Sugiro um pequeno exercício para nos presentificarmos, para nos fazer estar realmente consciente de nossa realidade interna e circunstancial. De início é bom incorporarmos a idéia de que tudo o que acontece a nossa volta nos interessa.
Sente-se ou deite-se, relaxe o corpo, acalme suas emoções e pensamentos.
A seguir, observe tudo o que acontece ao seu redor. Perceba, apenas. E diga a si mesmo:
Estou consciente do ruído dos carros na rua. Estou consciente da posição de minha perna. Estou consciente do canto daquele pássaro. Estou consciente da temperatura das
minhas costas. Estou consciente da fala daquela pessoa no cômodo ao lado. Estou consciente da minha respiração. Da minha inspiração e expiração. Estou consciente de estar relaxado, estou consciente das batidas do meu coração... Estou consciente desse pensamento, estou consciente dessa emoção... E perceba assim tudo o que irá vindo aos seus sentidos.
Esse simples exercício diário nos trará de volta e nos abrirá portas de percepção das quais normalmente não nos atentávamos... Quando seguíamos automatizados e não víamos, não sentíamos, simplesmente não percebíamos...
Em uma roda de pessoas comentava-se sobre seus mestres, cada um querendo reivindicar suas melhores qualidades. Alguém disse: Meu mestre pode ver o futuro!
E outro: Meu mestre levita! E outro ainda: Não, meu mestre é o melhor, ele anda sobre as águas! E alguém escutava em silencio. Perguntaram-lhe: E o seu mestre, o que é que ele faz? Ele respondeu: Meu mestre é maravilhoso. Quando ele anda, ele anda. Quando ele come, ele só está comendo. Quando conversa, ele fala. Quando trabalha, ele trabalha. Quando segura, ele aperta com força. Quando escuta, ele escuta...
Estar em Presença é estar consciente do que nos chega sensorial ou suprasensorialmente. Em um primeiro momento, podemos nos treinar em melhorar nossa acuidade perceptiva. Depois, podemos começar por ampliar nosso percebimento do Agora, estando consciente, mesmo sem a percepção sensória, do que nos cerca.
Assim, estamos conscientes das estrelas no céu. Da nossa cidade. Do nosso país. De nosso planeta. Da órbita, do movimento que acontece agora de seu giro em torno de si e em torno do sol. Dos terremotos que neste momento estão acontecendo em muitas partes do mundo. Dos ventos, do frio, do calor, do movimento incessante das pessoas que andam, trabalham, viajam de carro, de metrô, de avião, agora. Estou consciente que neste instante muitos bebês estão nascendo. Estou consciente que neste momento várias pessoas estão morrendo. Estou consciente do tempo, das nuvens, das horas, dos meus pensamentos, estou cada vez mais consciente da dinâmica do universo... Dos universos que estão sendo criados exatamente agora, daqueles que já cumpriram sua função cósmica e agora se recolhem a outras dimensões... Estou consciente de sentir em mim mesmo as feições energéticas das pessoas... Estou consciente de sentir-me ligado a todas as pessoas, a todos os seres, à vida plena, ao universo...
Estar Presente significa tomar plena consciência na integridade do que estamos fazendo, do que estamos vivendo, do que estamos sentindo, de sabermos onde estamos, o que está acontecendo exatamente agora, para onde nos estamos dirigindo... De poder observarmo-nos e ver nossos pensamentos... Não somos nossos pensamentos... Observarmos nosso corpo e suas reações... Estamos em nosso corpo, mas não somos o nosso corpo... Observar o mundo e sua dinâmica... Mas não somos inteiramente do mundo... Observar, sentir, reavaliar e mudar nossos pensamentos! Esse pensamento negativo, limitante, arrogante, egoísta, não me interessa! Eu agora o substituo por esse outro pensamento, um pensamento positivo, autoconfiante, realizador, esperançoso, edificante. Pronto! Se você mudar o seu pensamento, você muda a sua ação. Se você mudar o seu pensamento você muda a sua realidade. O mundo é para você exatamente como você pensa que é! Mas o mundo também não é só como pensamos! Lembra? – O Shakespeare nos alertava: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia”!
E o que é ter Presença de Espírito? Associa-se a esse termo a capacidade de agir consciente ou inconscientemente face a uma situação inesperada, um acidente, ou uma ação a ser empreendida rápida e eficientemente. Sim, é isto. É poder mostrar-se plenamente Presente em dada situação permitindo que nosso Eu Superior comande.
Mas, ser e estar em Presença de Espírito é ainda mais do que isso. É poder olhar e ver os olhos de uma criança, ser com ela, ampará-la, consolá-la, protegê-la, sorrir com ela, brincar com ela, interagir em seu próprio mundo. Fazê-la feliz, sendo feliz com ela. É poder sentir, ver, ouvir e escutar verdadeiramente alguém, sem julgamentos, sem olhar para nossos próprios sofrimentos ou situação, sem permitir que nossos preconcebidos pensamentos se interponham entre nós e ela, seja em momentos de alegria ou de dor, simpatizando e empatizando com ela, tornando-se um com ela ao nos colocar em seu lugar - na mesma sintonia - poder ver a sua visão. É perceber a Presença de um irmão para além de seus papéis, vestes, ou suas condições econômicas e sócio culturais e assim tratá-los de igual para igual com atenção, com fraternidade da mesma forma o irmão lixeiro ou o presidente. Assim, agir em Presença de Espírito é poder compreender, é estar sempre disponível para a cárita ação, para a colaboração, para a solidariedade seja em qualquer situação.
Presença de Espírito também é saber quando silenciar, permitindo ao outro se expressar ou silenciar conosco. É perceber quando avançar ou parar. É estar Presente no coração de alguém, permitindo-nos que também tenham Presença em nosso coração. Presença de Espírito é pois, irradiar amor e unir mente e coração.
Neste ponto de nosso percurso, para podermos ter a consciência de nossa Presença, necessariamente precisamos falar alguma coisa sobre Meditação.
Meditação é o ato de estar em Presença conosco mesmos. É a ação silenciosa e serena de podermos observar em nós mesmos. É o grande caminho do autoconhecimento. É simplesmente presentificarmo-nos como também ser Presença no mundo. É aprender, treinar, olhar para dentro de nós e nos descobrir... E nos acharmos. E sermos presentes em nosso corpo, nossas emoções, nossa mente e nosso espírito. É tomarmos consciência de nossa própria Presença dentro de nosso Eu maior que assim age e vive no mundo, no nosso mundo tridimensional com efetiva Presença de Espírito, ou seja, que vive integralmente no Aqui e no Agora... Neste maior portal que se conhece para a obtenção da sabedoria, para o exercício do Amor, para estreitar nosso contato com a nossa verdadeira Essência, portanto para comungarmos no nosso silencio e percepção com Deus, com a Suprema Essência Primordial de todas as coisas em nós sempre Presente.
Meditação pois, é podermos olhar com maior profundidade a nós mesmos. É ser apenas aquele que testemunha. Aquele que olha para dentro de si, observa com isenção, aquele que pode ver nossos pensamentos... Sem fixação e apegos. E assim poder mudá-los ao nosso bel prazer com nosso poder de escolha.
Na meditação podemos alcançar o silenciar de nossos pensamentos. Podemos estar para além do nosso pequenino ego exigente, “egoísta”, melindroso, possessivo, fútil, consumista, imediatista, superficial... Podemos “vê-lo” e assim conduzi-lo suavemente para estar a nosso serviço, para nos libertarmos de seu julgo e nos fazermos senhores dele, senhores de nossos hábitos, condicionamentos, percepções, senhores de nosso pensar e sentir, aquele que está plenamente presente em suas ações, portanto aquele ser proativo, criativo, aquele que enxerga o mundo de olhos bem abertos. Com seus olhos físicos, mas mais do que isto: com os olhos de seu coração, seus olhos mentais, os olhos
de sua alma, os olhos de seu espírito imortal. Ao começarmos a meditar começamos a conduzir mais e mais conscientemente as rédeas de nosso destino. E começamos assim a evoluir de forma consciente. Intensa, serena, perceptivelmente consciente. Em outras palavras, Presentes!
E apenas e só apenas, quando detivermos o domínio de nossa mente, o controle de nossos pensamentos, desejos e emoções, sentimentos e ações, que poderemos enxergar a nossa verdadeira Presença.
O estado de Presença significa ver e conceber o mundo, a nossa realidade, a nós mesmos sem a “intromissão” de pensamentos invasivos ou só de “lugar comum”, sem os devaneios da mente não policiada que, como um macaco, pula de galho em galho. E estar presente é a verdadeira face de nossa consciência que natural e gradativamente vai se expandindo, permitindo-nos sentir a nossa presença em tudo e em todos.
É nossa Presença que nos traz a consciência planetária. Nossa presença do mundo e fora dele. Nossa presença no conhecido e no desconhecido. Nossa presença no cosmos. Nossa presença nos átomos e nas galáxias. Nossa presença nesta e em outras dimensões do espaço-tempo. Nossa Presença no nosso Eu Verdadeiro, onisciente, onipresente e onipotente, criado por Deus à Sua Imagem e não o deus que criamos a nossa própria imagem... Antropomórfica, limitada... Quando estamos total e plenamente Presentes em nossa Essência. Quando estamos centrados em nosso Eu real estamos centrados no Universo, estamos centrados na Vida, estamos centrados em tudo e em todos, estamos pois centrados em Deus, nEle estamos Presentes, nEle temos nossa existência, nEle nos movemos e em Sua Luz encontramos a nossa eterna Luz, que permeia todo o universo...que está em Presença com o todo.
E, passo a passo, dia a dia, quando nos exercitamos na meditação e na nossa presentificação, momento chegará que habitaremos as esferas do Real, que atingiremos a consciência de que todos somos UM e que viveremos verdadeiramente em unicidade com todos os seres. Quando tivermos o amor e a coragem de encarar a nós mesmos, a expandir nossa consciência ate o ponto de sermos UM com o todo, como nos disse Mestre Jesus, quando “Eu e Pai somos Um”...
