Ensaio sobre a amizade
Que qualidade primeira a gente deve esperar de alguém com quem pretende um relacionamento ? Perguntou-me o jovem jornalista, e lhe respondi: aquelas que se esperaria do melhor amigo. O resto, é claro, seriam os ingredientes da paixão, que vão além da amizade. Mas a base estaria ali: na confiança, na alegria de estar junto, no respeito, na admiração. Na tranqüilidade. Em não poder imaginar a vida sem aquela pessoa. Em algo além de todos os nossos limites e desastres.Talvez seja um bom critério. Não digo de escolha, pois amor é instinto e intuição, mas uma dessas opções mais profundas, arcaicas, que a gente faz até sem saber, para ser feliz ou para se destruir. Eu não quereria como parceiro de vida quem não pudesse querer como amigo. E amigos fazem parte de meus alicerces emocionais: são um dos ganhos que a passagem do tempo me concedeu. Falo daquela pessoa para quem posso telefonar, não importa onde ela esteja nem a hora do dia ou da madrugada, e dizer: 'Estou mal, preciso de você'. E ele ou ela estará comigo pegando um carro, um avião, correndo alguns quarteirões a pé, ou simplesmente ficando ao telefone o tempo necessário para que eu me recupere, me reencontre, me reaprume, não me mate, seja lá o que for.Mais reservada do que expansiva num primeiro momento, mais para tímida, tive sempre muitos conhecidos e poucas, mas reais, amizades de verdade, dessas que formam, com a família, o chão sobre o qual a gente sabe que pode caminhar. Sem elas, eu provavelmente nem estaria aqui. Falo daquelas amizades para as quais eu sou apenas eu, uma pessoa com manias e brincadeiras, eventuais tristezas, erros e acertos, os anos de chumbo e uma
generosa parte de ganhos nesta vida. Para eles não sou escritora, muito menos conhecida de público algum: sou gente.
A amizade é um meio-amor, sem algumas das vantagens dele mas sem o ônus do ciúme - o que é, cá entre nós, uma bela vantagem. Ser amigo é rir junto, é dar o ombro para chorar, é poder criticar (com carinho, por favor), é poder apresentar namorado ou namorada, é poder aparecer de chinelo de dedo ou roupão, é poder até brigar e voltar um minuto depois, sem ter de dar explicação nenhuma. Amiga é aquela a quem se pode ligar quando a gente está
com febre e não quer sair para pegar as crianças na chuva: a amiga vai, e pega junto com as dela ou até mesmo se nem tem criança naquele colégio.
Amigo é aquele a quem a gente recorre quando se angustia demais, e ele chega confortando, chamando de 'minha gatona' mesmo que a gente esteja um trapo.
Amigo, amiga, é um dom incrível, isso eu soube desde cedo, e não viveria sem eles. Conheci uma senhora que se vangloriava de não precisar de amigos: 'Tenho meu marido e meus filhos, e isso me basta'. O marido morreu, os filhos seguiram sua vida, e ela ficou num deserto sem oásis, injuriada como se o destino tivesse lhe pregado uma peça. Mais de uma vez se queixou, e nunca tive coragem de lhe dizer, àquela altura, que a vida é uma construção, também a vida afetiva. E que amigos não nascem do nada como frutos do acaso: são cultivados com... amizade. Sem esforço, sem adubos especiais, sem método nem aflição: crescendo como crescem as árvores e as crianças quando não lhes faltam nem luz nem espaço nem afeto.Quando em certo período o destino havia aparentemente tirado de baixo de mim todos os tapetes e perdi o prumo, o rumo, o sentido de tudo, foram amigos, amigas, e meus filhos, jovens adultos já revelados amigos, que seguraram as pontas. E eram pontas ásperas aquelas. Agüentei, persisti, e continuei amando a vida, as pessoas e a mim mesma (como meu amado amigo Erico Verissimo, 'eu me amo mas não me admiro') o suficiente para não ficar
amarga. Pois, além de acreditar no mistério de tudo o que nos acontece, eu tinha aqueles amigos. Com eles, sem grandes conversas nem palavras explícitas, aprendi solidariedade, simplicidade, honestidade, e carinho.Nesta página, hoje, sem razão especial nem data marcada, estou homenageando aqueles, aquelas, que têm estado comigo seja como for, para o que der e vier, mesmo quando estou cansada, estou burra, estou irritada ou desatinada, pois às vezes eu sou tudo isso, ah!, sim. E o bom mesmo é que na amizade, se verdadeira, a gente não precisa se sacrificar nem compreender nem perdoar nem fazer malabarismos sexuais nem inventar desculpas nem esconder rugas ou tristezas. A gente pode simplesmente ser: que alívio, neste mundo complicado e desanimador, deslumbrante e terrível, fantástico e cansativo. Pois o verdadeiro amigo é confiável e estimulante, engraçado e grave, às vezes irritante; pode se afastar, mas sabemos que retorna; ele nos agüenta e nos chama, nos dá impulso e abrigo, e nos faz ser melhores: como um verdadeiro amor.
terça-feira, 24 de junho de 2008
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Fantasmas dos EXs!
Dificilmente você namora ou está enrolado com uma pessoa 0 km. Seu grande amor provavelmente já teve um outro grande amor antes de você, assim como você tem alguma quilometragem percorrida também. Normal. O problema é quando o ex do seu amor não ficou no passado: ainda ronda o presente.Você achava que ele estava morto e enterrado, mas que nada, o fantasma ainda assombra. Manda e-mails pro seu amor, telefona de vez em quando, surge nos mesmos lugares em que vocês estão. Uma praga. Vocês construíram uma relação supersólida, está tudo indo mais do que bem, não há motivo para desconfiança ou insegurança.Mas até quando? O ser humano é saudosista por natureza. De repente, num momento de carência, você pode não estar por perto e o seu amor se deixar levar por uma sessão nostalgia. Quem garante que não?Ninguém garante nada nesta vida. Mas não vejo muita razão para alguém se preocupar demasiadamente com os ex. Eles já tiveram sua vez. Por alguma razão, não deu certo. Eu sei, eu sei, isso não quer dizer absolutamente nada, os dois podem ter continuado a se amar mesmo assim, eles podem ter deixado arestas por apontar, eles podem ter coisas entaladas na garganta para dizer um ao outro. Brrrrr. Assustador. Mas também é muito provável que, se eles tentarem de novo, vão esbarrar nos mesmos problemas que os fizeram separar. Ex é prato requentado. Quase um parente.Eu não tenho fobia com ex, ao menos não com um ex que tenha sido bem vivido, bem curtido. Fico mais apreensiva em relação àqueles que podem vir a ser casos passageiros, aventurazinhas bobas, mas que podem surpreender. Não temo fantasmas, temo gente bem viva, bem acordada, oferecendo novidades, fantasias. Ex é um direito adquirido. Chegou antes. Tem privilégios. Merece respeito. E se seu grande amor cair nessa armadilha, terminar com você e voltar para o passado, relaxe, não se apavore. Será sua vez de assombrar. O ex agora é você!!!Martha Medeiros
Povoar a solidão! Martha Medeiros.
Essa mulher, gaúcha e forte, diz e escreve coisas que calam fundo no meu coração...Estou sempre atenta e buscando o que ela diz...Agora, outra dela...exatamente como eu sinto...
