada simplesmente por uma perspectiva, a americana, oferecida ao publico como uma verdade, que dispensa qualquer criticidade. O fato da operação ter sido feita exclusivamente por Americanos não é questionada. A troca de tiro não resultou em nenhum ferido do lado Ianque e cinco mortes do lado oposto leva a questionar até que ponto se tratou de uma troca de tiros ou de um simplesexecução sumária. E se foi uma execução sumária como parece ter sido, o discurso de que Osama usou sua esposa como escudo mais parece uma última provocação. “O morto era covarde”. Que Osama era corvarde isso é bem sabido, porém também covarde foi o ato de executar alguém sem julgamento. Não é claro e límpido que sangue só pede mais sangue. Que alguém vai querer vingar essa morte matando e que as mortes que virão pedirão mais morte ainda?
Nenhum detalhe sobre essa execução, a meu ver, pode ser levada a sério, pois não havia testemunhas, apenas os soldados americanos envolvidos. Nenhuma autoridade Paquistanesa envolvida na operação, e isso sequer foi questionado. Osama foi assassinado NO PAQUISTÃO. O exercito americano simplesmente entra, executa, destrói o cenário e se livra do corpo, e nada, absolutamente nada é questionado. Como se realmente o mundo fosse deles, como parecem verdadeiramente acreditar.
As autoridades do Paquistão sequer tomam conhecimento do caso. E assim parece se manter toda a imprensa local, pelo mesmo caminho.
Jogaram o corpo no mar. Pronto. Como se fosse a coisa mais natural do mundo. Fizeram um exame de DNA, a partir de uma suposta irmã de Osama, de um cara que diga-se de passagem tem 51 irmãos. Qual a seriedade disso? Ninguém questiona. É como se fosse a coisa mais natural do mundo. Não é claro e límpido que existe alguma coisa estranha aí?
Para piorar, ainda vem vários líderes mundiais a público dar os parabéns ao presidente americano. A justificativa que Obama não quis bombardear a casa a qual alegaram que se encontrava Osama por não querer ferir civis inocentes foi dita como a coisa mais normal do mundo sem mencionar o banho de sangue ao qual foi submetido o Afeganistão, como a morte de milhares de civis inocentes com a justificativa de encontrar Osama Bin Laden. É como se a guerra nunca tivesse acontecido.
Em nenhum momento um comentário crítico sobre as reais circunstancias políticas envolvidas no caso. Nada sobre a guerra do Iraque baseada exclusivamente na alegativa americana de que estes estavam produzindo armas químicas e nucleares, coisa que o próprio relatório americano desmentiu no final, quando admitiram que se enganaram e que não havia armas químicas nenhuma. Saldo da guerra: Mais de 100 mil mortos. Em nenhum momento o petróleo foi mencionado, é como se esse produto não tivesse nenhuma relação com as milhares de mortes. Em nenhum momento foi dito do financiamento americano ao grupo de Osama Bin Laden, antes destes se voltarem contra seus interesses puramente econômicos.
Espero que não fique aqui parecendo que estou defendendo os métodos ou atitudes terroristas, mas apenas dizendo que uma guerra como essa não tem mocinhos. O ódio só gera ódio dos dois lados. E isso precisa ser dito. É preciso dizer: BASTA, CHEGA DE SANGUE” Quero poder dizer aos meus filhos que nós vamos celebrar a paz e o amor e não a morte e a vingança. Milhares de pessoas morreram dos dois lados, tudo isso é lamentável, e a frase que vem a minha mente quando penso nisso todo é a da composição que diz que “Não importam os motivos da guerra a paz ainda é mais importante que eles”.
Obrigado pra quem leu meu desabafo até o fim. Se acharem válido podem passar pra frente.
Um abraço a todos,
Daniel Welton
segunda-feira, 28 de março de 2011
fotografias amareladas?
Tua força interior e tuas convicções não tem idade.
Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha.
Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada trunfo, há outro desafio.
Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo.
Se sentes saudades do que fazias, torna a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amareladas.
Continua, apesar de todos esperarem que abandones.
Não deixes que se enferruje o ferro que há em você.
Faz com que em lugar de pena, te respeitem.
Quando pelos anos não consigas correr, trota.
Quando não possas trotar, caminha.
Quando não possas caminhar, usa bengala.
Mas nunca te detenhas !!!
Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha.
Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada trunfo, há outro desafio.
Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo.
Se sentes saudades do que fazias, torna a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amareladas.
Continua, apesar de todos esperarem que abandones.
Não deixes que se enferruje o ferro que há em você.
Faz com que em lugar de pena, te respeitem.
Quando pelos anos não consigas correr, trota.
Quando não possas trotar, caminha.
Quando não possas caminhar, usa bengala.
Mas nunca te detenhas !!!
domingo, 6 de fevereiro de 2011
O fim do mundo?...uma visão espírita!
O fim do mundo
Centro Espírita Celeiro de Luz
Poucos fenômenos religiosos são mais paradoxais e repetitivos do que a expectativa apocalíptica ou seja, a crença numa transformação radical e iminente do mundo. Por um lado, a primeira coisa que se pode dizer dessa crença é que, em todas as vezes que se manifestou, mostrou-se sempre equivocada. Por outro lado, apesar de desapontar constantemente, continua a surgir, com maior ou menor intensidade, e a arrastar ocasionalmente grandes massas de pessoas que nela confiam cegamente.