Aí então seremos verdadeiramente livres, teremos alcançado finalmente a salvação, ou a iluminação, ou o Samadhi... Teremos trazido a Presença dos Céus para a Terra, ou seja, a presença de nosso Espírito Imortal para a consciência em nosso corpo físico, emocional, mental... Ampliando a nossa Presença no devir incessante do rio da vida que se encaminha para o oceano cósmico de Deus, para o Vazio... Que a tudo preenche e que está em oniPresença em todos os reinos e dimensões. Portanto, você É em tudo. Você é Espírito, portanto você está em todo lugar. Você está Presente em toda a Natureza, em todo o Universo.
“Viajamos na maionese”? Estamos “no mundo da lua”? Estamos sonhando alto? Ou estamos simplesmente tendo um pequeno vislumbre de nossas possibilidades humanas e divinas? Veja... As possibilidades quânticas da mente humana atinge as raias do infinito!
Tu és muito, muito mais do que pensas ou imaginas! Tens em ti o poder do Criador em tuas mãos! “Vós sois deuses”! E você pode estar minimamente presente, como maximamente presente em tua vida e no cosmos, colhendo para ti a Felicidade imorredoura dos autênticos Filhos da Luz na tua Presença em tudo e em todos quando ampliar, pari passu, a tua ação e percepção dentro da Lei do Amor e Sabedoria, presentes em todas as manifestações do Universo e de DEUS!
segunda-feira, 20 de junho de 2011
PRESENÇA-Vania Vieira
PRESENÇA
O que é Presença? O que é Estado de Presença? O que é Presentificar-se?
Podemos dizer que “presenciamos” algo. Ou que lá estávamos quando o fato aconteceu. Presenciamos o desabrochar da rosa, presenciamos o pôr-do-sol, presenciamos a festa de formatura do João.
“Estive presente” por ocasião do milagre. Do nascimento de meu filho. Antonio sempre foi um pai e Dora, uma mãe “presente.”, atuante.
Presença quer dizer: Consciência da percepção do Aqui e do Agora. Estar totalmente “inteiro” em tudo o que se faça.
Muitas, muitas vezes mesmo, quando não estamos prestando atenção ao momento, sem que percebamos de imediato, nossa mente entra em estado de devaneio. Antonio “viajou na maionese”, dizem alguns. Ou: Geraldo vive “no mundo da lua” ou ainda: “não sei onde estava a minha cabeça quando fiz aquilo”. E ainda: “Você está dando nó nas idéias!” – em raciocínios circulares, inconclusivos.
Veja, o pensamento associativo ou o pensamento avaliativo pode, por frações de segundo ou mesmo por longo tempo, bloquear a sua percepção da chamada “realidade objetiva”. É quando entramos em introspecção. Ou quando estamos “ensimesmados”. É quando sentimos uma forte emoção e esta lhe dita pensamentos provenientes do sentimento ali decorrente. O que por vezes nos deixa cegos, surdos e mudos perante a nossa realidade circunstancial e mesmo factual do acontecimento. Uma pessoa com um forte acesso de raiva, portanto albergando pensamentos negativos, rancorosos, retaliativos, pensamentos fixos ou obsessivos, simplesmente perde por algum tempo – e às vezes por anos e anos – a visão lúcida do que compõe a sua realidade. Uma pessoa com muita raiva simplesmente não enxerga um palmo na sua frente. Seu campo perceptual se limita a uma faixa muito estreita de alcance dos seus sentidos ordinários. Igualmente, uma pessoa muito apaixonada só enxerga o objeto (e sujeito) de sua paixão.
Por tantas vezes, falamos e não dizemos, escutamos e não ouvimos, olhamos mais não vemos, tocamos e não sentimos nada! No mais das vezes, em especial no mundo atual corrido, complexo, competitivo, tumultuado, sem tempo para nada... Quando não desenvolvemos o hábito de parar, sentir, refletir, meditar, acalmar nossas emoções e pensamentos, simplesmente nos alienamos de nossa própria Essência, nos deixamos distrair pela complexidade ou superficialidade da crônica diária e nos deixamos inconscientemente ser levados no e pelo roldão dos acontecimentos. Assim, vamos “no embalo”, ligamos e esquecemos de desligar nossa atuação cotidiana no “piloto automático”, quando assim efetivamente não vemos, não sentimos, não escutamos, não tocamos a realidade que nos cerca, apenas reagimos como pessoas somente reativas. Que não empregaram tempo para pensar, avaliar, e com responsabilidade agir.
“Responsabilidade” vem de “responder”: simplesmente respondem, simplesmente reagem. É o que se diz de pessoas com “mentalidade de rebanho” ou “mente cristalizada”: apenas seguem, sentem, pensam e agem como todos seguem, sentem, pensam e agem. Quase que absolutamente sem um pensar mais crítico, mais autêntico, mais profundo, mais questionador, um pouco mais sadiamente rebelde. Simplesmente “vão na onda de...”, como dissemos, vão no “piloto automático”, no robotismo gerado pela escravidão em seus hábitos e comodismos, em milhares de condicionamentos e formas de pensar absurdamente padronizadas. E somente uma minoria mais conscientizada são “proativos”, ou seja, criam, engendram uma ação própria, direcionada, original, criativa e que assim fazem a diferença e influenciam sabendo o que estão fazendo, positiva ou negativamente, à sociedade, bem como àqueles que lhes são mais próximos, influenciando também os reinos da natureza: os minerais, os vegetais, os animais.
Dizemos que Presença ou Estado de Presença é a consciência da percepção do Aqui e do Agora. E como é importante reconhecermos nosso próprio estado alienativo, saber que mal estamos realmente vivendo, estamos mais em vegetativa atuação na vida como expectadores, no máximo como atores coadjuvantes... Apenas como observadores (quando realmente observamos!) da vida que passa... Que vai passando... Que deixamos passar! Porque, para começarmos mesmo a viver nossa própria vida, primeiro é preciso olhar para dentro de nós mesmos e ver o quão pouco estamos mesmo vivendo. Porque a vida, a percepção e o estado de Presença significam a vivencia (não conceitos) plena, intensiva, do momento do Agora, exatamente no Aqui que nos encontramos.
Conta-se que o prof. Albert Einstein, saindo de uma aula, vinha descendo a ladeira do campus universitário acompanhado de seus alunos ávidos por conhecimentos e por poder desfrutar pessoalmente das explicações e convicções científicas do mestre, o qual lhes discorria sobre fundamentos e especulações de sua famosa teoria da relatividade. A certa altura do caminho, em sentido oposto, vinha subindo um grupo de alunos. Einstein então parou e perguntou a um deles: Quando vocês me encontraram, eu vinha de lá ou de cá? – Professor, o senhor vinha descendo a ladeira do lado de lá. Mas por que pergunta, prof. Einstein? – E ele respondeu: Bom que eu vinha de lá. Isto quer dizer que já almocei.
Einstein não estava distraído, “viajando na maionese” ou “no mundo da lua”. Ocorre que o elevado nível de abstração e considerações matemáticas, físicas e metafísicas de alto grau de subjetividade que de momento impregnava e trabalhava seu intelecto, simplesmente o tinha feito perder momentaneamente o sentido perceptivo de sua realidade objetiva, circunstancial. Ou seja, o pensamento e sua grande faculdade de pensar o tinha bloqueado a visão e conseqüentemente a percepção de seu próprio caminhar.
Isto acontece todos os dias com cada um de nós. É natural. O que aqui queremos consignar é que, treinando-nos em ampliar a nossa percepção do momento, podemos alcançar uma conscientização mais plena de nós mesmos, expandindo os nossos horizontes perceptivos para a vivencia plena e integral de cada instante de nossa vida. Você já observou que, quando se está com a mente concentrada, quando nos esforçamos em executar um trabalho minucioso, ou quando nos entretemos com a televisão ou algum jogo, quando estamos em meio a uma discussão ou assistindo atentamente alguma palestra, tudo o mais desaparece de nossa percepção? Mas o que é melhor: Trazer nossa mente em nossas rédeas e fazê-la trabalhar objetivamente na ação ou no trabalho intelectual e criativo ou deixá-la andar por aí em cegos devaneios?
O que é Presença? O que é Estado de Presença? O que é Presentificar-se?
Podemos dizer que “presenciamos” algo. Ou que lá estávamos quando o fato aconteceu. Presenciamos o desabrochar da rosa, presenciamos o pôr-do-sol, presenciamos a festa de formatura do João.
“Estive presente” por ocasião do milagre. Do nascimento de meu filho. Antonio sempre foi um pai e Dora, uma mãe “presente.”, atuante.
Presença quer dizer: Consciência da percepção do Aqui e do Agora. Estar totalmente “inteiro” em tudo o que se faça.
Muitas, muitas vezes mesmo, quando não estamos prestando atenção ao momento, sem que percebamos de imediato, nossa mente entra em estado de devaneio. Antonio “viajou na maionese”, dizem alguns. Ou: Geraldo vive “no mundo da lua” ou ainda: “não sei onde estava a minha cabeça quando fiz aquilo”. E ainda: “Você está dando nó nas idéias!” – em raciocínios circulares, inconclusivos.
Veja, o pensamento associativo ou o pensamento avaliativo pode, por frações de segundo ou mesmo por longo tempo, bloquear a sua percepção da chamada “realidade objetiva”. É quando entramos em introspecção. Ou quando estamos “ensimesmados”. É quando sentimos uma forte emoção e esta lhe dita pensamentos provenientes do sentimento ali decorrente. O que por vezes nos deixa cegos, surdos e mudos perante a nossa realidade circunstancial e mesmo factual do acontecimento. Uma pessoa com um forte acesso de raiva, portanto albergando pensamentos negativos, rancorosos, retaliativos, pensamentos fixos ou obsessivos, simplesmente perde por algum tempo – e às vezes por anos e anos – a visão lúcida do que compõe a sua realidade. Uma pessoa com muita raiva simplesmente não enxerga um palmo na sua frente. Seu campo perceptual se limita a uma faixa muito estreita de alcance dos seus sentidos ordinários. Igualmente, uma pessoa muito apaixonada só enxerga o objeto (e sujeito) de sua paixão.
