50 BILHÕES DE GALÁXIAS E EU-
Affonso Romano de Sant'anna.
Dizem-nos que os astrônomos descobriram que em vez de dez bilhões, existem 50 bilhões de galáxias. E isto dito como se eu tivesse alguma noção da grandeza anterior, daqueles dez bilhões. Começo a revirar papéis e a memória para saber onde é que foi que li algo sobre quantas estrelas existem numa galáxia. Não encontro. Descubro que elas viajam por aí a uma velocidade de 300 quilômetros por segundo.
Também fico sabendo que para atravessar uma galáxia, umazinha que seja, são necessários mil anos-luz. Se um ano-luz tem nove trilhões de quilômetros quadrados, é só botar no papel e calcular; no papel, porque nenhuma máquina de calcular é suficiente. Isto feito vamos calcular então quanto tempo seria necessário para atravessar essas 50 bilhões de galáxias?
E se dentro de dois anos descobrirem que existem 200 bilhões de galáxias?
Em 1989, portanto, apenas ontem, noticiaram que havia por aí afora apenas uma simples muralha de galáxias - claro que não consegui entender isto. E até 1920 havia quem acreditasse que a Via Láctea era o centro do Universo.
Mas, para nosso espanto recente, Andrei Sakarov em 1988 falava que era possível pensar que existem outros universos.
Por isto, lhe digo: eu estou preparado para tudo. Para ler, por exemplo, numa manhã dessas, que uma equipe de astronautas acabou dando de cara com Deus.
Para isto não precisavam ir tão longe. Bastava olhar os insetos em nosso gramado ou a dança dos genes ou das bactérias no interior do nosso organismo, mesmo do mais ordinário criminoso, para que o que estava no infinitamente grande, num jogo de espelhos, se refletisse no infinitamente pequeno, como já intuíam os filósofos de antanho.
Gostaria muito de estar vivo no dia em que desembarcássemos em outro planeta e ali descobríssemos seres inteligentes, se possível, mais inteligentes que nós. Imagino-os, em entrevistas interestelares, explicando coisas comezinhas que até então não entendíamos, como essa história de que a gente tem alma, ou o que é afinal a eternidade, ou o tempo, essa coisa que existe e não existe.
No entanto, não gostaria e até lamentaria muitíssimo se, ao contrário, desembarcando em outro planeta, descobrissem comunidades mais primitivas que nós. Já se sabe no que ia dar: Iríamos tratá-los como índios kraian-a-kores e ficaríamos com a síndrome dos irmãos Villas-Boas vendo-os serem destruídos e conspurcados por nossa cultura; e, em breve, esses seres de outro mundo estariam tomando nossas bebidas e usando jeans. E infelizes.
O que me impressiona é que a descoberta de mais de 40 bilhões de galáxias não alterou em nada nosso cotidiano. Jogam-nos na cara uma notícia dessas, a ouvimos displicentemente, como se houvéssemos escutado que "a safra de soja este ano bateu novo recorde" ou "ontem choveu muito". Escutamos a notícia e ficamos metafísicos, no máximo, por dez segundos. E logo 50 bilhões de galáxias com seus cinco quatrilhões de estrelas foram obnubiladas pelo preço da abóbora a dez centavos ou do frango a 99 centavos.
O certo, no entanto, era a Organização das Nações Unidas (ONU) ter decretado um feriado universal para a gente passar a noite inteira, na praia ou nas sacadas, nas montanhas ou nos terraços, pensando nessa informação. Preferia que o pessoal que fica apitando na praia para avisar aos fumantes de maconha que a polícia vem aí, que eles apitassem por essas galáxias, 50 bilhões de vezes.
No dia seguinte à informação sobre a descoberta de tantos mundos, no trabalho, no entanto, não vi ninguém comentar o feito. Um gol de Túlio*, provoca mais estremecimento. E o drama de uma só estrela como Vera Fischer move-nos mais que 50 bilhões de galáxias.
Na favela ao lado, pensei que estavam comemorando a descoberta. Achei estranho o horário para a celebração: uma e meia da manhã. É quando se vê talvez melhor o céu. Mas não era celebração. Balas luminosas, como minúsculos cometas, saíam do morro na direção dos policiais e iam se perder em outras órbitas. Em uma guerra, e não era nas estrelas.
Que ministro interrompeu a reunião para ponderar sobre as 50 bilhões de galáxias?
Quem na bolsa de valores aquilatou isto?
Que chofer de táxi conversou com a madame sobre esse assombro?
Que burocrata deixou de carimbar documentos que fosse, para mostrar seu pasmo?
No entanto, o céu ficou maior. Bem maior. Deram-nos de presente um enigma interminável. Minhas interrogações se ampliaram 50 bilhões de vezes.
Por isto, agora sou um homem diferente na galáxia de meus mínimos interesses. Além de algumas lembranças incrustadas em meus sentidos e além de meia dúzia de intenções na vida, agora transporto 50 bilhões de galáxias nos olhos.
Aliás, nem precisava tanto. Bastavam essas duas velas consumindo-se na própria luz sobre essa mesa de jantar no terraço onde recordo o que amei e a quem amo.
A noite, dentro e fora de mim, tornou-se interminavelmente luminosa.
Affonso Romano de Sant´anna é um dos maiores escritores deste país.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
domingo, 7 de junho de 2009
Abnegação-Momento Espírita.
A evolução espiritual é um fenômeno bastante complexo, que se dá em sucessivas fases. No começo, predomina a natureza corpórea. Dominada pelos instintos, a criatura dedica seu tempo e seu interesse a atividades comezinhas. Comer, vestir-se, abrigar-se, procriar e cuidar da prole, eis a que se resumem suas preocupações. Nesse período, o egoísmo é marcante. Os instintos de conservação da vida e da preservação da espécie têm absoluta preponderância. Com o tempo, o ser começa a desvincular-se de sua origem. A inteligência se desenvolve, o raciocínio se sofistica e o senso moral desabrocha. As invenções tornam possível gastar tempo com questões não diretamente ligadas à sobrevivência. Viver deixa de ser tão difícil, sob o prisma material. Em compensação, começam os dilemas morais. Com a razão desenvolvida, a responsabilidade surge forte nos caminhos espirituais. O que antes era admissível passa a ser um escândalo. A sensibilidade se apura e a criatura aspira por realizações intelectuais e afetivas. Essa nova sensibilidade também evidencia que o próximo é seu semelhante, com igual direito a ser feliz e realizado. Gradualmente se evidencia a igualdade básica entre todos os homens. Malgrado possuidores de talentos e valores diversos, não se distinguem no essencial. Uma chama divina os anima e a todos conduzirá aos maiores cimos da evolução. Contudo, o abandono dos hábitos toscos das primeiras vivências não é fácil. Séculos são gastos na árdua tarefa de domar vícios e paixões. As encarnações se sucedem enquanto o Espírito luta para ascender. O maior entrave para a libertação das experiências dolorosas é o egoísmo, que possui forte vínculo com o apego às coisas corpóreas. Quanto mais se aferra aos bens materiais, mais o homem demonstra pouco compreender sua natureza espiritual. O Espírito necessita libertar-se do apego a coisas transitórias. Apenas assim ele adquire condições de viver as experiências sublimes a que está destinado. Quem deseja sair do primitivismo deve combater o gosto pronunciado pelos gozos da matéria. O melhor meio para isso é praticar a abnegação. Trata-se de uma virtude que se caracteriza pelo desprendimento e pelo desinteresse. A ação abnegada importa na superação das tendências egoístas do agente. Age-se em benefício de uma causa, pessoa ou princípio, sem visar a qualquer vantagem ou interesse pessoal. Certamente não é uma virtude que se adquire a brincar. Apenas com disciplina e determinação é que ela se incorpora ao caráter. Mas como ninguém fará o trabalho alheio, é preciso principiar em algum momento. Comece, pois, a praticar a abnegação. Esforce-se em realizar uma série de atitudes com foco no próximo. Esqueça a sua personalidade e pense com interesse no bem alheio. Esse esforço inicial não tardará a dar frutos. O gosto pelo transitório lentamente o abandonará. Ele será substituído pelos prazeres espirituais. Você descobrirá a ventura de ser bondoso, de amparar os caídos e de ensinar os ignorantes. Esses gostos suaves e transcendentes o conduzirão a esferas de sublimes realizações. Pense nisso.
Redação do Momento Espírita.
Redação do Momento Espírita.
sábado, 6 de junho de 2009
DOUTORAS!
Certo dia, uma mulher chamada Anne foi renovar a sua carteira de motorista.
Quando lhe perguntaram qual era a sua profissão, ela hesitou. Não sabia bem como se classificar.
O funcionário insistiu: O que eu pergunto é se tem um trabalho.
Claro que tenho um trabalho, exclamou Anne. Sou mãe.
Nós não consideramos isso um trabalho. Vou colocar dona de casa, disse o funcionário friamente.
Uma amiga sua, chamada Marta, soube do ocorrido e ficou pensando a respeito por algum tempo.
Num determinado dia, ela se encontrou numa situação idêntica. A pessoa que a atendeu era uma funcionária de carreira, segura, eficiente.
O formulário parecia enorme, interminável.
A primeira pergunta foi: Qual é a sua ocupação?
Marta pensou um pouco e sem saber bem como, respondeu:
Sou doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas.
A funcionária fez uma pausa e Marta precisou repetir pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas.
Depois de ter anotado tudo, a jovem ousou indagar:
Posso perguntar o que é que a senhora faz exatamente?
Sem qualquer traço de agitação na voz, com muita calma, Marta explicou:
Desenvolvo um programa a longo prazo, dentro e fora de casa.
Pensando na sua família, ela continuou: Sou responsável por uma equipe e já recebi quatro projetos. Trabalho em regime de dedicação exclusiva. O grau de exigência é de 14 horas por dia, às vezes até 24 horas.
À medida que ia descrevendo suas responsabilidades, Marta notou o crescente tom de respeito na voz da funcionária, que preencheu todo o formulário com os dados fornecidos.
Quando voltou para casa, Marta foi recebida por sua equipe: uma menina com 13 anos, outra com 7 e outra com 3.
Subindo ao andar de cima da casa, ela pôde ouvir o seu mais novo projeto, um bebê de seis meses, testando uma nova tonalidade de voz.
Feliz, Marta tomou o bebê nos braços e pensou na glória da maternidade, com suas multiplicadas responsabilidades. E horas intermináveis de dedicação.
Mãe, onde está meu sapato? Mãe, me ajuda a fazer a lição? Mãe, o bebê não para de chorar. Mãe, você me busca na escola?
Mãe, você vai assistir a minha dança? Mãe, você compra? Mãe...
Sentada na cama, Marta pensou: Se ela era doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas, o que seriam as avós?
E logo descobriu um título para elas: :Doutoras-sênior em desenvolvimento infantil e em relações humanas.
As bisavós, Doutoras executivas sênior.
As tias, doutoras-assistentes.
E todas as mulheres, mães, esposas, amigas e companheiras: Doutoras na arte de fazer a vida melhor.
* * *
No mundo em que os títulos são importantes, em que se exige sempre maior especialização, na área profissional, torne-se especialista na arte de amar.
Como excelente mestra, ensine aos seus filhos, através do seu exemplo, a insuperável arte de expressar sentimentos.
Ensine a difícil arte de interpretação de choro de bebê e de secar lágrimas de adolescente.