O que intriga os cientistas é que, embora se apóie sempre sobre pressupostos falsos, a crença apocalíptica pode assumir grandes proporções e canalizar imensas forças. Pode inspirar seus seguidores a praticar monumentais sacrifícios (vide suicídios coletivos das seitas apocalípticas de Jim Jones, do Templo Solar, dos davidianos de Waco, etc.). Pode engendrar comporta mentos radicais, desde os mais pacíficos até os mais violentos. Além disso, uma outra característica importante dos grandes movimentos apocalípticos é que eles raramente desaparecem, mesmo depois que seus prognósticos de destruição total mostram-se completamente falsos. Seus integrantes apenas reescrevem a história passada do seu respectivo movimento, de modo a eliminar as previsões que se mostraram errôneas.
Outro aspecto típico do fenômeno é que, ironicamente, as mesmas esperanças e temores apocalípticos produzem reações contraditórias, na forma de movimentos muitas vezes diametralmente opostos. No seu aspecto negativo, paranóico, violento e destrutivo, valem os mesmos exemplos citados das seitas que praticaram o suicídio coletivo. No aspecto positivo; encontramos o próprio movimento new age, com todas as suas propostas messiânicas de um futuro melhor, mais pacífico, próspero, saudável e feliz.
Embora o jogo milenarista de temor do final dos tempos versus esperança num mundo melhor exista em atividade contínua pelo menos desde o início da nossa cultura judaico-cristã, existem épocas em que ele se acentua de modo quase obsessivo, galvanizando imensas parcelas da população. Tais épocas costumam estar relacionadas aos assim chamados " anos de números redondos ", como as viradas de século e, principalmente, as viradas de milênio.
Quando se estudam as características das crenças milenaristas e apocalípticas no coletivo social durante esses períodos históricos, uma primeira constatação salta à vista: o quadro de fundo histórico e psicológico é sempre o mesmo.
No ano 1000, época da primeira virada de milênio em tempos cristãos, todas as características milenaristas estavam presentes: ondas de conversão em massa à então religião dominante, o cristianismo; profundas reformas governamentais e eclesiásticas peregrinação em massa aos lugares santos, particularmente Jerusalém; proliferação de seitas heréticas e de movimentos apostólicos paralelos à Igreja; execução de hereges e violência popular contra judeus e muçulmanos; surgimento da "Paz de Deus", primeiro movimento coletivo em prol da paz de toda a história mundial. Quando o ano 1000, apesar de toda a excitação que o acompanhou, falhou em trazer consigo o esperado final dos tempos, as esperanças voltaram-se para o ano 1033. Alegou-se então que este seria o ano do apocalipse, já que Cristo morrera aos 33 anos e o propalado fim do mundo ocorreria mil anos após a sua morte, e não ao seu nascimento.
O exame dos documentos dessa época traça um panorama histórico digno de muita reflexão. Esses documentos retratam um mundo selvagem, com a natureza ainda quase intocada, onde os seres humanos, ignorantes e supersticiosos, armados de instrumentos irrisórios, lutavam de modo em geral inglório contra os poderes da terra e as forças da natureza. Cercados pela doença, atormentados pela fome, passavam a maior parte da sua vida tentando arrancar à terra uma parca alimentação.
Ao lado de toda essa tragédia, alguns chefes, senhores da guerra ou da religião, percorriam com soldados armados aquele universo miserável, apoderando-se das poucas riquezas da população para encher seus palácios ou suas igrejas. Como podemos ver, qualquer similitude com a realidade histórica dos dias de hoje não é mera coincidência. O mundo mudou muito em matéria de hábitos e costumes, em matéria de tecnologia e ciência. Mas a realidade social e anímica do indivíduo e da sociedade de hoje não difere muito do quadro que existia na virada do ano 1000. Ainda existem, de um lado, minorias laicas poderosas que gozam de riquezas materiais, e do outro lado uma enorme massa de pobres e miseráveis. Ainda pululam lideres religiosos que exploram a credulidade alheia e amealham fortunas à custa dela.
Todos os fatores que caracterizam tempos milenares estão bem presentes. Mas é, curiosamente superdesenvolvida área cientifica que emergem as mais impressionantes previsões apocalípticas: a hecatombe atômica continua a nos ameaçar, o efeito estufa, a destruição da camada de ozônio, a poluição da terra, água e do ar, o esgotamento recursos terrestres, etc., etc.
O perigo é real - : todas ameaças à sobrevivência da humanidade - motivadas pela ganância, incúria e irresponsabilidade própria humanidade - não podem ser negadas. Apesar disso em termos estritamente científicos, do mundo não acontecerá tão cedo. A partir das observações dos importantes astrofísicos, o cosmos se manterá em expansão ainda bilhões e bilhões de anos, até começar a encolher, contraindo-se até o desaparecimento. Nosso sol um dia vai se transformar numa gigantesca estrela vermelha, como as estrelas que hoje se encontram no final das suas vidas. Seu volume irá inchar enormemente, e sua superfície se estenderá para alem das órbitas de Mercúrio, Vênus e Terra. Nosso planeta se encontrará num ambiente de 3 mil graus centígrados, e será rapidamente transformado em vapor. Tudo isso vai acontecer dentro de... cinco bilhões de anos.