Por tantas vezes, falamos e não dizemos, escutamos e não ouvimos, olhamos mais não vemos, tocamos e não sentimos nada! No mais das vezes, em especial no mundo atual corrido, complexo, competitivo, tumultuado, sem tempo para nada... Quando não desenvolvemos o hábito de parar, sentir, refletir, meditar, acalmar nossas emoções e pensamentos, simplesmente nos alienamos de nossa própria Essência, nos deixamos distrair pela complexidade ou superficialidade da crônica diária e nos deixamos inconscientemente ser levados no e pelo roldão dos acontecimentos. Assim, vamos “no embalo”, ligamos e esquecemos de desligar nossa atuação cotidiana no “piloto automático”, quando assim efetivamente não vemos, não sentimos, não escutamos, não tocamos a realidade que nos cerca, apenas reagimos como pessoas somente reativas. Que não empregaram tempo para pensar, avaliar, e com responsabilidade agir.
“Responsabilidade” vem de “responder”: simplesmente respondem, simplesmente reagem. É o que se diz de pessoas com “mentalidade de rebanho” ou “mente cristalizada”: apenas seguem, sentem, pensam e agem como todos seguem, sentem, pensam e agem. Quase que absolutamente sem um pensar mais crítico, mais autêntico, mais profundo, mais questionador, um pouco mais sadiamente rebelde. Simplesmente “vão na onda de...”, como dissemos, vão no “piloto automático”, no robotismo gerado pela escravidão em seus hábitos e comodismos, em milhares de condicionamentos e formas de pensar absurdamente padronizadas. E somente uma minoria mais conscientizada são “proativos”, ou seja, criam, engendram uma ação própria, direcionada, original, criativa e que assim fazem a diferença e influenciam sabendo o que estão fazendo, positiva ou negativamente, à sociedade, bem como àqueles que lhes são mais próximos, influenciando também os reinos da natureza: os minerais, os vegetais, os animais.
Dizemos que Presença ou Estado de Presença é a consciência da percepção do Aqui e do Agora. E como é importante reconhecermos nosso próprio estado alienativo, saber que mal estamos realmente vivendo, estamos mais em vegetativa atuação na vida como expectadores, no máximo como atores coadjuvantes... Apenas como observadores (quando realmente observamos!) da vida que passa... Que vai passando... Que deixamos passar! Porque, para começarmos mesmo a viver nossa própria vida, primeiro é preciso olhar para dentro de nós mesmos e ver o quão pouco estamos mesmo vivendo. Porque a vida, a percepção e o estado de Presença significam a vivencia (não conceitos) plena, intensiva, do momento do Agora, exatamente no Aqui que nos encontramos.
Conta-se que o prof. Albert Einstein, saindo de uma aula, vinha descendo a ladeira do campus universitário acompanhado de seus alunos ávidos por conhecimentos e por poder desfrutar pessoalmente das explicações e convicções científicas do mestre, o qual lhes discorria sobre fundamentos e especulações de sua famosa teoria da relatividade. A certa altura do caminho, em sentido oposto, vinha subindo um grupo de alunos. Einstein então parou e perguntou a um deles: Quando vocês me encontraram, eu vinha de lá ou de cá? – Professor, o senhor vinha descendo a ladeira do lado de lá. Mas por que pergunta, prof. Einstein? – E ele respondeu: Bom que eu vinha de lá. Isto quer dizer que já almocei.
Einstein não estava distraído, “viajando na maionese” ou “no mundo da lua”. Ocorre que o elevado nível de abstração e considerações matemáticas, físicas e metafísicas de alto grau de subjetividade que de momento impregnava e trabalhava seu intelecto, simplesmente o tinha feito perder momentaneamente o sentido perceptivo de sua realidade objetiva, circunstancial. Ou seja, o pensamento e sua grande faculdade de pensar o tinha bloqueado a visão e conseqüentemente a percepção de seu próprio caminhar.
Isto acontece todos os dias com cada um de nós. É natural. O que aqui queremos consignar é que, treinando-nos em ampliar a nossa percepção do momento, podemos alcançar uma conscientização mais plena de nós mesmos, expandindo os nossos horizontes perceptivos para a vivencia plena e integral de cada instante de nossa vida. Você já observou que, quando se está com a mente concentrada, quando nos esforçamos em executar um trabalho minucioso, ou quando nos entretemos com a televisão ou algum jogo, quando estamos em meio a uma discussão ou assistindo atentamente alguma palestra, tudo o mais desaparece de nossa percepção? Mas o que é melhor: Trazer nossa mente em nossas rédeas e fazê-la trabalhar objetivamente na ação ou no trabalho intelectual e criativo ou deixá-la andar por aí em cegos devaneios?
domingo, 29 de maio de 2011
Hoje acordei com vontade de te homenagear! Minha terra escolhida para viver meu outono, onde tantos a definem como Paraíso se tivesse mar!!!
Brasilia-51 anos!
Nas águas de março do Rio de Janeiro aprendi a nadar
Nunca imaginei soletrar Brasília
Uma ilha rodeada de Brasil por todos os lados
Cidade asa
Em Brasília aprendi a voar
Brasília
Mergulhei nas asas de um avião
Tomei banho de cachoeira e lavei meu coração
Vislumbrei meu futuro ao longo dos eixos
Quando olhei pela primeira vez
Parecia um deserto,
uma Brasília amarela empalidecida pelo barro
Fiz do barro matéria bruta misturada ao meu sangue e suor
Aprendi a criar a minha Brasília
Um mar de gente começou a vir pra cá
Gente de todo Estado, de todo lugar
O mar se abriu no coração do país
Brasília!
Tu me destes um novo aniversário
Na cidade mítica e mística
Desabrochei atriz
Brasília!
Namorei nas suas árvores
Paquerei nas tesourinhas
Experimentei diversão e protesto na Esplanada
Eu até casei debaixo do teu céu!
Brasília, meu avião...
Continuo correndo na frente
Sempre a contemplar seu horizonte infinito
Aonde mais tu queres me levar?
Cristiane Sobral, poetisa carioca
Nas águas de março do Rio de Janeiro aprendi a nadar
Nunca imaginei soletrar Brasília
Uma ilha rodeada de Brasil por todos os lados
Cidade asa
Em Brasília aprendi a voar
Brasília
Mergulhei nas asas de um avião
Tomei banho de cachoeira e lavei meu coração
Vislumbrei meu futuro ao longo dos eixos
Quando olhei pela primeira vez
Parecia um deserto,
uma Brasília amarela empalidecida pelo barro
Fiz do barro matéria bruta misturada ao meu sangue e suor
Aprendi a criar a minha Brasília
Um mar de gente começou a vir pra cá
Gente de todo Estado, de todo lugar
O mar se abriu no coração do país
Brasília!
Tu me destes um novo aniversário
Na cidade mítica e mística
Desabrochei atriz
Brasília!
Namorei nas suas árvores
Paquerei nas tesourinhas
Experimentei diversão e protesto na Esplanada
Eu até casei debaixo do teu céu!
Brasília, meu avião...
Continuo correndo na frente
Sempre a contemplar seu horizonte infinito
Aonde mais tu queres me levar?
Cristiane Sobral, poetisa carioca
Homenagem à Brasilia, terra quue me acolheu desde 1987!
A cidade da paz-Brasilia.
Ao Poeta Eduardo Dalter
A cidade brotou de palmas iluminadas,
de dedos mágicos, translúcidos.
Das luzes de Lúcio e Oscar,
do febril sangue de candangos.
Ela mantém em eixos e quadras
antigas ressonâncias, enraizando-se
E a bailar resplendores
nos alpendres das nuvens.
Sonhos consumados cantam
no concreto e no abstrato.
Alguns séculos repercutem
em nossos ombros e frontes.
Viver no coração desta cidade
é estender a paz nas próprias artérias.
Viver no coração desta cidade
é flutuar na singularidade de um mundo.
Joanyr de Oliveira, poeta mineiro
Ao Poeta Eduardo Dalter
A cidade brotou de palmas iluminadas,
de dedos mágicos, translúcidos.
Das luzes de Lúcio e Oscar,
do febril sangue de candangos.
Ela mantém em eixos e quadras
antigas ressonâncias, enraizando-se
E a bailar resplendores
nos alpendres das nuvens.
Sonhos consumados cantam
no concreto e no abstrato.
Alguns séculos repercutem
em nossos ombros e frontes.
Viver no coração desta cidade
é estender a paz nas próprias artérias.
Viver no coração desta cidade
é flutuar na singularidade de um mundo.
Joanyr de Oliveira, poeta mineiro
domingo, 22 de maio de 2011
S.audades-Clarice Linspector
Saudades
Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!
Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!
Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...
Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!
Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!
Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...
sábado, 21 de maio de 2011
em foco...Gabriel garcia Marquez
Gabriel Garcia Marquez retirou-se da vida pública por razões de saúde: Cancro linfático. Agora, parece que é cada vez mais grave. Enviou uma carta de despedida aos seus amigos que, graças à Internet, está a ser difundida. A sua leitura é recomendada porque é verdadeiramente comovedor este texto escrito por um dos Latino-americanos mais brilhantes dos últimos tempos.
"Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada
minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam, e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate!
Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto, não apenas o meu corpo, mas também a minha alma. Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que
nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à lua. Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas...
Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas.
Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor. Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria que aprender a voar sozinha. Aos velhos, ensinar-lhes-ia
que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta. Aprendi que quando um recém-nascido
aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, o tem agarrado para sempre.
Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de muito, porque quando me
Guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer..."
GABRIEL GARCIA MARQUEZ
"Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada
minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam, e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate!
Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto, não apenas o meu corpo, mas também a minha alma. Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que
nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à lua. Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas...
Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas.
Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor. Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria que aprender a voar sozinha. Aos velhos, ensinar-lhes-ia
que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta. Aprendi que quando um recém-nascido
aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, o tem agarrado para sempre.
Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de muito, porque quando me
Guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer..."
GABRIEL GARCIA MARQUEZ
quinta-feira, 12 de maio de 2011
-A morte de Osama Bin Laden e a midia nacional e internacional.
Achei interessante, repasso com a devida autorização.
-A morte de Osama Bin Laden e as mídias.
Começo me apresentando: Sou brasileiro, cidadão, bancário e psicólogo da cidade de Fortaleza-CE. Não tenho costume de escrever sobre política, nem fatos públicos e pra ser honesto sobre quase coisa nenhuma mas hoje não pude me conter. Espero que possam ler até o fim...