Exemplifique a renúncia, a paciência e a diplomacia. E colha, vitoriosa, ao final de cada dia, os louros do seu esforço nos abraços dos seus filhos e na espontaneidade de suas manifestações de afeto.
Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria ignorada.Em 28.05.2009.
Quando lhe perguntaram qual era a sua profissão, ela hesitou. Não sabia bem como se classificar.
O funcionário insistiu: O que eu pergunto é se tem um trabalho.
Claro que tenho um trabalho, exclamou Anne. Sou mãe.
Nós não consideramos isso um trabalho. Vou colocar dona de casa, disse o funcionário friamente.
Uma amiga sua, chamada Marta, soube do ocorrido e ficou pensando a respeito por algum tempo.
Num determinado dia, ela se encontrou numa situação idêntica. A pessoa que a atendeu era uma funcionária de carreira, segura, eficiente.
O formulário parecia enorme, interminável.
A primeira pergunta foi: Qual é a sua ocupação?
Marta pensou um pouco e sem saber bem como, respondeu:
Sou doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas.
A funcionária fez uma pausa e Marta precisou repetir pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas.
Depois de ter anotado tudo, a jovem ousou indagar:
Posso perguntar o que é que a senhora faz exatamente?
Sem qualquer traço de agitação na voz, com muita calma, Marta explicou:
Desenvolvo um programa a longo prazo, dentro e fora de casa.
Pensando na sua família, ela continuou: Sou responsável por uma equipe e já recebi quatro projetos. Trabalho em regime de dedicação exclusiva. O grau de exigência é de 14 horas por dia, às vezes até 24 horas.
À medida que ia descrevendo suas responsabilidades, Marta notou o crescente tom de respeito na voz da funcionária, que preencheu todo o formulário com os dados fornecidos.
Quando voltou para casa, Marta foi recebida por sua equipe: uma menina com 13 anos, outra com 7 e outra com 3.
Subindo ao andar de cima da casa, ela pôde ouvir o seu mais novo projeto, um bebê de seis meses, testando uma nova tonalidade de voz.
Feliz, Marta tomou o bebê nos braços e pensou na glória da maternidade, com suas multiplicadas responsabilidades. E horas intermináveis de dedicação.
Mãe, onde está meu sapato? Mãe, me ajuda a fazer a lição? Mãe, o bebê não para de chorar. Mãe, você me busca na escola?
Mãe, você vai assistir a minha dança? Mãe, você compra? Mãe...
Sentada na cama, Marta pensou: Se ela era doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas, o que seriam as avós?
E logo descobriu um título para elas: :Doutoras-sênior em desenvolvimento infantil e em relações humanas.
As bisavós, Doutoras executivas sênior.
As tias, doutoras-assistentes.
E todas as mulheres, mães, esposas, amigas e companheiras: Doutoras na arte de fazer a vida melhor.
* * *
No mundo em que os títulos são importantes, em que se exige sempre maior especialização, na área profissional, torne-se especialista na arte de amar.
Como excelente mestra, ensine aos seus filhos, através do seu exemplo, a insuperável arte de expressar sentimentos.
Ensine a difícil arte de interpretação de choro de bebê e de secar lágrimas de adolescente.
Exemplifique a renúncia, a paciência e a diplomacia. E colha, vitoriosa, ao final de cada dia, os louros do seu esforço nos abraços dos seus filhos e na espontaneidade de suas manifestações de afeto.
Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria ignorada.Em 28.05.2009.
sábado, 30 de maio de 2009
Vencendo os processos de raciocínio para alcançar a felicidade incondicional-Universalismo na Prática.
O ser humano é um ser racional que sempre precisa de motivos e condições para amar ou se sentir feliz. Sendo assim, o grande objetivo da encarnação é vencer os processos de raciocínio que temos e que nos impedem de amar universalmente e alcançar a felicidade incondicional.
Por exemplo, quando acontece algo que vai contra a felicidade material, ou seja, quando ocorre algo que a mente julga como errado, injusto, mau, negativo, o raciocínio manda que fiquemos tristes, com raiva, contrariados e frustrados. E quando ocorre algo que satisfaz a felicidade material, ou seja, quando ocorre algo que a mente julga como certo, bom, justo, positivo, o raciocínio manda que fiquemos alegres, excitados e extasiados.
Se não estivermos atentos a isso vamos viver entre os extremos das polaridades do prazer e da dor. Quando a felicidade material for satisfeita vamos nos exaltar, enquanto que quando a felicidade material for insatisfeita vamos cair em depressão. E acredite, é assim que a maioria de nós vive, numa verdadeira montanha-russa sentimental, ora infeliz, ora de bem com a vida.
No universalismo nós falamos que os atos não importam, mas sim como nos relacionamos mentalmente e sentimentalmente diante deles. Isso é muito importante, pois estamos dizendo que é possível manter a felicidade incondicional, ou seja, vencer o prazer e dor, mesmo diante de atos individuais ou coletivos que o raciocínio julga como errados, injustos, maus e negativos, mas também diante dos atos que ele julga como certos, bons, justos e positivos.
Por exemplo, você fala algo que alguém não gosta e aparentemente fere esta pessoa. O raciocínio vai criar todas as condições para você sentir prazer ou dor diante do sofrimento gerado a outro ser humano. Se o raciocínio diz que esta pessoa não presta você vai sentir prazer ao ver que ela se sentiu ferida por você. Se o raciocínio diz que esta pessoa é querida você vai se sentir mal porque a feriu. Tudo isso criado pelo raciocínio. E se você acreditar neste processo mental, com certeza, vai se exaltar no prazer por ter conseguido ferir alguém ou vai cair em depressão por ter machucado.
Percebeu o problema de levar a sério os processos de raciocínio? Se você não quer viver numa montanha-russa sentimental, ora infeliz, ora de bem com a vida, o caminho é vencer os processos de raciocínio.
Vamos ao exemplo. Você fala algo que alguém não gosta e aparentemente fere esta pessoa. Você diz para si mesmo: ‘é, falei isso e ela não gostou… e daí? Porque eu preciso que todos gostem ou concordem comigo?’. O resultado disso pouco importa, porque sempre vai acontecer o que tiver que ocorrer. Se ela vai brigar com você, se você vai pedir desculpas, isso é irrelevante, pois o que realmente importa é você vencer o raciocínio que diz para você sentir prazer ou dor diante do ato. Se conseguir isso você atingirá a apatia, a neutralidade.
Mas o mesmo se aplica quando alguém fala algo que você não gosta e por isso você se sente ferido. Diga para si mesmo: ‘é, não gostei… e daí? Porque todos precisam concordar com o que eu penso? Se eu quero ter liberdade de ter minhas idéias, também preciso dar aos outros essa liberdade’. Também não importa a conseqüência disso. Você pode responder ou até discutir, pois vai acontecer o que tiver acontecer, mas vencendo o raciocínio que diz para você sentir prazer ou dor diante deste ato você vai estar em paz consigo mesmo, não importando o que acontecer.
Portanto, examine a sua vida. Verifique os processos mentais que criam motivos para você se exaltar no prazer e cair em depressão na dor. Perceba que a mente humana está sempre julgando tudo o que ocorre ao seu redor para ver se isso é certo, bom, justo, positivo ou errado, mau, injusto e negativo. Perceba que a mente humana está sempre criando justificativas para que você sinta prazer ou dor diante de determinado ato individual ou coletivo. Perceba que a mente humana está sempre julgando se você tem motivos para estar alegre ou triste.
Estar atento aos processos de raciocínio é primeiro passo para vencer a mente. Enquanto não fizermos isso não vamos atingir a apatia e neutralidade, mas sim vamos continuar vivendo numa verdadeira montanha-russa sentimental, ora infeliz, ora de bem com a vida. E desta forma é praticamente impossível atingir a felicidade incondicional e o amor universal.
Por exemplo, quando acontece algo que vai contra a felicidade material, ou seja, quando ocorre algo que a mente julga como errado, injusto, mau, negativo, o raciocínio manda que fiquemos tristes, com raiva, contrariados e frustrados. E quando ocorre algo que satisfaz a felicidade material, ou seja, quando ocorre algo que a mente julga como certo, bom, justo, positivo, o raciocínio manda que fiquemos alegres, excitados e extasiados.
Se não estivermos atentos a isso vamos viver entre os extremos das polaridades do prazer e da dor. Quando a felicidade material for satisfeita vamos nos exaltar, enquanto que quando a felicidade material for insatisfeita vamos cair em depressão. E acredite, é assim que a maioria de nós vive, numa verdadeira montanha-russa sentimental, ora infeliz, ora de bem com a vida.
No universalismo nós falamos que os atos não importam, mas sim como nos relacionamos mentalmente e sentimentalmente diante deles. Isso é muito importante, pois estamos dizendo que é possível manter a felicidade incondicional, ou seja, vencer o prazer e dor, mesmo diante de atos individuais ou coletivos que o raciocínio julga como errados, injustos, maus e negativos, mas também diante dos atos que ele julga como certos, bons, justos e positivos.
Por exemplo, você fala algo que alguém não gosta e aparentemente fere esta pessoa. O raciocínio vai criar todas as condições para você sentir prazer ou dor diante do sofrimento gerado a outro ser humano. Se o raciocínio diz que esta pessoa não presta você vai sentir prazer ao ver que ela se sentiu ferida por você. Se o raciocínio diz que esta pessoa é querida você vai se sentir mal porque a feriu. Tudo isso criado pelo raciocínio. E se você acreditar neste processo mental, com certeza, vai se exaltar no prazer por ter conseguido ferir alguém ou vai cair em depressão por ter machucado.
Percebeu o problema de levar a sério os processos de raciocínio? Se você não quer viver numa montanha-russa sentimental, ora infeliz, ora de bem com a vida, o caminho é vencer os processos de raciocínio.
Vamos ao exemplo. Você fala algo que alguém não gosta e aparentemente fere esta pessoa. Você diz para si mesmo: ‘é, falei isso e ela não gostou… e daí? Porque eu preciso que todos gostem ou concordem comigo?’. O resultado disso pouco importa, porque sempre vai acontecer o que tiver que ocorrer. Se ela vai brigar com você, se você vai pedir desculpas, isso é irrelevante, pois o que realmente importa é você vencer o raciocínio que diz para você sentir prazer ou dor diante do ato. Se conseguir isso você atingirá a apatia, a neutralidade.
Mas o mesmo se aplica quando alguém fala algo que você não gosta e por isso você se sente ferido. Diga para si mesmo: ‘é, não gostei… e daí? Porque todos precisam concordar com o que eu penso? Se eu quero ter liberdade de ter minhas idéias, também preciso dar aos outros essa liberdade’. Também não importa a conseqüência disso. Você pode responder ou até discutir, pois vai acontecer o que tiver acontecer, mas vencendo o raciocínio que diz para você sentir prazer ou dor diante deste ato você vai estar em paz consigo mesmo, não importando o que acontecer.
Portanto, examine a sua vida. Verifique os processos mentais que criam motivos para você se exaltar no prazer e cair em depressão na dor. Perceba que a mente humana está sempre julgando tudo o que ocorre ao seu redor para ver se isso é certo, bom, justo, positivo ou errado, mau, injusto e negativo. Perceba que a mente humana está sempre criando justificativas para que você sinta prazer ou dor diante de determinado ato individual ou coletivo. Perceba que a mente humana está sempre julgando se você tem motivos para estar alegre ou triste.