Se podemos, portanto, dormir sossegados ainda por muito tempo quanto aos apocalipses astrofísicos, o mesmo não se pode dizer daqueles ecológicos. Eles reclamam providências urgentes. As ameaças aos oceanos, por exemplo. Segundo os cenários mais pessimistas desenhados pelos peritos em climatologia, o aumento global da temperatura previsto para as próximas décadas (cerca de 0,3 graus a cada dez anos) implicará uma elevação do nível dos mares de 20 centímetros ao redor de 2030, e de 65 centímetros ao redor de 2100. Elevação suficiente para varrer do mapa muitas ilhas rasas, como as Maldivas, e para ameaçar várias cidades costeiras como o Rio de Janeiro, Veneza e San Francisco,
A crescente desertificação é outra fenômeno ligado às mudanças climáticas. Calcula-se que 70 mil quilômetros quadrados de terra fértil são abandonados a cada ano por exaustão do solo, e outros 200 mil têm sua produção em declínio. O fenômeno está ligado também a práticas erradas de irrigação: sem drenagem acurada, capaz de permitir um bom escoamento das águas, os sais minerais se acumulam no solo quando a água evapora. Certos cálculos afirmam que 14% da superfície da Terra é atingida por erosões causadas pelo homem.
A superpopulação do planeta é outro dado ameaçador. Ela permaneceu constante durante dezenas de milhares de anos. Depois começou a crescer num ritmo cada vez mais impetuoso. Se partirmos do ano um, quando existiam cerca de 250 milhões de seres humanos, dobraremos essa cifra em cerca do ano 1650. Apenas 150 anos depois, no início do século 19, ocorreu a segunda duplicação. Hoje, dobramos a população mundial a cada 40 anos. Em 2050, as projeções indicam que haveria entre 7,7 bilhões e 11 bilhões de seres humanos a caminhar sobre a Terra.
Graças principalmente à ação humana, para muitas espécies de animais o apocalipse já aconteceu ou está acontecendo. Em termos técnicos, chama-se a isso ~ diminuição da biodiversidade. Na prática, significa que a espécie humana cancela outras espécies do planeta a uma velocidade impressionante. Junto às florestas destruídas, desaparecem os seus habitantes, os animais e as plantas que constituem mais da metade do patrimônio genético do planeta. Calcula-se que a cada 15 minutos uma espécie inteira desaparece para sempre. São perdas que não conseguimos sequer avaliar, pois não sabemos quais das plantas que cancelamos da lista da vida podem conter um elemento precioso para a indústria dos medicamentos, que baseia boa parte dos seus preparados em substancias colhidas na natureza. Conhecem-se melhor as dimensões dessa tragédia quando a atenção se volta para alguns animais-símbolo, como é o caso do rinoceronte. Os de Sumatra estão reduzidos a não mais de 400 exemplares; os javaneses, a apenas 70; os indianos, a 2 mil; o rinoceronte negro africano, a 2.400; o branco africano, a 7.500. Diante desses números, a esperança de sobrevivência da espécie é praticamente nula.
A poluição ambiental é hoje um dos principais sinais da possibilidade de um apocalipse ecológico. Não existe um só ponto da superfície do planeta que não esteja tocado pela poluição. Traços dos gases venenosos exalados pelos escapamentos dos automóveis europeus e norte-americanos encontram-se até no Pólo Norte, onde originam um fenômeno denominado "névoa polar", que altera artificialmente as cores da atmosfera. Apenas uma pequena parte da Terra está ainda relativamente intacta. São as zonas mais extremas, mais inóspitas dos desertos e das geleiras. Na Europa, elas se limitam a partes restritas da Islândia, Suécia e Noruega. As zonas de maior interesse naturalístico da Rússia, em particular as da Sibéria, são as que neste momento correm maiores perigos.
Arrastados pelo aumento da população e pela difusão de um estilo de vida baseado na grande produtividade e no alto consumo, todos os principais indicadores ecológicos correm para o vermelho. A reservas de cereais alcançaram seu ponto mais baixo. Em todo mundo pesca-se muito mais do que os mares e os rios podem oferecer e desse modo se reduzem as reservas e não se permite a adequada reposição dos cardumes. As florestas tropicais desaparecem ao ritmo alarmante de 1% ao ano: do encontro para o meio ambiente de 1992 no Rio de Janeiro até os dias atuais, cerca de 750 mil quilômetros quadrados de florestas foram devastados. Com eles desapareceu parte do manto pluvial que estabiliza a atmosfera do planeta.
O apocalipse ecológico dos nossos dias é constituído por uma cadeia de fenômenos entrelaçados, que se influenciam uns aos outros, como num efeito dominó. No ano 2005, pela primeira vez na história da humanidade, o número de cidadãos urbanos - que até há pouco eram ínfima minoria - irá superar o número de cidadãos do campo. Em 2020, a população urbana já será de 61% do total. Essa explosão trará consigo uma completa transformação dos hábitos de consumo e dos hábitos de vida, de conseqüências ainda imprevisíveis. De acordo com alguns especialistas mais drásticos, um bom exemplo do caos ambiental urbano que nos espera é São Paulo. A metrópole paulista devora 12 quilômetros quadrados de verde ao ano. Em apenas meio século' sua área devastada passou de 180 quilômetros quadrados para mais de 900 quilômetros quadrados!
A ciência contemporânea, embora negue a possibilidade de um apocalipse total, entendido como fim do mundo, está atenta aos pequenos apocalipses que acontecem na realidade de cada instante. Por esse motivo, muitos cientistas falam hoje abertamente da possibilidade de uma completa reorganização sistêmica do mundo e da sociedade humana. É para debater esse fenômeno que instituições como o Center for Millennial Studies foram criadas.
O Fim do Mundo Segundo as Religiões
CATÓLICOS: O fim do mundo para a doutrina católica é o momento do Juízo Final e do retorno do Messias. A esse derradeiro julgamento acorrerão todos, os vivos e os mortos, para serem julgados pelas suas ações. Mas, de modo um tanto diferente do que ocorria no passado, quando os que incorreram em pecados mortais eram condenados ao inferno perene, a teologia católica moderna mais e mais faz referência ao aspecto todo-misericordioso de Deus.