Povoar a solidão
Permita que sua solidão seja bem aproveitada, que ela não seja inútil. Não a cultive como uma doença, e sim como uma circunstância
A sua é de que tamanho? Difícil encontrar alguém que tenha uma solidão pequena, ajustada, do tipo baby look. Geralmente, a solidão é larga, esgarçada, como uma camiseta que poderia vestir outros corpos além do nosso. E costuma ser com outros corpos que se tenta combatê-la, mas combatê-la por quê? Se nossa solidão pudesse ser visualizada, ela seria um vasto campo abandonado, um estádio de futebol numa segunda-feira de manhã. Dói, mas tem poesia. Talvez seja por aí que devamos reavaliá-la: no reconhecimento do que há de belo na sua amplitude. A solidão não precisa ser aniquilada, ela só precisa de um sentido. Eu não saberia dizer que outra coisa mais benéfica há para isso do que livros. Uma biblioteca com mil volumes é um exército que não combate a solidão, mas a ela se alia.A solidão costuma ser tratada como algo deslocado da realidade, como um tumor que invade um órgão vital. Ah, se todos os tumores pudessem ser curados com amigos. Uma pessoa que não fez amigos não teve pela sua vida nenhum respeito. Nossa solidão é nossa casa e necessita abrir horários de visita, hospedar, convidar para o almoço, cozinhar com afeto, revelar-se uma solidão anfitriã, que gosta de ouvir as histórias das solidões dos outros, já que todos possuem seus descampados.A solidão não precisa se valer apenas do monólogo. Pode aprender a dialogar e deve exercitar isso também através da arte. Há sempre uma conversa silenciosa entre o ator no palco e o sujeito no escuro da platéia, entre o pintor em seu ateliê e o visitante do museu, entre o escritor e o seu leitor desconhecido. Ah, os livros, de novo. De todos os que preenchem nossa solidão, são os livros os mais anárquicos, os mais instigantes. Leia, e seu silêncio ganhará voz.Às vezes, tratamos nosso isolamento com certa afetação. Acendemos um cigarro na penumbra da sala, botamos um disco dilacerante e aguardamos pelas lágrimas. Já fizemos essa cena num final de domingo - tem dia mais solitário? É comum que a gente entre na fantasia de que nossa solidão daria um filme noir, mas sem esquecer que ela continuará conosco amanhã e depois de amanhã, deixando de ser charmosa e nos acompanhando até o supermercado. Suporte-a com bom humor ou com mau humor, mas não a despreze. Permita que sua solidão seja bem aproveitada, que ela não seja inútil. Não a cultive como uma doença, e sim como uma circunstância. Em vez de tentar expulsá-la, habite-a com espiritualidade, estética, memória, inspiração, percepções. Não será menos solidão, apenas uma solidão mais povoada. Quem não sabe povoar sua solidão, também não saberá ficar sozinho em meio a uma multidão, escreveu Baudelaire. Ah, os livros, outra vez.
Povoar a solidão
Permita que sua solidão seja bem aproveitada, que ela não seja inútil. Não a cultive como uma doença, e sim como uma circunstância
A sua é de que tamanho? Difícil encontrar alguém que tenha uma solidão pequena, ajustada, do tipo baby look. Geralmente, a solidão é larga, esgarçada, como uma camiseta que poderia vestir outros corpos além do nosso. E costuma ser com outros corpos que se tenta combatê-la, mas combatê-la por quê? Se nossa solidão pudesse ser visualizada, ela seria um vasto campo abandonado, um estádio de futebol numa segunda-feira de manhã. Dói, mas tem poesia. Talvez seja por aí que devamos reavaliá-la: no reconhecimento do que há de belo na sua amplitude. A solidão não precisa ser aniquilada, ela só precisa de um sentido. Eu não saberia dizer que outra coisa mais benéfica há para isso do que livros. Uma biblioteca com mil volumes é um exército que não combate a solidão, mas a ela se alia.A solidão costuma ser tratada como algo deslocado da realidade, como um tumor que invade um órgão vital. Ah, se todos os tumores pudessem ser curados com amigos. Uma pessoa que não fez amigos não teve pela sua vida nenhum respeito. Nossa solidão é nossa casa e necessita abrir horários de visita, hospedar, convidar para o almoço, cozinhar com afeto, revelar-se uma solidão anfitriã, que gosta de ouvir as histórias das solidões dos outros, já que todos possuem seus descampados.A solidão não precisa se valer apenas do monólogo. Pode aprender a dialogar e deve exercitar isso também através da arte. Há sempre uma conversa silenciosa entre o ator no palco e o sujeito no escuro da platéia, entre o pintor em seu ateliê e o visitante do museu, entre o escritor e o seu leitor desconhecido. Ah, os livros, de novo. De todos os que preenchem nossa solidão, são os livros os mais anárquicos, os mais instigantes. Leia, e seu silêncio ganhará voz.Às vezes, tratamos nosso isolamento com certa afetação. Acendemos um cigarro na penumbra da sala, botamos um disco dilacerante e aguardamos pelas lágrimas. Já fizemos essa cena num final de domingo - tem dia mais solitário? É comum que a gente entre na fantasia de que nossa solidão daria um filme noir, mas sem esquecer que ela continuará conosco amanhã e depois de amanhã, deixando de ser charmosa e nos acompanhando até o supermercado. Suporte-a com bom humor ou com mau humor, mas não a despreze. Permita que sua solidão seja bem aproveitada, que ela não seja inútil. Não a cultive como uma doença, e sim como uma circunstância. Em vez de tentar expulsá-la, habite-a com espiritualidade, estética, memória, inspiração, percepções. Não será menos solidão, apenas uma solidão mais povoada. Quem não sabe povoar sua solidão, também não saberá ficar sozinho em meio a uma multidão, escreveu Baudelaire. Ah, os livros, outra vez.
Pedaços de mim...Martha Medeiros.
PEDAÇOS DE MIM
Eu sou feita de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos
Sou feita de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão
Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci
Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante
Já
Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas
Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar
Eu sinto
pelas coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei
Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo...
Eu sou feita de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos
Sou feita de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão
Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci
Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante
Já
Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas
Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar
Eu sinto
pelas coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei
Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo...
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Eu sou universalista sim...Vania Vieira
Universalismo-O CAMINHO DA EVOLUÇÃO
Evoluir significa mudar de uma forma inferior para outra superior. Freqüentemente ouvimos falar em evolução em diversos prismas. Em termos biológicos os seres estão em constante evolução e na natureza impera a lei do mais evoluído e não a do mais forte. Se fosse diferente teríamos hoje dinossauros habitando o nosso planeta e não os seres que existem atualmente. A evolução também ocorre com o meio em que vivemos e podemos então perceber que ela é uma espécie de caminho natural ou um fluxo permanente que não cessa nunca.O espírito também evolui se tornando melhor em todos os aspectos. Quando passa a existir o espírito é muito simples, não apresentando qualquer sinal de intelecto, consciência ou mesmo emoções mais elaboradas. Como uma criança recém nascida ele não sabe o que acontece a sua volta, não definindo nada. Tem início a sua evolução com a primeira encarnação. No início o espírito é como uma fita em branco sem nenhum conhecimento então tem o primeiro contato com a matéria onde começa a interagir com o meio material recebendo também a influência desse meio. Os sentimentos mais básicos começam a se desenvolver. No início ele experimenta a necessidade de sobrevivência que irá desenvolver outra gama de sentimentos básicos como o medo e a fome. Ao contrário do que se pensa muitos o espírito nessa etapa não é mau, mas é como um animal que fará qualquer coisa para sobreviver. Alguns classificam os espíritos em espíritos imperfeitos, espíritos bons e espíritos puros dizendo que os espíritos imperfeitos são maus semelhante aos demônios do cristianismo. Na verdade o conceito do que é bom e do que é mal em muitas situações é relativo. Na natureza alguns animais matam outros para poder sobreviver e para eles esse ato não é mau, mas bom porque essa é o instinto/a compreensão deles. Deus na sua infinita sabedoria criou tudo da forma que deve ser e sendo ele a bondade absoluta como poderia conceber alguma coisa má. A classificação nessas três ordens de evolução foi criada para