Estar atento aos processos de raciocínio é primeiro passo para vencer a mente. Enquanto não fizermos isso não vamos atingir a apatia e neutralidade, mas sim vamos continuar vivendo numa verdadeira montanha-russa sentimental, ora infeliz, ora de bem com a vida. E desta forma é praticamente impossível atingir a felicidade incondicional e o amor universal.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
A teoria das cordas-Mantenha-se equilibrado e o Universo conspirará à seu favor.
No século XX, a ciência desenvolveu duas teorias que funcionam como pilares da física. A teoria geral da relatividade, criada por Albert Einstein, explica como a gravidade opera em grandes dimensões, em estrelas e galáxias. Por sua vez, a mecânica quântica explica como as leis da física operam no extremo oposto, nas subpartículas atômicas. O sonho de Einstein foi unificar as duas e achar uma única teoria, fundamental, a explicação de tudo.
"De acordo com a teoria, todas aquelas partículas que considerávamos como elementares, como os quarks e os elétrons, são na realidade filamentos unidimensionais vibrantes, a que os físicos deram o nome de cordas. Ao vibrarem as cordas originam as partículas subatômicas juntamente com as suas propriedades. Para cada partícula subatômica do universo, existe um padrão de vibração particular das cordas e são os diferentes padrões de vibração dessas cordas que determinam a natureza de diferentes tipos de subpartículas. O universo sendo composto por um número enorme dessas cordas vibrantes, assemelha-se a uma sinfonia cósmica."
A música sempre teve um papel fundamental na evolução da humanidade, fazendo parte da vida e dos costumes de todas as gerações dos seres humanos. Os registros deixados pela História, mostram a importância da música na religião, na política e no lazer.
Imagine rituais de povos antigos, como os Astecas, sem a música. Os cultos religiosos, seja qual for a crença, sem a música. O cinema, sem a trilha sonora, que é fundamental para exacerbar os sentimentos que a tela mostra. Tudo seria como se estivesse incompleto, morto. A música é viva! Ninguém nos ensina a escutar ou a reconhecer um ritmo, uma melodia, ela faz parte da natureza, ela simplismente é.
Amor, ódio, frustração, alegria, tristeza, alívio, a música é o sentimento humano, e por isso, a analogia dos cientistas é musical, primeiro pela similaridade do Universo, explicado pela teoria das cordas, com os termos e características musicais, segundo, pela fácil compreensão de qualquer indivíduo, seja qual for o nível cultural, acadêmico ou mental da pessoa, a música é comum à todos.
Acho que ainda não damos a devida atenção e respeito do poder de cura e informação real que a música tem. Creio que se dermos ouvidos ao que ela tem a nos dizer e a nos mostrar, seremos realmente capazes de resolver os grandes enigmas que ainda atormentam a cabeça dos humanos.
Ela nos ensina a ter ritmo, harmonia, organização, disciplina, a unir as pessoas. Através dela nós chegaremos a entender e a conhecer completamente à nós mesmos, o Universo e a nossa função nele, sem preconceitos e histórias alimentadas por nossa fértil imaginação.
O caminho direto à verdade.
"De acordo com a teoria, todas aquelas partículas que considerávamos como elementares, como os quarks e os elétrons, são na realidade filamentos unidimensionais vibrantes, a que os físicos deram o nome de cordas. Ao vibrarem as cordas originam as partículas subatômicas juntamente com as suas propriedades. Para cada partícula subatômica do universo, existe um padrão de vibração particular das cordas e são os diferentes padrões de vibração dessas cordas que determinam a natureza de diferentes tipos de subpartículas. O universo sendo composto por um número enorme dessas cordas vibrantes, assemelha-se a uma sinfonia cósmica."
A música sempre teve um papel fundamental na evolução da humanidade, fazendo parte da vida e dos costumes de todas as gerações dos seres humanos. Os registros deixados pela História, mostram a importância da música na religião, na política e no lazer.
Imagine rituais de povos antigos, como os Astecas, sem a música. Os cultos religiosos, seja qual for a crença, sem a música. O cinema, sem a trilha sonora, que é fundamental para exacerbar os sentimentos que a tela mostra. Tudo seria como se estivesse incompleto, morto. A música é viva! Ninguém nos ensina a escutar ou a reconhecer um ritmo, uma melodia, ela faz parte da natureza, ela simplismente é.
Amor, ódio, frustração, alegria, tristeza, alívio, a música é o sentimento humano, e por isso, a analogia dos cientistas é musical, primeiro pela similaridade do Universo, explicado pela teoria das cordas, com os termos e características musicais, segundo, pela fácil compreensão de qualquer indivíduo, seja qual for o nível cultural, acadêmico ou mental da pessoa, a música é comum à todos.
Acho que ainda não damos a devida atenção e respeito do poder de cura e informação real que a música tem. Creio que se dermos ouvidos ao que ela tem a nos dizer e a nos mostrar, seremos realmente capazes de resolver os grandes enigmas que ainda atormentam a cabeça dos humanos.
Ela nos ensina a ter ritmo, harmonia, organização, disciplina, a unir as pessoas. Através dela nós chegaremos a entender e a conhecer completamente à nós mesmos, o Universo e a nossa função nele, sem preconceitos e histórias alimentadas por nossa fértil imaginação.
O caminho direto à verdade.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Para os nossos filhos...
Para os nossos filhos contarem para os nossos netos:: Izabel Telles
O menino que não tinha televisão.
A primeira coisa que o menino via quando saía da escola era o chapéu do avô. Depois a grande mão de dedos finos abanando para ele.Chegando em casa, o almoço estava pronto. O menino lavava o rosto e todo o braço, desde os cotovelos. E sentava-se à mesa ao lado do avô.O avô fazia-lhe o prato perguntando com uma voz bem baixinha:- Está bom assim? Olhando para uma colher meio cheia de arroz. É o menino que sabe o tamanho da sua fome...E o menino fazia que sim com a cabeça, olhando para a travessa de batatas fritas. E gostava de ver seu reflexo na porta espelhada da cristaleira da sala de jantar. Era como se ele pudesse se ver dizendo sim a si próprio. Aprovando-se.O avô falava no intervalo das garfadas e da sua boca saíam rios caudalosos cortando matas selvagens, índios caçando onças pintadas, cachoeiras escorrendo pelas costas das montanhas.E o avô imitava, vez por outra, o pio da coruja.E o menino sorria confiante ao ver o bico que o avô fazia refletido no vidro espelhado da porta da cristaleira da sala de jantar. Aprovando-o.Na sobremesa, o avô caprichava na conversa e mostrava ao menino como os macacos comiam bananas. Direitinho. Pareciam humanos!E o menino se divertia ao ver o avô comendo banana como os macacos. E via os dois refletidos na porta espelhada. Unidos.Depois do almoço o avô deitava um pouco no sofá da sala. Punha o chapéu sobre o rosto para fazer de conta que era noite.E o menino corria para o quintal a plantar bananeira. E gostava de ver o mundo ao contrário. De pernas para o ar.Um dia, o avô não apareceu na escola. E não tinha almoço pronto na mesa.E o menino viu uma lágrima escorrer pelo seu rosto no vidro espelhado da porta da cristaleira.Só à noite ele saiu da mesa e foi para o quintal. Viu no céu uma estrela e deu a ela o nome do avô. E ela piscou prateada na escuridão do infinito.Depois que o sol foi e voltou muitas vezes, o menino deixou de se sentir tão só. E foi aí que reparou que o chapéu do avô estava em cima da cristaleira da sala de jantar.Foi só neste dia que o pai do menino disse que ele agora poderia ficar com o chapéu do avô.Mas só até o dia em que ele tivesse seu primeiro filho.Ai ele teria que ir buscá-lo na escola... muitas e muitas vezes!
O menino que não tinha televisão.
A primeira coisa que o menino via quando saía da escola era o chapéu do avô. Depois a grande mão de dedos finos abanando para ele.Chegando em casa, o almoço estava pronto. O menino lavava o rosto e todo o braço, desde os cotovelos. E sentava-se à mesa ao lado do avô.O avô fazia-lhe o prato perguntando com uma voz bem baixinha:- Está bom assim? Olhando para uma colher meio cheia de arroz. É o menino que sabe o tamanho da sua fome...E o menino fazia que sim com a cabeça, olhando para a travessa de batatas fritas. E gostava de ver seu reflexo na porta espelhada da cristaleira da sala de jantar. Era como se ele pudesse se ver dizendo sim a si próprio. Aprovando-se.O avô falava no intervalo das garfadas e da sua boca saíam rios caudalosos cortando matas selvagens, índios caçando onças pintadas, cachoeiras escorrendo pelas costas das montanhas.E o avô imitava, vez por outra, o pio da coruja.E o menino sorria confiante ao ver o bico que o avô fazia refletido no vidro espelhado da porta da cristaleira da sala de jantar. Aprovando-o.Na sobremesa, o avô caprichava na conversa e mostrava ao menino como os macacos comiam bananas. Direitinho. Pareciam humanos!E o menino se divertia ao ver o avô comendo banana como os macacos. E via os dois refletidos na porta espelhada. Unidos.Depois do almoço o avô deitava um pouco no sofá da sala. Punha o chapéu sobre o rosto para fazer de conta que era noite.E o menino corria para o quintal a plantar bananeira. E gostava de ver o mundo ao contrário. De pernas para o ar.Um dia, o avô não apareceu na escola. E não tinha almoço pronto na mesa.E o menino viu uma lágrima escorrer pelo seu rosto no vidro espelhado da porta da cristaleira.Só à noite ele saiu da mesa e foi para o quintal. Viu no céu uma estrela e deu a ela o nome do avô. E ela piscou prateada na escuridão do infinito.Depois que o sol foi e voltou muitas vezes, o menino deixou de se sentir tão só. E foi aí que reparou que o chapéu do avô estava em cima da cristaleira da sala de jantar.Foi só neste dia que o pai do menino disse que ele agora poderia ficar com o chapéu do avô.Mas só até o dia em que ele tivesse seu primeiro filho.Ai ele teria que ir buscá-lo na escola... muitas e muitas vezes!
sábado, 16 de maio de 2009
A GFB...mais uma visão.
