O Zohar
O Sefer ha-Zohar - o Livro do Esplendor - É, sem sombra de dúvida, a obra principal e mais sagrada da Cabalá, a dimensão mística do judaísmo. Fonte inesgotável de sabedoria e conhecimento, seus ensinamentos e revelações se equiparam, em importância, aos da Torá e do Talmud.
De autoria do grande Rabi Shimon bar Yochai, o Zohar permanece inacessível até os dias de hoje para a grande maioria dos que tentam transpor o mistério que encerra.
Quem sabe se por esta razão, ou apesar desta, nenhuma outra obra mística jamais despertou tanta curiosidade e exerceu tão grande influência
O Zohar é a coluna vertebral da Cabalá, também chamada de Chochmat ha-Emet - a Sabedoria da Verdade. Na língua hebraica, Cabalá significa "recebimento" ou "o que foi recebido". Por ser parte integral da Torá, tem origem e natureza Divina. Apesar de seus ensinamentos terem sido transmitidos a Adão e aos patriarcas do povo judeu, foi Moisés quem os recebeu diretamente de D'us durante a Revelação no Monte Sinai e os instituiu formalmente como parte da história do povo de Israel. Desde então, esta sabedoria mística vem sendo repassada de geração em geração para uns poucos escolhidos entre os líderes espirituais.
Chamados de nistarim (literalmente "os ocultos"), os primeiros cabalistas preservaram zelosamente esses ensinamentos, transmitindo- os oralmente às gerações seguintes. Somente no século II da era comum, surgiria no seio de Israel um homem que possuía os dons espirituais e intelectuais que lhe permitiram dar forma a essa sabedoria milenar. Seu nome era Rabi Shimon bar Yochai, uma das personalidades mais reverenciadas na história judaica. A ele coube o zechut, o honroso mérito de revelar a Luz Divina em todo a sua majestade e esplendor.
Grande líder e um dos maiores sábios talmúdicos, Rabi Shimon viveu em uma época muito conturbada. Durante sua geração, Israel penava sob o jugo romano, tendo que se sujeitar à proibição do estudo da Torá, esta apenas uma entre as inúmeras imposições de Roma. A gravidade da situação levou os mestres da Lei a adotarem medidas excepcionais. Preocupados que a perseguição e a dispersão dos judeus pudessem resultar na perda parcial dos ensinamentos da Torá Oral, os sábios deram seu consentimento para que os fundamentos de seu conteúdo fossem transcritos.
Portanto, o Talmud, seus comentários, o Midrash e os ensinamentos cabalísticos começaram a ser compilados e escritos. E foi Rabi Shimon bar Yochai quem estruturou a tradição mística através do Zohar.
No entanto, havia um grande problema na transcrição dos segredos da Cabalá. Os sábios temiam que pessoas sem preparo espiritual tivessem acesso aos segredos da Criação e do Universo. Para evitar que isso acontecesse, O Livro do Esplendor foi escrito de forma praticamente indecifrável para os não iniciados. E a primeira condição para se fazer parte desse grupo pequeno e seleto era possuir um vasto e profundo conhecimento sobre a Torá e sobre a tradição cabalística.
Livro fechado
O Sefer ha'Zohar é um livro fechado e as chaves para sua compreensão permanecem em mãos de um número reduzido de sábios. Esta obra pode ser comparada a um sistema codificado, de extrema complexidade, que esconde tesouros inestimáveis. Rabi Shimon era um daqueles seres pertencentes a um plano espiritual tão elevado que, entre os que estudam a sua obra, são poucos os que conseguem assimilar parte de seus ensinamentos. Não obstante, mesmo com apenas um pouco desse conhecimento, constroem-se montanhas de sabedoria.
Como vimos, para os não iniciados, o Zohar é misterioso e praticamente impenetrável. As dificuldades de compreensão estão presentes em quase todos os níveis da obra. Além da insondável profundidade de seus preceitos, seu estilo literário peculiar e sua dialética dificultam a compreensão. Seus textos, escritos em hebraico ou em aramaico antigo, estão "codificados" , impossibilitando, assim, que pessoas leigas entendam seu significado. Imagens simbólicas são usadas no lugar de uma terminologia racional e tópicos independentes são tratados em conjunto, colocando lado a lado assuntos aparentemente sem relação entre si.
Muitas das passagens do Zohar são compostas por combinações de alusões fragmentadas, que somente podem ser conectadas por associações secretas. Mas, na realidade, as conexões existem e são bastante claras para aqueles que entendem seu simbolismo e significado. Um sábio familiarizado com os segredos místicos da Torá entende perfeitamente seu conteúdo, seu estilo e sua estrutura aparentemente ilógica. Se para os não iniciados muitos de seus ensinamentos carecem de significado, estes mesmos preceitos são, para os que podem decifrá-los, a chave para desvendar os maiores e mais profundos segredos da existência e do universo.
Apesar de terem sido traduzidos para o hebraico moderno e para outros idiomas, os verdadeiros ensinamentos do Sefer ha-Zohar continuam sendo praticamente incompreensíveis. Mesmo para a maioria dos eruditos na Torá, o Livro do Esplendor continua sendo um enigma. O Talmud e outras obras da lei judaica são acessíveis e compreensíveis; não apenas é permitido o seu estudo, como também é incentivado e é uma obrigação colocar-se em prática os seus ensinamentos. Já o Zohar continua além do alcance intelectual e espiritual da maioria dos judeus - pelo menos por enquanto. Grandes cabalistas sempre alertaram que o privilégio de estudar e entender esta obra era reservado para muito poucos.
O cuidado e o resguardo em relação ao Zohar sempre foram impostos com o propósito de preservar não só a obra, mas também a alma daqueles que se aventurassem a estudá-la. Temia-se que seus ensinamentos e revelações pudessem ser mal interpretados ou usados de forma inadequada. Infelizmente, esses temores se confirmaram no decorrer da história. Houve vários casos de indivíduos e até mesmo de grupos que, após mergulharem nas águas do misticismo judaico sem o preparo adequado, acabaram por se perder.
Ainda mais grave: seus ensinamentos místicos foram utilizados por falsos messias e distorcidos por místicos e por adeptos da ciência do ocultismo. Os resultados foram catastróficos. Por isso, cabe alertar o leitor que o estudo do Zohar e da Cabalá somente deve ser conduzido na companhia de um professor que, além de instruído, tenha atingido um equilíbrio espiritual e mental.
Seu conteúdo
O Zohar é fonte de inspiração e sabedoria para os iniciados que ousam adentrar seus segredos. Seus principais focos são a teosofia - a interação das sefirot e seus mistérios, a conduta humana e o destino dos seres humanos neste mundo bem como no mundo das almas. São raras as ocasiões em que discute de forma explícita a meditação ou a experiência mística.
Ao penetrar na superfície literal da Torá, O Livro do Esplendor revela as profundezas místicas de suas histórias, leis e segredos. Transforma a narrativa bíblica em uma "biografia de D'us". Toda a Torá é lida como permutações de Nomes Divinos. Cada uma de suas palavras ou de suas mitzvot simbolizam algum aspecto das sefirot - que representam as maneiras pelas quais D'us interage com Sua Criação. O Zohar revela que o real significado da Torá reside em sua parte oculta - chamada de nistar - e em seus segredos místicos.
Mas esta obra grandiosa não trata apenas de assuntos esotéricos e místicos. Não há uma única preocupação sobre a existência humana que permaneça intocada em suas páginas. Apesar da aura de mistério que a cerca, muitos de seus ensinamentos têm servido de guia para várias gerações. De um lado, o Zohar se aprofunda nos maravilhosos mistérios da alma e do Criador; do outro, aborda assuntos como o poder do mal e a necromancia. Nele encontram-se visões da Redenção Messiânica, assim como soluções para as complexas relações entre seres humanos e os problemas de seu cotidiano.
Alicerçado principalmente na Torá, o Zohar é uma obra imensa, dividida em três trabalhos principais que são, por sua vez, subdivididos em outros segmentos. Trata-se principalmente de uma exegese - uma dissertação de homilias - e suas idéias emergem através de comentários e discursos. Nele estão as interpretações místicas e os comentários das sidrot - as leituras semanais da Torá.
A obra não se restringe aos Cinco Livros de Moisés; também aborda outros livros da Torá, inclusive o Cântico dos Cânticos, o Livro de Ruth e as Lamentações. Não cabe enfatizar em demasia que a Cabalá é a parte secreta da Torá e, portanto, não poderia ser estudada ou seguida à parte da Torá revelada. Acreditar ou estudar a Cabalá sem o respaldo da Torá Escrita e Oral é, no mínimo, incongruente, pois não há um único trabalho cabalístico que não contenha citações dos 24 livros da Torá Escrita, do Talmud e do Midrash.
Assim como o Talmud, o Zohar cobre todas as manifestações do espírito judaico. Porém, enquanto o primeiro é essencialmente uma obra sobre a Lei Judaica, com pitadas de misticismo, o segundo é principalmente um trabalho místico que aborda e elabora sobre algumas leis do Torá. O Zohar descreve a realidade esotérica subjacente à experiência cotidiana. Nele, temas e histórias, tópicos legais e assuntos litúrgicos são vistos e expostos através de uma interpretação mística.
Um breve histórico
Os ensinamentos da Cabalá começaram a assumir uma forma estruturada através do Livro do Esplendor, de Rabi Shimon bar Yochai. Segundo o Talmud, após ter fugido das autoridades romanas que queriam matá-lo, Rabi Shimon e seu filho, Rabi Elazar, esconderam-se em uma caverna nas montanhas da Galiléia. Pai e filho lá permaneceram durante treze anos, dedicando-se completamente ao estudo da Torá. Certamente Rabi Shimon já havia sido exposto aos ensinamentos místicos judaicos.
Mas, enquanto estavam na caverna, ele e seu filho foram visitados pelas almas de Moisés e do profeta Eliahu, que lhes revelaram muitos outros preceitos cabalísticos. É possível que outros sábios, antes e depois dele, também tenham tido os dons intelectuais e espirituais para transmitir os ensinamentos da Cabalá. Mas foi Rabi Shimon, devido à sua luz, à pureza de sua alma e aos seus méritos, o escolhido por D'us para fazê-lo.
Como atesta a própria obra, coube a Rabi Abba, um dos alunos de Rabi Shimon, a tarefa de registrar por escrito os ensinamentos de seu mestre. Parte do Zohar não foi transcrita na época; foi preservada e transmitida de forma oral pelos discípulos de Rabi Shimon, conhecidos como "a Chevraiá".
Mas apesar de transcrito, ainda não havia chegado a hora de ser divulgado o seu conteúdo. Segundo a tradição, seus manuscritos originais ficaram escondidos durante mil anos e foram descobertos apenas no século XIII. Durante as décadas de 1270 e 1280, estes manuscritos ficaram restritos a círculos cabalistas. Finalmente, chegaram às mãos de um místico judeu espanhol, Rabi Moshe de Leon (1238-1305), que os editou e publicou na década de 1290.
Por que teria essa obra magna sido permanecida escondida por tanto tempo? O próprio Livro do Esplendor revela a razão ao afirmar que sua sabedoria e luz seriam reveladas como preparação para a Redenção Final, que deveria ocorrer 1.200 anos após a destruição do Templo Sagrado. E é exatamente o que aconteceu! O Grande Templo de Jerusalém foi destruído no ano 70 da e.C., o que significa que, segundo as previsões do Zohar, seu conteúdo deveria ser revelado no ano de 1270.
O estudo da Cabalá floresceu na Espanha e na Provença, mas até a expulsão dos judeus da Península Ibérica, o Zohar só era conhecido no meio de restritos círculos de sábios e cabalistas. Após a expulsão, ele emerge desses círculos e passa a exercer uma grande influência sobre os judeus sefaraditas. Perseguidos e expulsos, os judeus da Espanha encontraram em seus ensinamentos sobre a Redenção Messiânica uma grande fonte de conforto e esperança e tanto a obra como seu autor passaram a ser reverenciados por eles. Até hoje, o Zohar está presente no dia-a-dia dos judeus dessa origem, pois seus ensinamentos moldaram grande parte de suas tradições e seus costumes religiosos.
Muitos dos cabalistas forçados a sair da Península Ibérica se estabeleceram na cidade sagrada de Safed, em Israel, que se tornou um centro de estudos místicos. Em Safed, o Sefer ha'Zohar serviu de base para os ensinamentos de dois dos maiores cabalistas - ambos sefaraditas - da era moderna: Rabi Moshe Cordovero (falecido em 1570), conhecido como o Ramak; e o grande Rabi Yitzhak Luria (1534-1572), o Arizal.
Foi em Safed que o Arizal transmitiu seus conhecimentos sobre o Livro do Esplendor e a Cabalá. Desenvolveu um novo sistema para a compreensão de seus mistérios, chamado de Método Luriânico. Seus ensinamentos são reconhecidos como a autoridade máxima da Cabalá, tendo sido estudados pelas gerações de cabalistas que o seguiram. A partir de seus ensinamentos, a Cabalá se tornou mais acessível e passou a ser disseminada por sábios e místicos judeus. O próprio Arizal afirmara que havia chegado a era na qual não só seria permitido revelar a sabedoria da Cabalá, mas tornar-se-ia uma obrigação fazê-lo.
Mas, foi na primeira metade do século XVIII, com o surgimento do chassidismo - como passou a ser chamado o movimento iniciado no leste da Europa pelo Rabi Baal Shem Tov - que a Cabalá que fora ensinada pelo Arizal passou a atingir um número ainda maior de judeus. A principal contribuição do chassidismo foi sua adaptação da doutrina da Cabalá a uma linguagem cotidiana e de fácil compreensão. Desta maneira, a profunda sabedoria de Rabi Shimon bar Yochai passou a influenciar as massas de judeus asquenazitas do leste Europeu. Com a expansão do chassidismo os ensinamentos do Zohar passaram a influenciar um número cada vez maior de judeus.
A santidade da obra
Chamada também de Ha'Zohar ha-Kadosh - O Sagrado Zohar - esta obra é envolta por uma aura de suprema santidade. Sua natureza misteriosa e seu conteúdo inacessível só acrescentaram reverência ao respeito que provoca entre judeus e não-judeus.
Como vimos anteriormente, o Zohar é a suprema autoridade no campo do misticismo judaico, é a face mística da Revelação Divina manifestada por meio da Torá. Em termos de santidade, o Zohar foi posto em um nível ainda maior do que o Talmud, pois enquanto as leis deste último representam o corpo da Torá, os mistérios do Zohar representam sua alma. Mas, o Livro do Esplendor nunca se opõe à autoridade do Talmud nem às suas leis. Assim como alma e corpo são interdependentes; apenas quando unidos e em harmonia podem proporcionar ao homem uma vida significativa. Da mesma forma, o Zohar e o Talmud não podem cumprir sua missão, nem sobreviver de forma separada e sem uma mútua interligação.
O Zohar tem sido aceito por todo o povo judeu, independentemente de seu passado e tradições. Embora apenas um número limitado de judeus o tenha estudado de fato, continua a influenciar de maneiras que sequer podem ser imaginadas. Uma história do Baal Shem Tov revela o amor dos chassidim pelo Zohar e é também um exemplo de sua santidade e poder.
Sabe-se que o Baal Shem Tov sempre levava uma cópia desta obra com ele, sendo capaz de realizar milagres e prever o futuro através da força espiritual do livro. Um dia lhe perguntaram como tinha sido capaz de, simplesmente olhando para o Zohar, descrever os passos de um homem que havia desaparecido.