que nós pudéssemos entender mais facilmente, pois ainda estamos muito longe da perfeição para compreender de fato a verdade. Se quisermos classificar a evolução teríamos uma lista infinita de classes. Não existem dois espíritos que de fato compartilhem o mesmo nível de evolução. Também não podemos atrelar o conceito de bondade e maldade ao nível de evolução do espírito. O espírito quando inicia a sua existência é essencialmente bom, porém seus sentimentos são primitivos e ele começa a encarnar em seres também menos evoluídos. Com o passar das encarnações ele desenvolve sentimentos mais complexos e também a compreensão das coisas, sendo assim quando ele começa a caminhar na terra como homem também irá começar como um ser humano mais rude e de certa forma ainda animalizado. Nessa etapa ele já tem uma idéia muito simples do que é o bem e do que é o mal, mas ainda está muito ligado as existências anteriores podendo ser levado pela sua ignorância a praticar atos que classificamos como maldades inconcebíveis a um homem. Não devemos no entanto julgar o próximo em hipótese alguma cabendo esse poder apenas a Deus. Muitas vezes enxergamos o criminoso apenas pelos malefícios que ele comete, apagando qualquer linha de bondade existente nele. A idéia central não é justificar todo ato de maldade, mas apenas diferenciar um ato ainda enraizado no âmago de um animal que quer sobreviver de um ato praticado por um ser que sabe exatamente o que está fazendo, agindo de maneira fria e calculada pelo simples sentimento de prazer em cometer o mal.Como ser humano teremos uma escala evolutiva também infinita onde temos os homens mais ligados ao mundo animal e outros extremamente distantes. Em determinada fase do desenvolvimento o homem sabe diferenciar de forma bem competente o que é um ato do mal e um ato do bem. Nessa etapa o ser humano já está provido de um grande conhecimento intelectual e seus sentimentos já estão mais evoluídos, mas não são necessariamente bons. Todo ser tem o livre arbítrio, mas apenas com a evolução em todos os sentidos ele estará verdadeiramente apto para escolher um caminho ou o outro. Se nessa etapa ele escolher praticar um ato do mal ele estará escolhendo por vontade própria e estará praticando um ato verdadeiramente mau. Note que o que definirá se um ato é do mal ou do bem será a concepção que o praticante tenha dele. Se alguém pratica o mal, mas por algum motivo não tem capacidade para perceber que o ato é errado ele é, não poderá ser classificado como um ser mau, mas será classificado como uma criatura ignorante em relação ao bem e o mal. Isso tanto é verdade que alguns assassinos em série acham que estão fazendo uma coisa boa quando estão matando algumas pessoas, eles acham que será um ato bom matar uma pessoa má, isso não quer dizer que a vítima era má, mas que o assassino devido a uma deficiência mental sua achava que a vítima era má. O mesmo não poderá ser dito em relação a alguém que mata diversas vezes pelo simples prazer de praticar o mal e sabe perfeitamente que o que está fazendo é errado.O bem é o caminho para chegar a Deus e a sua prática pelo simples gosto de faze-lo sem esperar nada em troca é uma forma de se aproximar do Criador. Logo o espírito só poderá ser chamado de bom espírito ou mau espírito quando ele tiver condição de entender os seu atos podendo exercer o livre arbítrio. Se o espírito nessas condições escolher fazer o mal ele ainda poderá estar evoluindo, pois a mesma acontece em diversas áreas do espírito. Ele poderá estar adquirindo conhecimentos se tornando entendido sobre os mistérios da existência, mas se ele não aprender a fazer o bem pelo prazer de ver a alegria do próximo ele irá se estacionar. Mesmo esses espíritos, com o tempo e o aperfeiçoamento dos sentimentos irão perceber que o maior prazer está no bem do próximo, no sorriso de uma criança, no muito obrigado de um idoso, nas lagrimas de agradecimento do necessitado e em várias outras situações. Aqui o espírito começará a desenvolver a caridade que é a prova da existência do amor. Os homens em várias religiões dizem que deus é amor. Esse amor que é diferente do amor material, mas é um sentimento de unidade com Deus e com o próximo se manifesta na forma de caridade. A caridade verdadeira é feita sem esperar reconhecimento pelo que ato, mas para fazer o próximo se sentir melhor. Esse então é o caminho para a evolução verdadeira do espírito. Muitos praticam a caridade como um ato forçado, porque assim acham que estarão se salvando de alguma punição futura. Esses atos não são verdadeiros atos de caridade, mas simples exploração das necessidades e anseios do necessitado. O verdadeiro ato de caridade surge do coração que se sente triste pelo sofrimento de todos os sofredores. A verdadeira caridade nos dá uma sensação que não podemos explicar, maior que qualquer prazer terreno que possamos experimentar. Ela abranda momentaneamente a tristeza que sentimos devido ao sofrimento do próximos, mas a tristeza voltará, pois o sofrimento não irá se extinguir será apenas amenizado naquele momento. A verdadeira libertação do sofrimento se dará quando toda a infinidade de seres estiverem evoluídos a tal ponto que não haja mais nenhuma forma de injustiça ou maldade nos mundos existentes.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
As dádivas de DEUS!
As Dádivas de Deus
... E era manhã quando Deus parou diante de suas doze crianças e em cada uma delas plantou a semente da vida humana. Uma por uma, dirigiram-se a Ele para receber sua dádiva.
"Para você, Áries, dou minha primeira semente, a qual você terá a honra de plantar. E, para cada semente plantada, um milhão de novas sementes se multiplicarão em suas mãos. Você não terá tempo para vê-las crescerem, pois tudo que plantar criará mais sementes para serem plantadas. Você será o primeiro a penetrar no solo da mente dos homens com minha idéia. Mas não é seu trabalho alimentar a idéia nem questioná-la. Sua vida é ação e a única ação que atribuo a você é começar a tornar os homens cientes de minha criação. Para que seja um bom trabalho te dou a virtude do Auto-respeito."
Em silêncio, Áries voltou ao seu lugar.
"Para você, Touro, dou o poder de fazer da semente a substância. Seu trabalho é grande, requerendo paciência, pois você precisa terminar tudo o que foi começado ou as sementes serão perdidas ao vento. Você não questionará ou mudará de idéia no meio do caminho, nem dependerá de outros para fazer o que pedi. Para isso lhe dou a dádiva da Força. Use-a com sabedoria."
E Touro voltou ao seu lugar.
"Para você, Gêmeos, dou as perguntas sem respostas, para que possa trazer a todos a compreensão do que o homem vê ao seu redor. Você nunca saberá porque os homens falam ou ouvem, mas em sua procura pela resposta encontraram minha dádiva do Conhecimento."
E Gêmeos voltou ao seu lugar.
"Para você, Câncer, atribuo a tarefa de ensinar aos homens sobre a emoção. Minha idéia é você causar-lhes risos e lágrimas para que tudo o que vêem e pensem se desenvolva com plenitude interior. Para isso dou-lhe a dádiva da Família, para que sua plenitude possa se multiplicar."
E Câncer voltou ao seu lugar.
"Para você, Leão, dou o trabalho de mostrar minha criação para o mundo em todo seu esplendor. Mas você precisa tomar cuidado com o orgulho e sempre se lembrar de que é minha criação, não sua. Pois se você se esquecer disto, os homens irão desprezá-lo. Há muita alegria no trabalho que te dou, se ele for bem feito. Para isso você terá a dádiva da Honra."
E Leão voltou ao seu lugar.
"Para você, Virgem, peço uma análise de tudo que o homem tem feito com minha criação. Você examinará seus caminhos minuciosamente e os lembrará de seus erros, para que através de você minha criação possa ser aperfeiçoada. Para isto dou-lhe a dádiva da Pureza de Pensamento."
E Virgem voltou ao seu lugar.
"Para você, Libra, dou a missão de servir, pois o homem deve estar ciente de seu serviço para com os outros. E que ele possa aprender a cooperar, bem como ter a habilidade de refletir o outro lado de suas ações. Eu colocarei você em todo lugar onde haja discórdia e pelos seus esforços lhe darei a dádiva do Amor."
E Libra voltou ao seu lugar.
"Para você, Escorpião, dou uma tarefa muito difícil. Você terá a habilidade de conhecer a mente dos homens mas não permito a você que fale sobre o que aprender. Muitas vezes você será magoado pelo que vê e em sua dor você se afastará de mim, e se esquecerá de que não sou eu, mas a perversão de minha idéia que está causando a sua dor. Você terá tanto do homem, que chegará a conhecê-lo como animal, e lutará tanto com seu instinto animal dentro de si, que perderá seu caminho; mas quando você finalmente voltar a mim, Escorpião, terei para você a suprema dádiva do Propósito."
E Escorpião voltou ao seu lugar.