Muito se tem falado sobre a Grande Fraternidade Branca, principalmente na cultura esotérica. Se digitarmos num site de busca, as palavras "fraternidade branca", abrem-se dezenas, se não centenas de sites que abordam assunto sobre fraternidade branca. Em alguns desses sites existe alguma verdade, em outros nenhuma. O que falam, o que dizem, são assuntos totalmente distorcidos que não se baseiam e nem coadunam com a verdade sobre a Grande Fraternidade Branca. Que se faça entender na luz da verdade:A Grande Fraternidade Branca, da qual faz parte a Grande Loja Branca, é uma fraternidade de inúmeros membros, de todos os paises do planeta. A Grande Fraternidade Branca sempre existiu e sempre existirá, para o bem da humanidade, embora jamais interfira e jamais interferirá na ordem da natureza, principalmente quando esta devolve uma resposta justa para o erro praticado pelo homem.Para um ser humano ingressar na Grande Fraternidade Branca, é necessário antes de qualquer pretensão, galgar por estudo e merecimento, através de diversos graus, cada um com sua denominação e seus sinais de reconhecimento, além de palavras secretas, de algumas ordens discretas, cujas palavras de passe, senhas e sinais, são apenas para se ter a certeza de que aquele membro está realmente naquele grau de estudo e evolução de conhecimento físico e espiritual. A grande Fraternidade Branca é composta de inúmeros irmãos, denominados "Irmãos de Branco".A Grande loja Branca, da Grande Fraternidade Branca, é composta de 44 membros, ou irmãos de branco, com residência em diversos paises. Esses membros são de diversas idades, estabelecidas pelo seu nascimento, não pela sua idade evolutiva cósmica espiritual. Um membro da Grande Fraternidade Branca é um ser humano comum. Pode ser um industrial, um funcionário público, um motorista caminhoneiro, um gari, um estudante, um intelectual etc. A idade cronológica perde sua importância nesse porém, por que o que vale é a idade espiritual do irmão. Hoje existem irmãos trabalhando na grande fraternidade branca, com idade cronológica de 18 anos, alguns inclusive são mestres atuando em lojas Rosacruz e outras mais específicas.Algumas perguntas básicas que são feitas, são: Os membros da Grande Fraternidade Branca se reconhecem entre si? Sim, desde que se lhe apresente o sinal secreto, que pode ser num simples aperto de mão, no olhar, no andar etc., e uma vez reconhecido esse membro, ainda carece de uma prova confirmatória de palavras e respostas. As reuniões da Grande Loja Branca se dão num plano invisível, de membros visíveis, nunca no mesmo lugar e em horário não pré estabelecido. Quando falece um irmão de branco, da Grande Loja branca, ou passa pela Grande Iniciação, logo um membro da Grande Fraternidade Branca é convocado para a cerimônia de iniciação à Grande Loja Branca, para que, sempre se componha o número de 44 irmãos.Se alguém disser que em tal lugar existe uma loja da Grande Fraternidade Branca, com certeza não estará falando a verdade, pois a Grande Loja Branca não está situada no plano terreno e nem num pré estabelecido plano cósmico.Como já disse anteriormente, as reuniões da Grande loja Branca são realizadas por Irmãos visíveis em uma Loja invisível, nunca no mesmo lugar cósmico e jamais no mesmo horário. Seu Mestre adjunto é o Venerável Mestre Kut Hu Mi, O Ilustre, de onde parte a convocação para as reuniões, nunca se sabendo antecipadamente o assunto nem o motivo da convocação. Após o termino da reunião, é feito o juramento de segredo. Jamais se soube do que se tratou um assunto de uma reunião da Grande Loja Branca.
terça-feira, 12 de maio de 2009
A Humildade.
A Humildade
A perspectiva para se abordar a questão da Humildade seja a de se ter como guia básico da ação perante a vida e aos outros uma atitude de igualdade (justiça=tsedaká ), principalmente não se julgando superior.
Em essência, não somos superiores aos outros.
Descendemos diretamente de uma única matriz, seja qual for o nome que se dê à mesma.
Alguns de nós chamamos esta matriz de Adam (que significa humanidade).
Somos todos Ben Adam (filhos do homem). Quero dizer, de modo mais amplo, somos todos da mesma fonte, então, a princípio, deveríamos nos comportar com humildade perante a todos.
Como saber quando não estamos sendo humildes? É simples, o mundo vai reagir.
Quando, nas circunstâncias da vida diária, certas situações nos levam a crer ou nos induzem a ter um comportamento que se distancia da humildade, ocorrem certos choques entre as pessoas, choques estes nada salutares para eles e para o mundo
Perguntaram ao Mestre Hillel como ele poderia resumir o que de fundamental havia nos escritos, mas no tempo suficiente em que o interlocutor pudesse ficar apoiado em uma perna.
O Sábio apenas disse:
- Não faças aos outros o que não quiseres que te façam, o restante é apenas comentário. Vá e siga teu caminho.
Com base nisso, derivamos que quando se age com soberba, sem ética, sem educação, com excessiva autoridade ou superioridade desmedida, está se infringindo um conceito muito peculiar. Nesta situação, o interlocutor se sentirá ofendido, mesmo sem demonstrar. Num segundo momento tentará provar para o agressor que este agiu de modo desproporcional, não tendo sabido usar a faculdade da humildade de forma apropriada.
Estas experiências surgem no caminho do buscador, naturalmente, e creio que quanto mais a pessoa se opõe a ter uma visão de mundo mais humanista, mais piedosa e mais justa, a própria vida se encarrega de trazer mais lições (cada vez mais amargas) para que a pessoa possa superar o desvio de conduta e se tornar mais humilde com os outros seres humanos.
Sem a humildade, o mundo não poderia sobreviver.
Se analisarmos as 10 sephirot ou manifestações do poder divino, veremos que chessed (bondade) equilibra guevurá (justiça); não há como o mundo sobreviver sem este equilíbrio, pois as conseqüências seriam catastróficas.
Agora analisando a questão de outro ponto de vista:
A humildade implica que a pessoa deveria estar em uma posição de constante aprendizado, ou seja, o verdadeiro buscador tem que se colocar numa posição humilde, como um receptáculo. Ainda trazendo uma analogia da cabalá, o recipiente cheio não consegue receber (lecabel) mais, tem que compartilhar a luz divina (Ein Sof) com os outros. Isto é, compartilhar para receber. Portanto, a analogia com o receptáculo nos leva a pensar nos conceitos de egoísmo versus humildade.
Creio que este é justamente o motivo de estarmos aqui, embora a verdade total nos seja velada neste mundo, mas temos coisas que estão bem ao nosso alcance, estas coisas que a vida claramente nos coloca de frente são as quais devemos trabalhar, como um ourives que não sabe por onde começar: começa a aperfeiçoar-se a sí próprio, depois ao mundo a seu redor.
A isto alguns chamam de Tikun Olam (aperfeiçoamento do mundo).
A perspectiva para se abordar a questão da Humildade seja a de se ter como guia básico da ação perante a vida e aos outros uma atitude de igualdade (justiça=tsedaká ), principalmente não se julgando superior.
Em essência, não somos superiores aos outros.
Descendemos diretamente de uma única matriz, seja qual for o nome que se dê à mesma.
Alguns de nós chamamos esta matriz de Adam (que significa humanidade).
Somos todos Ben Adam (filhos do homem). Quero dizer, de modo mais amplo, somos todos da mesma fonte, então, a princípio, deveríamos nos comportar com humildade perante a todos.
Como saber quando não estamos sendo humildes? É simples, o mundo vai reagir.
Quando, nas circunstâncias da vida diária, certas situações nos levam a crer ou nos induzem a ter um comportamento que se distancia da humildade, ocorrem certos choques entre as pessoas, choques estes nada salutares para eles e para o mundo
Perguntaram ao Mestre Hillel como ele poderia resumir o que de fundamental havia nos escritos, mas no tempo suficiente em que o interlocutor pudesse ficar apoiado em uma perna.
O Sábio apenas disse:
- Não faças aos outros o que não quiseres que te façam, o restante é apenas comentário. Vá e siga teu caminho.
Com base nisso, derivamos que quando se age com soberba, sem ética, sem educação, com excessiva autoridade ou superioridade desmedida, está se infringindo um conceito muito peculiar. Nesta situação, o interlocutor se sentirá ofendido, mesmo sem demonstrar. Num segundo momento tentará provar para o agressor que este agiu de modo desproporcional, não tendo sabido usar a faculdade da humildade de forma apropriada.
Estas experiências surgem no caminho do buscador, naturalmente, e creio que quanto mais a pessoa se opõe a ter uma visão de mundo mais humanista, mais piedosa e mais justa, a própria vida se encarrega de trazer mais lições (cada vez mais amargas) para que a pessoa possa superar o desvio de conduta e se tornar mais humilde com os outros seres humanos.
Sem a humildade, o mundo não poderia sobreviver.
Se analisarmos as 10 sephirot ou manifestações do poder divino, veremos que chessed (bondade) equilibra guevurá (justiça); não há como o mundo sobreviver sem este equilíbrio, pois as conseqüências seriam catastróficas.
Agora analisando a questão de outro ponto de vista:
A humildade implica que a pessoa deveria estar em uma posição de constante aprendizado, ou seja, o verdadeiro buscador tem que se colocar numa posição humilde, como um receptáculo. Ainda trazendo uma analogia da cabalá, o recipiente cheio não consegue receber (lecabel) mais, tem que compartilhar a luz divina (Ein Sof) com os outros. Isto é, compartilhar para receber. Portanto, a analogia com o receptáculo nos leva a pensar nos conceitos de egoísmo versus humildade.
Creio que este é justamente o motivo de estarmos aqui, embora a verdade total nos seja velada neste mundo, mas temos coisas que estão bem ao nosso alcance, estas coisas que a vida claramente nos coloca de frente são as quais devemos trabalhar, como um ourives que não sabe por onde começar: começa a aperfeiçoar-se a sí próprio, depois ao mundo a seu redor.
A isto alguns chamam de Tikun Olam (aperfeiçoamento do mundo).
segunda-feira, 11 de maio de 2009
O Zohar conforme minha visão-Vania Vieira.
O Zohar
O Sefer ha-Zohar - o Livro do Esplendor - É, sem sombra de dúvida, a obra principal e mais sagrada da Cabalá, a dimensão mística do judaísmo. Fonte inesgotável de sabedoria e conhecimento, seus ensinamentos e revelações se equiparam, em importância, aos da Torá e do Talmud.
De autoria do grande Rabi Shimon bar Yochai, o Zohar permanece inacessível até os dias de hoje para a grande maioria dos que tentam transpor o mistério que encerra.
Quem sabe se por esta razão, ou apesar desta, nenhuma outra obra mística jamais despertou tanta curiosidade e exerceu tão grande influência
O Zohar é a coluna vertebral da Cabalá, também chamada de Chochmat ha-Emet - a Sabedoria da Verdade. Na língua hebraica, Cabalá significa "recebimento" ou "o que foi recebido". Por ser parte integral da Torá, tem origem e natureza Divina. Apesar de seus ensinamentos terem sido transmitidos a Adão e aos patriarcas do povo judeu, foi Moisés quem os recebeu diretamente de D'us durante a Revelação no Monte Sinai e os instituiu formalmente como parte da história do povo de Israel. Desde então, esta sabedoria mística vem sendo repassada de geração em geração para uns poucos escolhidos entre os líderes espirituais.
Chamados de nistarim (literalmente "os ocultos"), os primeiros cabalistas preservaram zelosamente esses ensinamentos, transmitindo- os oralmente às gerações seguintes. Somente no século II da era comum, surgiria no seio de Israel um homem que possuía os dons espirituais e intelectuais que lhe permitiram dar forma a essa sabedoria milenar. Seu nome era Rabi Shimon bar Yochai, uma das personalidades mais reverenciadas na história judaica. A ele coube o zechut, o honroso mérito de revelar a Luz Divina em todo a sua majestade e esplendor.
Grande líder e um dos maiores sábios talmúdicos, Rabi Shimon viveu em uma época muito conturbada. Durante sua geração, Israel penava sob o jugo romano, tendo que se sujeitar à proibição do estudo da Torá, esta apenas uma entre as inúmeras imposições de Roma. A gravidade da situação levou os mestres da Lei a adotarem medidas excepcionais. Preocupados que a perseguição e a dispersão dos judeus pudessem resultar na perda parcial dos ensinamentos da Torá Oral, os sábios deram seu consentimento para que os fundamentos de seu conteúdo fossem transcritos.