PROTESTANTES: As igrejas evangélicas não defendem uma visão catastrófica do fim do mundo. Preferem acreditar no retorno de Jesus no dia do Juízo Final. Os protestantes lêem o livro do Apocalipse em chave simbólica, para lembrar aos crentes que devem ter confiança, que são observados e vigiados e que a última palavra é sempre aquela proferida pela graça de Deus.
JUDEUS: Para a religião hebraica não haverá um fim catastrófico do mundo, mas sim uma época futura de grandes transformações que tenderão para o bem. Os judeus esperam a chegada do Messias, que assinalará o advento de uma nova era de total harmonia entre os homens e o retorno mundial à crença num único Deus.
MUÇULMANOS: No islamismo existe a idéia de uma destruição final precedida pela "maior de todas as guerras", e por um segundo dilúvio, desta vez não de água, mas sim de fogo, no "Dia do Juízo". Deus punirá os culpados e premiará as pessoas de fé.
BUDISTAS: O fim de cada ser está relacionado ao perene ciclo cármico dos nascimentos, mortes e renascimentos, fruto das ações individuais e coletivas nesta vida e nas encarnações precedentes. Através da meditação, todos os seres poderão interromper esse ciclo e compreender que tudo aquilo que existe é pura ilusão.
HlNDUISTAS: Também possuem uma visão cíclica da vida e do mundo. Para os hinduístas, existiram e existirão muitos inícios e muitos fins de mundos. Cada época é caracterizada por um gigantesco caos final, com uma tremenda batalha entre as forças do mal e do bem, antes do surgimento de uma nova era.
ENTREVISTA CONCEDIDA POR DIVALDO EM CRICIUMA EM 03.03.99
O Espírita - Estamos no final do milênio, é o fim do mundo ?
Divaldo Pereira Franco - O mundo não se vai acabar. Mesmo por que nada se acaba tudo se transforma desde a tese de Lavoisier. Estamos nos aproximando de um ciclo que se encerra como é natural, periodicamente os ciclos culturais tem uma fase final como as civilizações. Se nós olharmos as civilizações orientais vemos o apogeu da Assíria, da Babilônia, da Índia, do Egito e a sua decadência. O grande êxito da Grécia e a sua decadência, o Império Romano e naturalmente mais tarde também a sua divisão em duas partes e por fim o transtorno que invadiu o mundo durante o período medieval. A Terra como é natural é um planeta de provas e expiações que naturalmente está sendo transferido para mundo de regeneração, e as dores que nós estamos experimentando, nada mais são do que um processo de transformação que nos vai abria a porta para um novo ciclo de evolução. O fim do mundo é uma figura simbólica, por que o mundo não se acabará e nem tampouco nós outros.
Centro Espírita Celeiro de Luz
Poucos fenômenos religiosos são mais paradoxais e repetitivos do que a expectativa apocalíptica ou seja, a crença numa transformação radical e iminente do mundo. Por um lado, a primeira coisa que se pode dizer dessa crença é que, em todas as vezes que se manifestou, mostrou-se sempre equivocada. Por outro lado, apesar de desapontar constantemente, continua a surgir, com maior ou menor intensidade, e a arrastar ocasionalmente grandes massas de pessoas que nela confiam cegamente.
O que intriga os cientistas é que, embora se apóie sempre sobre pressupostos falsos, a crença apocalíptica pode assumir grandes proporções e canalizar imensas forças. Pode inspirar seus seguidores a praticar monumentais sacrifícios (vide suicídios coletivos das seitas apocalípticas de Jim Jones, do Templo Solar, dos davidianos de Waco, etc.). Pode engendrar comporta mentos radicais, desde os mais pacíficos até os mais violentos. Além disso, uma outra característica importante dos grandes movimentos apocalípticos é que eles raramente desaparecem, mesmo depois que seus prognósticos de destruição total mostram-se completamente falsos. Seus integrantes apenas reescrevem a história passada do seu respectivo movimento, de modo a eliminar as previsões que se mostraram errôneas.
Outro aspecto típico do fenômeno é que, ironicamente, as mesmas esperanças e temores apocalípticos produzem reações contraditórias, na forma de movimentos muitas vezes diametralmente opostos. No seu aspecto negativo, paranóico, violento e destrutivo, valem os mesmos exemplos citados das seitas que praticaram o suicídio coletivo. No aspecto positivo; encontramos o próprio movimento new age, com todas as suas propostas messiânicas de um futuro melhor, mais pacífico, próspero, saudável e feliz.
Embora o jogo milenarista de temor do final dos tempos versus esperança num mundo melhor exista em atividade contínua pelo menos desde o início da nossa cultura judaico-cristã, existem épocas em que ele se acentua de modo quase obsessivo, galvanizando imensas parcelas da população. Tais épocas costumam estar relacionadas aos assim chamados " anos de números redondos ", como as viradas de século e, principalmente, as viradas de milênio.
Quando se estudam as características das crenças milenaristas e apocalípticas no coletivo social durante esses períodos históricos, uma primeira constatação salta à vista: o quadro de fundo histórico e psicológico é sempre o mesmo.