E ele respondeu com uma citação do Talmud: "A luz que D'us fez em seis dias de Criação permitiria ao homem enxergar de um lado do mundo para o outro, mas esta luz tem sido guardada para os justos no Mundo Vindouro". E onde está esta luz guardada", perguntou o Baal Shem Tov, respondendo ele próprio: "Na Torá. Então, quando eu abro o Zohar, eu posso ver o mundo todo".
segunda-feira, 11 de maio de 2009
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Guerras?...Por TUDO!!! Vania Vieira
Guerras ???Por TUDO!!!Vania Vieira
Na ânsia de compreendermos o que está acontecendo no mundo, derramando tentáculos das crises e conflitos em todas as areas da existência terrestre, pessoas têm recorrido à teoria de Samuel Huntington de que os conflitos deste século XXI serão conflitos entre civilizações. A teoria que foi logo simplificada para “guerra de religiões”. GUERRAS DE RELIGIÃO?
Estes acontecimentos ressuscitaram a inquietante pergunta acerca da relação entre violência, guerras e religiões. Seriam elas fator de paz ou contribuiriam para agravar tensões e conflitos, com um componente explosivo, pois falam em nome de Deus e trabalham com a noção de absoluto inclusive ético?
Este clichê, “guerra de religiões”, passou então a ser usado como chave de leitura para muitos outros conflitos contemporâneos.
O da Irlanda do Norte, por exemplo, em que distritos de maioria católica desejam separar-se dos outros de maioria protestante e juntar-se à República da Irlanda, vem sendo descrito como uma guerra entre “protestantes e católicos”.
O choque “palestino-israelense”, por conta das terras palestinas ocupadas pelo Estado de Israel, a partir de 1948 e sobretudo depois da guerra dos seis dias, em junho de 1967; por conta de 4,5 milhões de refugiados palestinos, com direito a retornarem ao território de onde foram expulsos; por conta das quase trezentas colônias judaicas implantadas ilegalmente nas escassas terras palestinas; por conta da difícil repartição da água, bem essencial, escasso e mais caro do que o petróleo na região; por conta do impasse sobre Jerusalém, cidade santa para judeus, cristãos e muçulmanos; por conta enfim da terrível violência mútua, onde o terrorismo virou uma arma contra civis israelenses, reprimido, por sua vez, com inaudita violência, num verdadeiro terrorismo de Estado, por parte de Israel, tudo isso, é simplificadamente descrito como um embate entre “judeus” e “muçulmanos”.
Na atual guerra de desgaste entre Índia e Paquistão, pela posse do Cashemira, região de maioria muçulmana mas sob administração da Índia, numa parte; do Paquistão noutra, e da China, numa terceira, os oponentes são descritos como “hindus” de um lado e “muçulmanos” do outro.
Nos sangrentos conflitos na ex-Iugoslávia, e na “limpeza étnica” ali praticada uns contra os outros, com o fito de criar territórios etnicamente homogêneos, os sérvios eram, sem mais, identificados como “ortodoxos”; os croatas, como “católicos”; os kosovares e a maioria dos bósnios, como “muçulmanos”.
Os conflitos no Sri Lanka, onde a minoria Tamil luta por autonomia na região norte do país, vêm sendo qualificados como choque entre “budistas” e “hindus”.
Na Indonésia, de modo particular, no Timor Leste, as lutas pela independência da ex-colônia portuguesa apareciam como confronto entre “muçulmanos” e “católicos”.
Do mesmo modo, no Sudão, a guerra que move o governo de Khartum contra as populações do sul do país, vem sendo caracterizada como confronto entre “muçulmanos” e “cristãos”.
Noutros lugares, como na Nigéria, onde oito províncias do norte acabam de adotar a “sharia” ou seja, a lei corânica como base da legislação civil penal, explodiram conflitos entre a maioria muçulmana e as minorias cristãs que se sentem ameaçadas pelo novo quadro jurídico. Estes e outros embates na Congo, Rwanda, Burundi, vem sendo descritos, ora como conflitos étnicos, ora como conflitos religiosos.
Vamos analisar juntos, críticamente, esses diferentes conflitos e mesmo guerras?
No geral, as causas destes confrontos são complexas, envolvendo jogos estratégicos na geopolítica, veladas disputas entre antigas potências coloniais, disputa entre grandes companhias pelo acesso a diamantes, petróleo, gás, urânio ou outros materiais estratégicos, além de razões históricas, econômicas, políticas e sociais, raciais e, cada vez mais, culturais. É inegável que muitos destes conflitos vêm atravessados igualmente por uma vertente religiosa, acionada ao sabor dos interesses em jogo.
BEM-AVENTURADOS OS CONSTRUTORES DA PAZ!!!
No conturbado cenário das últimas décadas, há um claro reconhecimento, por parte da sociedade internacional, de que homens e mulheres de fé, pertencentes a diferentes credos e comunidades religiosas, vêm dando uma importante contribuição para os esforços em favor da justiça e da paz mundiais.
Em 1930, o arcebispo luterano de Upsala na Suécia, Nathan Söderblom (1886-1931), primaz da igreja local recebeu o prêmio Nobel da Paz por suas iniciativas em favor da superação dos conflitos internacionais, a partir da cooperação e da busca da reconciliação e da unidade entre as igrejas cristãs. Foi Söderblom quem convocou em Estocolomo, em 1925, a primeira conferência internacional do movimento “Life and Work”, ”Vida e Ação” que se fundiu depois com o movimento “Faith and Order”, “Fé e Constituição” para constituir, em 1948, em Amsterdam, o Conselho Mundial de Igrejas.
Em 1952, foi a vez de o missionário luterano, teólogo, músico e médico da Alsácia, Albert Schweitzer (1875-1975) receber o Nobel da Paz, por incrementar a fraternidade entre os povos, a partir do seu hospital para leprosos no Gabão, a antiga África Ocidental Francesa.
A corajosa atuação não-violenta do Pastor batista, Martin Luther King (1929-1968), em favor dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, valeu-lhe o Nobel da Paz em 1964, mas também a vingança dos intolerantes que o assassinaram, em 1968, em razão dessa sua luta.
Nas últimas décadas do século passado, ao mesmo tempo em que se multiplicavam os conflitos e guerras no terceiro mundo, surgiram pessoas e organizações que se tornaram construtores de paz, sob inspiração de sua fé religiosa.
Em 1979, pela primeira vez, uma mulher recebeu o Nobel da Paz: Madre Tereza de Calcutá (1910-1997), fundadora da Ordem das Missionárias da Caridade, hoje espalhada pelo mundo todo.Em 1999, tive o privilégio de conhecer pessoalmente o seu magnifíco trabalho em prol do povo que ela adotou como seu apesar de ser ela uma religiosa, de origem albanesa. Dedicou toda sua vida aos intocáveis, leprosos, coxos, paralíticos e aos pobres, moradores de rua na Índia.
No ano seguinte, em 1980, o prêmio veio para a América Latina, para o jovem escultor e arquiteto, músico e pintor, Adolfo Pérez Esquivel (1931), fundador do SERPAJ (Servicio de Justicia y Paz), em razão de sua corajosa e intransigente defesa dos direitos humanos, em oposição ao regime militar argentino que, nos anos de chumbo da ditadura, foi responsável por mais de 30.000 pessoas desaparecidas, grande parte cruelmente torturadas, antes de serem assassinadas pelos órgãos de repressão e seus corpos jogados no mar ou incinerados.
Em 1984, foi a vez de o primeiro arcebispo anglicano negro da África do Sul, Desmond Tutu, nascido em 1931, receber o Nobel pela sua luta em favor dos direitos humanos e civis da maioria negra, contra a discriminação racial do apartheid.
O Dalai Lama, chefe religioso do budismo Tibetano, nascido em 1935, recebeu o Nobel da Paz, em 1989, pela sua incansável campanha não violenta de denúncia contra a ocupação política e militar do seu país, por parte da China.
Em 1992, a catequista da diocese do Quiche guatemalteco e ativista dos direitos indígenas, Rigoberta Menchú, recebeu o Nobel da Paz.
Em 1996, o Nobel da Paz foi conferido ao bispo católico de Dili no Timor Leste, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo, junto com José Ramos Horta, por sua luta não-violenta em favor da independência do Timor Leste, ocupado pela Indonésia logo após a saída do governo colonial português em novembro de 1975.
Em 1998, o Nobel foi conferido a John Hume, líder católico da Irlanda do Norte e a David Trimble, líder protestante do Ulster, pelo acordo de paz, assinado a 10 de abril de 1998, colocando fim a 30 anos de guerra civil na Irlanda do Norte.
Em 2000, o prêmio Nobel foi para o militante cristão e ativista dos direitos humanos e civis na Coréia do Sul, Kim Dae Jung, que se opôs às sucessivas ditaduras de partido único que dirigiram a Coréia, desde 1954. Tornando-se presidente do seu país, Kim empenhou-se também na reconciliação entre as duas Coréias, separadas desde o armistício que se seguiu à guerra de 1950 a 1953. Foi o primeiro presidente a encontrar-se com seu colega do norte, King Jong II, e a abrir as fronteiras para que famílias , de ambos os lados, separadas desde a guerra, pudessem se reencontrar.
Outras pessoas, sem terem recebido o prêmio Nobel, o mereceram pelo exemplo de suas vidas e de seu combate não-violento pela Justiça e pela Paz, tal como o Mahatma Ghandi na Índia, um homem santo na sua busca incessante de reconciliação entre os hindus e muçulmanos.
Muitos ganharam prêmios alternativos da paz, como o Papa João XXIII depois de sua corajosa atuação durante a crise dos mísseis em Cuba, em outubro de 1962. João XXIII instou diretamente as duas superpotências, Estados Unidos e União Soviética, que estiveram à beira de um conflito nuclear, a dialogarem e a superarem a crise sem uma guerra, possivelmente nuclear. Da crise nasceu sua encíclica Pacem in Terris na Páscoa de 1963. Naquele momento, João XXIII foi agraciado com o Prêmio Balzan pela Paz e, diante do novo quadro de armas de destruição massiva: nucleares, químicas e biológicas, condenou todo e qualquer tipo de guerra, como crime contra a humanidade.
Dos budistas no Japão, Dom Paulo Evaristo Arns recebeu, em Tóquio, o 11 º Prêmio Niwano da Paz (11-05-1994), pelos seus esforços em favor dos direitos humanos e do diálogo entre as religiões para o estabelecimento da justiça.
Dom Helder Camara, excluído do Prêmio Nobel da Paz pela oposição e sistemática e pressão do governo do Gal. Garrastazu Médici, sobre os jurados do Prêmio, acabou recebendo, em Oslo, em 1974, o “Prêmio Popular da Paz”, por parte da juventude dos países nórdicos. Dom Helder denunciava, naquele momento, a outra guerra silenciosa que mata milhões de pessoas por ano, de modo particular crianças pela desnutrição, pela fome e pela falta de cuidados médicos. Este doloroso quadro levou posteriormente os bispos latino-americanos a afirmarem, com ênfase, no documento sobre a Paz em Medellín”:
“A luta contra a miséria é a verdadeira guerra que devem enfrentar nossas nações” (Medellín, Doc 2 Paz, n º 29)
Dom Samuel Ruiz, bispo de San Cristobal de Las Casas no México, insistentemente indicado para o Nobel da Paz pela sua atuação na superação do conflito em Chiapas, acabou recebendo o prêmio Oscar Arnulfo Romero dos Direitos Humanos, outorgado pela Rothko Chapel da Fundação Menil de Houston no Texas.
Concluindo podemos ver, com todos estes testemunhos representando correntes e movimentos teológicos e políticos, nas várias religiões, que a busca da paz, da compaixão, do perdão e da solidariedade forma uma sólida e antiga tradição espiritual e ética. Entre muitas dessas religiões tem havido um diálogo consistente, aberto também a correntes humanistas inclusive agnósticas ou atéias, para superar preconceitos atávicos, ignorâncias mútuas e estabelecer plataformas de cooperação e respeito, para o bem da humanidade.
E aí, qual dos líderes de Organizações e Estados se levantará agora em Busca desta PAZ tão almejada e diante da ATUAL crise mundial que nos encontramos????
Na ânsia de compreendermos o que está acontecendo no mundo, derramando tentáculos das crises e conflitos em todas as areas da existência terrestre, pessoas têm recorrido à teoria de Samuel Huntington de que os conflitos deste século XXI serão conflitos entre civilizações. A teoria que foi logo simplificada para “guerra de religiões”. GUERRAS DE RELIGIÃO?
Estes acontecimentos ressuscitaram a inquietante pergunta acerca da relação entre violência, guerras e religiões. Seriam elas fator de paz ou contribuiriam para agravar tensões e conflitos, com um componente explosivo, pois falam em nome de Deus e trabalham com a noção de absoluto inclusive ético?
Este clichê, “guerra de religiões”, passou então a ser usado como chave de leitura para muitos outros conflitos contemporâneos.
O da Irlanda do Norte, por exemplo, em que distritos de maioria católica desejam separar-se dos outros de maioria protestante e juntar-se à República da Irlanda, vem sendo descrito como uma guerra entre “protestantes e católicos”.
O choque “palestino-israelense”, por conta das terras palestinas ocupadas pelo Estado de Israel, a partir de 1948 e sobretudo depois da guerra dos seis dias, em junho de 1967; por conta de 4,5 milhões de refugiados palestinos, com direito a retornarem ao território de onde foram expulsos; por conta das quase trezentas colônias judaicas implantadas ilegalmente nas escassas terras palestinas; por conta da difícil repartição da água, bem essencial, escasso e mais caro do que o petróleo na região; por conta do impasse sobre Jerusalém, cidade santa para judeus, cristãos e muçulmanos; por conta enfim da terrível violência mútua, onde o terrorismo virou uma arma contra civis israelenses, reprimido, por sua vez, com inaudita violência, num verdadeiro terrorismo de Estado, por parte de Israel, tudo isso, é simplificadamente descrito como um embate entre “judeus” e “muçulmanos”.
Na atual guerra de desgaste entre Índia e Paquistão, pela posse do Cashemira, região de maioria muçulmana mas sob administração da Índia, numa parte; do Paquistão noutra, e da China, numa terceira, os oponentes são descritos como “hindus” de um lado e “muçulmanos” do outro.
Nos sangrentos conflitos na ex-Iugoslávia, e na “limpeza étnica” ali praticada uns contra os outros, com o fito de criar territórios etnicamente homogêneos, os sérvios eram, sem mais, identificados como “ortodoxos”; os croatas, como “católicos”; os kosovares e a maioria dos bósnios, como “muçulmanos”.
Os conflitos no Sri Lanka, onde a minoria Tamil luta por autonomia na região norte do país, vêm sendo qualificados como choque entre “budistas” e “hindus”.
Na Indonésia, de modo particular, no Timor Leste, as lutas pela independência da ex-colônia portuguesa apareciam como confronto entre “muçulmanos” e “católicos”.
Do mesmo modo, no Sudão, a guerra que move o governo de Khartum contra as populações do sul do país, vem sendo caracterizada como confronto entre “muçulmanos” e “cristãos”.
Noutros lugares, como na Nigéria, onde oito províncias do norte acabam de adotar a “sharia” ou seja, a lei corânica como base da legislação civil penal, explodiram conflitos entre a maioria muçulmana e as minorias cristãs que se sentem ameaçadas pelo novo quadro jurídico. Estes e outros embates na Congo, Rwanda, Burundi, vem sendo descritos, ora como conflitos étnicos, ora como conflitos religiosos.
Vamos analisar juntos, críticamente, esses diferentes conflitos e mesmo guerras?
No geral, as causas destes confrontos são complexas, envolvendo jogos estratégicos na geopolítica, veladas disputas entre antigas potências coloniais, disputa entre grandes companhias pelo acesso a diamantes, petróleo, gás, urânio ou outros materiais estratégicos, além de razões históricas, econômicas, políticas e sociais, raciais e, cada vez mais, culturais. É inegável que muitos destes conflitos vêm atravessados igualmente por uma vertente religiosa, acionada ao sabor dos interesses em jogo.