Portanto, o Talmud, seus comentários, o Midrash e os ensinamentos cabalísticos começaram a ser compilados e escritos. E foi Rabi Shimon bar Yochai quem estruturou a tradição mística através do Zohar.
No entanto, havia um grande problema na transcrição dos segredos da Cabalá. Os sábios temiam que pessoas sem preparo espiritual tivessem acesso aos segredos da Criação e do Universo. Para evitar que isso acontecesse, O Livro do Esplendor foi escrito de forma praticamente indecifrável para os não iniciados. E a primeira condição para se fazer parte desse grupo pequeno e seleto era possuir um vasto e profundo conhecimento sobre a Torá e sobre a tradição cabalística.
Livro fechado
O Sefer ha'Zohar é um livro fechado e as chaves para sua compreensão permanecem em mãos de um número reduzido de sábios. Esta obra pode ser comparada a um sistema codificado, de extrema complexidade, que esconde tesouros inestimáveis. Rabi Shimon era um daqueles seres pertencentes a um plano espiritual tão elevado que, entre os que estudam a sua obra, são poucos os que conseguem assimilar parte de seus ensinamentos. Não obstante, mesmo com apenas um pouco desse conhecimento, constroem-se montanhas de sabedoria.
Como vimos, para os não iniciados, o Zohar é misterioso e praticamente impenetrável. As dificuldades de compreensão estão presentes em quase todos os níveis da obra. Além da insondável profundidade de seus preceitos, seu estilo literário peculiar e sua dialética dificultam a compreensão. Seus textos, escritos em hebraico ou em aramaico antigo, estão "codificados" , impossibilitando, assim, que pessoas leigas entendam seu significado. Imagens simbólicas são usadas no lugar de uma terminologia racional e tópicos independentes são tratados em conjunto, colocando lado a lado assuntos aparentemente sem relação entre si.
Muitas das passagens do Zohar são compostas por combinações de alusões fragmentadas, que somente podem ser conectadas por associações secretas. Mas, na realidade, as conexões existem e são bastante claras para aqueles que entendem seu simbolismo e significado. Um sábio familiarizado com os segredos místicos da Torá entende perfeitamente seu conteúdo, seu estilo e sua estrutura aparentemente ilógica. Se para os não iniciados muitos de seus ensinamentos carecem de significado, estes mesmos preceitos são, para os que podem decifrá-los, a chave para desvendar os maiores e mais profundos segredos da existência e do universo.
Apesar de terem sido traduzidos para o hebraico moderno e para outros idiomas, os verdadeiros ensinamentos do Sefer ha-Zohar continuam sendo praticamente incompreensíveis. Mesmo para a maioria dos eruditos na Torá, o Livro do Esplendor continua sendo um enigma. O Talmud e outras obras da lei judaica são acessíveis e compreensíveis; não apenas é permitido o seu estudo, como também é incentivado e é uma obrigação colocar-se em prática os seus ensinamentos. Já o Zohar continua além do alcance intelectual e espiritual da maioria dos judeus - pelo menos por enquanto. Grandes cabalistas sempre alertaram que o privilégio de estudar e entender esta obra era reservado para muito poucos.
O cuidado e o resguardo em relação ao Zohar sempre foram impostos com o propósito de preservar não só a obra, mas também a alma daqueles que se aventurassem a estudá-la. Temia-se que seus ensinamentos e revelações pudessem ser mal interpretados ou usados de forma inadequada. Infelizmente, esses temores se confirmaram no decorrer da história. Houve vários casos de indivíduos e até mesmo de grupos que, após mergulharem nas águas do misticismo judaico sem o preparo adequado, acabaram por se perder.
Ainda mais grave: seus ensinamentos místicos foram utilizados por falsos messias e distorcidos por místicos e por adeptos da ciência do ocultismo. Os resultados foram catastróficos. Por isso, cabe alertar o leitor que o estudo do Zohar e da Cabalá somente deve ser conduzido na companhia de um professor que, além de instruído, tenha atingido um equilíbrio espiritual e mental.
Seu conteúdo
O Zohar é fonte de inspiração e sabedoria para os iniciados que ousam adentrar seus segredos. Seus principais focos são a teosofia - a interação das sefirot e seus mistérios, a conduta humana e o destino dos seres humanos neste mundo bem como no mundo das almas. São raras as ocasiões em que discute de forma explícita a meditação ou a experiência mística.
Ao penetrar na superfície literal da Torá, O Livro do Esplendor revela as profundezas místicas de suas histórias, leis e segredos. Transforma a narrativa bíblica em uma "biografia de D'us". Toda a Torá é lida como permutações de Nomes Divinos. Cada uma de suas palavras ou de suas mitzvot simbolizam algum aspecto das sefirot - que representam as maneiras pelas quais D'us interage com Sua Criação. O Zohar revela que o real significado da Torá reside em sua parte oculta - chamada de nistar - e em seus segredos místicos.
Mas esta obra grandiosa não trata apenas de assuntos esotéricos e místicos. Não há uma única preocupação sobre a existência humana que permaneça intocada em suas páginas. Apesar da aura de mistério que a cerca, muitos de seus ensinamentos têm servido de guia para várias gerações. De um lado, o Zohar se aprofunda nos maravilhosos mistérios da alma e do Criador; do outro, aborda assuntos como o poder do mal e a necromancia. Nele encontram-se visões da Redenção Messiânica, assim como soluções para as complexas relações entre seres humanos e os problemas de seu cotidiano.
Alicerçado principalmente na Torá, o Zohar é uma obra imensa, dividida em três trabalhos principais que são, por sua vez, subdivididos em outros segmentos. Trata-se principalmente de uma exegese - uma dissertação de homilias - e suas idéias emergem através de comentários e discursos. Nele estão as interpretações místicas e os comentários das sidrot - as leituras semanais da Torá.
A obra não se restringe aos Cinco Livros de Moisés; também aborda outros livros da Torá, inclusive o Cântico dos Cânticos, o Livro de Ruth e as Lamentações. Não cabe enfatizar em demasia que a Cabalá é a parte secreta da Torá e, portanto, não poderia ser estudada ou seguida à parte da Torá revelada. Acreditar ou estudar a Cabalá sem o respaldo da Torá Escrita e Oral é, no mínimo, incongruente, pois não há um único trabalho cabalístico que não contenha citações dos 24 livros da Torá Escrita, do Talmud e do Midrash.
Assim como o Talmud, o Zohar cobre todas as manifestações do espírito judaico. Porém, enquanto o primeiro é essencialmente uma obra sobre a Lei Judaica, com pitadas de misticismo, o segundo é principalmente um trabalho místico que aborda e elabora sobre algumas leis do Torá. O Zohar descreve a realidade esotérica subjacente à experiência cotidiana. Nele, temas e histórias, tópicos legais e assuntos litúrgicos são vistos e expostos através de uma interpretação mística.
Um breve histórico
Os ensinamentos da Cabalá começaram a assumir uma forma estruturada através do Livro do Esplendor, de Rabi Shimon bar Yochai. Segundo o Talmud, após ter fugido das autoridades romanas que queriam matá-lo, Rabi Shimon e seu filho, Rabi Elazar, esconderam-se em uma caverna nas montanhas da Galiléia. Pai e filho lá permaneceram durante treze anos, dedicando-se completamente ao estudo da Torá. Certamente Rabi Shimon já havia sido exposto aos ensinamentos místicos judaicos.
Mas, enquanto estavam na caverna, ele e seu filho foram visitados pelas almas de Moisés e do profeta Eliahu, que lhes revelaram muitos outros preceitos cabalísticos. É possível que outros sábios, antes e depois dele, também tenham tido os dons intelectuais e espirituais para transmitir os ensinamentos da Cabalá. Mas foi Rabi Shimon, devido à sua luz, à pureza de sua alma e aos seus méritos, o escolhido por D'us para fazê-lo.
Como atesta a própria obra, coube a Rabi Abba, um dos alunos de Rabi Shimon, a tarefa de registrar por escrito os ensinamentos de seu mestre. Parte do Zohar não foi transcrita na época; foi preservada e transmitida de forma oral pelos discípulos de Rabi Shimon, conhecidos como "a Chevraiá".
Mas apesar de transcrito, ainda não havia chegado a hora de ser divulgado o seu conteúdo. Segundo a tradição, seus manuscritos originais ficaram escondidos durante mil anos e foram descobertos apenas no século XIII. Durante as décadas de 1270 e 1280, estes manuscritos ficaram restritos a círculos cabalistas. Finalmente, chegaram às mãos de um místico judeu espanhol, Rabi Moshe de Leon (1238-1305), que os editou e publicou na década de 1290.
Por que teria essa obra magna sido permanecida escondida por tanto tempo? O próprio Livro do Esplendor revela a razão ao afirmar que sua sabedoria e luz seriam reveladas como preparação para a Redenção Final, que deveria ocorrer 1.200 anos após a destruição do Templo Sagrado. E é exatamente o que aconteceu! O Grande Templo de Jerusalém foi destruído no ano 70 da e.C., o que significa que, segundo as previsões do Zohar, seu conteúdo deveria ser revelado no ano de 1270.
O estudo da Cabalá floresceu na Espanha e na Provença, mas até a expulsão dos judeus da Península Ibérica, o Zohar só era conhecido no meio de restritos círculos de sábios e cabalistas. Após a expulsão, ele emerge desses círculos e passa a exercer uma grande influência sobre os judeus sefaraditas. Perseguidos e expulsos, os judeus da Espanha encontraram em seus ensinamentos sobre a Redenção Messiânica uma grande fonte de conforto e esperança e tanto a obra como seu autor passaram a ser reverenciados por eles. Até hoje, o Zohar está presente no dia-a-dia dos judeus dessa origem, pois seus ensinamentos moldaram grande parte de suas tradições e seus costumes religiosos.
Muitos dos cabalistas forçados a sair da Península Ibérica se estabeleceram na cidade sagrada de Safed, em Israel, que se tornou um centro de estudos místicos. Em Safed, o Sefer ha'Zohar serviu de base para os ensinamentos de dois dos maiores cabalistas - ambos sefaraditas - da era moderna: Rabi Moshe Cordovero (falecido em 1570), conhecido como o Ramak; e o grande Rabi Yitzhak Luria (1534-1572), o Arizal.
Foi em Safed que o Arizal transmitiu seus conhecimentos sobre o Livro do Esplendor e a Cabalá. Desenvolveu um novo sistema para a compreensão de seus mistérios, chamado de Método Luriânico. Seus ensinamentos são reconhecidos como a autoridade máxima da Cabalá, tendo sido estudados pelas gerações de cabalistas que o seguiram. A partir de seus ensinamentos, a Cabalá se tornou mais acessível e passou a ser disseminada por sábios e místicos judeus. O próprio Arizal afirmara que havia chegado a era na qual não só seria permitido revelar a sabedoria da Cabalá, mas tornar-se-ia uma obrigação fazê-lo.
Mas, foi na primeira metade do século XVIII, com o surgimento do chassidismo - como passou a ser chamado o movimento iniciado no leste da Europa pelo Rabi Baal Shem Tov - que a Cabalá que fora ensinada pelo Arizal passou a atingir um número ainda maior de judeus. A principal contribuição do chassidismo foi sua adaptação da doutrina da Cabalá a uma linguagem cotidiana e de fácil compreensão. Desta maneira, a profunda sabedoria de Rabi Shimon bar Yochai passou a influenciar as massas de judeus asquenazitas do leste Europeu. Com a expansão do chassidismo os ensinamentos do Zohar passaram a influenciar um número cada vez maior de judeus.