No ano 1000, época da primeira virada de milênio em tempos cristãos, todas as características milenaristas estavam presentes: ondas de conversão em massa à então religião dominante, o cristianismo; profundas reformas governamentais e eclesiásticas peregrinação em massa aos lugares santos, particularmente Jerusalém; proliferação de seitas heréticas e de movimentos apostólicos paralelos à Igreja; execução de hereges e violência popular contra judeus e muçulmanos; surgimento da "Paz de Deus", primeiro movimento coletivo em prol da paz de toda a história mundial. Quando o ano 1000, apesar de toda a excitação que o acompanhou, falhou em trazer consigo o esperado final dos tempos, as esperanças voltaram-se para o ano 1033. Alegou-se então que este seria o ano do apocalipse, já que Cristo morrera aos 33 anos e o propalado fim do mundo ocorreria mil anos após a sua morte, e não ao seu nascimento.
O exame dos documentos dessa época traça um panorama histórico digno de muita reflexão. Esses documentos retratam um mundo selvagem, com a natureza ainda quase intocada, onde os seres humanos, ignorantes e supersticiosos, armados de instrumentos irrisórios, lutavam de modo em geral inglório contra os poderes da terra e as forças da natureza. Cercados pela doença, atormentados pela fome, passavam a maior parte da sua vida tentando arrancar à terra uma parca alimentação.
Ao lado de toda essa tragédia, alguns chefes, senhores da guerra ou da religião, percorriam com soldados armados aquele universo miserável, apoderando-se das poucas riquezas da população para encher seus palácios ou suas igrejas. Como podemos ver, qualquer similitude com a realidade histórica dos dias de hoje não é mera coincidência. O mundo mudou muito em matéria de hábitos e costumes, em matéria de tecnologia e ciência. Mas a realidade social e anímica do indivíduo e da sociedade de hoje não difere muito do quadro que existia na virada do ano 1000. Ainda existem, de um lado, minorias laicas poderosas que gozam de riquezas materiais, e do outro lado uma enorme massa de pobres e miseráveis. Ainda pululam lideres religiosos que exploram a credulidade alheia e amealham fortunas à custa dela.
Todos os fatores que caracterizam tempos milenares estão bem presentes. Mas é, curiosamente superdesenvolvida área cientifica que emergem as mais impressionantes previsões apocalípticas: a hecatombe atômica continua a nos ameaçar, o efeito estufa, a destruição da camada de ozônio, a poluição da terra, água e do ar, o esgotamento recursos terrestres, etc., etc.
O perigo é real - : todas ameaças à sobrevivência da humanidade - motivadas pela ganância, incúria e irresponsabilidade própria humanidade - não podem ser negadas. Apesar disso em termos estritamente científicos, do mundo não acontecerá tão cedo. A partir das observações dos importantes astrofísicos, o cosmos se manterá em expansão ainda bilhões e bilhões de anos, até começar a encolher, contraindo-se até o desaparecimento. Nosso sol um dia vai se transformar numa gigantesca estrela vermelha, como as estrelas que hoje se encontram no final das suas vidas. Seu volume irá inchar enormemente, e sua superfície se estenderá para alem das órbitas de Mercúrio, Vênus e Terra. Nosso planeta se encontrará num ambiente de 3 mil graus centígrados, e será rapidamente transformado em vapor. Tudo isso vai acontecer dentro de... cinco bilhões de anos.
Se podemos, portanto, dormir sossegados ainda por muito tempo quanto aos apocalipses astrofísicos, o mesmo não se pode dizer daqueles ecológicos. Eles reclamam providências urgentes. As ameaças aos oceanos, por exemplo. Segundo os cenários mais pessimistas desenhados pelos peritos em climatologia, o aumento global da temperatura previsto para as próximas décadas (cerca de 0,3 graus a cada dez anos) implicará uma elevação do nível dos mares de 20 centímetros ao redor de 2030, e de 65 centímetros ao redor de 2100. Elevação suficiente para varrer do mapa muitas ilhas rasas, como as Maldivas, e para ameaçar várias cidades costeiras como o Rio de Janeiro, Veneza e San Francisco,
A crescente desertificação é outra fenômeno ligado às mudanças climáticas. Calcula-se que 70 mil quilômetros quadrados de terra fértil são abandonados a cada ano por exaustão do solo, e outros 200 mil têm sua produção em declínio. O fenômeno está ligado também a práticas erradas de irrigação: sem drenagem acurada, capaz de permitir um bom escoamento das águas, os sais minerais se acumulam no solo quando a água evapora. Certos cálculos afirmam que 14% da superfície da Terra é atingida por erosões causadas pelo homem.
A superpopulação do planeta é outro dado ameaçador. Ela permaneceu constante durante dezenas de milhares de anos. Depois começou a crescer num ritmo cada vez mais impetuoso. Se partirmos do ano um, quando existiam cerca de 250 milhões de seres humanos, dobraremos essa cifra em cerca do ano 1650. Apenas 150 anos depois, no início do século 19, ocorreu a segunda duplicação. Hoje, dobramos a população mundial a cada 40 anos. Em 2050, as projeções indicam que haveria entre 7,7 bilhões e 11 bilhões de seres humanos a caminhar sobre a Terra.
Graças principalmente à ação humana, para muitas espécies de animais o apocalipse já aconteceu ou está acontecendo. Em termos técnicos, chama-se a isso ~ diminuição da biodiversidade. Na prática, significa que a espécie humana cancela outras espécies do planeta a uma velocidade impressionante. Junto às florestas destruídas, desaparecem os seus habitantes, os animais e as plantas que constituem mais da metade do patrimônio genético do planeta. Calcula-se que a cada 15 minutos uma espécie inteira desaparece para sempre. São perdas que não conseguimos sequer avaliar, pois não sabemos quais das plantas que cancelamos da lista da vida podem conter um elemento precioso para a indústria dos medicamentos, que baseia boa parte dos seus preparados em substancias colhidas na natureza. Conhecem-se melhor as dimensões dessa tragédia quando a atenção se volta para alguns animais-símbolo, como é o caso do rinoceronte. Os de Sumatra estão reduzidos a não mais de 400 exemplares; os javaneses, a apenas 70; os indianos, a 2 mil; o rinoceronte negro africano, a 2.400; o branco africano, a 7.500. Diante desses números, a esperança de sobrevivência da espécie é praticamente nula.