Dia 02/05/2011, acabo de chegar em casa depois de um dia de trabalho bastante conturbado, como são os primeiros dias úteis, especialmente nas segundas-feiras no Banco do Brasil. Fiquei sabendo vagamente da morte de Osama Bin Laden a partir de rápidos comentários de clientes. Resolvi assistir o jornal nacional para ver as notícias e fiquei realmente chocado com a forma que o assunto foi tratado. A morte era anunciada com um sorriso no rosto por simplesmente todos os repórteres, lembrava muito as coberturas festivas, como os carnavais, as vitórias esportistas, as festas de rua. As palavras “celebravam” “festejavam” “comemoravam” eram constantemente citadas e fiquei me perguntando se era realmente de uma morte que aquelas pessoas estavam falando. Em nenhum momento ninguém falava sobre como era um sintoma doentio a comemoração em praça pública de um assassinato. Ou de até que ponto aquele comportamento era ético?
Não estou aqui de maneira nenhuma defendendo as ações de Osama, muito pelo contrário, repudio seus atos, suas mortes. Mas a comemoração em praça pública de uma morte é pelo menos de se estranhar, de se questionar, e em nenhum momento houve um mínimo sinal do contraditório, do outro ponto de vista. Assistindo só conseguia me lembrar das antigas cerimônias de execução da Idade Média, ou mesmo as provocadas pelos regimes radicais como o Talibã, tão criticada pelo mundo “civilizado” ocidental, no qual o povo festejava os assassinatos, daquele que por algum motivo eles consideravam inferiores a si. E o que mais me impressionou é que os argumentos americanos não eram ditos como perspectivas e sim como a verdade nua e crua. Que isso acontecesse na mídia Americana não era de se estranhar, mas aqui no Brasil me pareceu um contra-senso. As questões éticas da comemoração de uma morte em nenhum momento foram questionadas. Era como se fosse o óbvio, natural, a comemoração daquelas mortes.
Uma avó americana foi mostrada com sua netinha tirando fotos dizendo que era uma lembrança para aquela criança da comemoração daquele dia. A netinha devia ter pouco mais de cinco anos. E o jornal seguia mostrando tudo direitinho, a grande festa, aquele momento tão bonito de assassinato. A sede de sangue era clara. As pessoas se abraçavam, comemoravam, as imagens chegavam a ser bonitas, parecia um réveillon, ou a comemoração de um título esportivo, mas não era, era a alegria pela morte, pelo sangue, pela vingança. Espero profundamente que daqui a 100 anos isso seja mostrada como sinal de primitivismo da humanidade do nosso tempo.
As imagens do 11 de setembro, que eram repetidas o tempo todo, parecia uma maneira de justificar o assassinato de Osama e de mais quatro pessoas, sem nenhum julgamento, e pior, sem nenhum questionamento ético.
Não agüento mais ver o discurso da paz servir de propósito pra guerra. A história é contada simplesmente por uma perspectiva, a americana, oferecida ao publico como uma verdade, que dispensa qualquer criticidade. O fato da operação ter sido feita exclusivamente por Americanos não é questionada. A troca de tiro não resultou em nenhum ferido do lado Ianque e cinco mortes do lado oposto leva a questionar até que ponto se tratou de uma troca de tiros ou de um simplesexecução sumária. E se foi uma execução sumária como parece ter sido, o discurso de que Osama usou sua esposa como escudo mais parece uma última provocação. “O morto era covarde”. Que Osama era corvarde isso é bem sabido, porém também covarde foi o ato de executar alguém sem julgamento. Não é claro e límpido que sangue só pede mais sangue. Que alguém vai querer vingar essa morte matando e que as mortes que virão pedirão mais morte ainda?
Nenhum detalhe sobre essa execução, a meu ver, pode ser levada a sério, pois não havia testemunhas, apenas os soldados americanos envolvidos. Nenhuma autoridade Paquistanesa envolvida na operação, e isso sequer foi questionado. Osama foi assassinado NO PAQUISTÃO. O exercito americano simplesmente entra, executa, destrói o cenário e se livra do corpo, e nada, absolutamente nada é questionado. Como se realmente o mundo fosse deles, como parecem verdadeiramente acreditar.
As autoridades do Paquistão sequer tomam conhecimento do caso. E assim parece se manter toda a imprensa local, pelo mesmo caminho.
Jogaram o corpo no mar. Pronto. Como se fosse a coisa mais natural do mundo. Fizeram um exame de DNA, a partir de uma suposta irmã de Osama, de um cara que diga-se de passagem tem 51 irmãos. Qual a seriedade disso? Ninguém questiona. É como se fosse a coisa mais natural do mundo. Não é claro e límpido que existe alguma coisa estranha aí?
Para piorar, ainda vem vários líderes mundiais a público dar os parabéns ao presidente americano. A justificativa que Obama não quis bombardear a casa a qual alegaram que se encontrava Osama por não querer ferir civis inocentes foi dita como a coisa mais normal do mundo sem mencionar o banho de sangue ao qual foi submetido o Afeganistão, como a morte de milhares de civis inocentes com a justificativa de encontrar Osama Bin Laden. É como se a guerra nunca tivesse acontecido.
Em nenhum momento um comentário crítico sobre as reais circunstancias políticas envolvidas no caso. Nada sobre a guerra do Iraque baseada exclusivamente na alegativa americana de que estes estavam produzindo armas químicas e nucleares, coisa que o próprio relatório americano desmentiu no final, quando admitiram que se enganaram e que não havia armas químicas nenhuma. Saldo da guerra: Mais de 100 mil mortos. Em nenhum momento o petróleo foi mencionado, é como se esse produto não tivesse nenhuma relação com as milhares de mortes. Em nenhum momento foi dito do financiamento americano ao grupo de Osama Bin Laden, antes destes se voltarem contra seus interesses puramente econômicos.
Espero que não fique aqui parecendo que estou defendendo os métodos ou atitudes terroristas, mas apenas dizendo que uma guerra como essa não tem mocinhos. O ódio só gera ódio dos dois lados. E isso precisa ser dito. É preciso dizer: BASTA, CHEGA DE SANGUE” Quero poder dizer aos meus filhos que nós vamos celebrar a paz e o amor e não a morte e a vingança. Milhares de pessoas morreram dos dois lados, tudo isso é lamentável, e a frase que vem a minha mente quando penso nisso todo é a da composição que diz que “Não importam os motivos da guerra a paz ainda é mais importante que eles”.
Obrigado pra quem leu meu desabafo até o fim. Se acharem válido podem passar pra frente.
Um abraço a todos,
Daniel Welton
-A morte de Osama Bin Laden e as mídias.
Começo me apresentando: Sou brasileiro, cidadão, bancário e psicólogo da cidade de Fortaleza-CE. Não tenho costume de escrever sobre política, nem fatos públicos e pra ser honesto sobre quase coisa nenhuma mas hoje não pude me conter. Espero que possam ler até o fim...
Dia 02/05/2011, acabo de chegar em casa depois de um dia de trabalho bastante conturbado, como são os primeiros dias úteis, especialmente nas segundas-feiras no Banco do Brasil. Fiquei sabendo vagamente da morte de Osama Bin Laden a partir de rápidos comentários de clientes. Resolvi assistir o jornal nacional para ver as notícias e fiquei realmente chocado com a forma que o assunto foi tratado. A morte era anunciada com um sorriso no rosto por simplesmente todos os repórteres, lembrava muito as coberturas festivas, como os carnavais, as vitórias esportistas, as festas de rua. As palavras “celebravam” “festejavam” “comemoravam” eram constantemente citadas e fiquei me perguntando se era realmente de uma morte que aquelas pessoas estavam falando. Em nenhum momento ninguém falava sobre como era um sintoma doentio a comemoração em praça pública de um assassinato. Ou de até que ponto aquele comportamento era ético?
Não estou aqui de maneira nenhuma defendendo as ações de Osama, muito pelo contrário, repudio seus atos, suas mortes. Mas a comemoração em praça pública de uma morte é pelo menos de se estranhar, de se questionar, e em nenhum momento houve um mínimo sinal do contraditório, do outro ponto de vista. Assistindo só conseguia me lembrar das antigas cerimônias de execução da Idade Média, ou mesmo as provocadas pelos regimes radicais como o Talibã, tão criticada pelo mundo “civilizado” ocidental, no qual o povo festejava os assassinatos, daquele que por algum motivo eles consideravam inferiores a si. E o que mais me impressionou é que os argumentos americanos não eram ditos como perspectivas e sim como a verdade nua e crua. Que isso acontecesse na mídia Americana não era de se estranhar, mas aqui no Brasil me pareceu um contra-senso. As questões éticas da comemoração de uma morte em nenhum momento foram questionadas. Era como se fosse o óbvio, natural, a comemoração daquelas mortes.
Uma avó americana foi mostrada com sua netinha tirando fotos dizendo que era uma lembrança para aquela criança da comemoração daquele dia. A netinha devia ter pouco mais de cinco anos. E o jornal seguia mostrando tudo direitinho, a grande festa, aquele momento tão bonito de assassinato. A sede de sangue era clara. As pessoas se abraçavam, comemoravam, as imagens chegavam a ser bonitas, parecia um réveillon, ou a comemoração de um título esportivo, mas não era, era a alegria pela morte, pelo sangue, pela vingança. Espero profundamente que daqui a 100 anos isso seja mostrada como sinal de primitivismo da humanidade do nosso tempo.
As imagens do 11 de setembro, que eram repetidas o tempo todo, parecia uma maneira de justificar o assassinato de Osama e de mais quatro pessoas, sem nenhum julgamento, e pior, sem nenhum questionamento ético.
Não agüento mais ver o discurso da paz servir de propósito pra guerra. A história é contada simplesmente por uma perspectiva, a americana, oferecida ao publico como uma verdade, que dispensa qualquer criticidade. O fato da operação ter sido feita exclusivamente por Americanos não é questionada. A troca de tiro não resultou em nenhum ferido do lado Ianque e cinco mortes do lado oposto leva a questionar até que ponto se tratou de uma troca de tiros ou de um simplesexecução sumária. E se foi uma execução sumária como parece ter sido, o discurso de que Osama usou sua esposa como escudo mais parece uma última provocação. “O morto era covarde”. Que Osama era corvarde isso é bem sabido, porém também covarde foi o ato de executar alguém sem julgamento. Não é claro e límpido que sangue só pede mais sangue. Que alguém vai querer vingar essa morte matando e que as mortes que virão pedirão mais morte ainda?