A santidade da obra
Chamada também de Ha'Zohar ha-Kadosh - O Sagrado Zohar - esta obra é envolta por uma aura de suprema santidade. Sua natureza misteriosa e seu conteúdo inacessível só acrescentaram reverência ao respeito que provoca entre judeus e não-judeus.
Como vimos anteriormente, o Zohar é a suprema autoridade no campo do misticismo judaico, é a face mística da Revelação Divina manifestada por meio da Torá. Em termos de santidade, o Zohar foi posto em um nível ainda maior do que o Talmud, pois enquanto as leis deste último representam o corpo da Torá, os mistérios do Zohar representam sua alma. Mas, o Livro do Esplendor nunca se opõe à autoridade do Talmud nem às suas leis. Assim como alma e corpo são interdependentes; apenas quando unidos e em harmonia podem proporcionar ao homem uma vida significativa. Da mesma forma, o Zohar e o Talmud não podem cumprir sua missão, nem sobreviver de forma separada e sem uma mútua interligação.
O Zohar tem sido aceito por todo o povo judeu, independentemente de seu passado e tradições. Embora apenas um número limitado de judeus o tenha estudado de fato, continua a influenciar de maneiras que sequer podem ser imaginadas. Uma história do Baal Shem Tov revela o amor dos chassidim pelo Zohar e é também um exemplo de sua santidade e poder.
Sabe-se que o Baal Shem Tov sempre levava uma cópia desta obra com ele, sendo capaz de realizar milagres e prever o futuro através da força espiritual do livro. Um dia lhe perguntaram como tinha sido capaz de, simplesmente olhando para o Zohar, descrever os passos de um homem que havia desaparecido.
E ele respondeu com uma citação do Talmud: "A luz que D'us fez em seis dias de Criação permitiria ao homem enxergar de um lado do mundo para o outro, mas esta luz tem sido guardada para os justos no Mundo Vindouro". E onde está esta luz guardada", perguntou o Baal Shem Tov, respondendo ele próprio: "Na Torá. Então, quando eu abro o Zohar, eu posso ver o mundo todo".
O Sefer ha-Zohar - o Livro do Esplendor - É, sem sombra de dúvida, a obra principal e mais sagrada da Cabalá, a dimensão mística do judaísmo. Fonte inesgotável de sabedoria e conhecimento, seus ensinamentos e revelações se equiparam, em importância, aos da Torá e do Talmud.
De autoria do grande Rabi Shimon bar Yochai, o Zohar permanece inacessível até os dias de hoje para a grande maioria dos que tentam transpor o mistério que encerra.
Quem sabe se por esta razão, ou apesar desta, nenhuma outra obra mística jamais despertou tanta curiosidade e exerceu tão grande influência
O Zohar é a coluna vertebral da Cabalá, também chamada de Chochmat ha-Emet - a Sabedoria da Verdade. Na língua hebraica, Cabalá significa "recebimento" ou "o que foi recebido". Por ser parte integral da Torá, tem origem e natureza Divina. Apesar de seus ensinamentos terem sido transmitidos a Adão e aos patriarcas do povo judeu, foi Moisés quem os recebeu diretamente de D'us durante a Revelação no Monte Sinai e os instituiu formalmente como parte da história do povo de Israel. Desde então, esta sabedoria mística vem sendo repassada de geração em geração para uns poucos escolhidos entre os líderes espirituais.
Chamados de nistarim (literalmente "os ocultos"), os primeiros cabalistas preservaram zelosamente esses ensinamentos, transmitindo- os oralmente às gerações seguintes. Somente no século II da era comum, surgiria no seio de Israel um homem que possuía os dons espirituais e intelectuais que lhe permitiram dar forma a essa sabedoria milenar. Seu nome era Rabi Shimon bar Yochai, uma das personalidades mais reverenciadas na história judaica. A ele coube o zechut, o honroso mérito de revelar a Luz Divina em todo a sua majestade e esplendor.
Grande líder e um dos maiores sábios talmúdicos, Rabi Shimon viveu em uma época muito conturbada. Durante sua geração, Israel penava sob o jugo romano, tendo que se sujeitar à proibição do estudo da Torá, esta apenas uma entre as inúmeras imposições de Roma. A gravidade da situação levou os mestres da Lei a adotarem medidas excepcionais. Preocupados que a perseguição e a dispersão dos judeus pudessem resultar na perda parcial dos ensinamentos da Torá Oral, os sábios deram seu consentimento para que os fundamentos de seu conteúdo fossem transcritos.
Portanto, o Talmud, seus comentários, o Midrash e os ensinamentos cabalísticos começaram a ser compilados e escritos. E foi Rabi Shimon bar Yochai quem estruturou a tradição mística através do Zohar.
No entanto, havia um grande problema na transcrição dos segredos da Cabalá. Os sábios temiam que pessoas sem preparo espiritual tivessem acesso aos segredos da Criação e do Universo. Para evitar que isso acontecesse, O Livro do Esplendor foi escrito de forma praticamente indecifrável para os não iniciados. E a primeira condição para se fazer parte desse grupo pequeno e seleto era possuir um vasto e profundo conhecimento sobre a Torá e sobre a tradição cabalística.
Livro fechado
O Sefer ha'Zohar é um livro fechado e as chaves para sua compreensão permanecem em mãos de um número reduzido de sábios. Esta obra pode ser comparada a um sistema codificado, de extrema complexidade, que esconde tesouros inestimáveis. Rabi Shimon era um daqueles seres pertencentes a um plano espiritual tão elevado que, entre os que estudam a sua obra, são poucos os que conseguem assimilar parte de seus ensinamentos. Não obstante, mesmo com apenas um pouco desse conhecimento, constroem-se montanhas de sabedoria.
Como vimos, para os não iniciados, o Zohar é misterioso e praticamente impenetrável. As dificuldades de compreensão estão presentes em quase todos os níveis da obra. Além da insondável profundidade de seus preceitos, seu estilo literário peculiar e sua dialética dificultam a compreensão. Seus textos, escritos em hebraico ou em aramaico antigo, estão "codificados" , impossibilitando, assim, que pessoas leigas entendam seu significado. Imagens simbólicas são usadas no lugar de uma terminologia racional e tópicos independentes são tratados em conjunto, colocando lado a lado assuntos aparentemente sem relação entre si.
Muitas das passagens do Zohar são compostas por combinações de alusões fragmentadas, que somente podem ser conectadas por associações secretas. Mas, na realidade, as conexões existem e são bastante claras para aqueles que entendem seu simbolismo e significado. Um sábio familiarizado com os segredos místicos da Torá entende perfeitamente seu conteúdo, seu estilo e sua estrutura aparentemente ilógica. Se para os não iniciados muitos de seus ensinamentos carecem de significado, estes mesmos preceitos são, para os que podem decifrá-los, a chave para desvendar os maiores e mais profundos segredos da existência e do universo.
Apesar de terem sido traduzidos para o hebraico moderno e para outros idiomas, os verdadeiros ensinamentos do Sefer ha-Zohar continuam sendo praticamente incompreensíveis. Mesmo para a maioria dos eruditos na Torá, o Livro do Esplendor continua sendo um enigma. O Talmud e outras obras da lei judaica são acessíveis e compreensíveis; não apenas é permitido o seu estudo, como também é incentivado e é uma obrigação colocar-se em prática os seus ensinamentos. Já o Zohar continua além do alcance intelectual e espiritual da maioria dos judeus - pelo menos por enquanto. Grandes cabalistas sempre alertaram que o privilégio de estudar e entender esta obra era reservado para muito poucos.
O cuidado e o resguardo em relação ao Zohar sempre foram impostos com o propósito de preservar não só a obra, mas também a alma daqueles que se aventurassem a estudá-la. Temia-se que seus ensinamentos e revelações pudessem ser mal interpretados ou usados de forma inadequada. Infelizmente, esses temores se confirmaram no decorrer da história. Houve vários casos de indivíduos e até mesmo de grupos que, após mergulharem nas águas do misticismo judaico sem o preparo adequado, acabaram por se perder.
Ainda mais grave: seus ensinamentos místicos foram utilizados por falsos messias e distorcidos por místicos e por adeptos da ciência do ocultismo. Os resultados foram catastróficos. Por isso, cabe alertar o leitor que o estudo do Zohar e da Cabalá somente deve ser conduzido na companhia de um professor que, além de instruído, tenha atingido um equilíbrio espiritual e mental.
Seu conteúdo
O Zohar é fonte de inspiração e sabedoria para os iniciados que ousam adentrar seus segredos. Seus principais focos são a teosofia - a interação das sefirot e seus mistérios, a conduta humana e o destino dos seres humanos neste mundo bem como no mundo das almas. São raras as ocasiões em que discute de forma explícita a meditação ou a experiência mística.
Ao penetrar na superfície literal da Torá, O Livro do Esplendor revela as profundezas místicas de suas histórias, leis e segredos. Transforma a narrativa bíblica em uma "biografia de D'us". Toda a Torá é lida como permutações de Nomes Divinos. Cada uma de suas palavras ou de suas mitzvot simbolizam algum aspecto das sefirot - que representam as maneiras pelas quais D'us interage com Sua Criação. O Zohar revela que o real significado da Torá reside em sua parte oculta - chamada de nistar - e em seus segredos místicos.
Mas esta obra grandiosa não trata apenas de assuntos esotéricos e místicos. Não há uma única preocupação sobre a existência humana que permaneça intocada em suas páginas. Apesar da aura de mistério que a cerca, muitos de seus ensinamentos têm servido de guia para várias gerações. De um lado, o Zohar se aprofunda nos maravilhosos mistérios da alma e do Criador; do outro, aborda assuntos como o poder do mal e a necromancia. Nele encontram-se visões da Redenção Messiânica, assim como soluções para as complexas relações entre seres humanos e os problemas de seu cotidiano.
Alicerçado principalmente na Torá, o Zohar é uma obra imensa, dividida em três trabalhos principais que são, por sua vez, subdivididos em outros segmentos. Trata-se principalmente de uma exegese - uma dissertação de homilias - e suas idéias emergem através de comentários e discursos. Nele estão as interpretações místicas e os comentários das sidrot - as leituras semanais da Torá.
A obra não se restringe aos Cinco Livros de Moisés; também aborda outros livros da Torá, inclusive o Cântico dos Cânticos, o Livro de Ruth e as Lamentações. Não cabe enfatizar em demasia que a Cabalá é a parte secreta da Torá e, portanto, não poderia ser estudada ou seguida à parte da Torá revelada. Acreditar ou estudar a Cabalá sem o respaldo da Torá Escrita e Oral é, no mínimo, incongruente, pois não há um único trabalho cabalístico que não contenha citações dos 24 livros da Torá Escrita, do Talmud e do Midrash.
Assim como o Talmud, o Zohar cobre todas as manifestações do espírito judaico. Porém, enquanto o primeiro é essencialmente uma obra sobre a Lei Judaica, com pitadas de misticismo, o segundo é principalmente um trabalho místico que aborda e elabora sobre algumas leis do Torá. O Zohar descreve a realidade esotérica subjacente à experiência cotidiana. Nele, temas e histórias, tópicos legais e assuntos litúrgicos são vistos e expostos através de uma interpretação mística.