"Sagitário, eu peço a você para fazer os homens rirem, pois no meio das incompreensões de minha idéia eles se tornaram amargos. Através do riso você dará esperança ao homem e através da esperança voltarão seus olhos para mim. Você tocará muitas vidas, mesmo que só por um momento e conhecerá a impaciência em cada vida que tocar. Para você, Sagitário, eu dou a dádiva da Abundância Infinita que você deve espalhar generosidade suficiente para penetrar cada canto de escuridão e torná-lo iluminado."
E Sagitário voltou ao seu lugar.
"De você, Capricórnio, peço o suor de seu rosto, para que possa ensinar os homens a trabalhar. Sua tarefa não é fácil pois você sentirá o trabalho de todos os homens sobre seus ombros; mas para a superação de seus fardos ponho a Responsabilidade do homem em suas mãos."
E Capricórnio voltou ao seu lugar.
"Para você, Aquário, dou o conceito do futuro para que o homem possa ver outras possibilidades. Você terá a dor da solidão, pois eu não lhe permito personalizar meu amor. Mas para abrir os olhos do homem para novas possibilidades, eu lhe dou a dádiva da Liberdade, para que em sua liberdade possa continuar a servir a humanidade onde quer que seja necessário."
E Aquário voltou ao seu lugar.
"Para você, Peixes, dou a tarefa mais difícil de todas. Peço-lhe para reunir todas as tristezas do homem e voltá-las para mim. Suas lágrimas serão minhas lágrimas. A tristeza que você incorporará é o efeito da incompreensão do homem à minha idéia, mas você lhe dará compaixão para que ele possa tentar novamente. Para essa tarefa, a mais difícil de todas, dou a você a maior dádiva. Você será a única de minhas doze crianças a Me Compreender. Mas esta dádiva de compreensão é para você, Peixes, pois quando você tentar difundi-la ao homem ele não ouvirá."
E Peixes voltou ao seu lugar.
... Então Deus disse: "Cada um de vocês tem uma parte de minha idéia. Vocês não podem confundir nenhuma parte de minha idéia nem devem desejar trocá-las entre si. Pois cada um de vocês é perfeito, mas vocês não saberão disto até que todos os doze sejam um. Pois então o todo da minha idéia será revelada a cada um."
E as crianças saíram, cada uma determinada a fazer seu trabalho o melhor possível, para que pudessem receber sua dádiva. Mas nenhuma compreendeu inteiramente sua tarefa ou sua dádiva e quando voltaram confusas Deus disse: "Cada uma de vocês acredita que as dádivas dos outros são melhores. Portanto, permitirei que vocês as troquem". Naquele momento cada criança ficou exultante ao considerar todas as possibilidades de sua nova missão.
Mas Deus sorriu quando disse: "Vocês voltarão a mim muitas vezes pedindo para serem dispensados de sua missão, e cada vez eu concederei a vocês seus desejos. Vocês irão por incontáveis encarnações antes de completarem a missão original que lhes determinei. Eu lhes dou um tempo incontável para fazê-la, mas somente quando ela estiver feita, vocês poderão estar comigo".
... E era manhã quando Deus parou diante de suas doze crianças e em cada uma delas plantou a semente da vida humana. Uma por uma, dirigiram-se a Ele para receber sua dádiva.
"Para você, Áries, dou minha primeira semente, a qual você terá a honra de plantar. E, para cada semente plantada, um milhão de novas sementes se multiplicarão em suas mãos. Você não terá tempo para vê-las crescerem, pois tudo que plantar criará mais sementes para serem plantadas. Você será o primeiro a penetrar no solo da mente dos homens com minha idéia. Mas não é seu trabalho alimentar a idéia nem questioná-la. Sua vida é ação e a única ação que atribuo a você é começar a tornar os homens cientes de minha criação. Para que seja um bom trabalho te dou a virtude do Auto-respeito."
Em silêncio, Áries voltou ao seu lugar.
"Para você, Touro, dou o poder de fazer da semente a substância. Seu trabalho é grande, requerendo paciência, pois você precisa terminar tudo o que foi começado ou as sementes serão perdidas ao vento. Você não questionará ou mudará de idéia no meio do caminho, nem dependerá de outros para fazer o que pedi. Para isso lhe dou a dádiva da Força. Use-a com sabedoria."
E Touro voltou ao seu lugar.
"Para você, Gêmeos, dou as perguntas sem respostas, para que possa trazer a todos a compreensão do que o homem vê ao seu redor. Você nunca saberá porque os homens falam ou ouvem, mas em sua procura pela resposta encontraram minha dádiva do Conhecimento."
E Gêmeos voltou ao seu lugar.
"Para você, Câncer, atribuo a tarefa de ensinar aos homens sobre a emoção. Minha idéia é você causar-lhes risos e lágrimas para que tudo o que vêem e pensem se desenvolva com plenitude interior. Para isso dou-lhe a dádiva da Família, para que sua plenitude possa se multiplicar."
E Câncer voltou ao seu lugar.
"Para você, Leão, dou o trabalho de mostrar minha criação para o mundo em todo seu esplendor. Mas você precisa tomar cuidado com o orgulho e sempre se lembrar de que é minha criação, não sua. Pois se você se esquecer disto, os homens irão desprezá-lo. Há muita alegria no trabalho que te dou, se ele for bem feito. Para isso você terá a dádiva da Honra."
E Leão voltou ao seu lugar.
"Para você, Virgem, peço uma análise de tudo que o homem tem feito com minha criação. Você examinará seus caminhos minuciosamente e os lembrará de seus erros, para que através de você minha criação possa ser aperfeiçoada. Para isto dou-lhe a dádiva da Pureza de Pensamento."
E Virgem voltou ao seu lugar.
"Para você, Libra, dou a missão de servir, pois o homem deve estar ciente de seu serviço para com os outros. E que ele possa aprender a cooperar, bem como ter a habilidade de refletir o outro lado de suas ações. Eu colocarei você em todo lugar onde haja discórdia e pelos seus esforços lhe darei a dádiva do Amor."
E Libra voltou ao seu lugar.
"Para você, Escorpião, dou uma tarefa muito difícil. Você terá a habilidade de conhecer a mente dos homens mas não permito a você que fale sobre o que aprender. Muitas vezes você será magoado pelo que vê e em sua dor você se afastará de mim, e se esquecerá de que não sou eu, mas a perversão de minha idéia que está causando a sua dor. Você terá tanto do homem, que chegará a conhecê-lo como animal, e lutará tanto com seu instinto animal dentro de si, que perderá seu caminho; mas quando você finalmente voltar a mim, Escorpião, terei para você a suprema dádiva do Propósito."
E Escorpião voltou ao seu lugar.
"Sagitário, eu peço a você para fazer os homens rirem, pois no meio das incompreensões de minha idéia eles se tornaram amargos. Através do riso você dará esperança ao homem e através da esperança voltarão seus olhos para mim. Você tocará muitas vidas, mesmo que só por um momento e conhecerá a impaciência em cada vida que tocar. Para você, Sagitário, eu dou a dádiva da Abundância Infinita que você deve espalhar generosidade suficiente para penetrar cada canto de escuridão e torná-lo iluminado."
E Sagitário voltou ao seu lugar.
"De você, Capricórnio, peço o suor de seu rosto, para que possa ensinar os homens a trabalhar. Sua tarefa não é fácil pois você sentirá o trabalho de todos os homens sobre seus ombros; mas para a superação de seus fardos ponho a Responsabilidade do homem em suas mãos."
E Capricórnio voltou ao seu lugar.
"Para você, Aquário, dou o conceito do futuro para que o homem possa ver outras possibilidades. Você terá a dor da solidão, pois eu não lhe permito personalizar meu amor. Mas para abrir os olhos do homem para novas possibilidades, eu lhe dou a dádiva da Liberdade, para que em sua liberdade possa continuar a servir a humanidade onde quer que seja necessário."
E Aquário voltou ao seu lugar.