Nenhum detalhe sobre essa execução, a meu ver, pode ser levada a sério, pois não havia testemunhas, apenas os soldados americanos envolvidos. Nenhuma autoridade Paquistanesa envolvida na operação, e isso sequer foi questionado. Osama foi assassinado NO PAQUISTÃO. O exercito americano simplesmente entra, executa, destrói o cenário e se livra do corpo, e nada, absolutamente nada é questionado. Como se realmente o mundo fosse deles, como parecem verdadeiramente acreditar.
As autoridades do Paquistão sequer tomam conhecimento do caso. E assim parece se manter toda a imprensa local, pelo mesmo caminho.
Jogaram o corpo no mar. Pronto. Como se fosse a coisa mais natural do mundo. Fizeram um exame de DNA, a partir de uma suposta irmã de Osama, de um cara que diga-se de passagem tem 51 irmãos. Qual a seriedade disso? Ninguém questiona. É como se fosse a coisa mais natural do mundo. Não é claro e límpido que existe alguma coisa estranha aí?
Para piorar, ainda vem vários líderes mundiais a público dar os parabéns ao presidente americano. A justificativa que Obama não quis bombardear a casa a qual alegaram que se encontrava Osama por não querer ferir civis inocentes foi dita como a coisa mais normal do mundo sem mencionar o banho de sangue ao qual foi submetido o Afeganistão, como a morte de milhares de civis inocentes com a justificativa de encontrar Osama Bin Laden. É como se a guerra nunca tivesse acontecido.
Em nenhum momento um comentário crítico sobre as reais circunstancias políticas envolvidas no caso. Nada sobre a guerra do Iraque baseada exclusivamente na alegativa americana de que estes estavam produzindo armas químicas e nucleares, coisa que o próprio relatório americano desmentiu no final, quando admitiram que se enganaram e que não havia armas químicas nenhuma. Saldo da guerra: Mais de 100 mil mortos. Em nenhum momento o petróleo foi mencionado, é como se esse produto não tivesse nenhuma relação com as milhares de mortes. Em nenhum momento foi dito do financiamento americano ao grupo de Osama Bin Laden, antes destes se voltarem contra seus interesses puramente econômicos.
Espero que não fique aqui parecendo que estou defendendo os métodos ou atitudes terroristas, mas apenas dizendo que uma guerra como essa não tem mocinhos. O ódio só gera ódio dos dois lados. E isso precisa ser dito. É preciso dizer: BASTA, CHEGA DE SANGUE” Quero poder dizer aos meus filhos que nós vamos celebrar a paz e o amor e não a morte e a vingança. Milhares de pessoas morreram dos dois lados, tudo isso é lamentável, e a frase que vem a minha mente quando penso nisso todo é a da composição que diz que “Não importam os motivos da guerra a paz ainda é mais importante que eles”.
Obrigado pra quem leu meu desabafo até o fim. Se acharem válido podem passar pra frente.
Um abraço a todos,
Daniel Welton
segunda-feira, 28 de março de 2011
fotografias amareladas?
Tua força interior e tuas convicções não tem idade.
Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha.
Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada trunfo, há outro desafio.
Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo.
Se sentes saudades do que fazias, torna a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amareladas.
Continua, apesar de todos esperarem que abandones.
Não deixes que se enferruje o ferro que há em você.
Faz com que em lugar de pena, te respeitem.
Quando pelos anos não consigas correr, trota.
Quando não possas trotar, caminha.
Quando não possas caminhar, usa bengala.
Mas nunca te detenhas !!!
Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha.
Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada trunfo, há outro desafio.
Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo.
Se sentes saudades do que fazias, torna a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amareladas.
Continua, apesar de todos esperarem que abandones.
Não deixes que se enferruje o ferro que há em você.
Faz com que em lugar de pena, te respeitem.
Quando pelos anos não consigas correr, trota.
Quando não possas trotar, caminha.
Quando não possas caminhar, usa bengala.
Mas nunca te detenhas !!!
domingo, 6 de fevereiro de 2011
O fim do mundo?...uma visão espírita!
O fim do mundo
Centro Espírita Celeiro de Luz
Poucos fenômenos religiosos são mais paradoxais e repetitivos do que a expectativa apocalíptica ou seja, a crença numa transformação radical e iminente do mundo. Por um lado, a primeira coisa que se pode dizer dessa crença é que, em todas as vezes que se manifestou, mostrou-se sempre equivocada. Por outro lado, apesar de desapontar constantemente, continua a surgir, com maior ou menor intensidade, e a arrastar ocasionalmente grandes massas de pessoas que nela confiam cegamente.
O que intriga os cientistas é que, embora se apóie sempre sobre pressupostos falsos, a crença apocalíptica pode assumir grandes proporções e canalizar imensas forças. Pode inspirar seus seguidores a praticar monumentais sacrifícios (vide suicídios coletivos das seitas apocalípticas de Jim Jones, do Templo Solar, dos davidianos de Waco, etc.). Pode engendrar comporta mentos radicais, desde os mais pacíficos até os mais violentos. Além disso, uma outra característica importante dos grandes movimentos apocalípticos é que eles raramente desaparecem, mesmo depois que seus prognósticos de destruição total mostram-se completamente falsos. Seus integrantes apenas reescrevem a história passada do seu respectivo movimento, de modo a eliminar as previsões que se mostraram errôneas.
Outro aspecto típico do fenômeno é que, ironicamente, as mesmas esperanças e temores apocalípticos produzem reações contraditórias, na forma de movimentos muitas vezes diametralmente opostos. No seu aspecto negativo, paranóico, violento e destrutivo, valem os mesmos exemplos citados das seitas que praticaram o suicídio coletivo. No aspecto positivo; encontramos o próprio movimento new age, com todas as suas propostas messiânicas de um futuro melhor, mais pacífico, próspero, saudável e feliz.
Embora o jogo milenarista de temor do final dos tempos versus esperança num mundo melhor exista em atividade contínua pelo menos desde o início da nossa cultura judaico-cristã, existem épocas em que ele se acentua de modo quase obsessivo, galvanizando imensas parcelas da população. Tais épocas costumam estar relacionadas aos assim chamados " anos de números redondos ", como as viradas de século e, principalmente, as viradas de milênio.
Quando se estudam as características das crenças milenaristas e apocalípticas no coletivo social durante esses períodos históricos, uma primeira constatação salta à vista: o quadro de fundo histórico e psicológico é sempre o mesmo.
No ano 1000, época da primeira virada de milênio em tempos cristãos, todas as características milenaristas estavam presentes: ondas de conversão em massa à então religião dominante, o cristianismo; profundas reformas governamentais e eclesiásticas peregrinação em massa aos lugares santos, particularmente Jerusalém; proliferação de seitas heréticas e de movimentos apostólicos paralelos à Igreja; execução de hereges e violência popular contra judeus e muçulmanos; surgimento da "Paz de Deus", primeiro movimento coletivo em prol da paz de toda a história mundial. Quando o ano 1000, apesar de toda a excitação que o acompanhou, falhou em trazer consigo o esperado final dos tempos, as esperanças voltaram-se para o ano 1033. Alegou-se então que este seria o ano do apocalipse, já que Cristo morrera aos 33 anos e o propalado fim do mundo ocorreria mil anos após a sua morte, e não ao seu nascimento.
O exame dos documentos dessa época traça um panorama histórico digno de muita reflexão. Esses documentos retratam um mundo selvagem, com a natureza ainda quase intocada, onde os seres humanos, ignorantes e supersticiosos, armados de instrumentos irrisórios, lutavam de modo em geral inglório contra os poderes da terra e as forças da natureza. Cercados pela doença, atormentados pela fome, passavam a maior parte da sua vida tentando arrancar à terra uma parca alimentação.
Ao lado de toda essa tragédia, alguns chefes, senhores da guerra ou da religião, percorriam com soldados armados aquele universo miserável, apoderando-se das poucas riquezas da população para encher seus palácios ou suas igrejas. Como podemos ver, qualquer similitude com a realidade histórica dos dias de hoje não é mera coincidência. O mundo mudou muito em matéria de hábitos e costumes, em matéria de tecnologia e ciência. Mas a realidade social e anímica do indivíduo e da sociedade de hoje não difere muito do quadro que existia na virada do ano 1000. Ainda existem, de um lado, minorias laicas poderosas que gozam de riquezas materiais, e do outro lado uma enorme massa de pobres e miseráveis. Ainda pululam lideres religiosos que exploram a credulidade alheia e amealham fortunas à custa dela.
Todos os fatores que caracterizam tempos milenares estão bem presentes. Mas é, curiosamente superdesenvolvida área cientifica que emergem as mais impressionantes previsões apocalípticas: a hecatombe atômica continua a nos ameaçar, o efeito estufa, a destruição da camada de ozônio, a poluição da terra, água e do ar, o esgotamento recursos terrestres, etc., etc.
O perigo é real - : todas ameaças à sobrevivência da humanidade - motivadas pela ganância, incúria e irresponsabilidade própria humanidade - não podem ser negadas. Apesar disso em termos estritamente científicos, do mundo não acontecerá tão cedo. A partir das observações dos importantes astrofísicos, o cosmos se manterá em expansão ainda bilhões e bilhões de anos, até começar a encolher, contraindo-se até o desaparecimento. Nosso sol um dia vai se transformar numa gigantesca estrela vermelha, como as estrelas que hoje se encontram no final das suas vidas. Seu volume irá inchar enormemente, e sua superfície se estenderá para alem das órbitas de Mercúrio, Vênus e Terra. Nosso planeta se encontrará num ambiente de 3 mil graus centígrados, e será rapidamente transformado em vapor. Tudo isso vai acontecer dentro de... cinco bilhões de anos.