Um breve histórico
Os ensinamentos da Cabalá começaram a assumir uma forma estruturada através do Livro do Esplendor, de Rabi Shimon bar Yochai. Segundo o Talmud, após ter fugido das autoridades romanas que queriam matá-lo, Rabi Shimon e seu filho, Rabi Elazar, esconderam-se em uma caverna nas montanhas da Galiléia. Pai e filho lá permaneceram durante treze anos, dedicando-se completamente ao estudo da Torá. Certamente Rabi Shimon já havia sido exposto aos ensinamentos místicos judaicos.
Mas, enquanto estavam na caverna, ele e seu filho foram visitados pelas almas de Moisés e do profeta Eliahu, que lhes revelaram muitos outros preceitos cabalísticos. É possível que outros sábios, antes e depois dele, também tenham tido os dons intelectuais e espirituais para transmitir os ensinamentos da Cabalá. Mas foi Rabi Shimon, devido à sua luz, à pureza de sua alma e aos seus méritos, o escolhido por D'us para fazê-lo.
Como atesta a própria obra, coube a Rabi Abba, um dos alunos de Rabi Shimon, a tarefa de registrar por escrito os ensinamentos de seu mestre. Parte do Zohar não foi transcrita na época; foi preservada e transmitida de forma oral pelos discípulos de Rabi Shimon, conhecidos como "a Chevraiá".
Mas apesar de transcrito, ainda não havia chegado a hora de ser divulgado o seu conteúdo. Segundo a tradição, seus manuscritos originais ficaram escondidos durante mil anos e foram descobertos apenas no século XIII. Durante as décadas de 1270 e 1280, estes manuscritos ficaram restritos a círculos cabalistas. Finalmente, chegaram às mãos de um místico judeu espanhol, Rabi Moshe de Leon (1238-1305), que os editou e publicou na década de 1290.
Por que teria essa obra magna sido permanecida escondida por tanto tempo? O próprio Livro do Esplendor revela a razão ao afirmar que sua sabedoria e luz seriam reveladas como preparação para a Redenção Final, que deveria ocorrer 1.200 anos após a destruição do Templo Sagrado. E é exatamente o que aconteceu! O Grande Templo de Jerusalém foi destruído no ano 70 da e.C., o que significa que, segundo as previsões do Zohar, seu conteúdo deveria ser revelado no ano de 1270.
O estudo da Cabalá floresceu na Espanha e na Provença, mas até a expulsão dos judeus da Península Ibérica, o Zohar só era conhecido no meio de restritos círculos de sábios e cabalistas. Após a expulsão, ele emerge desses círculos e passa a exercer uma grande influência sobre os judeus sefaraditas. Perseguidos e expulsos, os judeus da Espanha encontraram em seus ensinamentos sobre a Redenção Messiânica uma grande fonte de conforto e esperança e tanto a obra como seu autor passaram a ser reverenciados por eles. Até hoje, o Zohar está presente no dia-a-dia dos judeus dessa origem, pois seus ensinamentos moldaram grande parte de suas tradições e seus costumes religiosos.
Muitos dos cabalistas forçados a sair da Península Ibérica se estabeleceram na cidade sagrada de Safed, em Israel, que se tornou um centro de estudos místicos. Em Safed, o Sefer ha'Zohar serviu de base para os ensinamentos de dois dos maiores cabalistas - ambos sefaraditas - da era moderna: Rabi Moshe Cordovero (falecido em 1570), conhecido como o Ramak; e o grande Rabi Yitzhak Luria (1534-1572), o Arizal.
Foi em Safed que o Arizal transmitiu seus conhecimentos sobre o Livro do Esplendor e a Cabalá. Desenvolveu um novo sistema para a compreensão de seus mistérios, chamado de Método Luriânico. Seus ensinamentos são reconhecidos como a autoridade máxima da Cabalá, tendo sido estudados pelas gerações de cabalistas que o seguiram. A partir de seus ensinamentos, a Cabalá se tornou mais acessível e passou a ser disseminada por sábios e místicos judeus. O próprio Arizal afirmara que havia chegado a era na qual não só seria permitido revelar a sabedoria da Cabalá, mas tornar-se-ia uma obrigação fazê-lo.
Mas, foi na primeira metade do século XVIII, com o surgimento do chassidismo - como passou a ser chamado o movimento iniciado no leste da Europa pelo Rabi Baal Shem Tov - que a Cabalá que fora ensinada pelo Arizal passou a atingir um número ainda maior de judeus. A principal contribuição do chassidismo foi sua adaptação da doutrina da Cabalá a uma linguagem cotidiana e de fácil compreensão. Desta maneira, a profunda sabedoria de Rabi Shimon bar Yochai passou a influenciar as massas de judeus asquenazitas do leste Europeu. Com a expansão do chassidismo os ensinamentos do Zohar passaram a influenciar um número cada vez maior de judeus.
A santidade da obra
Chamada também de Ha'Zohar ha-Kadosh - O Sagrado Zohar - esta obra é envolta por uma aura de suprema santidade. Sua natureza misteriosa e seu conteúdo inacessível só acrescentaram reverência ao respeito que provoca entre judeus e não-judeus.
Como vimos anteriormente, o Zohar é a suprema autoridade no campo do misticismo judaico, é a face mística da Revelação Divina manifestada por meio da Torá. Em termos de santidade, o Zohar foi posto em um nível ainda maior do que o Talmud, pois enquanto as leis deste último representam o corpo da Torá, os mistérios do Zohar representam sua alma. Mas, o Livro do Esplendor nunca se opõe à autoridade do Talmud nem às suas leis. Assim como alma e corpo são interdependentes; apenas quando unidos e em harmonia podem proporcionar ao homem uma vida significativa. Da mesma forma, o Zohar e o Talmud não podem cumprir sua missão, nem sobreviver de forma separada e sem uma mútua interligação.
O Zohar tem sido aceito por todo o povo judeu, independentemente de seu passado e tradições. Embora apenas um número limitado de judeus o tenha estudado de fato, continua a influenciar de maneiras que sequer podem ser imaginadas. Uma história do Baal Shem Tov revela o amor dos chassidim pelo Zohar e é também um exemplo de sua santidade e poder.
Sabe-se que o Baal Shem Tov sempre levava uma cópia desta obra com ele, sendo capaz de realizar milagres e prever o futuro através da força espiritual do livro. Um dia lhe perguntaram como tinha sido capaz de, simplesmente olhando para o Zohar, descrever os passos de um homem que havia desaparecido.
E ele respondeu com uma citação do Talmud: "A luz que D'us fez em seis dias de Criação permitiria ao homem enxergar de um lado do mundo para o outro, mas esta luz tem sido guardada para os justos no Mundo Vindouro". E onde está esta luz guardada", perguntou o Baal Shem Tov, respondendo ele próprio: "Na Torá. Então, quando eu abro o Zohar, eu posso ver o mundo todo".
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Guerras?...Por TUDO!!! Vania Vieira
Guerras ???Por TUDO!!!Vania Vieira
Na ânsia de compreendermos o que está acontecendo no mundo, derramando tentáculos das crises e conflitos em todas as areas da existência terrestre, pessoas têm recorrido à teoria de Samuel Huntington de que os conflitos deste século XXI serão conflitos entre civilizações. A teoria que foi logo simplificada para “guerra de religiões”. GUERRAS DE RELIGIÃO?
Estes acontecimentos ressuscitaram a inquietante pergunta acerca da relação entre violência, guerras e religiões. Seriam elas fator de paz ou contribuiriam para agravar tensões e conflitos, com um componente explosivo, pois falam em nome de Deus e trabalham com a noção de absoluto inclusive ético?
Este clichê, “guerra de religiões”, passou então a ser usado como chave de leitura para muitos outros conflitos contemporâneos.
O da Irlanda do Norte, por exemplo, em que distritos de maioria católica desejam separar-se dos outros de maioria protestante e juntar-se à República da Irlanda, vem sendo descrito como uma guerra entre “protestantes e católicos”.
O choque “palestino-israelense”, por conta das terras palestinas ocupadas pelo Estado de Israel, a partir de 1948 e sobretudo depois da guerra dos seis dias, em junho de 1967; por conta de 4,5 milhões de refugiados palestinos, com direito a retornarem ao território de onde foram expulsos; por conta das quase trezentas colônias judaicas implantadas ilegalmente nas escassas terras palestinas; por conta da difícil repartição da água, bem essencial, escasso e mais caro do que o petróleo na região; por conta do impasse sobre Jerusalém, cidade santa para judeus, cristãos e muçulmanos; por conta enfim da terrível violência mútua, onde o terrorismo virou uma arma contra civis israelenses, reprimido, por sua vez, com inaudita violência, num verdadeiro terrorismo de Estado, por parte de Israel, tudo isso, é simplificadamente descrito como um embate entre “judeus” e “muçulmanos”.
Na atual guerra de desgaste entre Índia e Paquistão, pela posse do Cashemira, região de maioria muçulmana mas sob administração da Índia, numa parte; do Paquistão noutra, e da China, numa terceira, os oponentes são descritos como “hindus” de um lado e “muçulmanos” do outro.
Nos sangrentos conflitos na ex-Iugoslávia, e na “limpeza étnica” ali praticada uns contra os outros, com o fito de criar territórios etnicamente homogêneos, os sérvios eram, sem mais, identificados como “ortodoxos”; os croatas, como “católicos”; os kosovares e a maioria dos bósnios, como “muçulmanos”.
Os conflitos no Sri Lanka, onde a minoria Tamil luta por autonomia na região norte do país, vêm sendo qualificados como choque entre “budistas” e “hindus”.
Na Indonésia, de modo particular, no Timor Leste, as lutas pela independência da ex-colônia portuguesa apareciam como confronto entre “muçulmanos” e “católicos”.
Do mesmo modo, no Sudão, a guerra que move o governo de Khartum contra as populações do sul do país, vem sendo caracterizada como confronto entre “muçulmanos” e “cristãos”.
Noutros lugares, como na Nigéria, onde oito províncias do norte acabam de adotar a “sharia” ou seja, a lei corânica como base da legislação civil penal, explodiram conflitos entre a maioria muçulmana e as minorias cristãs que se sentem ameaçadas pelo novo quadro jurídico. Estes e outros embates na Congo, Rwanda, Burundi, vem sendo descritos, ora como conflitos étnicos, ora como conflitos religiosos.
Vamos analisar juntos, críticamente, esses diferentes conflitos e mesmo guerras?
No geral, as causas destes confrontos são complexas, envolvendo jogos estratégicos na geopolítica, veladas disputas entre antigas potências coloniais, disputa entre grandes companhias pelo acesso a diamantes, petróleo, gás, urânio ou outros materiais estratégicos, além de razões históricas, econômicas, políticas e sociais, raciais e, cada vez mais, culturais. É inegável que muitos destes conflitos vêm atravessados igualmente por uma vertente religiosa, acionada ao sabor dos interesses em jogo.
BEM-AVENTURADOS OS CONSTRUTORES DA PAZ!!!
No conturbado cenário das últimas décadas, há um claro reconhecimento, por parte da sociedade internacional, de que homens e mulheres de fé, pertencentes a diferentes credos e comunidades religiosas, vêm dando uma importante contribuição para os esforços em favor da justiça e da paz mundiais.