A poluição ambiental é hoje um dos principais sinais da possibilidade de um apocalipse ecológico. Não existe um só ponto da superfície do planeta que não esteja tocado pela poluição. Traços dos gases venenosos exalados pelos escapamentos dos automóveis europeus e norte-americanos encontram-se até no Pólo Norte, onde originam um fenômeno denominado "névoa polar", que altera artificialmente as cores da atmosfera. Apenas uma pequena parte da Terra está ainda relativamente intacta. São as zonas mais extremas, mais inóspitas dos desertos e das geleiras. Na Europa, elas se limitam a partes restritas da Islândia, Suécia e Noruega. As zonas de maior interesse naturalístico da Rússia, em particular as da Sibéria, são as que neste momento correm maiores perigos.
Arrastados pelo aumento da população e pela difusão de um estilo de vida baseado na grande produtividade e no alto consumo, todos os principais indicadores ecológicos correm para o vermelho. A reservas de cereais alcançaram seu ponto mais baixo. Em todo mundo pesca-se muito mais do que os mares e os rios podem oferecer e desse modo se reduzem as reservas e não se permite a adequada reposição dos cardumes. As florestas tropicais desaparecem ao ritmo alarmante de 1% ao ano: do encontro para o meio ambiente de 1992 no Rio de Janeiro até os dias atuais, cerca de 750 mil quilômetros quadrados de florestas foram devastados. Com eles desapareceu parte do manto pluvial que estabiliza a atmosfera do planeta.
O apocalipse ecológico dos nossos dias é constituído por uma cadeia de fenômenos entrelaçados, que se influenciam uns aos outros, como num efeito dominó. No ano 2005, pela primeira vez na história da humanidade, o número de cidadãos urbanos - que até há pouco eram ínfima minoria - irá superar o número de cidadãos do campo. Em 2020, a população urbana já será de 61% do total. Essa explosão trará consigo uma completa transformação dos hábitos de consumo e dos hábitos de vida, de conseqüências ainda imprevisíveis. De acordo com alguns especialistas mais drásticos, um bom exemplo do caos ambiental urbano que nos espera é São Paulo. A metrópole paulista devora 12 quilômetros quadrados de verde ao ano. Em apenas meio século' sua área devastada passou de 180 quilômetros quadrados para mais de 900 quilômetros quadrados!
A ciência contemporânea, embora negue a possibilidade de um apocalipse total, entendido como fim do mundo, está atenta aos pequenos apocalipses que acontecem na realidade de cada instante. Por esse motivo, muitos cientistas falam hoje abertamente da possibilidade de uma completa reorganização sistêmica do mundo e da sociedade humana. É para debater esse fenômeno que instituições como o Center for Millennial Studies foram criadas.
O Fim do Mundo Segundo as Religiões
CATÓLICOS: O fim do mundo para a doutrina católica é o momento do Juízo Final e do retorno do Messias. A esse derradeiro julgamento acorrerão todos, os vivos e os mortos, para serem julgados pelas suas ações. Mas, de modo um tanto diferente do que ocorria no passado, quando os que incorreram em pecados mortais eram condenados ao inferno perene, a teologia católica moderna mais e mais faz referência ao aspecto todo-misericordioso de Deus.
PROTESTANTES: As igrejas evangélicas não defendem uma visão catastrófica do fim do mundo. Preferem acreditar no retorno de Jesus no dia do Juízo Final. Os protestantes lêem o livro do Apocalipse em chave simbólica, para lembrar aos crentes que devem ter confiança, que são observados e vigiados e que a última palavra é sempre aquela proferida pela graça de Deus.
JUDEUS: Para a religião hebraica não haverá um fim catastrófico do mundo, mas sim uma época futura de grandes transformações que tenderão para o bem. Os judeus esperam a chegada do Messias, que assinalará o advento de uma nova era de total harmonia entre os homens e o retorno mundial à crença num único Deus.
MUÇULMANOS: No islamismo existe a idéia de uma destruição final precedida pela "maior de todas as guerras", e por um segundo dilúvio, desta vez não de água, mas sim de fogo, no "Dia do Juízo". Deus punirá os culpados e premiará as pessoas de fé.
BUDISTAS: O fim de cada ser está relacionado ao perene ciclo cármico dos nascimentos, mortes e renascimentos, fruto das ações individuais e coletivas nesta vida e nas encarnações precedentes. Através da meditação, todos os seres poderão interromper esse ciclo e compreender que tudo aquilo que existe é pura ilusão.
HlNDUISTAS: Também possuem uma visão cíclica da vida e do mundo. Para os hinduístas, existiram e existirão muitos inícios e muitos fins de mundos. Cada época é caracterizada por um gigantesco caos final, com uma tremenda batalha entre as forças do mal e do bem, antes do surgimento de uma nova era.
ENTREVISTA CONCEDIDA POR DIVALDO EM CRICIUMA EM 03.03.99
O Espírita - Estamos no final do milênio, é o fim do mundo ?