"Para você, Peixes, dou a tarefa mais difícil de todas. Peço-lhe para reunir todas as tristezas do homem e voltá-las para mim. Suas lágrimas serão minhas lágrimas. A tristeza que você incorporará é o efeito da incompreensão do homem à minha idéia, mas você lhe dará compaixão para que ele possa tentar novamente. Para essa tarefa, a mais difícil de todas, dou a você a maior dádiva. Você será a única de minhas doze crianças a Me Compreender. Mas esta dádiva de compreensão é para você, Peixes, pois quando você tentar difundi-la ao homem ele não ouvirá."
E Peixes voltou ao seu lugar.
... Então Deus disse: "Cada um de vocês tem uma parte de minha idéia. Vocês não podem confundir nenhuma parte de minha idéia nem devem desejar trocá-las entre si. Pois cada um de vocês é perfeito, mas vocês não saberão disto até que todos os doze sejam um. Pois então o todo da minha idéia será revelada a cada um."
E as crianças saíram, cada uma determinada a fazer seu trabalho o melhor possível, para que pudessem receber sua dádiva. Mas nenhuma compreendeu inteiramente sua tarefa ou sua dádiva e quando voltaram confusas Deus disse: "Cada uma de vocês acredita que as dádivas dos outros são melhores. Portanto, permitirei que vocês as troquem". Naquele momento cada criança ficou exultante ao considerar todas as possibilidades de sua nova missão.
Mas Deus sorriu quando disse: "Vocês voltarão a mim muitas vezes pedindo para serem dispensados de sua missão, e cada vez eu concederei a vocês seus desejos. Vocês irão por incontáveis encarnações antes de completarem a missão original que lhes determinei. Eu lhes dou um tempo incontável para fazê-la, mas somente quando ela estiver feita, vocês poderão estar comigo".
sábado, 24 de maio de 2008
Grisalhos com muito charme-Anne Kreamer
Anne Kreamer tingia os cabelos fazia tanto tempo que, diz, já nem sabia qual era a cor original. Aos 24 anos, começou com um alaranjado luminoso que destoava propositadamente do tom sóbrio usado pelas colegas de banco. Aos 40, adotou um preto-azulado que lhe dava um ar de roqueira e afastava o complexo de mãe envelhecendo. Foi só beirando os 50, quando olhou para uma fotografia sua ao lado da filha adolescente, que Anne entrou em crise. Viu na foto uma mulher de 49 anos que tentava aparentar 34. Achou que era hora de saber o que havia por baixo da coloração. Descobriu não apenas o cinza e o branco que esperava, mas um aspecto de sua personalidade que queria encobrir com a tintura. A experiência pode parecer fútil, mas rendeu um livro de sucesso nos Estados Unidos, Going Gray, que será lançado neste mês pela Editora Globo com o título Meus Cabelos Estão Ficando Brancos.
No livro, Anne relata como se sentiu ao longo dos 18 meses em que viu seus grisalhos aparecendo. O período de transição foi desconfortável, segundo ela, por causa da aparência desleixada do cabelo com as raízes descoloridas. A compensação foi descobrir, ao final da transformação, cabelos brilhantes e sedosos, merecedores de mais elogios que qualquer tom artificial. “Eu usava a coloração como uma muleta”, diz a autora. “Pensava que, se estivesse com o cabelo bem-feito, ninguém notaria se eu ganhasse 7 quilos ou vestisse um jeans velho. Quando deixei meu cabelo crescer grisalho, me dei conta de que precisava prestar mais atenção ao conjunto de minha aparência, o que eu não fazia havia muito tempo.” As reações das amigas – a maioria de cabelos tingidos – foram variadas. Umas aplaudiram sua coragem, outras reafirmaram a intenção de tingir até a morte. Anne fez uma experiência para testar a relação entre cor do cabelo e idade aparente. Pondo lado a lado fotos de mulheres com os cabelos tingidos e uma versão grisalha delas montada em computador, ela concluiu que a tintura nem sempre rejuvenesce. Às vezes, faz a mulher parecer mais velha. Em um site de relacionamento, Anne fez outra experiência: postou duas fotos suas, uma com os cabelos tingidos e outra com os fios grisalhos. Houve mais homens interessados na segunda.
“Todas as minhas conversas durante o processo de ficar grisalha me convenceram de que essa questão aparentemente tão trivial era, de fato, nada trivial às psiques, identidades e vida das mulheres”, diz Anne no livro. Uma de suas interlocutoras foi a amiga e também escritora Nora Ephron, autora de Meu Pescoço É um Horror (editora Rocco). Nora, aos 66 anos, tem cabelos castanhos. As duas foram jovens na época do movimento hippie e vêem mulheres de sua idade sentir-se culpadas por aderir a escolhas tão frívolas quanto tingir os cabelos. É como se disfarçar a idade fosse aceitar o establishment e abandonar os ideais da juventude.
Tingir os cabelos exige o esforço de retocar as raízes duas vezes por mês. Mesmo assim, nos Estados Unidos como no Brasil, são raras as mulheres que deixam os fios brancos crescer livres. A maioria o faz para manter a aparência. Uma pesquisa da empresa de cosméticos L’Oréal, realizada no ano passado, mostrou que mais da metade das mulheres brasileiras que colorem os fios brancos escolhe um tom próximo à cor original.
ASSUMIDA-A paulista Maru Girardi diz que nunca se incomodou com os fios brancos. “A mulher que quer parecer mais nova usa aquele tom loiro-menopausa”, diz
Deixar os fios brancos à mostra nem sempre funciona. A consultora de moda Regina Martelli tem uma opinião clara. “Só funciona se for muito chique e bem tratado. Senão fica parecendo uma personagem fantasiada”, diz. Aquelas que optaram pelos tons cinza e branco não concordam. (A polêmica continua no artigo ao lado.) A comerciante paulista e grisalha assumida Maru Girardi sabia que na família os cabelos dos mais velhos adquiriam um belo tom prateado. Bastou esperar os anos passarem e escolher um corte que combinasse com seu rosto. “O cabelo pintado entra em conflito com uma cara envelhecida. É a mulher querendo parecer mais nova, aquele tom que eu chamo de loiro-menopausa”, diz Maru. Assim como Anne Kreamer conta em seu livro, Maru observa que os homens são atraídos pelas grisalhas por ver nelas mulheres que não têm medo de mostrar quem realmente são.
Nem sempre o cabelo branco vem com a idade. No caso da carioca Ana Castello Branco, o primeiro fio branco apareceu aos 4 anos. Ela passou a adolescência e toda a juventude já com muitos cabelos grisalhos, em tons entre o branco e o preto. Hoje, aos 49, orgulha-se de uma cabeleira longa e alvíssima, tratada com xampus comprados fora do Brasil, e que nunca ousou tingir. A brancura de seu cabelo sempre foi polêmica. Os comentários e interrogatórios de amigos e desconhecidos são inevitáveis, e os elogios acabam, segundo ela, predominando. “Eu encaro o meu branco como uma cor, porque sempre foi assim. Embora já tenha influenciado outras mulheres, sei que algumas não devem deixar os brancos aparecer, porque pareceriam envelhecer rapidamente.”
Respeitem meus cabelos tingidos!As mulheres se tornaram donas de suas contas bancárias e de suas raízes capilares. Abrir mão disso seria um contra-senso
Em seu mais recente livro, Meu Pescoço É um Horror, Nora Ephron declarou que o que revolucionou a vida da mulher contemporânea não foi o feminismo nem a aeróbica, mas a tinta de cabelo. Sob pena de decepcionar as mulheres (poucas) que resolveram levantar a bandeira da “autenticidade” para defender um movimento pró-cabeças grisalhas, concordo totalmente com Ephron. Outra escritora antenada, Anne Kreamer, tomou corajosamente a decisão de limar a tintura de sua vida e contou sua experiência em um livro. Com todo o respeito pela autora e até gostando de seu novo white look (em corte caprichadíssimo, ressalte-se) e de seu livro (bem interessante, admita-se), acho que a polêmica já apelidada de Gray War não deve preocupar o mais poderoso segmento da indústria cosmética mundial.