Se podemos, portanto, dormir sossegados ainda por muito tempo quanto aos apocalipses astrofísicos, o mesmo não se pode dizer daqueles ecológicos. Eles reclamam providências urgentes. As ameaças aos oceanos, por exemplo. Segundo os cenários mais pessimistas desenhados pelos peritos em climatologia, o aumento global da temperatura previsto para as próximas décadas (cerca de 0,3 graus a cada dez anos) implicará uma elevação do nível dos mares de 20 centímetros ao redor de 2030, e de 65 centímetros ao redor de 2100. Elevação suficiente para varrer do mapa muitas ilhas rasas, como as Maldivas, e para ameaçar várias cidades costeiras como o Rio de Janeiro, Veneza e San Francisco,
A crescente desertificação é outra fenômeno ligado às mudanças climáticas. Calcula-se que 70 mil quilômetros quadrados de terra fértil são abandonados a cada ano por exaustão do solo, e outros 200 mil têm sua produção em declínio. O fenômeno está ligado também a práticas erradas de irrigação: sem drenagem acurada, capaz de permitir um bom escoamento das águas, os sais minerais se acumulam no solo quando a água evapora. Certos cálculos afirmam que 14% da superfície da Terra é atingida por erosões causadas pelo homem.
A superpopulação do planeta é outro dado ameaçador. Ela permaneceu constante durante dezenas de milhares de anos. Depois começou a crescer num ritmo cada vez mais impetuoso. Se partirmos do ano um, quando existiam cerca de 250 milhões de seres humanos, dobraremos essa cifra em cerca do ano 1650. Apenas 150 anos depois, no início do século 19, ocorreu a segunda duplicação. Hoje, dobramos a população mundial a cada 40 anos. Em 2050, as projeções indicam que haveria entre 7,7 bilhões e 11 bilhões de seres humanos a caminhar sobre a Terra.
Graças principalmente à ação humana, para muitas espécies de animais o apocalipse já aconteceu ou está acontecendo. Em termos técnicos, chama-se a isso ~ diminuição da biodiversidade. Na prática, significa que a espécie humana cancela outras espécies do planeta a uma velocidade impressionante. Junto às florestas destruídas, desaparecem os seus habitantes, os animais e as plantas que constituem mais da metade do patrimônio genético do planeta. Calcula-se que a cada 15 minutos uma espécie inteira desaparece para sempre. São perdas que não conseguimos sequer avaliar, pois não sabemos quais das plantas que cancelamos da lista da vida podem conter um elemento precioso para a indústria dos medicamentos, que baseia boa parte dos seus preparados em substancias colhidas na natureza. Conhecem-se melhor as dimensões dessa tragédia quando a atenção se volta para alguns animais-símbolo, como é o caso do rinoceronte. Os de Sumatra estão reduzidos a não mais de 400 exemplares; os javaneses, a apenas 70; os indianos, a 2 mil; o rinoceronte negro africano, a 2.400; o branco africano, a 7.500. Diante desses números, a esperança de sobrevivência da espécie é praticamente nula.
A poluição ambiental é hoje um dos principais sinais da possibilidade de um apocalipse ecológico. Não existe um só ponto da superfície do planeta que não esteja tocado pela poluição. Traços dos gases venenosos exalados pelos escapamentos dos automóveis europeus e norte-americanos encontram-se até no Pólo Norte, onde originam um fenômeno denominado "névoa polar", que altera artificialmente as cores da atmosfera. Apenas uma pequena parte da Terra está ainda relativamente intacta. São as zonas mais extremas, mais inóspitas dos desertos e das geleiras. Na Europa, elas se limitam a partes restritas da Islândia, Suécia e Noruega. As zonas de maior interesse naturalístico da Rússia, em particular as da Sibéria, são as que neste momento correm maiores perigos.
Arrastados pelo aumento da população e pela difusão de um estilo de vida baseado na grande produtividade e no alto consumo, todos os principais indicadores ecológicos correm para o vermelho. A reservas de cereais alcançaram seu ponto mais baixo. Em todo mundo pesca-se muito mais do que os mares e os rios podem oferecer e desse modo se reduzem as reservas e não se permite a adequada reposição dos cardumes. As florestas tropicais desaparecem ao ritmo alarmante de 1% ao ano: do encontro para o meio ambiente de 1992 no Rio de Janeiro até os dias atuais, cerca de 750 mil quilômetros quadrados de florestas foram devastados. Com eles desapareceu parte do manto pluvial que estabiliza a atmosfera do planeta.
O apocalipse ecológico dos nossos dias é constituído por uma cadeia de fenômenos entrelaçados, que se influenciam uns aos outros, como num efeito dominó. No ano 2005, pela primeira vez na história da humanidade, o número de cidadãos urbanos - que até há pouco eram ínfima minoria - irá superar o número de cidadãos do campo. Em 2020, a população urbana já será de 61% do total. Essa explosão trará consigo uma completa transformação dos hábitos de consumo e dos hábitos de vida, de conseqüências ainda imprevisíveis. De acordo com alguns especialistas mais drásticos, um bom exemplo do caos ambiental urbano que nos espera é São Paulo. A metrópole paulista devora 12 quilômetros quadrados de verde ao ano. Em apenas meio século' sua área devastada passou de 180 quilômetros quadrados para mais de 900 quilômetros quadrados!
A ciência contemporânea, embora negue a possibilidade de um apocalipse total, entendido como fim do mundo, está atenta aos pequenos apocalipses que acontecem na realidade de cada instante. Por esse motivo, muitos cientistas falam hoje abertamente da possibilidade de uma completa reorganização sistêmica do mundo e da sociedade humana. É para debater esse fenômeno que instituições como o Center for Millennial Studies foram criadas.
O Fim do Mundo Segundo as Religiões
CATÓLICOS: O fim do mundo para a doutrina católica é o momento do Juízo Final e do retorno do Messias. A esse derradeiro julgamento acorrerão todos, os vivos e os mortos, para serem julgados pelas suas ações. Mas, de modo um tanto diferente do que ocorria no passado, quando os que incorreram em pecados mortais eram condenados ao inferno perene, a teologia católica moderna mais e mais faz referência ao aspecto todo-misericordioso de Deus.
PROTESTANTES: As igrejas evangélicas não defendem uma visão catastrófica do fim do mundo. Preferem acreditar no retorno de Jesus no dia do Juízo Final. Os protestantes lêem o livro do Apocalipse em chave simbólica, para lembrar aos crentes que devem ter confiança, que são observados e vigiados e que a última palavra é sempre aquela proferida pela graça de Deus.
JUDEUS: Para a religião hebraica não haverá um fim catastrófico do mundo, mas sim uma época futura de grandes transformações que tenderão para o bem. Os judeus esperam a chegada do Messias, que assinalará o advento de uma nova era de total harmonia entre os homens e o retorno mundial à crença num único Deus.
MUÇULMANOS: No islamismo existe a idéia de uma destruição final precedida pela "maior de todas as guerras", e por um segundo dilúvio, desta vez não de água, mas sim de fogo, no "Dia do Juízo". Deus punirá os culpados e premiará as pessoas de fé.
BUDISTAS: O fim de cada ser está relacionado ao perene ciclo cármico dos nascimentos, mortes e renascimentos, fruto das ações individuais e coletivas nesta vida e nas encarnações precedentes. Através da meditação, todos os seres poderão interromper esse ciclo e compreender que tudo aquilo que existe é pura ilusão.
HlNDUISTAS: Também possuem uma visão cíclica da vida e do mundo. Para os hinduístas, existiram e existirão muitos inícios e muitos fins de mundos. Cada época é caracterizada por um gigantesco caos final, com uma tremenda batalha entre as forças do mal e do bem, antes do surgimento de uma nova era.
ENTREVISTA CONCEDIDA POR DIVALDO EM CRICIUMA EM 03.03.99
O Espírita - Estamos no final do milênio, é o fim do mundo ?
Divaldo Pereira Franco - O mundo não se vai acabar. Mesmo por que nada se acaba tudo se transforma desde a tese de Lavoisier. Estamos nos aproximando de um ciclo que se encerra como é natural, periodicamente os ciclos culturais tem uma fase final como as civilizações. Se nós olharmos as civilizações orientais vemos o apogeu da Assíria, da Babilônia, da Índia, do Egito e a sua decadência. O grande êxito da Grécia e a sua decadência, o Império Romano e naturalmente mais tarde também a sua divisão em duas partes e por fim o transtorno que invadiu o mundo durante o período medieval. A Terra como é natural é um planeta de provas e expiações que naturalmente está sendo transferido para mundo de regeneração, e as dores que nós estamos experimentando, nada mais são do que um processo de transformação que nos vai abria a porta para um novo ciclo de evolução. O fim do mundo é uma figura simbólica, por que o mundo não se acabará e nem tampouco nós outros.
Centro Espírita Celeiro de Luz
Poucos fenômenos religiosos são mais paradoxais e repetitivos do que a expectativa apocalíptica ou seja, a crença numa transformação radical e iminente do mundo. Por um lado, a primeira coisa que se pode dizer dessa crença é que, em todas as vezes que se manifestou, mostrou-se sempre equivocada. Por outro lado, apesar de desapontar constantemente, continua a surgir, com maior ou menor intensidade, e a arrastar ocasionalmente grandes massas de pessoas que nela confiam cegamente.
O que intriga os cientistas é que, embora se apóie sempre sobre pressupostos falsos, a crença apocalíptica pode assumir grandes proporções e canalizar imensas forças. Pode inspirar seus seguidores a praticar monumentais sacrifícios (vide suicídios coletivos das seitas apocalípticas de Jim Jones, do Templo Solar, dos davidianos de Waco, etc.). Pode engendrar comporta mentos radicais, desde os mais pacíficos até os mais violentos. Além disso, uma outra característica importante dos grandes movimentos apocalípticos é que eles raramente desaparecem, mesmo depois que seus prognósticos de destruição total mostram-se completamente falsos. Seus integrantes apenas reescrevem a história passada do seu respectivo movimento, de modo a eliminar as previsões que se mostraram errôneas.
Outro aspecto típico do fenômeno é que, ironicamente, as mesmas esperanças e temores apocalípticos produzem reações contraditórias, na forma de movimentos muitas vezes diametralmente opostos. No seu aspecto negativo, paranóico, violento e destrutivo, valem os mesmos exemplos citados das seitas que praticaram o suicídio coletivo. No aspecto positivo; encontramos o próprio movimento new age, com todas as suas propostas messiânicas de um futuro melhor, mais pacífico, próspero, saudável e feliz.