Divaldo Pereira Franco - O mundo não se vai acabar. Mesmo por que nada se acaba tudo se transforma desde a tese de Lavoisier. Estamos nos aproximando de um ciclo que se encerra como é natural, periodicamente os ciclos culturais tem uma fase final como as civilizações. Se nós olharmos as civilizações orientais vemos o apogeu da Assíria, da Babilônia, da Índia, do Egito e a sua decadência. O grande êxito da Grécia e a sua decadência, o Império Romano e naturalmente mais tarde também a sua divisão em duas partes e por fim o transtorno que invadiu o mundo durante o período medieval. A Terra como é natural é um planeta de provas e expiações que naturalmente está sendo transferido para mundo de regeneração, e as dores que nós estamos experimentando, nada mais são do que um processo de transformação que nos vai abria a porta para um novo ciclo de evolução. O fim do mundo é uma figura simbólica, por que o mundo não se acabará e nem tampouco nós outros.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
...uma esperança...Leonardo Boff.
Uma esperança: a Era do Ecozóico
Quem leu meu artigo anterior O antropoceno:uma nova era geológica deve ter ficado desolado. E com razão, pois, quis intencionalmente provocar tal sentimento. Com efeito, a visão de mundo imperante, mecanicista, utilitarista, antropocêntrica e sem respeito pela Mãe Terra e pelos limites de seus ecossistemas só pode levar a um impasse perigoso: liquidar com as condições ecológicas que nos permitem manter nossa civilização e a vida humana neste esplendoroso Planeta.
Mas como tudo tem dois lados, vejamos o lado promissor da atual crise: o alvorecer de uma nova era, a do Ecozóico. Esta expressão foi sugerida por um dos maiores astrofísicos atuais, diretor do Centro para a História do Universo, do Instituto de Estudos Integrais da Califórnia: Brian Swimme.
Que significa a Era do Ecozóico? Significa colocar o ecológico como a realidade central a partir da qual se organizam as demais atividades humanas, principalmente a econômica, de sorte que se preserve o capital natural e se atenda as necessidades de toda a comunidade vida presente e futura. Disso resulta um equilíbrio em nossas relações para com a natureza e a sociedade no sentido da sinergia e da mútua pertença deixando aberto o caminho para frente.
Vivíamos sob o mito do progresso. Mas este foi entendido de forma distorcida como controle humano sobre o mundo não-humano para termos um PIB cada vez maior. A forma correta é entender o progresso em sintonia com a natureza e sendo medido pelo funcionamento integral da comunidade terrestre. O Produto Interno Bruto não pode ser feito à custa do Produto Terrestre Bruto. Aqui está o nosso pecado original.
Esquecemos que estamos dentro de um processo único e universal – a cosmogênese – diverso, complexo e ascendente. Das energias primordiais chegamos à matéria, da matéria à vida e da vida à consciência e da consciência à mundialização. O ser humano é a parte consciente e inteligente deste processo. É um evento acontecido no universo, em nossa galáxia, em nosso sistema solar, em nosso Planeta e nos nossos dias.
A premissa central do Ecozóico é entender o universo enquanto conjunto das redes de relações de todos com todos. Nós humanos, somos essencialmente, seres de intrincadíssimas relações. E entender a Terra com um superorganismo vivo que se autoregula e que continuamente se renova. Dada a investida produtivista e consumista dos humanos, este organismo está ficando doente e incapaz de “digerir” todos os elementos tóxicos que produzimos nos últimos séculos. Pelo fato de ser um organismo, não pode sobreviver em fragmentos mas na sua integralidade. Nosso desafio atual é manter a integridade e a vitalidade da Terra. O bem-estar da Terra é o nosso bem-estar.
Mas o objetivo imediato do Ecozóico não é simplesmente diminuir a devastação em curso, senão alterar o estado de consciência, responsável por esta devastação. Quando surgiu o cenozóico (a nossa era há 66 milhões de anos) o ser humano não teve influência nenhuma nele. Agora no Ecozóico, muita coisa passa por nossas decisões: se preservamos uma espécie ou um ecossistema ou os condenamos ao desaparecimento. Nós copilotamos o processo evolucionário.
Positivamente, o que a era ecozóica visa, no fim das contas, é alinhar as atividades humanas com as outras forças operantes em todo o Planeta e no Universo, para que um equilíbrio criativo seja alcançado e assim podermos garantir um futuro comum. Isso implica um outro modo de imaginar, de produzir, de consumir e de dar significado à nossa passagem por este mundo. Esse significado não nos vem da economia mas do sentimento do sagrado face ao mistério do universo e de nossa própria existência.Isto é a espiritualidade.
Mais e mais pessoas estão se incorporando à era ecozóica. Ela, como se depreende, está cheia de promessas. Abre-nos uma janela para um futuro de vida e de alegria. Precisamos fazer uma convocação geral para que ela seja generalizada em todos os âmbitos e plasme a nova consciência.
Leonardo Boff é autor de Cuidar da Terra-Proteger a vida. Record 2010.
Quem leu meu artigo anterior O antropoceno:uma nova era geológica deve ter ficado desolado. E com razão, pois, quis intencionalmente provocar tal sentimento. Com efeito, a visão de mundo imperante, mecanicista, utilitarista, antropocêntrica e sem respeito pela Mãe Terra e pelos limites de seus ecossistemas só pode levar a um impasse perigoso: liquidar com as condições ecológicas que nos permitem manter nossa civilização e a vida humana neste esplendoroso Planeta.
Mas como tudo tem dois lados, vejamos o lado promissor da atual crise: o alvorecer de uma nova era, a do Ecozóico. Esta expressão foi sugerida por um dos maiores astrofísicos atuais, diretor do Centro para a História do Universo, do Instituto de Estudos Integrais da Califórnia: Brian Swimme.