BEM-AVENTURADOS OS CONSTRUTORES DA PAZ!!!
No conturbado cenário das últimas décadas, há um claro reconhecimento, por parte da sociedade internacional, de que homens e mulheres de fé, pertencentes a diferentes credos e comunidades religiosas, vêm dando uma importante contribuição para os esforços em favor da justiça e da paz mundiais.
Em 1930, o arcebispo luterano de Upsala na Suécia, Nathan Söderblom (1886-1931), primaz da igreja local recebeu o prêmio Nobel da Paz por suas iniciativas em favor da superação dos conflitos internacionais, a partir da cooperação e da busca da reconciliação e da unidade entre as igrejas cristãs. Foi Söderblom quem convocou em Estocolomo, em 1925, a primeira conferência internacional do movimento “Life and Work”, ”Vida e Ação” que se fundiu depois com o movimento “Faith and Order”, “Fé e Constituição” para constituir, em 1948, em Amsterdam, o Conselho Mundial de Igrejas.
Em 1952, foi a vez de o missionário luterano, teólogo, músico e médico da Alsácia, Albert Schweitzer (1875-1975) receber o Nobel da Paz, por incrementar a fraternidade entre os povos, a partir do seu hospital para leprosos no Gabão, a antiga África Ocidental Francesa.
A corajosa atuação não-violenta do Pastor batista, Martin Luther King (1929-1968), em favor dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, valeu-lhe o Nobel da Paz em 1964, mas também a vingança dos intolerantes que o assassinaram, em 1968, em razão dessa sua luta.
Nas últimas décadas do século passado, ao mesmo tempo em que se multiplicavam os conflitos e guerras no terceiro mundo, surgiram pessoas e organizações que se tornaram construtores de paz, sob inspiração de sua fé religiosa.
Em 1979, pela primeira vez, uma mulher recebeu o Nobel da Paz: Madre Tereza de Calcutá (1910-1997), fundadora da Ordem das Missionárias da Caridade, hoje espalhada pelo mundo todo.Em 1999, tive o privilégio de conhecer pessoalmente o seu magnifíco trabalho em prol do povo que ela adotou como seu apesar de ser ela uma religiosa, de origem albanesa. Dedicou toda sua vida aos intocáveis, leprosos, coxos, paralíticos e aos pobres, moradores de rua na Índia.
No ano seguinte, em 1980, o prêmio veio para a América Latina, para o jovem escultor e arquiteto, músico e pintor, Adolfo Pérez Esquivel (1931), fundador do SERPAJ (Servicio de Justicia y Paz), em razão de sua corajosa e intransigente defesa dos direitos humanos, em oposição ao regime militar argentino que, nos anos de chumbo da ditadura, foi responsável por mais de 30.000 pessoas desaparecidas, grande parte cruelmente torturadas, antes de serem assassinadas pelos órgãos de repressão e seus corpos jogados no mar ou incinerados.
Em 1984, foi a vez de o primeiro arcebispo anglicano negro da África do Sul, Desmond Tutu, nascido em 1931, receber o Nobel pela sua luta em favor dos direitos humanos e civis da maioria negra, contra a discriminação racial do apartheid.
O Dalai Lama, chefe religioso do budismo Tibetano, nascido em 1935, recebeu o Nobel da Paz, em 1989, pela sua incansável campanha não violenta de denúncia contra a ocupação política e militar do seu país, por parte da China.
Em 1992, a catequista da diocese do Quiche guatemalteco e ativista dos direitos indígenas, Rigoberta Menchú, recebeu o Nobel da Paz.
Em 1996, o Nobel da Paz foi conferido ao bispo católico de Dili no Timor Leste, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo, junto com José Ramos Horta, por sua luta não-violenta em favor da independência do Timor Leste, ocupado pela Indonésia logo após a saída do governo colonial português em novembro de 1975.
Em 1998, o Nobel foi conferido a John Hume, líder católico da Irlanda do Norte e a David Trimble, líder protestante do Ulster, pelo acordo de paz, assinado a 10 de abril de 1998, colocando fim a 30 anos de guerra civil na Irlanda do Norte.
Em 2000, o prêmio Nobel foi para o militante cristão e ativista dos direitos humanos e civis na Coréia do Sul, Kim Dae Jung, que se opôs às sucessivas ditaduras de partido único que dirigiram a Coréia, desde 1954. Tornando-se presidente do seu país, Kim empenhou-se também na reconciliação entre as duas Coréias, separadas desde o armistício que se seguiu à guerra de 1950 a 1953. Foi o primeiro presidente a encontrar-se com seu colega do norte, King Jong II, e a abrir as fronteiras para que famílias , de ambos os lados, separadas desde a guerra, pudessem se reencontrar.
Outras pessoas, sem terem recebido o prêmio Nobel, o mereceram pelo exemplo de suas vidas e de seu combate não-violento pela Justiça e pela Paz, tal como o Mahatma Ghandi na Índia, um homem santo na sua busca incessante de reconciliação entre os hindus e muçulmanos.
Muitos ganharam prêmios alternativos da paz, como o Papa João XXIII depois de sua corajosa atuação durante a crise dos mísseis em Cuba, em outubro de 1962. João XXIII instou diretamente as duas superpotências, Estados Unidos e União Soviética, que estiveram à beira de um conflito nuclear, a dialogarem e a superarem a crise sem uma guerra, possivelmente nuclear. Da crise nasceu sua encíclica Pacem in Terris na Páscoa de 1963. Naquele momento, João XXIII foi agraciado com o Prêmio Balzan pela Paz e, diante do novo quadro de armas de destruição massiva: nucleares, químicas e biológicas, condenou todo e qualquer tipo de guerra, como crime contra a humanidade.
Dos budistas no Japão, Dom Paulo Evaristo Arns recebeu, em Tóquio, o 11 º Prêmio Niwano da Paz (11-05-1994), pelos seus esforços em favor dos direitos humanos e do diálogo entre as religiões para o estabelecimento da justiça.
Dom Helder Camara, excluído do Prêmio Nobel da Paz pela oposição e sistemática e pressão do governo do Gal. Garrastazu Médici, sobre os jurados do Prêmio, acabou recebendo, em Oslo, em 1974, o “Prêmio Popular da Paz”, por parte da juventude dos países nórdicos. Dom Helder denunciava, naquele momento, a outra guerra silenciosa que mata milhões de pessoas por ano, de modo particular crianças pela desnutrição, pela fome e pela falta de cuidados médicos. Este doloroso quadro levou posteriormente os bispos latino-americanos a afirmarem, com ênfase, no documento sobre a Paz em Medellín”:
“A luta contra a miséria é a verdadeira guerra que devem enfrentar nossas nações” (Medellín, Doc 2 Paz, n º 29)
Dom Samuel Ruiz, bispo de San Cristobal de Las Casas no México, insistentemente indicado para o Nobel da Paz pela sua atuação na superação do conflito em Chiapas, acabou recebendo o prêmio Oscar Arnulfo Romero dos Direitos Humanos, outorgado pela Rothko Chapel da Fundação Menil de Houston no Texas.
Concluindo podemos ver, com todos estes testemunhos representando correntes e movimentos teológicos e políticos, nas várias religiões, que a busca da paz, da compaixão, do perdão e da solidariedade forma uma sólida e antiga tradição espiritual e ética. Entre muitas dessas religiões tem havido um diálogo consistente, aberto também a correntes humanistas inclusive agnósticas ou atéias, para superar preconceitos atávicos, ignorâncias mútuas e estabelecer plataformas de cooperação e respeito, para o bem da humanidade.
E aí, qual dos líderes de Organizações e Estados se levantará agora em Busca desta PAZ tão almejada e diante da ATUAL crise mundial que nos encontramos????
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Entendendo Gaia -Vania Vieira,
Entendendo GAIA , através da Mitologia Grega-Vania Vieira.
Antes do homem ser criado, só havia terra e ar e antes mesmo de existir o ar e a terra, se necessitava de um lugar para estes se manifestarem. Este lugar era o Caos: que era o lugar onde existia só a possibilidade de ser. No sonho do Caos só existia o Pensamento, que crescia e palpitava e este Pensamento estabeleceu a Ordem. Tão poderoso e eficaz foi este Pensamento que chamou a si mesmo de Eros, e ao pronunciar aquele nome, o Caos se transformou no Momento. Do Caos e Eros surgiram a obscuridade chamada Nyx e o movimento chamado Boreas, o vento.
Em sua primeira dança cósmica, Nyx e Boreas, giraram em movimento arrebatado e frenético até que tudo que era denso e pesado descendeu, e tudo que era leve ascendeu. A matéria densa era Gaia e de sua chuva e de sua semente proveu sua descendência.
A princípio, de Gaia nasceu Urano ou o Céu, que uniu-se a ela gerando os gigantes, feios, violentos e poderosos Titãs, os Titânides, incluindo Cronos, o Devorador Pai do Tempo. Urano não tolerava os filhos e logo que nasciam, os empurrava de volta para dentro do útero, para o fundo da Terra Mãe, onde estagnavam pela ausência de luz, atividade e liberdade. Finalmente um deles, Cronos, foi secretamente removido do próprio útero da Mãe Gaia e quando o Pai Urano desceu para cobrir Gaia, esse filho titânico rebelde e irado castrou-o. Depois libertou seus irmãos e irmãs e, com isso deu início à era dos Titãs.
Segundo Hesíodo, o movimento de saída da constelação Urano começa quando Gaia fica sobrecarregada com o fardo dos filhos, que lhes foram socados de volta ao ventre. O incômodo de Gaia, devido ao peso e à pressão dos filhos titânicos em seu útero, prenuncia o início de um plano que trama derrubar seu marido-filho Urano valendo-se de Cronos, o filho heróico.
O sangue de Urano jorrou sobre a terra gerando outros Deuses, como as Erínias (Fúrias), as Meliae (ninfas do espírito das árvores) e os Gigantes. Cheio de mágoa e em conseqüência da mutilação de que fora vítima, Urano morreu.
As representações de Cronos que se seguiram não são muito consistentes; de um lado, dizem que seu reino constituiu a Idade do Ouro da inocência e da pureza, e, por outro lado, ele é qualificado como um monstro, que devorava os próprios filhos. Em grego Cronos quer dizer o Tempo. Este Deus que devora os filhos é, diz Cícero, o Tempo, o Tempo que não sacia dos anos e que consome todos aqueles que passam.Da união de Gaia e Urano nasceram também: Hipérion, Japeto, Réia ou Cibele, Temis, Febe, Tetis, Brontes, Steropes, Argeu, Coto, Briareu, Giges.
Dizia-se que o homem nascera da terra molhada aquecida pelos raios de Sol. Deste modo, a sua natureza participa e todos os elementos e quando morre, sua mãe venerável o recolhe e o guarda em seu seio.
No mito grego, não há nenhuma razão que explique o porque, Gaia e Urano, depois de terem criado tantas coisas bonitas, geraram os titãs, filhos violentos, de força horrorosa e terrível. No entanto, sua chegada significa o fim de uma antiga ordem.
A Terra, às vezes tomada pela Natureza, tinha vários nomes: Titéia, Ops, Vesta e mesmo Cibele.
Algumas vezes a Terra é representada pela figura de uma mulher sentada em um rochedo. As alegorias moderna descrevem-na sob traços de uma venerável matrona, sentada sobre um globo, coroada de torres, empunhando uma cornucópia cheia de frutos. Outras vezes aparece coroada de flores, tendo ao seu lado um boi que lavra a terra, o carneiro que se ceva e o mesmo leão que está aos pés de Cibele. Em um quadro de Lebrum, a Terra é personificada por uma mulher que faz jorrar o leite de seus seios, enquanto se desembaraça do seu manto, e do manto surge uma nuvem de pássaros que revoa nos ares.
Gaia foi também, a profetiza original do centro de advinhação da Grécia Antiga: o Oráculo do Delfos. O Oráculo, considerado o umbigo da Terra, situava-se onde a sabedoria da terra e da humanidade se encontravam.
Gaia é o ser primordial de onde todos os outros Deuses se originaram, mas sua adoração entrou em declínio e foi suplantada mais tarde por outros deuses. Na mitologia romana é conhecida como Tellus. Gaia é a energia da própria vida, Deusa pré-histórica da Mãe Terra, é símbolo da unidade de toda a vida na natureza. Seu poder é encontrado na água e na pedra, no túmulo e na caverna, nos animais terrestres e nos pássaros, nas serpentes e nos peixes, nas montanhas e nas árvores.
ARQUÉTIPO DA TERRA
Quando falamos do arquétipo da Terra, estamos também inevitavelmente nos referindo ao arquétipo do Céu, e à relação entre os dois. É só depois que separarmos o que está aqui embaixo com o que está lá em cima, que entenderemos o simbolismo do que está acima que é leve, claro, masculino e ativo, e a Terra, que está abaixo e é pesada, escura, feminina e passiva.
A humanidade como um todo reunida em torno do arquétipo Terra está associada tanto à este mundo que é corpóreo, tangível, material e estático, quando ao seu simbolismo oposto do Céu que está ligado ao outro mundo, incorpóreo, intangível, espiritual e dinâmico. Para entendermos o arquétipo da Terra e da Deusa Mãe Terra, devemos entrar em contato com as contradições Céu e Terra, Espírito e Natureza.
A imagem patriarcal cristã da Terra, durante a Idade Média, era sem nenhuma ambigüidade, negativa, ao passo que o arquétipo positivo do Céu era dominante. A parte decaída inferior da alma pertencia ao mundo da Terra, enquanto que sua verdadeira essência que é o "espírito", se originava no lado celestial masculino de "Deus", ou do Mundo Superior. O lado terreno então, deveria ser sacrificado em nome do Céu, porque a Terra era feminina, pertencendo ao mundo dos instintos, representanda pela sexualidade, sedução e o pecado.
Esta autonegação do homem, desperta em nós não apenas espanto, mas horror, em virtude da natureza humana terrena, ser considerada repulsiva e má. Depreciação da Terra, hostilidade para com a Terra, que nos alimenta e protege, são expressão de uma consciência patriarcal fraca, que não reconhece outro modo de ajudar a si mesma a não ser fugir violentamente do domínio fascinante e avassalador do terreno.
Foi somente a partir da Renascença que a Terra libertou-se desta maldição, tornando-se Natureza e um mundo a ser descoberto que aparece com toda a sua riqueza de criatura viva, que já não estava em oposição com um Espírito Céu da divindade, mas na qual a essência divina se manifesta. O espírito que de agora em diante será buscado é espírito da Terra e da humanidade.
Antes do homem ser criado, só havia terra e ar e antes mesmo de existir o ar e a terra, se necessitava de um lugar para estes se manifestarem. Este lugar era o Caos: que era o lugar onde existia só a possibilidade de ser. No sonho do Caos só existia o Pensamento, que crescia e palpitava e este Pensamento estabeleceu a Ordem. Tão poderoso e eficaz foi este Pensamento que chamou a si mesmo de Eros, e ao pronunciar aquele nome, o Caos se transformou no Momento. Do Caos e Eros surgiram a obscuridade chamada Nyx e o movimento chamado Boreas, o vento.
Em sua primeira dança cósmica, Nyx e Boreas, giraram em movimento arrebatado e frenético até que tudo que era denso e pesado descendeu, e tudo que era leve ascendeu. A matéria densa era Gaia e de sua chuva e de sua semente proveu sua descendência.