É uma falsa questão. E está muito mais ligada à estética do que à ética feminina. Cabelos brancos envelhecem a fisionomia e, adivinha só, ninguém quer parecer mais velho do que é. Não só as mulheres, como homens, que não pintam os cabelos porque fica mesmo ridículo ou porque acreditam sinceramente que ficam parecidos com o George Clooney. Abrir mão de qualquer artifício que a ciência tenha disponibilizado a nosso favor é, no mínimo, um contra-senso.
Na aparência e no comportamento, todas nós rejuvenescemos vertiginosamente nas últimas décadas. Mulheres de 40 anos eram velhuscas, aos 50 quase anciãs, e daí por diante macróbias. Fizemos um tremendo esforço para escapar desse triste desfecho precoce. Estudamos, trabalhamos, fizemos dietas, malhamos e... pintamos os cabelos. Ficamos loiras, castanhas, ruivas, (quase) magras e donas de nossas contas bancárias e nossas raízes capilares. Aos 50, damos risinhos maldosos quando encontramos nossos ex-colegas de faculdade que agora se parecem nossos pais. Não precisamos mentir a idade porque, de fato, ao parecermos mais novas, passamos a ser encaradas como tal, cheias de energia física e mental. Os cabelos pintados avalizam nossa cronologia interna, não o contrário.
Há mulheres belíssimas com cabelos acinzentados. São todas modelos suecas e escritoras francesas
Conheço mulheres (poucas) que ficam belíssimas com cabelos acinzentados. São todas modelos suecas, escritoras francesas ou a Meryl Streep (só em O Diabo Veste Prada) e a Helen Mirren. E elas têm muuuuuito trabalho. Gastam mais tempo e dinheiro no salão do que com uma cabeleira tingida comum. Ou adotam os cabelos muito curtos, o que, sinceramente, não ajuda ninguém depois dos 40.
Anne Kreamer destaca como surpreendente que os homens não estão nem aí para o branco de nossos cabelos. É natural que os homens, depois de uma certa idade, se sintam atraídos pelo charme elegante de uma cabeleira cinza. O problema é que não são os homens, mas as mulheres, as implacáveis juízas da nossa imagem. Mais precisamente, somos nós mesmas diante do espelho. É a partir da satisfação ou não com o que vemos refletido que nos tornamos belas e poderosas. Ou destruídas para a vida, o amor ou o trabalho. Olhar no espelho e enxergar a nossa avó é como ter um bad-hair day que durasse a eternidade. E a maior prova de que a “Guerra Cinza” é mais frívola do que parece foi o resultado de uma enquete entre as mais convictas usuárias de tintura nos cabelos. Quando perguntadas se preferiam ser tingidas e gordas ou grisalhas e magras cravaram sem pestanejar: grisalhas e magras. Claro.
No livro, Anne relata como se sentiu ao longo dos 18 meses em que viu seus grisalhos aparecendo. O período de transição foi desconfortável, segundo ela, por causa da aparência desleixada do cabelo com as raízes descoloridas. A compensação foi descobrir, ao final da transformação, cabelos brilhantes e sedosos, merecedores de mais elogios que qualquer tom artificial. “Eu usava a coloração como uma muleta”, diz a autora. “Pensava que, se estivesse com o cabelo bem-feito, ninguém notaria se eu ganhasse 7 quilos ou vestisse um jeans velho. Quando deixei meu cabelo crescer grisalho, me dei conta de que precisava prestar mais atenção ao conjunto de minha aparência, o que eu não fazia havia muito tempo.” As reações das amigas – a maioria de cabelos tingidos – foram variadas. Umas aplaudiram sua coragem, outras reafirmaram a intenção de tingir até a morte. Anne fez uma experiência para testar a relação entre cor do cabelo e idade aparente. Pondo lado a lado fotos de mulheres com os cabelos tingidos e uma versão grisalha delas montada em computador, ela concluiu que a tintura nem sempre rejuvenesce. Às vezes, faz a mulher parecer mais velha. Em um site de relacionamento, Anne fez outra experiência: postou duas fotos suas, uma com os cabelos tingidos e outra com os fios grisalhos. Houve mais homens interessados na segunda.
“Todas as minhas conversas durante o processo de ficar grisalha me convenceram de que essa questão aparentemente tão trivial era, de fato, nada trivial às psiques, identidades e vida das mulheres”, diz Anne no livro. Uma de suas interlocutoras foi a amiga e também escritora Nora Ephron, autora de Meu Pescoço É um Horror (editora Rocco). Nora, aos 66 anos, tem cabelos castanhos. As duas foram jovens na época do movimento hippie e vêem mulheres de sua idade sentir-se culpadas por aderir a escolhas tão frívolas quanto tingir os cabelos. É como se disfarçar a idade fosse aceitar o establishment e abandonar os ideais da juventude.
Tingir os cabelos exige o esforço de retocar as raízes duas vezes por mês. Mesmo assim, nos Estados Unidos como no Brasil, são raras as mulheres que deixam os fios brancos crescer livres. A maioria o faz para manter a aparência. Uma pesquisa da empresa de cosméticos L’Oréal, realizada no ano passado, mostrou que mais da metade das mulheres brasileiras que colorem os fios brancos escolhe um tom próximo à cor original.
ASSUMIDA-A paulista Maru Girardi diz que nunca se incomodou com os fios brancos. “A mulher que quer parecer mais nova usa aquele tom loiro-menopausa”, diz
Deixar os fios brancos à mostra nem sempre funciona. A consultora de moda Regina Martelli tem uma opinião clara. “Só funciona se for muito chique e bem tratado. Senão fica parecendo uma personagem fantasiada”, diz. Aquelas que optaram pelos tons cinza e branco não concordam. (A polêmica continua no artigo ao lado.) A comerciante paulista e grisalha assumida Maru Girardi sabia que na família os cabelos dos mais velhos adquiriam um belo tom prateado. Bastou esperar os anos passarem e escolher um corte que combinasse com seu rosto. “O cabelo pintado entra em conflito com uma cara envelhecida. É a mulher querendo parecer mais nova, aquele tom que eu chamo de loiro-menopausa”, diz Maru. Assim como Anne Kreamer conta em seu livro, Maru observa que os homens são atraídos pelas grisalhas por ver nelas mulheres que não têm medo de mostrar quem realmente são.
Nem sempre o cabelo branco vem com a idade. No caso da carioca Ana Castello Branco, o primeiro fio branco apareceu aos 4 anos. Ela passou a adolescência e toda a juventude já com muitos cabelos grisalhos, em tons entre o branco e o preto. Hoje, aos 49, orgulha-se de uma cabeleira longa e alvíssima, tratada com xampus comprados fora do Brasil, e que nunca ousou tingir. A brancura de seu cabelo sempre foi polêmica. Os comentários e interrogatórios de amigos e desconhecidos são inevitáveis, e os elogios acabam, segundo ela, predominando. “Eu encaro o meu branco como uma cor, porque sempre foi assim. Embora já tenha influenciado outras mulheres, sei que algumas não devem deixar os brancos aparecer, porque pareceriam envelhecer rapidamente.”
Respeitem meus cabelos tingidos!As mulheres se tornaram donas de suas contas bancárias e de suas raízes capilares. Abrir mão disso seria um contra-senso
Em seu mais recente livro, Meu Pescoço É um Horror, Nora Ephron declarou que o que revolucionou a vida da mulher contemporânea não foi o feminismo nem a aeróbica, mas a tinta de cabelo. Sob pena de decepcionar as mulheres (poucas) que resolveram levantar a bandeira da “autenticidade” para defender um movimento pró-cabeças grisalhas, concordo totalmente com Ephron. Outra escritora antenada, Anne Kreamer, tomou corajosamente a decisão de limar a tintura de sua vida e contou sua experiência em um livro. Com todo o respeito pela autora e até gostando de seu novo white look (em corte caprichadíssimo, ressalte-se) e de seu livro (bem interessante, admita-se), acho que a polêmica já apelidada de Gray War não deve preocupar o mais poderoso segmento da indústria cosmética mundial.