Que significa a Era do Ecozóico? Significa colocar o ecológico como a realidade central a partir da qual se organizam as demais atividades humanas, principalmente a econômica, de sorte que se preserve o capital natural e se atenda as necessidades de toda a comunidade vida presente e futura. Disso resulta um equilíbrio em nossas relações para com a natureza e a sociedade no sentido da sinergia e da mútua pertença deixando aberto o caminho para frente.
Vivíamos sob o mito do progresso. Mas este foi entendido de forma distorcida como controle humano sobre o mundo não-humano para termos um PIB cada vez maior. A forma correta é entender o progresso em sintonia com a natureza e sendo medido pelo funcionamento integral da comunidade terrestre. O Produto Interno Bruto não pode ser feito à custa do Produto Terrestre Bruto. Aqui está o nosso pecado original.
Esquecemos que estamos dentro de um processo único e universal – a cosmogênese – diverso, complexo e ascendente. Das energias primordiais chegamos à matéria, da matéria à vida e da vida à consciência e da consciência à mundialização. O ser humano é a parte consciente e inteligente deste processo. É um evento acontecido no universo, em nossa galáxia, em nosso sistema solar, em nosso Planeta e nos nossos dias.
A premissa central do Ecozóico é entender o universo enquanto conjunto das redes de relações de todos com todos. Nós humanos, somos essencialmente, seres de intrincadíssimas relações. E entender a Terra com um superorganismo vivo que se autoregula e que continuamente se renova. Dada a investida produtivista e consumista dos humanos, este organismo está ficando doente e incapaz de “digerir” todos os elementos tóxicos que produzimos nos últimos séculos. Pelo fato de ser um organismo, não pode sobreviver em fragmentos mas na sua integralidade. Nosso desafio atual é manter a integridade e a vitalidade da Terra. O bem-estar da Terra é o nosso bem-estar.
Mas o objetivo imediato do Ecozóico não é simplesmente diminuir a devastação em curso, senão alterar o estado de consciência, responsável por esta devastação. Quando surgiu o cenozóico (a nossa era há 66 milhões de anos) o ser humano não teve influência nenhuma nele. Agora no Ecozóico, muita coisa passa por nossas decisões: se preservamos uma espécie ou um ecossistema ou os condenamos ao desaparecimento. Nós copilotamos o processo evolucionário.
Positivamente, o que a era ecozóica visa, no fim das contas, é alinhar as atividades humanas com as outras forças operantes em todo o Planeta e no Universo, para que um equilíbrio criativo seja alcançado e assim podermos garantir um futuro comum. Isso implica um outro modo de imaginar, de produzir, de consumir e de dar significado à nossa passagem por este mundo. Esse significado não nos vem da economia mas do sentimento do sagrado face ao mistério do universo e de nossa própria existência.Isto é a espiritualidade.
Mais e mais pessoas estão se incorporando à era ecozóica. Ela, como se depreende, está cheia de promessas. Abre-nos uma janela para um futuro de vida e de alegria. Precisamos fazer uma convocação geral para que ela seja generalizada em todos os âmbitos e plasme a nova consciência.
Leonardo Boff é autor de Cuidar da Terra-Proteger a vida. Record 2010.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Nossa obesidade mental...
Obesidade Mental
O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity»,
que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais
em geral.
Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o
conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema
da sociedade moderna.
- «Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos
perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.
Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da
informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios
que esses.»
- Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de
preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que
de hidratos de carbono.
As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos
tacanhos, condenações precipitadas.
Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas
e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas
e realizadores de cinema.
Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as
revistas e romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola.
- «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes
se comerem apenas doces e chocolate.
Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a
dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados,
videojogos e telenovelas.
Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina,
romance, violência e emoção,
é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e
equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os
Abutres", afirma:
- «O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de
reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das
realizações humanas.
A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir,
agredir e manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade
fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.
«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
- «O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.
Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy.
Todos dizem que a Capela Sistina tem teto, mas ninguém suspeita para
que é que ela serve.
Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê.
Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
- «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes
realizações do espírito humano estejam em decadência.
A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a
cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil,
paradoxal ou doentia.
Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da
civilização, como tantos apregoam.
É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.»
O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity»,
que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais
em geral.
Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o
conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema
da sociedade moderna.
- «Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos
perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.
Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da
informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios
que esses.»
- Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de
preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que
de hidratos de carbono.
As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos
tacanhos, condenações precipitadas.
Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas
e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas
e realizadores de cinema.
Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as
revistas e romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola.
- «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes
se comerem apenas doces e chocolate.
Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a
dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados,
videojogos e telenovelas.
Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina,
romance, violência e emoção,
é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e
equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os
Abutres", afirma:
- «O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de
reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das
realizações humanas.
A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir,
agredir e manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade
fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.
«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
- «O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.
Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy.
Todos dizem que a Capela Sistina tem teto, mas ninguém suspeita para
que é que ela serve.
Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê.
Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
- «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes
realizações do espírito humano estejam em decadência.
A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a
cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil,
paradoxal ou doentia.
Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da
civilização, como tantos apregoam.
É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.»
sábado, 15 de janeiro de 2011
Muito lúcido-Leonardo Boff
O preço de não escutar a natureza
O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais.
Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que destribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.
A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrário, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.
Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que ai viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.
Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam.
Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.
No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais freqüentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.
Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.
Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.
Leonardo Boff é filósofo/teólogo
O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais.
Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que destribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.
A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrário, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.
Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que ai viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.
Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam.
Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.
No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais freqüentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.
Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.
Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.
Leonardo Boff é filósofo/teólogo
Assinar:
Postagens (Atom)