A princípio, de Gaia nasceu Urano ou o Céu, que uniu-se a ela gerando os gigantes, feios, violentos e poderosos Titãs, os Titânides, incluindo Cronos, o Devorador Pai do Tempo. Urano não tolerava os filhos e logo que nasciam, os empurrava de volta para dentro do útero, para o fundo da Terra Mãe, onde estagnavam pela ausência de luz, atividade e liberdade. Finalmente um deles, Cronos, foi secretamente removido do próprio útero da Mãe Gaia e quando o Pai Urano desceu para cobrir Gaia, esse filho titânico rebelde e irado castrou-o. Depois libertou seus irmãos e irmãs e, com isso deu início à era dos Titãs.
Segundo Hesíodo, o movimento de saída da constelação Urano começa quando Gaia fica sobrecarregada com o fardo dos filhos, que lhes foram socados de volta ao ventre. O incômodo de Gaia, devido ao peso e à pressão dos filhos titânicos em seu útero, prenuncia o início de um plano que trama derrubar seu marido-filho Urano valendo-se de Cronos, o filho heróico.
O sangue de Urano jorrou sobre a terra gerando outros Deuses, como as Erínias (Fúrias), as Meliae (ninfas do espírito das árvores) e os Gigantes. Cheio de mágoa e em conseqüência da mutilação de que fora vítima, Urano morreu.
As representações de Cronos que se seguiram não são muito consistentes; de um lado, dizem que seu reino constituiu a Idade do Ouro da inocência e da pureza, e, por outro lado, ele é qualificado como um monstro, que devorava os próprios filhos. Em grego Cronos quer dizer o Tempo. Este Deus que devora os filhos é, diz Cícero, o Tempo, o Tempo que não sacia dos anos e que consome todos aqueles que passam.Da união de Gaia e Urano nasceram também: Hipérion, Japeto, Réia ou Cibele, Temis, Febe, Tetis, Brontes, Steropes, Argeu, Coto, Briareu, Giges.
Dizia-se que o homem nascera da terra molhada aquecida pelos raios de Sol. Deste modo, a sua natureza participa e todos os elementos e quando morre, sua mãe venerável o recolhe e o guarda em seu seio.
No mito grego, não há nenhuma razão que explique o porque, Gaia e Urano, depois de terem criado tantas coisas bonitas, geraram os titãs, filhos violentos, de força horrorosa e terrível. No entanto, sua chegada significa o fim de uma antiga ordem.
A Terra, às vezes tomada pela Natureza, tinha vários nomes: Titéia, Ops, Vesta e mesmo Cibele.
Algumas vezes a Terra é representada pela figura de uma mulher sentada em um rochedo. As alegorias moderna descrevem-na sob traços de uma venerável matrona, sentada sobre um globo, coroada de torres, empunhando uma cornucópia cheia de frutos. Outras vezes aparece coroada de flores, tendo ao seu lado um boi que lavra a terra, o carneiro que se ceva e o mesmo leão que está aos pés de Cibele. Em um quadro de Lebrum, a Terra é personificada por uma mulher que faz jorrar o leite de seus seios, enquanto se desembaraça do seu manto, e do manto surge uma nuvem de pássaros que revoa nos ares.
Gaia foi também, a profetiza original do centro de advinhação da Grécia Antiga: o Oráculo do Delfos. O Oráculo, considerado o umbigo da Terra, situava-se onde a sabedoria da terra e da humanidade se encontravam.
Gaia é o ser primordial de onde todos os outros Deuses se originaram, mas sua adoração entrou em declínio e foi suplantada mais tarde por outros deuses. Na mitologia romana é conhecida como Tellus. Gaia é a energia da própria vida, Deusa pré-histórica da Mãe Terra, é símbolo da unidade de toda a vida na natureza. Seu poder é encontrado na água e na pedra, no túmulo e na caverna, nos animais terrestres e nos pássaros, nas serpentes e nos peixes, nas montanhas e nas árvores.
ARQUÉTIPO DA TERRA
Quando falamos do arquétipo da Terra, estamos também inevitavelmente nos referindo ao arquétipo do Céu, e à relação entre os dois. É só depois que separarmos o que está aqui embaixo com o que está lá em cima, que entenderemos o simbolismo do que está acima que é leve, claro, masculino e ativo, e a Terra, que está abaixo e é pesada, escura, feminina e passiva.
A humanidade como um todo reunida em torno do arquétipo Terra está associada tanto à este mundo que é corpóreo, tangível, material e estático, quando ao seu simbolismo oposto do Céu que está ligado ao outro mundo, incorpóreo, intangível, espiritual e dinâmico. Para entendermos o arquétipo da Terra e da Deusa Mãe Terra, devemos entrar em contato com as contradições Céu e Terra, Espírito e Natureza.
A imagem patriarcal cristã da Terra, durante a Idade Média, era sem nenhuma ambigüidade, negativa, ao passo que o arquétipo positivo do Céu era dominante. A parte decaída inferior da alma pertencia ao mundo da Terra, enquanto que sua verdadeira essência que é o "espírito", se originava no lado celestial masculino de "Deus", ou do Mundo Superior. O lado terreno então, deveria ser sacrificado em nome do Céu, porque a Terra era feminina, pertencendo ao mundo dos instintos, representanda pela sexualidade, sedução e o pecado.
Esta autonegação do homem, desperta em nós não apenas espanto, mas horror, em virtude da natureza humana terrena, ser considerada repulsiva e má. Depreciação da Terra, hostilidade para com a Terra, que nos alimenta e protege, são expressão de uma consciência patriarcal fraca, que não reconhece outro modo de ajudar a si mesma a não ser fugir violentamente do domínio fascinante e avassalador do terreno.
Foi somente a partir da Renascença que a Terra libertou-se desta maldição, tornando-se Natureza e um mundo a ser descoberto que aparece com toda a sua riqueza de criatura viva, que já não estava em oposição com um Espírito Céu da divindade, mas na qual a essência divina se manifesta. O espírito que de agora em diante será buscado é espírito da Terra e da humanidade.
domingo, 29 de março de 2009
mais uma de Leonardo Boff, para nosso deleite!!!
EXISTE UM PONTO DEUS NO CERÉBRO
Uma frente avançada das ciências, hoje, é constituída pelo estudo do cérebro e de suas múltiplas inteligências. Alcançaram-se resultados relevantes, também para a religião e a espiritualidade. Enfatizam-se três tipos de inteligência. A primeira é a inteligência intelectual, o famoso QI (Quociente de Inteligência), ao qual se deu tanta importância em todo o século XX. É a inteligência analítica pela qual elaboramos conceitos e fazemos ciência. Com ela organizamos o mundo e solucionamos problemas objetivos. A segunda é a inteligência emocional, popularizada especialmente pelo psicólogo e neurocientista de Harvard David Goleman, com seu conhecido livro A Inteligência emocional (QE = Quociente Emocional). Empiricamente mostrou o que era convicção de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e culminando em Freud: a estrutura de base do ser humano não é razão (logos) mas é emoção (pathos). Somos, primariamente, seres de paixão, empatia e compaixão, e só em seguida, de razão. Quando combinamos QI com QE conseguimos nos mobilizar a nós e a outros. A terceira é a inteligência espiritual. A prova empírica de sua existência deriva de pesquisas muito recentes, dos últimos 10 anos, feitas por neurólogos, neuropsicólogos, neurolingüistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam os campos magnéticos e elétricos do cérebro). Segundo esses cientistas, existe em nós, cientificamente verificável, um outro tipo de inteligência, pela qual não só captamos fatos, idéias e emoções, mas percebemos os contextos maiores de nossa vida, totalidades significativas, e nos faz sentir inseridos no Todo. Ela nos torna sensíveis a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. É chamada de inteligência espiritual (QEs = Quociente espiritual), porque é próprio da espiritualidade captar totalidades e se orientar por visões transcendentais. Sua base empírica reside na biologia dos neurônios.
Verificou-se cientificamente que a experiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 hertz, especialmente localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação e de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva. Divina Presença em nós...Ou inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente mas num envolvimento sincero, produz-se igual excitação de 40 hertz. Por essa razão, neurobiólogos como Persinger, Ramachandran e a física quântica Danah Zohar batizaram essa região dos lobos temporais de ''o ponto Deus''. Se assim é, podemos dizer em termos do processo evolucionário: o universo evoluiu, em bilhões de anos, até produzir no cérebro o instrumento que capacita o ser humano perceber a Presença de Deus, que sempre estava lá embora não percebível conscientemente. A existência desse ''ponto Deus'' representa uma vantagem evolutiva de nossa espécie homo. Ela constitui uma referência de sentido para nossa vida. A espiritualidade pertence ao humano e não é monopólio das religiões. Antes, as religiões são uma das expressões desse ''ponto Deus''.
Leonardo Boff
Uma frente avançada das ciências, hoje, é constituída pelo estudo do cérebro e de suas múltiplas inteligências. Alcançaram-se resultados relevantes, também para a religião e a espiritualidade. Enfatizam-se três tipos de inteligência. A primeira é a inteligência intelectual, o famoso QI (Quociente de Inteligência), ao qual se deu tanta importância em todo o século XX. É a inteligência analítica pela qual elaboramos conceitos e fazemos ciência. Com ela organizamos o mundo e solucionamos problemas objetivos. A segunda é a inteligência emocional, popularizada especialmente pelo psicólogo e neurocientista de Harvard David Goleman, com seu conhecido livro A Inteligência emocional (QE = Quociente Emocional). Empiricamente mostrou o que era convicção de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e culminando em Freud: a estrutura de base do ser humano não é razão (logos) mas é emoção (pathos). Somos, primariamente, seres de paixão, empatia e compaixão, e só em seguida, de razão. Quando combinamos QI com QE conseguimos nos mobilizar a nós e a outros. A terceira é a inteligência espiritual. A prova empírica de sua existência deriva de pesquisas muito recentes, dos últimos 10 anos, feitas por neurólogos, neuropsicólogos, neurolingüistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam os campos magnéticos e elétricos do cérebro). Segundo esses cientistas, existe em nós, cientificamente verificável, um outro tipo de inteligência, pela qual não só captamos fatos, idéias e emoções, mas percebemos os contextos maiores de nossa vida, totalidades significativas, e nos faz sentir inseridos no Todo. Ela nos torna sensíveis a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. É chamada de inteligência espiritual (QEs = Quociente espiritual), porque é próprio da espiritualidade captar totalidades e se orientar por visões transcendentais. Sua base empírica reside na biologia dos neurônios.
Verificou-se cientificamente que a experiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 hertz, especialmente localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação e de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva. Divina Presença em nós...Ou inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente mas num envolvimento sincero, produz-se igual excitação de 40 hertz. Por essa razão, neurobiólogos como Persinger, Ramachandran e a física quântica Danah Zohar batizaram essa região dos lobos temporais de ''o ponto Deus''. Se assim é, podemos dizer em termos do processo evolucionário: o universo evoluiu, em bilhões de anos, até produzir no cérebro o instrumento que capacita o ser humano perceber a Presença de Deus, que sempre estava lá embora não percebível conscientemente. A existência desse ''ponto Deus'' representa uma vantagem evolutiva de nossa espécie homo. Ela constitui uma referência de sentido para nossa vida. A espiritualidade pertence ao humano e não é monopólio das religiões. Antes, as religiões são uma das expressões desse ''ponto Deus''.
Leonardo Boff
quinta-feira, 26 de março de 2009
Mudanças????verdade ou mentira????Vania Vieira.
Mudança magnética na Terra iminente? Em termos de linha de tempo, creio que o colapso do sistema financeiro mundial vem primeiro -crash dos EUA – um passarinho me contou que será em junho deste ano!!
Bom, os sinais do iminente crash são mais evidentes a cada dia.
Saiu na imprensa:A inversão dos pólos começa a dar sinais que está próxima".
LONDRES - O Pólo Norte está de mudança. Cientistas encontraram grandes buracos no campo magnético da Terra, sugerindo que os Pólos Norte e Sul estão se preparando para trocar de posição, numa guinada magnética. Um período de caos poderia ser iminente, no qual as bússolas não mais apontariam para o Norte, animais migratórios tomariam o rumo errado e satélites seriam queimados pela radiação solar.Os buracos estão sobre o sul do Atlântico e do Ártico. As mudanças foram divulgadas depois da análise de dados detalhados do satélite dinamarquês Orsted, cujos resultados foram comparados com dados coletados antes por outros satélites.A velocidade da mudança surpreendeu os cientistas. Nils Olsen, do Centro para a Ciência Planetária da Dinamarca, um dos vários institutos que analisam os dados, afirmou que o núcleo da Terra parece estar passando por mudanças dramáticas. "Esta poderia ser a situação na qual o geodínamo da Terra opera antes de se reverter", diz o pesquisador. O geodínamo é o processo pelo qual o campo magnético é produzido: por correntes de ferro derretido fluindo em torno de um núcleo sólido.Vcs assistiram o filme"O núcleo"?por ele temos üma vaga idéia! E fico aqui pensando "se não é prá isso mesmo que os filmes são lançados!!!
Às vezes, turbilhões gigantes formam-se no metal líquido, com o poder de mudar ou mesmo reverter os campos magnéticos acima deles.A equipe de Olson acredita que turbilhões se formaram sob o Pólo Norte e o sul do Atlântico. Se eles se tornarem fortes o bastante, poderão reverter todas as outras correntes, levando os pólos Norte e Sul a trocar seus lugares.Andy Jackson, especialista em geomagnetismo da Universidade de Leeds, Inglaterra, disse que a mudança está atrasada: "Tais guinadas normalmente acontecem a cada 500 mil anos, mas já se passaram 750 mil desde a última".
Impacto - A mudança poderia afetar tanto os seres humanos quanto a vida selvagem. A magnetosfera fornece proteção vital contra a radiação solar abrasadora, que de outro modo esterilizaria a Terra. A magnetosfera é a extensão do campo magnético do planeta no espaço. Ela forma uma espécie de bolha magnética protetora, que protege a Terra das partículas e radiação trazidas pelo "vento solar".O campo magnético provavelmente não desapareceria de uma vez, mas ele poderia enfraquecer enquanto os pólos trocam de posições. A onda de radiação resultante poderia causar câncer, reduzir as colheitas e confundir animais migratórios, das baleias aos pingüins. Muitas aves e animais marinhos se guiam pelo campo magnético da Terra para viajar de um lugar para outro.A navegação por bússola se tornaria muito difícil. E os satélites - ferramentas alternativas de navegação e vitais para as redes de comunicação - seriam rapidamente danificados pela radiação solar"....que está vinculado a esta outra notícia do Jornal de Notícias, de Portugal:Austrália: Cerca de 200 baleias-piloto encalhadas na ilha de King2009-03-02Sydney, Austrália, 02 Mar (Lusa) - Cerca de 200 baleias-piloto e vários golfinhos ficaram encalhados na ilha de King, no sul das Austrália, informou hoje a rádio ABC.Peritos da Tasmânia viajam rumo àquela ilha, situada entre a Tasmânia e o continente australiano, com esperança de salvar alguns dos cerca de 50 cetáceos que ainda sobrevivem.As baleias e golfinhos começaram a chegar de noite à praia da ilha, perante os olhares de alguns residentes, que avisaram as autoridades.Em finais de Janeiro, 53 cachalotes morreram encalhados e outras 80 baleias-piloto morreram na mesma ilha em Novembro passado.Também em Novembro, outras 65 baleias da mesma espécie encalharam noutra praia do sul da Austrália e só 11 conseguiram voltar para o mar, ajudadas pelas autoridades, ecologistas e voluntários.Os cientistas desconhecem a razão pela qual algumas espécies de baleias perdem a vida nas praias, admitindo que possam ser confundidas pelos sonares potentes de navios ou por seguirem um líder doente e desorientado. Comentário associado: Como podemos notar, os sinais de mudanças estão ficando mais evidentes!!! Na última notícia acima, os cientistas dão a desculpa que "sonares potentes" teriam matado mais de 150 baleias num intervalo de 4 meses, como se na Ilha de King (sul da Austrália, perto da Tasmânia) tivesse permanentemente navios com sonares tão potentes para causar tamanho estrago. Na hipótese do "lider desorientado ou doente", significaria que ele estaria com alguma dificuldade para se orientar através do campo magnético. Como os governos não querem é mesmo falar a Verdade, fazem uma maquiagem dos fatos, dando desculpas como essas. Portanto, fiquemos atentos aos próximos sinais que a Natureza nos der.Ela indicará com certeza..."Quem tiver olhos, veja...ouvidos, ouça..."