É uma falsa questão. E está muito mais ligada à estética do que à ética feminina. Cabelos brancos envelhecem a fisionomia e, adivinha só, ninguém quer parecer mais velho do que é. Não só as mulheres, como homens, que não pintam os cabelos porque fica mesmo ridículo ou porque acreditam sinceramente que ficam parecidos com o George Clooney. Abrir mão de qualquer artifício que a ciência tenha disponibilizado a nosso favor é, no mínimo, um contra-senso.
Na aparência e no comportamento, todas nós rejuvenescemos vertiginosamente nas últimas décadas. Mulheres de 40 anos eram velhuscas, aos 50 quase anciãs, e daí por diante macróbias. Fizemos um tremendo esforço para escapar desse triste desfecho precoce. Estudamos, trabalhamos, fizemos dietas, malhamos e... pintamos os cabelos. Ficamos loiras, castanhas, ruivas, (quase) magras e donas de nossas contas bancárias e nossas raízes capilares. Aos 50, damos risinhos maldosos quando encontramos nossos ex-colegas de faculdade que agora se parecem nossos pais. Não precisamos mentir a idade porque, de fato, ao parecermos mais novas, passamos a ser encaradas como tal, cheias de energia física e mental. Os cabelos pintados avalizam nossa cronologia interna, não o contrário.
Há mulheres belíssimas com cabelos acinzentados. São todas modelos suecas e escritoras francesas
Conheço mulheres (poucas) que ficam belíssimas com cabelos acinzentados. São todas modelos suecas, escritoras francesas ou a Meryl Streep (só em O Diabo Veste Prada) e a Helen Mirren. E elas têm muuuuuito trabalho. Gastam mais tempo e dinheiro no salão do que com uma cabeleira tingida comum. Ou adotam os cabelos muito curtos, o que, sinceramente, não ajuda ninguém depois dos 40.
Anne Kreamer destaca como surpreendente que os homens não estão nem aí para o branco de nossos cabelos. É natural que os homens, depois de uma certa idade, se sintam atraídos pelo charme elegante de uma cabeleira cinza. O problema é que não são os homens, mas as mulheres, as implacáveis juízas da nossa imagem. Mais precisamente, somos nós mesmas diante do espelho. É a partir da satisfação ou não com o que vemos refletido que nos tornamos belas e poderosas. Ou destruídas para a vida, o amor ou o trabalho. Olhar no espelho e enxergar a nossa avó é como ter um bad-hair day que durasse a eternidade. E a maior prova de que a “Guerra Cinza” é mais frívola do que parece foi o resultado de uma enquete entre as mais convictas usuárias de tintura nos cabelos. Quando perguntadas se preferiam ser tingidas e gordas ou grisalhas e magras cravaram sem pestanejar: grisalhas e magras. Claro.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
A tatuagem da meia idade-Denise Brito
A tatuagem da meia-idade
Contra a obrigatoriedade de parecerem mais jovens, mulheres enfrentam preconceitos, principalmente de outras mulheres, ao assumir os cabelos brancos
DENISE BRITO
COLABORAÇÃO PARA FOLHA
Em uma época repleta de recursos sofisticados para tornar as mulheres mais atraentes e joviais, disfarçar os cabelos brancos, de tão básico, virou quase uma obrigação. Essa é a percepção de algumas mulheres que se aventuraram pelo caminho inverso ao da maioria e ousaram assumir um visual grisalho em plena meia-idade.
A atriz Cássia Kiss, 50, que, entre uma novela e outra, corta os cabelos e os deixa na cor natural, afirma ser duro resistir à pressão, muito forte principalmente por parte das mulheres de sua faixa etária. "Há as que gostam, e gostam mesmo, mas há as que cobram e dizem: 'Logo você, uma atriz!'", relata. "A ditadura da aparência jovem é um fato, e todo mundo quer se salvar. Mas eu gosto de contar minha idade. Sou dona de mim, sei do que gosto, e minha fé em mim é muito forte."
A reação aos cabelos assumidamente brancos leva mulheres a concluir que, socialmente, a renúncia às tintas está vinculada à decrepitude e ao abandono de si próprias. "Algumas pessoas acham que você está desencantada com a vida, que se largou ou que está pirando", conta Mila Rey, 53, professora de inglês. "Eu usava hena desde os 33 anos para cobrir os fios brancos até que, aos 43, veio uma vontade de ver como era a verdadeira Mila. Deixei crescer a raiz e fiz um corte radical, bem moderno. Quando me olhei, achei o máximo! Senti-me livre, poderosa. Fui direto para um vernissage, e todo mundo gostou. Um tempo depois, começaram os comentários: 'Está bonito, mas ficaria mais se você pintasse'." Mila e suas colegas de experiência contam que abdicar de uma aparência que se convencionou ser rejuvenescedora pode ser considerado até agressivo aos olhos de quem acha difícil lidar com os sinais do próprio envelhecimento. "Uma amiga de ginásio não pode me ver que começa a falar: 'Sai de perto de mim que eu não quero ver isso!'", diz.
"'O quê?', gritou minha vizinha 'loura' de 50 e alguns anos quando mencionei minha decisão. 'Por que cargas d'água você quer parecer mais velha?'", relata a norte-americana Anne Kreamer, 52, em seu recém-lançado livro "Meus Cabelos Estão Ficando Brancos" (Ed. Globo). "Eu não tinha idéia de onde estava me metendo."
Ato de rebeldia
Tamanha é a convicção de que cabelo grisalho é para ser omitido que ostentar os fios brancos pode ser encarado hoje como um verdadeiro ato de rebeldia, uma espécie de tatuagem ostensiva das mulheres maduras.
Segundo a psicóloga professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Mônica Gianfaldoni, falta tolerância com o que é diferente. Ela diz não considerar alienadas as mulheres que pintam os cabelos, mas que, em um mundo globalizado, há um excesso de rigidez no padrão estético voltado para o vigor da juventude. "Será que, para ser feliz, a pessoa tem que parecer igual a todo mundo?", questiona. "Quebrar padrões e sair do script estão ligados a pensar mais, analisar critérios, olhar para dentro de si e decidir onde se quer investir, dar-se o direito de dispor do próprio corpo."
A terapeuta observa que a cobrança social não apenas de ser jovem, mas também de aparentar jovialidade, exerce maior pressão sobre as mulheres. Pesquisa recente com universitárias realizada na faculdade em que leciona, sobre critérios de escolha de parceiros, mostrou que o nível de exigência com a aparência é muito maior com elas próprias. "Beleza é uma questão sexista. A mulher se cobra muito mais por sua própria aparência do que pela de um parceiro em potencial."
Para a atriz Glória Menezes, 73, o período em que deixou os cabelos naturalmente brancos foi positivo. "As pessoas adoraram, acharam fashion daquele jeito bem curtinho. Queriam que eu continuasse, mas não posso, tenho de mudar conforme os personagens que faço", diz. Ela afirma considerar que a aceitação externa reflete o interior da pessoa. "O importante é se sentir bem, seja com o cabelo branco, vermelho, azul."
Com o público masculino, a professora Mila passou a fazer até mais sucesso com o cabelo novo, ao contrário do que previram as amigas. "Uma vez praticamente fui agarrada por um garoto de 26 anos quando saí para dançar com amigos. Ele não queria nem saber da diferença de idade", conta. "Acho que quem pensa que cabelo grisalho é coisa de velha talvez não saiba como é na Europa, nos Estados Unidos. Acho que ter esse preconceito, sim, é que é coisa de velha."
Contra a obrigatoriedade de parecerem mais jovens, mulheres enfrentam preconceitos, principalmente de outras mulheres, ao assumir os cabelos brancos
DENISE BRITO
COLABORAÇÃO PARA FOLHA
Em uma época repleta de recursos sofisticados para tornar as mulheres mais atraentes e joviais, disfarçar os cabelos brancos, de tão básico, virou quase uma obrigação. Essa é a percepção de algumas mulheres que se aventuraram pelo caminho inverso ao da maioria e ousaram assumir um visual grisalho em plena meia-idade.