Embora o jogo milenarista de temor do final dos tempos versus esperança num mundo melhor exista em atividade contínua pelo menos desde o início da nossa cultura judaico-cristã, existem épocas em que ele se acentua de modo quase obsessivo, galvanizando imensas parcelas da população. Tais épocas costumam estar relacionadas aos assim chamados " anos de números redondos ", como as viradas de século e, principalmente, as viradas de milênio.
Quando se estudam as características das crenças milenaristas e apocalípticas no coletivo social durante esses períodos históricos, uma primeira constatação salta à vista: o quadro de fundo histórico e psicológico é sempre o mesmo.
No ano 1000, época da primeira virada de milênio em tempos cristãos, todas as características milenaristas estavam presentes: ondas de conversão em massa à então religião dominante, o cristianismo; profundas reformas governamentais e eclesiásticas peregrinação em massa aos lugares santos, particularmente Jerusalém; proliferação de seitas heréticas e de movimentos apostólicos paralelos à Igreja; execução de hereges e violência popular contra judeus e muçulmanos; surgimento da "Paz de Deus", primeiro movimento coletivo em prol da paz de toda a história mundial. Quando o ano 1000, apesar de toda a excitação que o acompanhou, falhou em trazer consigo o esperado final dos tempos, as esperanças voltaram-se para o ano 1033. Alegou-se então que este seria o ano do apocalipse, já que Cristo morrera aos 33 anos e o propalado fim do mundo ocorreria mil anos após a sua morte, e não ao seu nascimento.
O exame dos documentos dessa época traça um panorama histórico digno de muita reflexão. Esses documentos retratam um mundo selvagem, com a natureza ainda quase intocada, onde os seres humanos, ignorantes e supersticiosos, armados de instrumentos irrisórios, lutavam de modo em geral inglório contra os poderes da terra e as forças da natureza. Cercados pela doença, atormentados pela fome, passavam a maior parte da sua vida tentando arrancar à terra uma parca alimentação.
Ao lado de toda essa tragédia, alguns chefes, senhores da guerra ou da religião, percorriam com soldados armados aquele universo miserável, apoderando-se das poucas riquezas da população para encher seus palácios ou suas igrejas. Como podemos ver, qualquer similitude com a realidade histórica dos dias de hoje não é mera coincidência. O mundo mudou muito em matéria de hábitos e costumes, em matéria de tecnologia e ciência. Mas a realidade social e anímica do indivíduo e da sociedade de hoje não difere muito do quadro que existia na virada do ano 1000. Ainda existem, de um lado, minorias laicas poderosas que gozam de riquezas materiais, e do outro lado uma enorme massa de pobres e miseráveis. Ainda pululam lideres religiosos que exploram a credulidade alheia e amealham fortunas à custa dela.
Todos os fatores que caracterizam tempos milenares estão bem presentes. Mas é, curiosamente superdesenvolvida área cientifica que emergem as mais impressionantes previsões apocalípticas: a hecatombe atômica continua a nos ameaçar, o efeito estufa, a destruição da camada de ozônio, a poluição da terra, água e do ar, o esgotamento recursos terrestres, etc., etc.
O perigo é real - : todas ameaças à sobrevivência da humanidade - motivadas pela ganância, incúria e irresponsabilidade própria humanidade - não podem ser negadas. Apesar disso em termos estritamente científicos, do mundo não acontecerá tão cedo. A partir das observações dos importantes astrofísicos, o cosmos se manterá em expansão ainda bilhões e bilhões de anos, até começar a encolher, contraindo-se até o desaparecimento. Nosso sol um dia vai se transformar numa gigantesca estrela vermelha, como as estrelas que hoje se encontram no final das suas vidas. Seu volume irá inchar enormemente, e sua superfície se estenderá para alem das órbitas de Mercúrio, Vênus e Terra. Nosso planeta se encontrará num ambiente de 3 mil graus centígrados, e será rapidamente transformado em vapor. Tudo isso vai acontecer dentro de... cinco bilhões de anos.
Se podemos, portanto, dormir sossegados ainda por muito tempo quanto aos apocalipses astrofísicos, o mesmo não se pode dizer daqueles ecológicos. Eles reclamam providências urgentes. As ameaças aos oceanos, por exemplo. Segundo os cenários mais pessimistas desenhados pelos peritos em climatologia, o aumento global da temperatura previsto para as próximas décadas (cerca de 0,3 graus a cada dez anos) implicará uma elevação do nível dos mares de 20 centímetros ao redor de 2030, e de 65 centímetros ao redor de 2100. Elevação suficiente para varrer do mapa muitas ilhas rasas, como as Maldivas, e para ameaçar várias cidades costeiras como o Rio de Janeiro, Veneza e San Francisco,
A crescente desertificação é outra fenômeno ligado às mudanças climáticas. Calcula-se que 70 mil quilômetros quadrados de terra fértil são abandonados a cada ano por exaustão do solo, e outros 200 mil têm sua produção em declínio. O fenômeno está ligado também a práticas erradas de irrigação: sem drenagem acurada, capaz de permitir um bom escoamento das águas, os sais minerais se acumulam no solo quando a água evapora. Certos cálculos afirmam que 14% da superfície da Terra é atingida por erosões causadas pelo homem.
A superpopulação do planeta é outro dado ameaçador. Ela permaneceu constante durante dezenas de milhares de anos. Depois começou a crescer num ritmo cada vez mais impetuoso. Se partirmos do ano um, quando existiam cerca de 250 milhões de seres humanos, dobraremos essa cifra em cerca do ano 1650. Apenas 150 anos depois, no início do século 19, ocorreu a segunda duplicação. Hoje, dobramos a população mundial a cada 40 anos. Em 2050, as projeções indicam que haveria entre 7,7 bilhões e 11 bilhões de seres humanos a caminhar sobre a Terra.
Graças principalmente à ação humana, para muitas espécies de animais o apocalipse já aconteceu ou está acontecendo. Em termos técnicos, chama-se a isso ~ diminuição da biodiversidade. Na prática, significa que a espécie humana cancela outras espécies do planeta a uma velocidade impressionante. Junto às florestas destruídas, desaparecem os seus habitantes, os animais e as plantas que constituem mais da metade do patrimônio genético do planeta. Calcula-se que a cada 15 minutos uma espécie inteira desaparece para sempre. São perdas que não conseguimos sequer avaliar, pois não sabemos quais das plantas que cancelamos da lista da vida podem conter um elemento precioso para a indústria dos medicamentos, que baseia boa parte dos seus preparados em substancias colhidas na natureza. Conhecem-se melhor as dimensões dessa tragédia quando a atenção se volta para alguns animais-símbolo, como é o caso do rinoceronte. Os de Sumatra estão reduzidos a não mais de 400 exemplares; os javaneses, a apenas 70; os indianos, a 2 mil; o rinoceronte negro africano, a 2.400; o branco africano, a 7.500. Diante desses números, a esperança de sobrevivência da espécie é praticamente nula.
A poluição ambiental é hoje um dos principais sinais da possibilidade de um apocalipse ecológico. Não existe um só ponto da superfície do planeta que não esteja tocado pela poluição. Traços dos gases venenosos exalados pelos escapamentos dos automóveis europeus e norte-americanos encontram-se até no Pólo Norte, onde originam um fenômeno denominado "névoa polar", que altera artificialmente as cores da atmosfera. Apenas uma pequena parte da Terra está ainda relativamente intacta. São as zonas mais extremas, mais inóspitas dos desertos e das geleiras. Na Europa, elas se limitam a partes restritas da Islândia, Suécia e Noruega. As zonas de maior interesse naturalístico da Rússia, em particular as da Sibéria, são as que neste momento correm maiores perigos.
Arrastados pelo aumento da população e pela difusão de um estilo de vida baseado na grande produtividade e no alto consumo, todos os principais indicadores ecológicos correm para o vermelho. A reservas de cereais alcançaram seu ponto mais baixo. Em todo mundo pesca-se muito mais do que os mares e os rios podem oferecer e desse modo se reduzem as reservas e não se permite a adequada reposição dos cardumes. As florestas tropicais desaparecem ao ritmo alarmante de 1% ao ano: do encontro para o meio ambiente de 1992 no Rio de Janeiro até os dias atuais, cerca de 750 mil quilômetros quadrados de florestas foram devastados. Com eles desapareceu parte do manto pluvial que estabiliza a atmosfera do planeta.
O apocalipse ecológico dos nossos dias é constituído por uma cadeia de fenômenos entrelaçados, que se influenciam uns aos outros, como num efeito dominó. No ano 2005, pela primeira vez na história da humanidade, o número de cidadãos urbanos - que até há pouco eram ínfima minoria - irá superar o número de cidadãos do campo. Em 2020, a população urbana já será de 61% do total. Essa explosão trará consigo uma completa transformação dos hábitos de consumo e dos hábitos de vida, de conseqüências ainda imprevisíveis. De acordo com alguns especialistas mais drásticos, um bom exemplo do caos ambiental urbano que nos espera é São Paulo. A metrópole paulista devora 12 quilômetros quadrados de verde ao ano. Em apenas meio século' sua área devastada passou de 180 quilômetros quadrados para mais de 900 quilômetros quadrados!
A ciência contemporânea, embora negue a possibilidade de um apocalipse total, entendido como fim do mundo, está atenta aos pequenos apocalipses que acontecem na realidade de cada instante. Por esse motivo, muitos cientistas falam hoje abertamente da possibilidade de uma completa reorganização sistêmica do mundo e da sociedade humana. É para debater esse fenômeno que instituições como o Center for Millennial Studies foram criadas.
O Fim do Mundo Segundo as Religiões
CATÓLICOS: O fim do mundo para a doutrina católica é o momento do Juízo Final e do retorno do Messias. A esse derradeiro julgamento acorrerão todos, os vivos e os mortos, para serem julgados pelas suas ações. Mas, de modo um tanto diferente do que ocorria no passado, quando os que incorreram em pecados mortais eram condenados ao inferno perene, a teologia católica moderna mais e mais faz referência ao aspecto todo-misericordioso de Deus.
PROTESTANTES: As igrejas evangélicas não defendem uma visão catastrófica do fim do mundo. Preferem acreditar no retorno de Jesus no dia do Juízo Final. Os protestantes lêem o livro do Apocalipse em chave simbólica, para lembrar aos crentes que devem ter confiança, que são observados e vigiados e que a última palavra é sempre aquela proferida pela graça de Deus.