Bom, os sinais do iminente crash são mais evidentes a cada dia.
Saiu na imprensa:A inversão dos pólos começa a dar sinais que está próxima".
LONDRES - O Pólo Norte está de mudança. Cientistas encontraram grandes buracos no campo magnético da Terra, sugerindo que os Pólos Norte e Sul estão se preparando para trocar de posição, numa guinada magnética. Um período de caos poderia ser iminente, no qual as bússolas não mais apontariam para o Norte, animais migratórios tomariam o rumo errado e satélites seriam queimados pela radiação solar.Os buracos estão sobre o sul do Atlântico e do Ártico. As mudanças foram divulgadas depois da análise de dados detalhados do satélite dinamarquês Orsted, cujos resultados foram comparados com dados coletados antes por outros satélites.A velocidade da mudança surpreendeu os cientistas. Nils Olsen, do Centro para a Ciência Planetária da Dinamarca, um dos vários institutos que analisam os dados, afirmou que o núcleo da Terra parece estar passando por mudanças dramáticas. "Esta poderia ser a situação na qual o geodínamo da Terra opera antes de se reverter", diz o pesquisador. O geodínamo é o processo pelo qual o campo magnético é produzido: por correntes de ferro derretido fluindo em torno de um núcleo sólido.Vcs assistiram o filme"O núcleo"?por ele temos üma vaga idéia! E fico aqui pensando "se não é prá isso mesmo que os filmes são lançados!!!
Às vezes, turbilhões gigantes formam-se no metal líquido, com o poder de mudar ou mesmo reverter os campos magnéticos acima deles.A equipe de Olson acredita que turbilhões se formaram sob o Pólo Norte e o sul do Atlântico. Se eles se tornarem fortes o bastante, poderão reverter todas as outras correntes, levando os pólos Norte e Sul a trocar seus lugares.Andy Jackson, especialista em geomagnetismo da Universidade de Leeds, Inglaterra, disse que a mudança está atrasada: "Tais guinadas normalmente acontecem a cada 500 mil anos, mas já se passaram 750 mil desde a última".
Impacto - A mudança poderia afetar tanto os seres humanos quanto a vida selvagem. A magnetosfera fornece proteção vital contra a radiação solar abrasadora, que de outro modo esterilizaria a Terra. A magnetosfera é a extensão do campo magnético do planeta no espaço. Ela forma uma espécie de bolha magnética protetora, que protege a Terra das partículas e radiação trazidas pelo "vento solar".O campo magnético provavelmente não desapareceria de uma vez, mas ele poderia enfraquecer enquanto os pólos trocam de posições. A onda de radiação resultante poderia causar câncer, reduzir as colheitas e confundir animais migratórios, das baleias aos pingüins. Muitas aves e animais marinhos se guiam pelo campo magnético da Terra para viajar de um lugar para outro.A navegação por bússola se tornaria muito difícil. E os satélites - ferramentas alternativas de navegação e vitais para as redes de comunicação - seriam rapidamente danificados pela radiação solar"....que está vinculado a esta outra notícia do Jornal de Notícias, de Portugal:Austrália: Cerca de 200 baleias-piloto encalhadas na ilha de King2009-03-02Sydney, Austrália, 02 Mar (Lusa) - Cerca de 200 baleias-piloto e vários golfinhos ficaram encalhados na ilha de King, no sul das Austrália, informou hoje a rádio ABC.Peritos da Tasmânia viajam rumo àquela ilha, situada entre a Tasmânia e o continente australiano, com esperança de salvar alguns dos cerca de 50 cetáceos que ainda sobrevivem.As baleias e golfinhos começaram a chegar de noite à praia da ilha, perante os olhares de alguns residentes, que avisaram as autoridades.Em finais de Janeiro, 53 cachalotes morreram encalhados e outras 80 baleias-piloto morreram na mesma ilha em Novembro passado.Também em Novembro, outras 65 baleias da mesma espécie encalharam noutra praia do sul da Austrália e só 11 conseguiram voltar para o mar, ajudadas pelas autoridades, ecologistas e voluntários.Os cientistas desconhecem a razão pela qual algumas espécies de baleias perdem a vida nas praias, admitindo que possam ser confundidas pelos sonares potentes de navios ou por seguirem um líder doente e desorientado. Comentário associado: Como podemos notar, os sinais de mudanças estão ficando mais evidentes!!! Na última notícia acima, os cientistas dão a desculpa que "sonares potentes" teriam matado mais de 150 baleias num intervalo de 4 meses, como se na Ilha de King (sul da Austrália, perto da Tasmânia) tivesse permanentemente navios com sonares tão potentes para causar tamanho estrago. Na hipótese do "lider desorientado ou doente", significaria que ele estaria com alguma dificuldade para se orientar através do campo magnético. Como os governos não querem é mesmo falar a Verdade, fazem uma maquiagem dos fatos, dando desculpas como essas. Portanto, fiquemos atentos aos próximos sinais que a Natureza nos der.Ela indicará com certeza..."Quem tiver olhos, veja...ouvidos, ouça..."
Mulher não é ela...é o clima dela.Arthur de Távola.
Melhor do que perfumes é o cheirinho de banho recente que se descobre no cabelo e na nuca ou de capim cheiroso espalhado no armário e herdado pela blusa ou camisola.Nada de voz aguda. Um tom de médio para grave é preferível. Uma gota de rouquidão incentiva. Nada de perfeições! Nem de corpo, nem de inteligência e espírito. Só de caráter. Mulher mau caráter é tão raro quanto repulsivo.O importante é mesmo ter algo de errado no corpo ou no rosto, atraentes. Certos pequenos erros acentuam traços ou detalhes que, isolados, crescem muito e ganham no todo. O lábio um pouco mais grosso, seios com bicos estrábicos, o nariz um pouco maior do que ela desejaria, tudo isso aquece a atração.Carinho tem hora. Não hora marcada, mas hora adivinhada. Carinho fora de hora, eriça. Olhar de uma tristeza tão antiga quanto encarnações é forte fator de atração. Lágrimas a postos. Sempre.Por favor, nenhuma bronca com barriguinha ou descuido nosso. Nada de exigências ascéticas, dietéticas, apologéticas ou ideológicas. Mulher que atrai e mantém o seu homem é a que gosta mais de alguns defeitos dele do que de uma perfeição idealizada ou basbaque certinho demais. Mas honradez ele deve ter...Mulher deve falar como quem insinua em vez de ordenar. Pedir como quem ajuda, saber esperar. E não pode ficar falando "eu acho" toda hora, nem descuidar-se das unhas dos pés.Pudor é essencial. Mas um pudor velado, revelado apenas na linguagem sutil mas eloqüente de seu corpo, no modo de se encolher na cadeira ou cruzar os pés. Rebolados, só os muito suaves e discretos. Mas evidentes. Ser friorenta é indispensável.Se for possível, preferir o silêncio – entre reclamar e reivindicar, salvo quanto tenha muita razão – melhor ainda. Se não for assim, que venha a bronca, mas com mansidão. E depois não permaneça a resmungar.Que ame beijar. Aprecie e valorize gentileza e adore ser deixada cruzar a porta na frente. Pisar firme, mas leve. Mulher não deve chegar, deve aparecer. Não deve entrar, deve aproximar-se. Não deve mastigar, deve diluir. Não deve engolir, deve sorver. E por favor, cuspir, jamais. Só no consultório dentário.Ar de brincadeira antes de amar é receita infalível. E dormir o mais encolhidinha possível e depois acordar solta, confiante no sono. Em viagens, é essencial cuidar da gente. E guardar sempre uma surpresa para ser dada de repente.Sim, ser bela nada tem com ser bonita. É muito mais. Porque a mulher não é apenas ela. É também o clima dela.* * *
segunda-feira, 23 de março de 2009
Só certeza em meu Caminho-Vania Vieira
Há pouco tempo atrás fui assediada por uma sensação de que já não bastava o que até aquele momento me preenchera, como se faltasse alguma coisa. e neste momento nem percebi que aos poucos abria espaço para o medo e, conseqüentemente, para a insegurança.
E neste plano de ilusão –Maya- em que estamos aprendendo a ser humanos , basta uma fresta, um descuido, para que sejamos tomados pela incerteza.A nosso favor temos a voz interior, a Centelha Divina que nos orienta com Maestria. Contra nós, um inconsciente coletivo carregado de medo e culpa, fruto da ilusão da separação.É preciso discernir, saber reconhecer quando ancoramos num ou noutro.
O mundo da ilusão, ou terceira dimensão, é aquele que apregoa a fatalidade, que incentiva o “correio da má notícia”, que alimenta a competição e a guerra, que nos envolve numa disputa pela verdade e numa luta entre o bem (luz?) e o mal (treva?), tornando-nos escravos do certo e do errado.O mundo da realidade, ou Plano Divino, é este que apregoa a compaixão, que incentiva o respeito pela verdade de cada um, que alimenta a união e unificação de idéias e propósitos, que nos envolve numa energia de amor incondicional, nos orientando a integrar em nós a luz e a treva e nos lembrando que rasgar os véus de Maya – quebrar o encantamento do sonho –, é parte de nossa tarefa!
E é na realidade do Plano Divino que eu escrevo aqui, com o propósito de unificar idéias e divulgar verdades, abrindo espaço para a expressão do Ser. Desta forma sinto, estarei alentando vc e prestando um serviço de disseminadora de boas notícias e, tenha certeza, contribuindo para a criação de um padrão de freqüência mais positivo no meio em que vivemos...A propósito, aquele momento de incerteza a que me referi foi superado, como tantos outros antes dele.
Foi quando ouvi, no meu coração... “Nenhuma dúvida mais. Nenhum medo mais. Só a certeza do Caminho!”.
E neste plano de ilusão –Maya- em que estamos aprendendo a ser humanos , basta uma fresta, um descuido, para que sejamos tomados pela incerteza.A nosso favor temos a voz interior, a Centelha Divina que nos orienta com Maestria. Contra nós, um inconsciente coletivo carregado de medo e culpa, fruto da ilusão da separação.É preciso discernir, saber reconhecer quando ancoramos num ou noutro.
O mundo da ilusão, ou terceira dimensão, é aquele que apregoa a fatalidade, que incentiva o “correio da má notícia”, que alimenta a competição e a guerra, que nos envolve numa disputa pela verdade e numa luta entre o bem (luz?) e o mal (treva?), tornando-nos escravos do certo e do errado.O mundo da realidade, ou Plano Divino, é este que apregoa a compaixão, que incentiva o respeito pela verdade de cada um, que alimenta a união e unificação de idéias e propósitos, que nos envolve numa energia de amor incondicional, nos orientando a integrar em nós a luz e a treva e nos lembrando que rasgar os véus de Maya – quebrar o encantamento do sonho –, é parte de nossa tarefa!
E é na realidade do Plano Divino que eu escrevo aqui, com o propósito de unificar idéias e divulgar verdades, abrindo espaço para a expressão do Ser. Desta forma sinto, estarei alentando vc e prestando um serviço de disseminadora de boas notícias e, tenha certeza, contribuindo para a criação de um padrão de freqüência mais positivo no meio em que vivemos...A propósito, aquele momento de incerteza a que me referi foi superado, como tantos outros antes dele.
Foi quando ouvi, no meu coração... “Nenhuma dúvida mais. Nenhum medo mais. Só a certeza do Caminho!”.
domingo, 22 de março de 2009
O TEMPO como amigo da vida- Vera Fiori
Verdade seja dita, os homens não demonstram grandes dramas em assumir o envelhecimento. (Embora muitas vezes demonstrem isso saindo e apaixonando-se pela juventude das gatinhas...)Um bom exemplo é o filme "Juventude", de Domingos de Oliveira, com o próprio, Aderbal Freire Filho e Paulo José, centrado no reencontro de três amigos que celebram mais de 50 anos de convivência. Entre taças de vinho e copos de uísque, os senhores grisalhos riem das mazelas da meia-idade, algo impensável para muitas mulheres que teimam em trapacear o RG.
Esmiuçando os porquês de tanta relutância em se aceitar a maturidade, em 2007 a antropóloga Mirian Goldenberg , autora do livro "Coroas", deu início a um estudo, comparando as cariocas com as alemãs. Homens e mulheres do Rio de Janeiro responderam a 1.600 questionários, que abordavam várias questões, como os medos, exemplos de pessoas que souberam envelhecer, as maiores preocupações em relação à idade, etc . "Também ouvi mulheres em Salvador e na Argentina, que demonstram semelhanças com relação ao culto à aparência."
Os valores culturais saltam aos olhos. Entre as diferenças, está o próprio significado da velhice. Mirian bem que tentou formar um grupo de discussão com mulheres de 50, mas estas só topariam se o nome fosse "Coroas Gostosas" (e não simplesmente Coroas).
Na Alemanha, pessoas de 50, 60 e até de 70, com boa saúde e produtivas, não são consideradas velhas. As mulheres se sentem no auge da vida e saboreiam os ganhos. Se veem e são vistas como extremamente interessantes. No Brasil - e não é muito diferente na Argentina -, o capital é o corpo, a aparência, a juventude. Para as alemãs, capital é sinônimo de qualidade de vida, cultura, trabalho, viagens. Investem mais na casa do que na aparência. As alemãs não sentem medo da solidão. Aqui, tornar-se invisível para os homens é o fim.
As brasileiras falam em liberdade, e as alemãs, em emancipação. "Nos grupos de discussão com brasileiras, o que mais aparece como ganhos da idade é o fato de poderem ser elas mesmas depois de terem cumprido um ciclo como casar, ter filhos, encaminhá-los. Mas, alfinetaram as alemãs, será mesmo preciso esperar até os 50 para ser livre?"
As mesmas mulheres que romperam com as convenções, hoje, estão se debatendo contra o envelhecimento, mas a antropóloga não vê nisso um retrocesso. "A brasileira é livre, economicamente independente, tem muito mais escolhas. Até pode ser prisioneira do mito da juventude, mas há uma crítica nisso tudo, de que não é algo positivo. No fundo, a mulher quer reconhecimento nem que seja através da aparência. As alemãs são mais valorizadas e admiradas do que os homens, e isso as faz fortes e poderosas", conclui.
LUCIDEZ AFIADA
A escritora, jornalista e ilustradora Marina Colasanti, 71 anos - ou "pra lá de Marrakesh" , como brinca -, diz que se sente muito à vontade com sua idade. "Uma conhecida senhora carioca de 70 e muitos anos afirmou que se sentia com 40, jogando fora 20 anos de sua vida. Eu não quero descartar nem 15 minutos da minha vida", cutuca a autora de poemas, que falam tão bem de sexo, amor e casamento, como "Sexta-Feira à Noite", "Passando dos Cinquenta", "Entre um Jogo e Outro", só para citar alguns.
Mas envelhecer, adverte, não é para qualquer um. "O envelhecimento é pesado se a pessoa não estiver atenta para os lucros. Traz uma visão mais ampla do mundo. A pessoa acumula memória, uma grande companheira. A juventude chega pronta, enquanto o amadurecimento vai sendo construído. Claro que, sem saúde, tudo cai por terra."