A atriz Cássia Kiss, 50, que, entre uma novela e outra, corta os cabelos e os deixa na cor natural, afirma ser duro resistir à pressão, muito forte principalmente por parte das mulheres de sua faixa etária. "Há as que gostam, e gostam mesmo, mas há as que cobram e dizem: 'Logo você, uma atriz!'", relata. "A ditadura da aparência jovem é um fato, e todo mundo quer se salvar. Mas eu gosto de contar minha idade. Sou dona de mim, sei do que gosto, e minha fé em mim é muito forte."
A reação aos cabelos assumidamente brancos leva mulheres a concluir que, socialmente, a renúncia às tintas está vinculada à decrepitude e ao abandono de si próprias. "Algumas pessoas acham que você está desencantada com a vida, que se largou ou que está pirando", conta Mila Rey, 53, professora de inglês. "Eu usava hena desde os 33 anos para cobrir os fios brancos até que, aos 43, veio uma vontade de ver como era a verdadeira Mila. Deixei crescer a raiz e fiz um corte radical, bem moderno. Quando me olhei, achei o máximo! Senti-me livre, poderosa. Fui direto para um vernissage, e todo mundo gostou. Um tempo depois, começaram os comentários: 'Está bonito, mas ficaria mais se você pintasse'." Mila e suas colegas de experiência contam que abdicar de uma aparência que se convencionou ser rejuvenescedora pode ser considerado até agressivo aos olhos de quem acha difícil lidar com os sinais do próprio envelhecimento. "Uma amiga de ginásio não pode me ver que começa a falar: 'Sai de perto de mim que eu não quero ver isso!'", diz.
"'O quê?', gritou minha vizinha 'loura' de 50 e alguns anos quando mencionei minha decisão. 'Por que cargas d'água você quer parecer mais velha?'", relata a norte-americana Anne Kreamer, 52, em seu recém-lançado livro "Meus Cabelos Estão Ficando Brancos" (Ed. Globo). "Eu não tinha idéia de onde estava me metendo."
Ato de rebeldia
Tamanha é a convicção de que cabelo grisalho é para ser omitido que ostentar os fios brancos pode ser encarado hoje como um verdadeiro ato de rebeldia, uma espécie de tatuagem ostensiva das mulheres maduras.
Segundo a psicóloga professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Mônica Gianfaldoni, falta tolerância com o que é diferente. Ela diz não considerar alienadas as mulheres que pintam os cabelos, mas que, em um mundo globalizado, há um excesso de rigidez no padrão estético voltado para o vigor da juventude. "Será que, para ser feliz, a pessoa tem que parecer igual a todo mundo?", questiona. "Quebrar padrões e sair do script estão ligados a pensar mais, analisar critérios, olhar para dentro de si e decidir onde se quer investir, dar-se o direito de dispor do próprio corpo."
A terapeuta observa que a cobrança social não apenas de ser jovem, mas também de aparentar jovialidade, exerce maior pressão sobre as mulheres. Pesquisa recente com universitárias realizada na faculdade em que leciona, sobre critérios de escolha de parceiros, mostrou que o nível de exigência com a aparência é muito maior com elas próprias. "Beleza é uma questão sexista. A mulher se cobra muito mais por sua própria aparência do que pela de um parceiro em potencial."
Para a atriz Glória Menezes, 73, o período em que deixou os cabelos naturalmente brancos foi positivo. "As pessoas adoraram, acharam fashion daquele jeito bem curtinho. Queriam que eu continuasse, mas não posso, tenho de mudar conforme os personagens que faço", diz. Ela afirma considerar que a aceitação externa reflete o interior da pessoa. "O importante é se sentir bem, seja com o cabelo branco, vermelho, azul."
Com o público masculino, a professora Mila passou a fazer até mais sucesso com o cabelo novo, ao contrário do que previram as amigas. "Uma vez praticamente fui agarrada por um garoto de 26 anos quando saí para dançar com amigos. Ele não queria nem saber da diferença de idade", conta. "Acho que quem pensa que cabelo grisalho é coisa de velha talvez não saiba como é na Europa, nos Estados Unidos. Acho que ter esse preconceito, sim, é que é coisa de velha."
segunda-feira, 19 de maio de 2008
...de novo, Martha Medeiros... que escreve coisas que queremos dizer...e as vzs não sabemos como...
Texto de Martha Medeiros:
'Mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher. Era um bate-papo com uma platéia composta de umas
250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha
e, como não me envergonho dela, respondi. Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito. Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?'
Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo. Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas. Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada. A fonte da juventude chama-se mudança.
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas. Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho.Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu. Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu. Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
Olhe-se no espelho...
'Mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher. Era um bate-papo com uma platéia composta de umas
250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha
e, como não me envergonho dela, respondi. Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito. Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?'
Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo. Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas. Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada. A fonte da juventude chama-se mudança.
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas. Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho.Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu. Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu. Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
Olhe-se no espelho...
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Divago...sim...de vez em quando...Vania Vieira
Escrevo por que acho muito fácil transpôr em letras o que passa na mente e na alma...Sempre foi assim...aos 7 anos, já o fazia...hoje continuo, insisto...
Escrever me faz bem, sendo no meio de alegrias ou te tempestades...de ventos ou dias secos, me faz bem, e pronto! Se desagrado assim, desculpem....
Posso escrever sobre qualquer coisa que por mais estranha que resulte aos olhos, não estranho...as palavras brotam em mim...Sinto-me como uma flor que se entreabre...nem estranha...por tudo ter saido de dentro mim.
Mesmo que sejam frases soltas, textos árduos, leituras complicadas ou vírgulas infinitas que entre si, encerram o tudo que às vezes teima em não sair e fica somente entre pontuações.
Hoje estou particularmente zen...mais zen...em dias assim saltam as palavras dos meus dedos. Parece que toquei o Infinito e coloquei os pés nas distantes galáxias...
O vazio interno, outrora silenciado, pela incapacidade de ser 'frágil', hoje se permeia de signos, significados e imagens...
Li mais cedo: você têm sede do quê? tenho tanta sede, de coisas às quais não consigo dar-lhes nome, de tantas e múltiplas...tenho sede de liberdade, quem disse que mesmo sem amarras estamos livres? Sede de coisas que não possuem forma, mas causam tanta dor, ao não existirem...Sede de mim mesma, dos atos que ficaram pela metade, das relações que nunca foram pontuadas, sede de mim, em dias tristes, de mim: a outra que vê sóis quando eles não existem, que vê a possibilidade quando nem sequer foi criada...
Hoje estou assim...engraçado ficar assim, quando de concreto, hoje, hoje, nada ocorreu...Mas os ontens de tantos dias seguidos um ao outro, somados, me deixaram, tão etérea assim, hoje...
Escrever me faz bem, sendo no meio de alegrias ou te tempestades...de ventos ou dias secos, me faz bem, e pronto! Se desagrado assim, desculpem....
Posso escrever sobre qualquer coisa que por mais estranha que resulte aos olhos, não estranho...as palavras brotam em mim...Sinto-me como uma flor que se entreabre...nem estranha...por tudo ter saido de dentro mim.
Mesmo que sejam frases soltas, textos árduos, leituras complicadas ou vírgulas infinitas que entre si, encerram o tudo que às vezes teima em não sair e fica somente entre pontuações.
Hoje estou particularmente zen...mais zen...em dias assim saltam as palavras dos meus dedos. Parece que toquei o Infinito e coloquei os pés nas distantes galáxias...
O vazio interno, outrora silenciado, pela incapacidade de ser 'frágil', hoje se permeia de signos, significados e imagens...
Li mais cedo: você têm sede do quê? tenho tanta sede, de coisas às quais não consigo dar-lhes nome, de tantas e múltiplas...tenho sede de liberdade, quem disse que mesmo sem amarras estamos livres? Sede de coisas que não possuem forma, mas causam tanta dor, ao não existirem...Sede de mim mesma, dos atos que ficaram pela metade, das relações que nunca foram pontuadas, sede de mim, em dias tristes, de mim: a outra que vê sóis quando eles não existem, que vê a possibilidade quando nem sequer foi criada...
Hoje estou assim...engraçado ficar assim, quando de concreto, hoje, hoje, nada ocorreu...Mas os ontens de tantos dias seguidos um ao outro, somados, me deixaram, tão etérea assim, hoje...
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