JUDEUS: Para a religião hebraica não haverá um fim catastrófico do mundo, mas sim uma época futura de grandes transformações que tenderão para o bem. Os judeus esperam a chegada do Messias, que assinalará o advento de uma nova era de total harmonia entre os homens e o retorno mundial à crença num único Deus.
MUÇULMANOS: No islamismo existe a idéia de uma destruição final precedida pela "maior de todas as guerras", e por um segundo dilúvio, desta vez não de água, mas sim de fogo, no "Dia do Juízo". Deus punirá os culpados e premiará as pessoas de fé.
BUDISTAS: O fim de cada ser está relacionado ao perene ciclo cármico dos nascimentos, mortes e renascimentos, fruto das ações individuais e coletivas nesta vida e nas encarnações precedentes. Através da meditação, todos os seres poderão interromper esse ciclo e compreender que tudo aquilo que existe é pura ilusão.
HlNDUISTAS: Também possuem uma visão cíclica da vida e do mundo. Para os hinduístas, existiram e existirão muitos inícios e muitos fins de mundos. Cada época é caracterizada por um gigantesco caos final, com uma tremenda batalha entre as forças do mal e do bem, antes do surgimento de uma nova era.
ENTREVISTA CONCEDIDA POR DIVALDO EM CRICIUMA EM 03.03.99
O Espírita - Estamos no final do milênio, é o fim do mundo ?
Divaldo Pereira Franco - O mundo não se vai acabar. Mesmo por que nada se acaba tudo se transforma desde a tese de Lavoisier. Estamos nos aproximando de um ciclo que se encerra como é natural, periodicamente os ciclos culturais tem uma fase final como as civilizações. Se nós olharmos as civilizações orientais vemos o apogeu da Assíria, da Babilônia, da Índia, do Egito e a sua decadência. O grande êxito da Grécia e a sua decadência, o Império Romano e naturalmente mais tarde também a sua divisão em duas partes e por fim o transtorno que invadiu o mundo durante o período medieval. A Terra como é natural é um planeta de provas e expiações que naturalmente está sendo transferido para mundo de regeneração, e as dores que nós estamos experimentando, nada mais são do que um processo de transformação que nos vai abria a porta para um novo ciclo de evolução. O fim do mundo é uma figura simbólica, por que o mundo não se acabará e nem tampouco nós outros.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
...uma esperança...Leonardo Boff.
Uma esperança: a Era do Ecozóico
Quem leu meu artigo anterior O antropoceno:uma nova era geológica deve ter ficado desolado. E com razão, pois, quis intencionalmente provocar tal sentimento. Com efeito, a visão de mundo imperante, mecanicista, utilitarista, antropocêntrica e sem respeito pela Mãe Terra e pelos limites de seus ecossistemas só pode levar a um impasse perigoso: liquidar com as condições ecológicas que nos permitem manter nossa civilização e a vida humana neste esplendoroso Planeta.
Mas como tudo tem dois lados, vejamos o lado promissor da atual crise: o alvorecer de uma nova era, a do Ecozóico. Esta expressão foi sugerida por um dos maiores astrofísicos atuais, diretor do Centro para a História do Universo, do Instituto de Estudos Integrais da Califórnia: Brian Swimme.
Que significa a Era do Ecozóico? Significa colocar o ecológico como a realidade central a partir da qual se organizam as demais atividades humanas, principalmente a econômica, de sorte que se preserve o capital natural e se atenda as necessidades de toda a comunidade vida presente e futura. Disso resulta um equilíbrio em nossas relações para com a natureza e a sociedade no sentido da sinergia e da mútua pertença deixando aberto o caminho para frente.
Vivíamos sob o mito do progresso. Mas este foi entendido de forma distorcida como controle humano sobre o mundo não-humano para termos um PIB cada vez maior. A forma correta é entender o progresso em sintonia com a natureza e sendo medido pelo funcionamento integral da comunidade terrestre. O Produto Interno Bruto não pode ser feito à custa do Produto Terrestre Bruto. Aqui está o nosso pecado original.
Esquecemos que estamos dentro de um processo único e universal – a cosmogênese – diverso, complexo e ascendente. Das energias primordiais chegamos à matéria, da matéria à vida e da vida à consciência e da consciência à mundialização. O ser humano é a parte consciente e inteligente deste processo. É um evento acontecido no universo, em nossa galáxia, em nosso sistema solar, em nosso Planeta e nos nossos dias.
A premissa central do Ecozóico é entender o universo enquanto conjunto das redes de relações de todos com todos. Nós humanos, somos essencialmente, seres de intrincadíssimas relações. E entender a Terra com um superorganismo vivo que se autoregula e que continuamente se renova. Dada a investida produtivista e consumista dos humanos, este organismo está ficando doente e incapaz de “digerir” todos os elementos tóxicos que produzimos nos últimos séculos. Pelo fato de ser um organismo, não pode sobreviver em fragmentos mas na sua integralidade. Nosso desafio atual é manter a integridade e a vitalidade da Terra. O bem-estar da Terra é o nosso bem-estar.
Mas o objetivo imediato do Ecozóico não é simplesmente diminuir a devastação em curso, senão alterar o estado de consciência, responsável por esta devastação. Quando surgiu o cenozóico (a nossa era há 66 milhões de anos) o ser humano não teve influência nenhuma nele. Agora no Ecozóico, muita coisa passa por nossas decisões: se preservamos uma espécie ou um ecossistema ou os condenamos ao desaparecimento. Nós copilotamos o processo evolucionário.
Positivamente, o que a era ecozóica visa, no fim das contas, é alinhar as atividades humanas com as outras forças operantes em todo o Planeta e no Universo, para que um equilíbrio criativo seja alcançado e assim podermos garantir um futuro comum. Isso implica um outro modo de imaginar, de produzir, de consumir e de dar significado à nossa passagem por este mundo. Esse significado não nos vem da economia mas do sentimento do sagrado face ao mistério do universo e de nossa própria existência.Isto é a espiritualidade.
Mais e mais pessoas estão se incorporando à era ecozóica. Ela, como se depreende, está cheia de promessas. Abre-nos uma janela para um futuro de vida e de alegria. Precisamos fazer uma convocação geral para que ela seja generalizada em todos os âmbitos e plasme a nova consciência.
Leonardo Boff é autor de Cuidar da Terra-Proteger a vida. Record 2010.
Quem leu meu artigo anterior O antropoceno:uma nova era geológica deve ter ficado desolado. E com razão, pois, quis intencionalmente provocar tal sentimento. Com efeito, a visão de mundo imperante, mecanicista, utilitarista, antropocêntrica e sem respeito pela Mãe Terra e pelos limites de seus ecossistemas só pode levar a um impasse perigoso: liquidar com as condições ecológicas que nos permitem manter nossa civilização e a vida humana neste esplendoroso Planeta.
Mas como tudo tem dois lados, vejamos o lado promissor da atual crise: o alvorecer de uma nova era, a do Ecozóico. Esta expressão foi sugerida por um dos maiores astrofísicos atuais, diretor do Centro para a História do Universo, do Instituto de Estudos Integrais da Califórnia: Brian Swimme.
Que significa a Era do Ecozóico? Significa colocar o ecológico como a realidade central a partir da qual se organizam as demais atividades humanas, principalmente a econômica, de sorte que se preserve o capital natural e se atenda as necessidades de toda a comunidade vida presente e futura. Disso resulta um equilíbrio em nossas relações para com a natureza e a sociedade no sentido da sinergia e da mútua pertença deixando aberto o caminho para frente.
Vivíamos sob o mito do progresso. Mas este foi entendido de forma distorcida como controle humano sobre o mundo não-humano para termos um PIB cada vez maior. A forma correta é entender o progresso em sintonia com a natureza e sendo medido pelo funcionamento integral da comunidade terrestre. O Produto Interno Bruto não pode ser feito à custa do Produto Terrestre Bruto. Aqui está o nosso pecado original.
Esquecemos que estamos dentro de um processo único e universal – a cosmogênese – diverso, complexo e ascendente. Das energias primordiais chegamos à matéria, da matéria à vida e da vida à consciência e da consciência à mundialização. O ser humano é a parte consciente e inteligente deste processo. É um evento acontecido no universo, em nossa galáxia, em nosso sistema solar, em nosso Planeta e nos nossos dias.
A premissa central do Ecozóico é entender o universo enquanto conjunto das redes de relações de todos com todos. Nós humanos, somos essencialmente, seres de intrincadíssimas relações. E entender a Terra com um superorganismo vivo que se autoregula e que continuamente se renova. Dada a investida produtivista e consumista dos humanos, este organismo está ficando doente e incapaz de “digerir” todos os elementos tóxicos que produzimos nos últimos séculos. Pelo fato de ser um organismo, não pode sobreviver em fragmentos mas na sua integralidade. Nosso desafio atual é manter a integridade e a vitalidade da Terra. O bem-estar da Terra é o nosso bem-estar.
Mas o objetivo imediato do Ecozóico não é simplesmente diminuir a devastação em curso, senão alterar o estado de consciência, responsável por esta devastação. Quando surgiu o cenozóico (a nossa era há 66 milhões de anos) o ser humano não teve influência nenhuma nele. Agora no Ecozóico, muita coisa passa por nossas decisões: se preservamos uma espécie ou um ecossistema ou os condenamos ao desaparecimento. Nós copilotamos o processo evolucionário.
Positivamente, o que a era ecozóica visa, no fim das contas, é alinhar as atividades humanas com as outras forças operantes em todo o Planeta e no Universo, para que um equilíbrio criativo seja alcançado e assim podermos garantir um futuro comum. Isso implica um outro modo de imaginar, de produzir, de consumir e de dar significado à nossa passagem por este mundo. Esse significado não nos vem da economia mas do sentimento do sagrado face ao mistério do universo e de nossa própria existência.Isto é a espiritualidade.
Mais e mais pessoas estão se incorporando à era ecozóica. Ela, como se depreende, está cheia de promessas. Abre-nos uma janela para um futuro de vida e de alegria. Precisamos fazer uma convocação geral para que ela seja generalizada em todos os âmbitos e plasme a nova consciência.
Leonardo Boff é autor de Cuidar da Terra-Proteger a vida. Record 2010.
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