Segundo ela, a negação da velhice também pode ser associada ao poder que foi tirado dos mais velhos. Antigamente os pajés eram os donos do conhecimento, e os idosos sabiam encomendar os mortos. A memória só podia ser armazenada na mente das pessoas e os mais velhos zelavam pelas lembranças do grupo social. Aos poucos, esse armazenamento foi sendo feito por livros e pela internet. Não pergunte ao seu avô, mas ao Google. O velho perdeu conhecimentos de base e foi despido de seu valor.
O feminismo sempre permeou sua obra e os artigos que escrevia para jornais e revistas durante o regime militar. Passados mais de 30 anos, observa que não se fala mais em questões de gênero. "Está havendo um desgaste da imagem feminina e de muitos estereótipos. Se não é a plástica, fala-se da dificuldade das relações. Nas peças teatrais, só se vê mulheres falando de sua solidão, de como os homens são difíceis, uma repetição tediosa de queixas."
Quanto à febre das intervenções estéticas, lembra que não apenas as mulheres, mas também os homens, entraram nessa corrida. "Falou-se tanto da ministra Dilma Roussef, mas ninguém comenta o botox de Lula em quantidade de entorpecer as cobras do Butantã." Diz Marina C.que não teria coragem de se submeter a um lifting - "coisa que, no futuro, será vista como uma barbárie" - muito menos colocar "peito de borracha". É adepta da dieta mediterrânea, bebe vinho todos os dias, não fuma e faz exercícios com um terapeuta corporal, além, é claro, de produzir muito. Casada há 37 anos com o escritor Affonso Romano de Sant'Anna, conta que, além da paixão comum pela literatura, ambos adoram viajar.
FEMINISMO NA MPB
O tênis All Star e a calça jeans, herança dos tempos da faculdade de Jornalismo e festivais de música, despistam a idade biológica da cantora, compositora e violonista Joyce, 61 anos, 40 de MPB. Seu suingue e frescor musical atraíram DJs londrinos e bandas pop, como Stereolab, Superchunk e Tortoise. O segredo? "Não se faz mais velhos como antigamente", provoca Joyce, que, ainda adolescente, causava polêmica com suas músicas.
Feminista por acaso, aos 19 anos causou frisson no II Festival Internacional da Canção, com a música Me Disseram, que começava com a frase "já me disseram/ que meu homem não me ama." "Na época, as compositoras eram raras e minhas músicas sempre foram escritas no feminino. Quando eu compus a letra, aos 16,17 anos, não me dava conta da força das palavras. Na verdade, o teor dessa música era bastante conformista. Queria resgatar algo lá dos anos 30. Mas essa frase, 'meu homem', escandalizou as pessoas."
Foi chamada de vulgar e imoral pelo jornalista Sergio Porto, e elogiada por Nelson Motta. Em 1968, mais artilharia pesada com a música "Não Muda Não". "Compus aos 18 anos, e dizia que não queria casamento e que não dava para a vida burguesa", fala a cantora. Machismo, com ela, nem em letra de música. Amiga e parceira de Vinicius de Moraes, implicava com o "essa coisinha", da letra de "Minha Namorada", composição dele e de Carlos Lyra. "Vinicius era um adorável machista e Chico, uma compositora", brinca. Em 1979, cantou a condição feminina com "Essa Mulher", também gravada por Elis. "Fala das múltiplas faces da mulher, muito além da imagem de santa ou devassa."
Carioca de Copacabana, com três filhas e cinco netos, Joyce é casada há 30 anos com o músico baiano Tutty Moreno. Aos risos, conta que a união duradoura, algo raro no meio artístico, foi capa de uma matéria de "O Globo". "Não tem receita. A gente vai se reinventando todos os dias." Com vários projetos em andamento - shows, um novo DVD e um disco instrumental - revela os seus truques para tanta energia. "Não bebo, não fumo, não como carne, faço caminhada e musculação. Mas o mais importante, como me dizia o velho Caymmi: me afasto dos sentimentos ruins, como raiva, inveja e rancor. De resto, com a idade, vou ficando mais esperta todo dia. Quando jovem, era bem bobinha."
ESPIRITUALIDADE
Regina Shakti, 53 anos, irradia uma beleza serena. O corpo, elástico, é resultado da prática de anos de ioga. Segundo ela, a espiritualidade ajuda a aceitar e a enxergar a maturidade como um valor, e não como algo abominável. "Na Índia, uma pessoa só é considerada pronta depois dos 50 anos. A reverência aos mais velhos é visível em todo o Oriente. Acho que se espiritualizar é fundamental, e é a solução para evitar a frustração, a ansiedade e o estresse."
Regina segue os preceitos do ioga, segundo os quais existem três modos na natureza humana: a paixão, a ignorância e a bondade. "A paixão traz sofrimento, pois estamos aqui e queremos estar ali, vamos até lá e gostaríamos de não ter ido.... Nossa mente fica sempre inquieta. Os modos da ignorância trazem a loucura. É quando queremos nos vingar, xingar, sair no tapa. Os modos da bondade atraem a felicidade. Estamos nessa fase quando a mente está serena, prestamos atenção ao que está acontecendo e gozamos de uma disposição interna amigável".
Segundo ela, a humildade, sabedoria, harmonia, desapego, atenção à respiração, controle de humor e intuições aguçadas só chegam a partir da maturidade. O que diria às mulheres que pensam que a vida acabou depois dos 20? "Diria que a vida começa depois dos 50. Toda aquela agitação insana e os excessos hormonais dos 20 não têm graça nenhuma. Nessa idade, a gente se sente extremamente feliz e, depois, completamente infeliz e raramente serena. Aos 50, ficamos mais profundas. Podemos comparar as duas idades com o mar, que tem muitas ondas na superfície e é tranquilo lá no fundo".
CONQUISTAS
As cinquentonas de hoje são as jovens dos anos 1970, geração que viveu intensamente, que provou ser possível trabalhar fora e ser boa mãe, separar-se e casar-se de novo, em suma, uma mulher em constante processo de transformação. A atriz Patrycia Travassos faz parte dessa tribo e lembra que, diferentemente da mulher de 50 anos das décadas de 50 e 60, a mulher madura de hoje só lucrou com os avanços da medicina e em relação à própria libido."Estamos sempre em transformação. É possível fazer faculdade mais tarde ou adiar o plano de ter filhos até se sentir com a vida estruturada, por exemplo. Você vê as fotos de sua mãe com a sua idade e chega à conclusão de que ela aparentava bem mais idade. Eram mulheres que não tinham escolhas, viviam casamentos hipócritas, não trabalhavam, eram alheias à vida social, política e econômica. Isso refletia no corpo e nas atitudes".
Na sua opinião, inclusive, estamos melhores do que eles. "A gente olha para as mulheres numa festa e não sabe dizer a idade delas. Já os homens de 50 e 60 estão totalmente largados. Nos cuidamos mais, em relação à aparência e à saúde preventiva."
Por outro lado, quando chega a menopausa, o corpo muda, os filhos já cresceram, o marido já arranjou cinco amantes e aí a mulher se vê diante da síndrome do ninho vazio. Viver para si, e não para os outros, ter interesses pessoais, diz ela, é essencial para não cair em depressão. "E olha que eu vejo muitas belas adormecidas por aí, que se agarram no casamento."
Mãe de um filho de 19 anos, "prestes a bater asas", Patrycia concilia o papel de atriz com o de apresentadora, há 11 anos, do programa "Alternativa Saúde", do canal GNT, onde assimilou novos conhecimentos de bem-estar. Lembra que, na vida pessoal, sempre flertou com a cultura oriental.
Aos 19 anos, foi à China, quando se impressionou com a prática da acupuntura e fitoterapia. Vegetariana, faz atividades físicas, alternando pilates, natação e alongamento, mas sem se furtar do prazer de tomar um bom vinho. "Aos 50 anos de existência, não gostaria de voltar a ter 20, quando me sentia confusa, ansiosa e cheia de medos. É tão bom se conhecer internamente, ter projetos, viajar, encontrar pessoas. Você, e somente você, é responsável por suas escolhas. Sou espiritualizada, mas não fico como umas e outras esperando que um velhinho de barbas olhe por mim lá de cima das nuvens", brinca.
NA CONTRAMÃO DO BOTOX
A franqueza de Cássia Kiss, 51 anos, é um soco no estômago. Afinal, que outra atriz de meia-idade teria coragem de dizer que gosta de se olhar no espelho e ver as rugas, os cabelos brancos? Cássia, que em várias entrevistas falou abertamente de sua juventude atribulada e dos problemas de relacionamento com os pais, transformou os revezes em sólido alicerce para a construção da maturidade.
Tornou-se uma das raras referências no meio artístico, quando o tema é questão de gênero. Festas, badalação, declarações vazias, botox, plástica jamais são associados ao seu nome, o que a torna um peixe fora d'água no mundinho televisivo. "Nunca quis ser prisioneira da juventude. Quero aparentar os meus 51 anos, e não 30, 40. Sigo a filosofia budista, na qual, ao se aceitar a morte, vive-se muito bem, e viver bem, para mim, não passa pela questão de responder por esse massacre da beleza, da ditadura do vigor sexual. Estou na contramão. Meu objetivo é contar histórias com o rosto que tenho e que estou construindo. Assim posso contá-las melhor. Quero chegar aos 80, 90 anos sendo uma referência. Luto para isso diariamente".
Os quatro filhos da atriz, com idades entre 4 e 13 anos, não apenas lhe trouxeram vigor e jovialidade como a ajudaram a ser mais amorosa. "Talvez por não ter recebido afeto dos meus pais, aprendi com a maternidade a valorizar e extravasar esse sentimento." Para Cássia, os homens têm sua parcela de culpa no comportamento das mulheres, referindo-se à corrida desenfreada contra o envelhecimento. "Eles se sentem poderosos quando desfilam com uma gostosa bunduda e peituda. Uma grande sacanagem. E a mulher cai nessa armadilha de que precisa ser gostosa para segurar homem. O poder de sedução tem outros modos, como a delicadeza, a feminilidade, o gesto, as ideias."
Mas nem tudo está perdido. Seu atual companheiro, pelo qual se diz muito apaixonada, é, no bom sentido, outro "peixe fora d'água": gosta de sua mulher como ela é, com rugas e cabelos brancos.
Verdade seja dita, os homens não demonstram grandes dramas em assumir o envelhecimento. (Embora muitas vezes demonstrem isso saindo e apaixonando-se pela juventude das gatinhas...)Um bom exemplo é o filme "Juventude", de Domingos de Oliveira, com o próprio, Aderbal Freire Filho e Paulo José, centrado no reencontro de três amigos que celebram mais de 50 anos de convivência. Entre taças de vinho e copos de uísque, os senhores grisalhos riem das mazelas da meia-idade, algo impensável para muitas mulheres que teimam em trapacear o RG.
Esmiuçando os porquês de tanta relutância em se aceitar a maturidade, em 2007 a antropóloga Mirian Goldenberg , autora do livro "Coroas", deu início a um estudo, comparando as cariocas com as alemãs. Homens e mulheres do Rio de Janeiro responderam a 1.600 questionários, que abordavam várias questões, como os medos, exemplos de pessoas que souberam envelhecer, as maiores preocupações em relação à idade, etc . "Também ouvi mulheres em Salvador e na Argentina, que demonstram semelhanças com relação ao culto à aparência."
Os valores culturais saltam aos olhos. Entre as diferenças, está o próprio significado da velhice. Mirian bem que tentou formar um grupo de discussão com mulheres de 50, mas estas só topariam se o nome fosse "Coroas Gostosas" (e não simplesmente Coroas).
Na Alemanha, pessoas de 50, 60 e até de 70, com boa saúde e produtivas, não são consideradas velhas. As mulheres se sentem no auge da vida e saboreiam os ganhos. Se veem e são vistas como extremamente interessantes. No Brasil - e não é muito diferente na Argentina -, o capital é o corpo, a aparência, a juventude. Para as alemãs, capital é sinônimo de qualidade de vida, cultura, trabalho, viagens. Investem mais na casa do que na aparência. As alemãs não sentem medo da solidão. Aqui, tornar-se invisível para os homens é o fim.
As brasileiras falam em liberdade, e as alemãs, em emancipação. "Nos grupos de discussão com brasileiras, o que mais aparece como ganhos da idade é o fato de poderem ser elas mesmas depois de terem cumprido um ciclo como casar, ter filhos, encaminhá-los. Mas, alfinetaram as alemãs, será mesmo preciso esperar até os 50 para ser livre?"
As mesmas mulheres que romperam com as convenções, hoje, estão se debatendo contra o envelhecimento, mas a antropóloga não vê nisso um retrocesso. "A brasileira é livre, economicamente independente, tem muito mais escolhas. Até pode ser prisioneira do mito da juventude, mas há uma crítica nisso tudo, de que não é algo positivo. No fundo, a mulher quer reconhecimento nem que seja através da aparência. As alemãs são mais valorizadas e admiradas do que os homens, e isso as faz fortes e poderosas", conclui.
LUCIDEZ AFIADA
A escritora, jornalista e ilustradora Marina Colasanti, 71 anos - ou "pra lá de Marrakesh" , como brinca -, diz que se sente muito à vontade com sua idade. "Uma conhecida senhora carioca de 70 e muitos anos afirmou que se sentia com 40, jogando fora 20 anos de sua vida. Eu não quero descartar nem 15 minutos da minha vida", cutuca a autora de poemas, que falam tão bem de sexo, amor e casamento, como "Sexta-Feira à Noite", "Passando dos Cinquenta", "Entre um Jogo e Outro", só para citar alguns.
Mas envelhecer, adverte, não é para qualquer um. "O envelhecimento é pesado se a pessoa não estiver atenta para os lucros. Traz uma visão mais ampla do mundo. A pessoa acumula memória, uma grande companheira. A juventude chega pronta, enquanto o amadurecimento vai sendo construído. Claro que, sem saúde, tudo cai por terra."
Segundo ela, a negação da velhice também pode ser associada ao poder que foi tirado dos mais velhos. Antigamente os pajés eram os donos do conhecimento, e os idosos sabiam encomendar os mortos. A memória só podia ser armazenada na mente das pessoas e os mais velhos zelavam pelas lembranças do grupo social. Aos poucos, esse armazenamento foi sendo feito por livros e pela internet. Não pergunte ao seu avô, mas ao Google. O velho perdeu conhecimentos de base e foi despido de seu valor.
O feminismo sempre permeou sua obra e os artigos que escrevia para jornais e revistas durante o regime militar. Passados mais de 30 anos, observa que não se fala mais em questões de gênero. "Está havendo um desgaste da imagem feminina e de muitos estereótipos. Se não é a plástica, fala-se da dificuldade das relações. Nas peças teatrais, só se vê mulheres falando de sua solidão, de como os homens são difíceis, uma repetição tediosa de queixas."
Quanto à febre das intervenções estéticas, lembra que não apenas as mulheres, mas também os homens, entraram nessa corrida. "Falou-se tanto da ministra Dilma Roussef, mas ninguém comenta o botox de Lula em quantidade de entorpecer as cobras do Butantã." Diz Marina C.que não teria coragem de se submeter a um lifting - "coisa que, no futuro, será vista como uma barbárie" - muito menos colocar "peito de borracha". É adepta da dieta mediterrânea, bebe vinho todos os dias, não fuma e faz exercícios com um terapeuta corporal, além, é claro, de produzir muito. Casada há 37 anos com o escritor Affonso Romano de Sant'Anna, conta que, além da paixão comum pela literatura, ambos adoram viajar.
FEMINISMO NA MPB
O tênis All Star e a calça jeans, herança dos tempos da faculdade de Jornalismo e festivais de música, despistam a idade biológica da cantora, compositora e violonista Joyce, 61 anos, 40 de MPB. Seu suingue e frescor musical atraíram DJs londrinos e bandas pop, como Stereolab, Superchunk e Tortoise. O segredo? "Não se faz mais velhos como antigamente", provoca Joyce, que, ainda adolescente, causava polêmica com suas músicas.
Feminista por acaso, aos 19 anos causou frisson no II Festival Internacional da Canção, com a música Me Disseram, que começava com a frase "já me disseram/ que meu homem não me ama." "Na época, as compositoras eram raras e minhas músicas sempre foram escritas no feminino. Quando eu compus a letra, aos 16,17 anos, não me dava conta da força das palavras. Na verdade, o teor dessa música era bastante conformista. Queria resgatar algo lá dos anos 30. Mas essa frase, 'meu homem', escandalizou as pessoas."
Foi chamada de vulgar e imoral pelo jornalista Sergio Porto, e elogiada por Nelson Motta. Em 1968, mais artilharia pesada com a música "Não Muda Não". "Compus aos 18 anos, e dizia que não queria casamento e que não dava para a vida burguesa", fala a cantora. Machismo, com ela, nem em letra de música. Amiga e parceira de Vinicius de Moraes, implicava com o "essa coisinha", da letra de "Minha Namorada", composição dele e de Carlos Lyra. "Vinicius era um adorável machista e Chico, uma compositora", brinca. Em 1979, cantou a condição feminina com "Essa Mulher", também gravada por Elis. "Fala das múltiplas faces da mulher, muito além da imagem de santa ou devassa."
Carioca de Copacabana, com três filhas e cinco netos, Joyce é casada há 30 anos com o músico baiano Tutty Moreno. Aos risos, conta que a união duradoura, algo raro no meio artístico, foi capa de uma matéria de "O Globo". "Não tem receita. A gente vai se reinventando todos os dias." Com vários projetos em andamento - shows, um novo DVD e um disco instrumental - revela os seus truques para tanta energia. "Não bebo, não fumo, não como carne, faço caminhada e musculação. Mas o mais importante, como me dizia o velho Caymmi: me afasto dos sentimentos ruins, como raiva, inveja e rancor. De resto, com a idade, vou ficando mais esperta todo dia. Quando jovem, era bem bobinha."
ESPIRITUALIDADE
Regina Shakti, 53 anos, irradia uma beleza serena. O corpo, elástico, é resultado da prática de anos de ioga. Segundo ela, a espiritualidade ajuda a aceitar e a enxergar a maturidade como um valor, e não como algo abominável. "Na Índia, uma pessoa só é considerada pronta depois dos 50 anos. A reverência aos mais velhos é visível em todo o Oriente. Acho que se espiritualizar é fundamental, e é a solução para evitar a frustração, a ansiedade e o estresse."
Regina segue os preceitos do ioga, segundo os quais existem três modos na natureza humana: a paixão, a ignorância e a bondade. "A paixão traz sofrimento, pois estamos aqui e queremos estar ali, vamos até lá e gostaríamos de não ter ido.... Nossa mente fica sempre inquieta. Os modos da ignorância trazem a loucura. É quando queremos nos vingar, xingar, sair no tapa. Os modos da bondade atraem a felicidade. Estamos nessa fase quando a mente está serena, prestamos atenção ao que está acontecendo e gozamos de uma disposição interna amigável".
Segundo ela, a humildade, sabedoria, harmonia, desapego, atenção à respiração, controle de humor e intuições aguçadas só chegam a partir da maturidade. O que diria às mulheres que pensam que a vida acabou depois dos 20? "Diria que a vida começa depois dos 50. Toda aquela agitação insana e os excessos hormonais dos 20 não têm graça nenhuma. Nessa idade, a gente se sente extremamente feliz e, depois, completamente infeliz e raramente serena. Aos 50, ficamos mais profundas. Podemos comparar as duas idades com o mar, que tem muitas ondas na superfície e é tranquilo lá no fundo".
CONQUISTAS
As cinquentonas de hoje são as jovens dos anos 1970, geração que viveu intensamente, que provou ser possível trabalhar fora e ser boa mãe, separar-se e casar-se de novo, em suma, uma mulher em constante processo de transformação. A atriz Patrycia Travassos faz parte dessa tribo e lembra que, diferentemente da mulher de 50 anos das décadas de 50 e 60, a mulher madura de hoje só lucrou com os avanços da medicina e em relação à própria libido."Estamos sempre em transformação. É possível fazer faculdade mais tarde ou adiar o plano de ter filhos até se sentir com a vida estruturada, por exemplo. Você vê as fotos de sua mãe com a sua idade e chega à conclusão de que ela aparentava bem mais idade. Eram mulheres que não tinham escolhas, viviam casamentos hipócritas, não trabalhavam, eram alheias à vida social, política e econômica. Isso refletia no corpo e nas atitudes".
Na sua opinião, inclusive, estamos melhores do que eles. "A gente olha para as mulheres numa festa e não sabe dizer a idade delas. Já os homens de 50 e 60 estão totalmente largados. Nos cuidamos mais, em relação à aparência e à saúde preventiva."
Por outro lado, quando chega a menopausa, o corpo muda, os filhos já cresceram, o marido já arranjou cinco amantes e aí a mulher se vê diante da síndrome do ninho vazio. Viver para si, e não para os outros, ter interesses pessoais, diz ela, é essencial para não cair em depressão. "E olha que eu vejo muitas belas adormecidas por aí, que se agarram no casamento."
Mãe de um filho de 19 anos, "prestes a bater asas", Patrycia concilia o papel de atriz com o de apresentadora, há 11 anos, do programa "Alternativa Saúde", do canal GNT, onde assimilou novos conhecimentos de bem-estar. Lembra que, na vida pessoal, sempre flertou com a cultura oriental.
Aos 19 anos, foi à China, quando se impressionou com a prática da acupuntura e fitoterapia. Vegetariana, faz atividades físicas, alternando pilates, natação e alongamento, mas sem se furtar do prazer de tomar um bom vinho. "Aos 50 anos de existência, não gostaria de voltar a ter 20, quando me sentia confusa, ansiosa e cheia de medos. É tão bom se conhecer internamente, ter projetos, viajar, encontrar pessoas. Você, e somente você, é responsável por suas escolhas. Sou espiritualizada, mas não fico como umas e outras esperando que um velhinho de barbas olhe por mim lá de cima das nuvens", brinca.
NA CONTRAMÃO DO BOTOX
A franqueza de Cássia Kiss, 51 anos, é um soco no estômago. Afinal, que outra atriz de meia-idade teria coragem de dizer que gosta de se olhar no espelho e ver as rugas, os cabelos brancos? Cássia, que em várias entrevistas falou abertamente de sua juventude atribulada e dos problemas de relacionamento com os pais, transformou os revezes em sólido alicerce para a construção da maturidade.
Tornou-se uma das raras referências no meio artístico, quando o tema é questão de gênero. Festas, badalação, declarações vazias, botox, plástica jamais são associados ao seu nome, o que a torna um peixe fora d'água no mundinho televisivo. "Nunca quis ser prisioneira da juventude. Quero aparentar os meus 51 anos, e não 30, 40. Sigo a filosofia budista, na qual, ao se aceitar a morte, vive-se muito bem, e viver bem, para mim, não passa pela questão de responder por esse massacre da beleza, da ditadura do vigor sexual. Estou na contramão. Meu objetivo é contar histórias com o rosto que tenho e que estou construindo. Assim posso contá-las melhor. Quero chegar aos 80, 90 anos sendo uma referência. Luto para isso diariamente".
Os quatro filhos da atriz, com idades entre 4 e 13 anos, não apenas lhe trouxeram vigor e jovialidade como a ajudaram a ser mais amorosa. "Talvez por não ter recebido afeto dos meus pais, aprendi com a maternidade a valorizar e extravasar esse sentimento." Para Cássia, os homens têm sua parcela de culpa no comportamento das mulheres, referindo-se à corrida desenfreada contra o envelhecimento. "Eles se sentem poderosos quando desfilam com uma gostosa bunduda e peituda. Uma grande sacanagem. E a mulher cai nessa armadilha de que precisa ser gostosa para segurar homem. O poder de sedução tem outros modos, como a delicadeza, a feminilidade, o gesto, as ideias."
Mas nem tudo está perdido. Seu atual companheiro, pelo qual se diz muito apaixonada, é, no bom sentido, outro "peixe fora d'água": gosta de sua mulher como ela é, com rugas e cabelos brancos.
domingo, 15 de março de 2009
...sobre a Árvore da Vida-Vania vieira,março de 2009
A ÁRVORE DA VIDA, AS DEZ SEFIROT E O DNA-Vania Vieira.
Após a queda e expulsão do homem do paraíso, o Senhor posicionou 2 Querubins para proteger a ARVORE DA VIDA e a misteriosa "espada flamejante" que se revolvia por todos os lados, para esconder o caminho de acesso áquela árvore sagrada. Ela não poderia ser violada pelo homem, pois assim, ele poderia viver eternamente. No capítulo 22 do Apocalipse a árvore da vida é novamente citada: Estará na praça junto ao rio da água da vida, próximo ao trono do Senhor na nova terra. Produzirá 12 frutos, um a cada mês e suas folhas serão para cura das nações. O significado real da Árvore da vida é um mistério para teólogos e estudantes da Bíblia. Sabemos que o Jardim do Éden situava-se no sul do Iraque (o local exato ainda é protegido pelos Querubins) e é provável que hoje esteja sob as águas do golfo pérsico. Esculturas da antiga Assíria representavam à Árvore da Vida como um diagrama com 2 traços verticais externos, triângulos e losangos cruzados entre si, interligando treze esferas que seriam os frutos da árvore expostos nas linhas verticais externas, em pontos eqüidistantes em forma de portal. O topo desse diagrama era em forma de arco ou abóbada. No centro havia um traço vertical mais espesso que seria o tronco da árvore de onde partiam as emanações que interligavam todas as esferas. Em cada lado da árvore posicionavam- se 2 Querubins com cabeça de águia cada um com seu braço direito levantado em direção ao topo da árvore.AS DEZ SEFIROT – Na "cabala" judaica a Árvore da Vida érepresentada por um diagrama no formato semelhante de uma pipa, com traços verticais, horizontais e triângulos, totalizando 22 traçosinterligando 10 esferas ou emanações simetricamente distribuídas. O número de traços está em conformidade com o alfabeto hebraico que contém 22 letras que constituem as vias através das quais a luz infinita e a força criadora fluem. . O SEFIROT designa os deznúmeros primordiais dos 32 caminhos da sabedoria assumindo também a designação dos 10 atributos de Deus do texto bíblico.Podemos resumir este diagrama como um complexo esquema matemático sagrado, no qual estão contidas todas as fórmulas possíveis da criação de todas as coisas existentes no universo, tanto no mundo material quanto no mundo espiritual. É a transformação do nada (AIN) em EU, (ANI) quando o imanifesto tornou-se manifesto. No sentido descendente, a árvore da vida constitui o trajeto através do qual o poder criador atuou no ato da criação. No sentido ascendente, a árvore da vida constitui o caminho evolutivo que conduz a criatura ao Criador, a unidade original. Portanto a árvore da vida cabalista transcende ao mundo físico conectando-se ao mundo espiritual.DNA – e CROMOSSOMOS – Se observarmos um segmento de DNA de dupla hélice, notaremos que se assemelha a uma árvore. Os 2 filamentos que compõem o DNA enrolam-se formando uma espiral. Nos genes estão todas as informações biológicas de um organismo que devem ser repassadas para seus descendentes. Sabe-se que são mínimas as variações do DNA entre os seres vivos. Nos seres humanos, homens e mulheres possuem 22 pares(coincidenteme nte, o mesmo número de letras do alfabeto hebraico) de cromossomos autossomos e um par de cromossomos sexual que definirá asexualidade do indivíduo. (Genótipo feminino – XX, masculino – XY)Quando ocorrem mutações nos cromossomos, em sua estrutura ou em quantidade, podem ocorrer doenças e deformações. Genoma é todo o conjunto de GENES de um organismo. Se observarmos um segmento da dupla cadeia de nucleotídeos de um DNA, as 4 bases nitrogenadas conhecidas pelas iniciais A, C, G e T, combinam-se aos pares sequencialmente permitindo milhões de combinações que seriam o código genético de cada indivíduo. A fotomicroscópica de um DNA também se assemelha a um diagrama ou esquema matemático.Hoje é anunciado ao mundo que cientistas conseguem deter o envelhecimento de órgãos em ratos. Uma equipe de cientistas americanos diz ter encontrado os mecanismos genéticos para melhorar o sistema crucial que "limpa e recicla" as proteínas defeituosas nas células.Cientificamente o DNA pode ser considerado a ÁRVORE DA VIDA. Como a ciência é cética em relação ao mundo espiritual, é certo que o homem esteja manipulando segredos divinos da criação, sem noção real das conseqüências futuras.Que ADONAI nos conceda entendimento e sabedoria.Albasgodel
Após a queda e expulsão do homem do paraíso, o Senhor posicionou 2 Querubins para proteger a ARVORE DA VIDA e a misteriosa "espada flamejante" que se revolvia por todos os lados, para esconder o caminho de acesso áquela árvore sagrada. Ela não poderia ser violada pelo homem, pois assim, ele poderia viver eternamente. No capítulo 22 do Apocalipse a árvore da vida é novamente citada: Estará na praça junto ao rio da água da vida, próximo ao trono do Senhor na nova terra. Produzirá 12 frutos, um a cada mês e suas folhas serão para cura das nações. O significado real da Árvore da vida é um mistério para teólogos e estudantes da Bíblia. Sabemos que o Jardim do Éden situava-se no sul do Iraque (o local exato ainda é protegido pelos Querubins) e é provável que hoje esteja sob as águas do golfo pérsico. Esculturas da antiga Assíria representavam à Árvore da Vida como um diagrama com 2 traços verticais externos, triângulos e losangos cruzados entre si, interligando treze esferas que seriam os frutos da árvore expostos nas linhas verticais externas, em pontos eqüidistantes em forma de portal. O topo desse diagrama era em forma de arco ou abóbada. No centro havia um traço vertical mais espesso que seria o tronco da árvore de onde partiam as emanações que interligavam todas as esferas. Em cada lado da árvore posicionavam- se 2 Querubins com cabeça de águia cada um com seu braço direito levantado em direção ao topo da árvore.AS DEZ SEFIROT – Na "cabala" judaica a Árvore da Vida érepresentada por um diagrama no formato semelhante de uma pipa, com traços verticais, horizontais e triângulos, totalizando 22 traçosinterligando 10 esferas ou emanações simetricamente distribuídas. O número de traços está em conformidade com o alfabeto hebraico que contém 22 letras que constituem as vias através das quais a luz infinita e a força criadora fluem. . O SEFIROT designa os deznúmeros primordiais dos 32 caminhos da sabedoria assumindo também a designação dos 10 atributos de Deus do texto bíblico.Podemos resumir este diagrama como um complexo esquema matemático sagrado, no qual estão contidas todas as fórmulas possíveis da criação de todas as coisas existentes no universo, tanto no mundo material quanto no mundo espiritual. É a transformação do nada (AIN) em EU, (ANI) quando o imanifesto tornou-se manifesto. No sentido descendente, a árvore da vida constitui o trajeto através do qual o poder criador atuou no ato da criação. No sentido ascendente, a árvore da vida constitui o caminho evolutivo que conduz a criatura ao Criador, a unidade original. Portanto a árvore da vida cabalista transcende ao mundo físico conectando-se ao mundo espiritual.DNA – e CROMOSSOMOS – Se observarmos um segmento de DNA de dupla hélice, notaremos que se assemelha a uma árvore. Os 2 filamentos que compõem o DNA enrolam-se formando uma espiral. Nos genes estão todas as informações biológicas de um organismo que devem ser repassadas para seus descendentes. Sabe-se que são mínimas as variações do DNA entre os seres vivos. Nos seres humanos, homens e mulheres possuem 22 pares(coincidenteme nte, o mesmo número de letras do alfabeto hebraico) de cromossomos autossomos e um par de cromossomos sexual que definirá asexualidade do indivíduo. (Genótipo feminino – XX, masculino – XY)Quando ocorrem mutações nos cromossomos, em sua estrutura ou em quantidade, podem ocorrer doenças e deformações. Genoma é todo o conjunto de GENES de um organismo. Se observarmos um segmento da dupla cadeia de nucleotídeos de um DNA, as 4 bases nitrogenadas conhecidas pelas iniciais A, C, G e T, combinam-se aos pares sequencialmente permitindo milhões de combinações que seriam o código genético de cada indivíduo. A fotomicroscópica de um DNA também se assemelha a um diagrama ou esquema matemático.Hoje é anunciado ao mundo que cientistas conseguem deter o envelhecimento de órgãos em ratos. Uma equipe de cientistas americanos diz ter encontrado os mecanismos genéticos para melhorar o sistema crucial que "limpa e recicla" as proteínas defeituosas nas células.Cientificamente o DNA pode ser considerado a ÁRVORE DA VIDA. Como a ciência é cética em relação ao mundo espiritual, é certo que o homem esteja manipulando segredos divinos da criação, sem noção real das conseqüências futuras.Que ADONAI nos conceda entendimento e sabedoria.Albasgodel
sábado, 14 de março de 2009
Ë URGENTE, É possível, é real! Vania Vieira
De acordo com os cientistas da IPCC - FORUM MUNDIAL DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS de 2 de fevereiro de 2008, a humanidade consome hoje 30% a mais de recursos naturais do que o limite que deveria estar sendo consumido para não desiquilibrarmos o sistema de auto-regulagem da Terra. Isto é uma realidade que favorece ao caos. A Terra está já num processo de aquecimento que está tendo consequências climáticas drásticas em todos os continentes. De acordo com o relatório sobre o estado da Terra – The State of Environment Atlas – dos Estados Unidos, se continuarmos neste processo, até meados do século XXI mais da metade dos seres vivos do planeta terão desaparecido definitivamente. Então chegamos no momento crítico do 'ou muda ou racha!' Apesar de observarmos um aumento rápido de pessoas e organizações em volta do planeta lutando pela mundança, também observamos que a maioria dos governantes e pessoas físicas preferem ignorar esta urgência e se alienar. É necessário que cada um de nós que esteja vendo um vislumbre desta oportunidade que nos está sendo dada neste momento para finalmente amadurecermos e passarmos como espécie humana para uma etapa mais evoluída, se engaje conscientemente na campanha: Salve a Vida! É nossa oportunidade de finalmente escolhermos a maturidade. Mas isto não vai acontecer se estivermos com os nossos braços cruzados esperando que 'eles' façam por nós. É imprescindível que cada um de nós dê um passo decisivo nesta direção. É urgente que cada um de nós seja um agente consciente para a mudança: precisamos sair da adolescência, é hora de aceitarmos a nossa maior idade. Precisamos assumir que somos ADULTOS responsáveis! Chega de brincar, esta brincadeira auto-destrutiva de adolescentes inconsequentes e irresponsáveis! Chega de competição e de concorrência! Não adianta colocarmos a culpa nos sistemas, nos governos, nas secretarias, no pai, na mãe, no vizinho, no passado, nos corruptos, nos ladrões, nas mudanças climáticas, nas faltas de...tempo, dinheiro, amor, atenção, moradia...Cada um de nós é responsável pela crise que estamos vivendo, tanto como indivíduos como quanto humanidade. COMO SOMOS RESPONSÁVEIS? Somos responsáveis quando nos alienamos de nós mesmos, escolhendo buscar fora o que já temos desde que nascemos dentro da gente mesmo. Quando vivemos no futuro ao invés de apreciarmos o momento presente. Quando nos deixamos controlar pelos nossos desejos incontroláveis de ter, de poder, de estar... Somos responsáveis quando nos deixamos acreditar que a felicidade está em sermos mais ricos, mais bonitos, mais jovens, mais amados, mais famosos, mais informados, mais poderosos. Somos responsáveis quando nos deixamos seduzir pelo nosso corpo de desejos para comprar o novo modelito de carro, a nova roupa, o novo brinquedo, o novo aparelho eletrônico, o novo MP9, a nova máquina digital, o novo computador super Giga Bite para substituir o atual que compramos há apenas dois anos atrás, a construir a nova casa, a reformar as construções que ainda estão muito boas, pois PRECISAMOS de uma aparência mais de acordo, porque acreditamos que PRECISAMOS, porque sem estas parafernálias talvez não sobrevivamos. Somos responsáveis quando vamos ao supermercado e compramos a parafernália industrializada que é distribuída com rótulos de alimentos (como se fossem alimentos) embalados em uma infinidade de plásticos e outras embalagens que não são bio-degradáveis, e que vão terminar num lixão qualquer da cidade, ou nos rios, nos mares, nas florestas, sufocando os animais silvestres e marinhos. Somos responsáveis quando compramos e consumimos frango de granja e carne de gado cheios de antibióticos e de hormônios para crescer mais rápido, animais assassinados de forma brutal pelos seres humanos (que deveriam ser punidos por crime a sangue frio), e criados em pastos que substituíram nossas florestas, verduras e frutas intoxicadas com agrotóxicos, água engarrafada em PVC, coca-cola, cerveja, cigarros, drogas que são distribuídas por uma máfia planetária que dissemina o crime e a dependência dos adolescentes. Somos responsáveis quando continuamos intoxicando nossas células que vão se tornando degenerativas...sem o menor questionamento, sem exigir mudanças dos produtores da cadeia alimentar e sem tomarmos uma atitude. E então, nos entupimos de remédios mentirosos fabricados por laboratórios multinacionais, para remediar os estragos feitos pelos nossos desvios alimentares, pela poluição que criamos em nossas águas, no ar, pela destruição de nossas florestas, extinção de tantas espécies, ao invés de procurarmos informações sobre como melhor alimentar nosso corpo físico e como nos reequilibrarmos usando as ervas naturais encontradas em nosso meio ambiente, como faziam nossos ancestrais. Ou ainda como usar o poder de nossa mente para a cura. Somos responsáveis quando aceitamos que todas estas parafernálias que adquirimos sejam embrulhadas em mais embalagens supérfluas, que vamos jogar para todo lado...transplantando a natureza por uma artificialidade nefasta! Somos responsáveis quando gastamos mais água do que precisamos para lavar nossos corpos, nossos carros, nossas casas, nossas calçadas, aguamos nossos jardins exóticos compostos de plantas que nunca se adaptam ao ambiente onde foram implantadas. Tudo isto porque PRECISAMOS de nos aparentar limpos, chics, ricos, importantes... Somos responsáveis quando insistimos em termos babás, escravos, esposas, mães para limpar nossa sujeira: limpar nossas casas, lavar nossas roupas, nossos pratos, jogar fora nossos restos de comida, catar os papéis, garrafas pet, e descartáveis que jogamos por toda parte, varrer nossas ruas, limpar nossas florestas e rios – sob o pensamento 'afinal de contas eles não estudaram tanto como nós e não podem conseguir emprego melhor do que simples garis, babás, escravos' ou porque seja a obrigação delas. Além do mais, somos tão bonzinhos em oferecer trabalho para eles quando existe tanta gente desempregada pelo planeta. E assim temos essa atitude de desleixo, de preguiça e até mesmo quando vamos a um Forum SocioAmbiental Mundial para discutir mudanças de paradigmas, esperamos que alguém cate o lixo que nós produzimos, limpe as mesas e recolha nossos pratos descartáveis com os nossos restos de comida. Não que ter empregado seja errado, mas os empregados não são escravos, as mães e esposas não são escravas, cada um DEVE fazer a sua parte. Chamamos isto de 'cooperação'. Somos responsáveis guando julgamos que nada é nossa responsabilidade, afinal de contas não existem lixeiras suficientes para colocarmos todos os lixos materiais que pessoalmente produzimos. E devemos também considerar aqui os lixos psicológicos que criamos todos os dias com nossos pensamentos destrutivos, medrosos, negativos, com as palavras malcriadas que trocamos com os nossos irmãos de espécie no trânsito, nas calçadas, no trabalho, nas nossas casas. Sim, existe uma guerra em Israel, no Iraque no escambal...mas não estamos também em guerra no nosso dia a dia, com nós mesmos, com os outros, com os objetos que usamos, com o meio onde vivemos, com nossas atitudes egóicas, gritando uns com os outros, sendo violentos de alguma forma? Sim, não podemos criticar ninguém, nem mesmo os Bushs do planeta, porque em algum nível em nosso dia a dia somos parte deles. Desculpe se estou sendo tão dura com nós mesmos, estou fazendo uma autocrítica, minha inclusive, mas é que chegamos num ponto que ou muda ou racha, e eu prefereria que continuássemos como uma espécie mais evoluída neste lindo e amoroso planeta que tem nos abrigado como uma mãe através dos séculos e séculos...E acredito que isto é possível! O planeta não vai acabar, ele prosseguirá na sua tragetória evolutiva com ou sem as bactérias humanas que se apossaram dele. Somos nós que temos de mudar nossa atitude. Penso nas crianças que estão hoje com um ou dois anos e as que ainda nem nasceram. Que tipo de vida estarão herdando de nós? Como será a vida em 2030, se continuarmos vivendo assim tão negligentemente! O QUE PODEMOS FAZER COMO INDIVíDUOS? Que eu e você e muitos outros façamos a nossa parte para sermos instrumentos de uma mudança radical em nossas vidas através do reconhecimento de nossas responsabilidades e de mudança de atitudes. Vamos arregaçar as mangas, pois há muito o que fazer para virarmos adultos e começar a cuidar ao invés de destruir. Vamos sair de nossa adolescência, de nossa zona de conforto e de preguiça! Vamos convidar mais gente a aderir ao movimento em prol da maturidade! A felicidade e a paz se encontram dentro de nós mesmos, não precisamos comprá-las. Precisamos exercitar o cuidado com tudo. O cuidado é uma virtude da alma. Somos seres essencialmente cuidadosos, embora através dos tempos temos praticado o descuido, o descaso e a displicência. Mas faz tudo parte de um processo evolutivo. E agora chegamos num ponto deste processo que temos de dar um salto quântico para podermos passar da adolescência para a maturidade. O ser maduro é um ser cuidadoso. Estou muito feliz porque acredito que é possível exercitar a nossa maturidade como espécie! Sempre acreditei nisto. Estamos sendo forçados a exercitar o cuidado. Porque se não exercitarmos o cuidado, e nos tornarmos seres maduros, sucumbiremos como espécie. A falta de cuidado é: a perda de conexão com o todo; o vazio da consciência que não se percebe como uma parcela do universo; a ausência de percepção da unidade e da interdependência com tudo mais que existe. Cuidar é mais que um ato; é uma atitude, e abrange mais do que apenas um momento de atenção, de zelo; é uma atitude de responsabilidade afetuosa com nós mesmos, com os outros e com as coisas. Estamos vivendo num tempo onde não podemos mais focalizar nossa atenção nas diferenças, não temos tempo mais para competir, para críticar pessoalmente uns aos outros, dividir, divergir. Estas são caracterísiticas de um modelo antigo, fundamentado em condicionamentos do ego. As críticas devem ser construtivas. Este manifesto é uma forma de crítica construtiva, é uma auto-crítica, um convite à mudança. Somos bactérias mas também somos seres de luz. Somos matérias mas também somos transcendentes. Precisamos observar em nosso entorno onde estão as pessoas que, não importa a que credo, que sistema, que 'ismo' estejam afiliados, que nacionalidade, que raça, mas que estejam comprometidos em ajudar a humanidade a caminhar, como disse o grande artista Kandinsky no século passado, como um triângulo para frente e para cima, para que possamos passar para um outro patamar evolutivo e regenerarmos os males que produzimos e consigamos ver o despertar de uma nova humanidade. Vamos nos unir e caminhar juntos. Sempre acreditei que isto seria possível, e agora, mais do que nunca, quando vejo tantas crises e tantas mudanças de consciência no mundo. Isto não é Utopia. Utopia é o que criamos até agora, pois é um sistema baseado na ilusão. Precisamos viver a realidade, a presença, a consciência. Precisamos de um novo sistema organizacional e de produção que focalize a atenção na simplicidade, no menos é melhor, 'small is beautiful', produção descentralizada, local, artesanal. O discurso de que temos uma super-população mundial faminta que tem que ser nutrida é um discurso que não tem fundamento. A questão é que hoje uma minoria se entope de comida enquanto a maioria passa fome. Então, é um problema de distribuição não de população. Comer menos, é mais saudável, não precisamos de nos entupir de proteína animal, e de cereais todos os dias. Não precisamos satisfazer a língua, ela é apenas um orgão mal educado. Podemos re-educar o nosso paladar e descobrir que uma salada orgânica tem mais vida e mais sabor do que um X-burger do MacDonalds. Eu sou um exemplo vivo disso, sou uma mulher saudável, que não come muito há pelo menos 30 anos, e quanto menos como, mais sou saudável. O conceito de que precisamos de uma super nutrição é um engodo que fabrica gordos nas classes médias do mundo. O que nos basta é comer frutas, verduras, castanhas, raízes e alguns legumes, alimentos que poderão ser extraídos de nossos quintais residenciais e comunitários, como era no passado. Não precisamos de comer carnes, nem ovos, nem leite, nem seus derivados, nem soja, nem óleos, nem trangênicos, nem biscoitos, nem chips, nem sorvetes, nem refrigerantes. Não PRECISAMOS! Se não assumirmos um sistema de economia do suficiente, centrada na valorização do ser humano e da natureza - e não do capital - buscando o bem comum, tanto para os seres humanos (uma forma madura de socialismo) como para a natureza (uma forma holística de ambientalismo), a vida de muitas espécies inclusive a nossa estará com seus dias contados. Para instituirmos um sistema de economia solidária, precisamos, cada um de nós, mudar nossas atitudes e 'necessidades'. Façamos um exercício: entremos no supermercado, peguemos um carrinho e percorramos os corredores observando as prateleiras. E sendo bastante honestos, escolhamos apenas os itens que são essenciais para a sobrevivência e para a saúde. Talvez você vai se surpreender com os poucos itens no supermercado que vão preencher estes requisitos. Vamos repensar nossos valores, nossas 'necessidades', rever como consumimos, reduzir tudo, fazer coletas seletivas de lixo, produzir compostos com os restos dos nossos alimentos, para nutrir hortas orgânicas. Vamos levar sacolas ou mochilas para o supermercados. Vamos praticar as coisas que os ambientalistas já estão carecas e grisalhos de tanto aconselhar. Vamos deixar de ser preguiçosos! Vamos nos responsabilizar pelo lixo que produzimos individualmente. (Os países desenvolvidos estão exportando lixo para os países em desenvolvimento). Vamos exigir de nossos governantes leis e implementações que levem à preservação da VIDA. Vamos boicotar e desmascarar os assassinos que vendem venenos com rótulos de alimentos. Vamos exigir sistemas de energias sustentáveis e naturalmente amáveis. Vamos ajudar no despertar dos adormecidos... Vamos praticar a guerrilha amorosa e pacífica em nosso dia a dia, sem 'perder la ternura jamás...' Não é preciso agressividade, mas uma firmeza conscientemente carinhosa. Eu acredito que cada um de nós pode fazer esta Revolução do Cotidiano, mudar de vida, e assim contribuir para a conservação da vida em nosso planeta! Convide mais pessoas a participar desta R E V O L U Ç Ã O!
É urgente! É possível! E é real...
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