Em 1930, o arcebispo luterano de Upsala na Suécia, Nathan Söderblom (1886-1931), primaz da igreja local recebeu o prêmio Nobel da Paz por suas iniciativas em favor da superação dos conflitos internacionais, a partir da cooperação e da busca da reconciliação e da unidade entre as igrejas cristãs. Foi Söderblom quem convocou em Estocolomo, em 1925, a primeira conferência internacional do movimento “Life and Work”, ”Vida e Ação” que se fundiu depois com o movimento “Faith and Order”, “Fé e Constituição” para constituir, em 1948, em Amsterdam, o Conselho Mundial de Igrejas.
Em 1952, foi a vez de o missionário luterano, teólogo, músico e médico da Alsácia, Albert Schweitzer (1875-1975) receber o Nobel da Paz, por incrementar a fraternidade entre os povos, a partir do seu hospital para leprosos no Gabão, a antiga África Ocidental Francesa.
A corajosa atuação não-violenta do Pastor batista, Martin Luther King (1929-1968), em favor dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, valeu-lhe o Nobel da Paz em 1964, mas também a vingança dos intolerantes que o assassinaram, em 1968, em razão dessa sua luta.
Nas últimas décadas do século passado, ao mesmo tempo em que se multiplicavam os conflitos e guerras no terceiro mundo, surgiram pessoas e organizações que se tornaram construtores de paz, sob inspiração de sua fé religiosa.
Em 1979, pela primeira vez, uma mulher recebeu o Nobel da Paz: Madre Tereza de Calcutá (1910-1997), fundadora da Ordem das Missionárias da Caridade, hoje espalhada pelo mundo todo.Em 1999, tive o privilégio de conhecer pessoalmente o seu magnifíco trabalho em prol do povo que ela adotou como seu apesar de ser ela uma religiosa, de origem albanesa. Dedicou toda sua vida aos intocáveis, leprosos, coxos, paralíticos e aos pobres, moradores de rua na Índia.
No ano seguinte, em 1980, o prêmio veio para a América Latina, para o jovem escultor e arquiteto, músico e pintor, Adolfo Pérez Esquivel (1931), fundador do SERPAJ (Servicio de Justicia y Paz), em razão de sua corajosa e intransigente defesa dos direitos humanos, em oposição ao regime militar argentino que, nos anos de chumbo da ditadura, foi responsável por mais de 30.000 pessoas desaparecidas, grande parte cruelmente torturadas, antes de serem assassinadas pelos órgãos de repressão e seus corpos jogados no mar ou incinerados.
Em 1984, foi a vez de o primeiro arcebispo anglicano negro da África do Sul, Desmond Tutu, nascido em 1931, receber o Nobel pela sua luta em favor dos direitos humanos e civis da maioria negra, contra a discriminação racial do apartheid.
O Dalai Lama, chefe religioso do budismo Tibetano, nascido em 1935, recebeu o Nobel da Paz, em 1989, pela sua incansável campanha não violenta de denúncia contra a ocupação política e militar do seu país, por parte da China.
Em 1992, a catequista da diocese do Quiche guatemalteco e ativista dos direitos indígenas, Rigoberta Menchú, recebeu o Nobel da Paz.
Em 1996, o Nobel da Paz foi conferido ao bispo católico de Dili no Timor Leste, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo, junto com José Ramos Horta, por sua luta não-violenta em favor da independência do Timor Leste, ocupado pela Indonésia logo após a saída do governo colonial português em novembro de 1975.
Em 1998, o Nobel foi conferido a John Hume, líder católico da Irlanda do Norte e a David Trimble, líder protestante do Ulster, pelo acordo de paz, assinado a 10 de abril de 1998, colocando fim a 30 anos de guerra civil na Irlanda do Norte.
Em 2000, o prêmio Nobel foi para o militante cristão e ativista dos direitos humanos e civis na Coréia do Sul, Kim Dae Jung, que se opôs às sucessivas ditaduras de partido único que dirigiram a Coréia, desde 1954. Tornando-se presidente do seu país, Kim empenhou-se também na reconciliação entre as duas Coréias, separadas desde o armistício que se seguiu à guerra de 1950 a 1953. Foi o primeiro presidente a encontrar-se com seu colega do norte, King Jong II, e a abrir as fronteiras para que famílias , de ambos os lados, separadas desde a guerra, pudessem se reencontrar.
Outras pessoas, sem terem recebido o prêmio Nobel, o mereceram pelo exemplo de suas vidas e de seu combate não-violento pela Justiça e pela Paz, tal como o Mahatma Ghandi na Índia, um homem santo na sua busca incessante de reconciliação entre os hindus e muçulmanos.
Muitos ganharam prêmios alternativos da paz, como o Papa João XXIII depois de sua corajosa atuação durante a crise dos mísseis em Cuba, em outubro de 1962. João XXIII instou diretamente as duas superpotências, Estados Unidos e União Soviética, que estiveram à beira de um conflito nuclear, a dialogarem e a superarem a crise sem uma guerra, possivelmente nuclear. Da crise nasceu sua encíclica Pacem in Terris na Páscoa de 1963. Naquele momento, João XXIII foi agraciado com o Prêmio Balzan pela Paz e, diante do novo quadro de armas de destruição massiva: nucleares, químicas e biológicas, condenou todo e qualquer tipo de guerra, como crime contra a humanidade.
Dos budistas no Japão, Dom Paulo Evaristo Arns recebeu, em Tóquio, o 11 º Prêmio Niwano da Paz (11-05-1994), pelos seus esforços em favor dos direitos humanos e do diálogo entre as religiões para o estabelecimento da justiça.
Dom Helder Camara, excluído do Prêmio Nobel da Paz pela oposição e sistemática e pressão do governo do Gal. Garrastazu Médici, sobre os jurados do Prêmio, acabou recebendo, em Oslo, em 1974, o “Prêmio Popular da Paz”, por parte da juventude dos países nórdicos. Dom Helder denunciava, naquele momento, a outra guerra silenciosa que mata milhões de pessoas por ano, de modo particular crianças pela desnutrição, pela fome e pela falta de cuidados médicos. Este doloroso quadro levou posteriormente os bispos latino-americanos a afirmarem, com ênfase, no documento sobre a Paz em Medellín”:
“A luta contra a miséria é a verdadeira guerra que devem enfrentar nossas nações” (Medellín, Doc 2 Paz, n º 29)
Dom Samuel Ruiz, bispo de San Cristobal de Las Casas no México, insistentemente indicado para o Nobel da Paz pela sua atuação na superação do conflito em Chiapas, acabou recebendo o prêmio Oscar Arnulfo Romero dos Direitos Humanos, outorgado pela Rothko Chapel da Fundação Menil de Houston no Texas.
Concluindo podemos ver, com todos estes testemunhos representando correntes e movimentos teológicos e políticos, nas várias religiões, que a busca da paz, da compaixão, do perdão e da solidariedade forma uma sólida e antiga tradição espiritual e ética. Entre muitas dessas religiões tem havido um diálogo consistente, aberto também a correntes humanistas inclusive agnósticas ou atéias, para superar preconceitos atávicos, ignorâncias mútuas e estabelecer plataformas de cooperação e respeito, para o bem da humanidade.
E aí, qual dos líderes de Organizações e Estados se levantará agora em Busca desta PAZ tão almejada e diante da ATUAL crise mundial que nos encontramos????
Na ânsia de compreendermos o que está acontecendo no mundo, derramando tentáculos das crises e conflitos em todas as areas da existência terrestre, pessoas têm recorrido à teoria de Samuel Huntington de que os conflitos deste século XXI serão conflitos entre civilizações. A teoria que foi logo simplificada para “guerra de religiões”. GUERRAS DE RELIGIÃO?
Estes acontecimentos ressuscitaram a inquietante pergunta acerca da relação entre violência, guerras e religiões. Seriam elas fator de paz ou contribuiriam para agravar tensões e conflitos, com um componente explosivo, pois falam em nome de Deus e trabalham com a noção de absoluto inclusive ético?
Este clichê, “guerra de religiões”, passou então a ser usado como chave de leitura para muitos outros conflitos contemporâneos.
O da Irlanda do Norte, por exemplo, em que distritos de maioria católica desejam separar-se dos outros de maioria protestante e juntar-se à República da Irlanda, vem sendo descrito como uma guerra entre “protestantes e católicos”.
O choque “palestino-israelense”, por conta das terras palestinas ocupadas pelo Estado de Israel, a partir de 1948 e sobretudo depois da guerra dos seis dias, em junho de 1967; por conta de 4,5 milhões de refugiados palestinos, com direito a retornarem ao território de onde foram expulsos; por conta das quase trezentas colônias judaicas implantadas ilegalmente nas escassas terras palestinas; por conta da difícil repartição da água, bem essencial, escasso e mais caro do que o petróleo na região; por conta do impasse sobre Jerusalém, cidade santa para judeus, cristãos e muçulmanos; por conta enfim da terrível violência mútua, onde o terrorismo virou uma arma contra civis israelenses, reprimido, por sua vez, com inaudita violência, num verdadeiro terrorismo de Estado, por parte de Israel, tudo isso, é simplificadamente descrito como um embate entre “judeus” e “muçulmanos”.
Na atual guerra de desgaste entre Índia e Paquistão, pela posse do Cashemira, região de maioria muçulmana mas sob administração da Índia, numa parte; do Paquistão noutra, e da China, numa terceira, os oponentes são descritos como “hindus” de um lado e “muçulmanos” do outro.
Nos sangrentos conflitos na ex-Iugoslávia, e na “limpeza étnica” ali praticada uns contra os outros, com o fito de criar territórios etnicamente homogêneos, os sérvios eram, sem mais, identificados como “ortodoxos”; os croatas, como “católicos”; os kosovares e a maioria dos bósnios, como “muçulmanos”.
Os conflitos no Sri Lanka, onde a minoria Tamil luta por autonomia na região norte do país, vêm sendo qualificados como choque entre “budistas” e “hindus”.
Na Indonésia, de modo particular, no Timor Leste, as lutas pela independência da ex-colônia portuguesa apareciam como confronto entre “muçulmanos” e “católicos”.
Do mesmo modo, no Sudão, a guerra que move o governo de Khartum contra as populações do sul do país, vem sendo caracterizada como confronto entre “muçulmanos” e “cristãos”.
Noutros lugares, como na Nigéria, onde oito províncias do norte acabam de adotar a “sharia” ou seja, a lei corânica como base da legislação civil penal, explodiram conflitos entre a maioria muçulmana e as minorias cristãs que se sentem ameaçadas pelo novo quadro jurídico. Estes e outros embates na Congo, Rwanda, Burundi, vem sendo descritos, ora como conflitos étnicos, ora como conflitos religiosos.
Vamos analisar juntos, críticamente, esses diferentes conflitos e mesmo guerras?
No geral, as causas destes confrontos são complexas, envolvendo jogos estratégicos na geopolítica, veladas disputas entre antigas potências coloniais, disputa entre grandes companhias pelo acesso a diamantes, petróleo, gás, urânio ou outros materiais estratégicos, além de razões históricas, econômicas, políticas e sociais, raciais e, cada vez mais, culturais. É inegável que muitos destes conflitos vêm atravessados igualmente por uma vertente religiosa, acionada ao sabor dos interesses em jogo.
BEM-AVENTURADOS OS CONSTRUTORES DA PAZ!!!
No conturbado cenário das últimas décadas, há um claro reconhecimento, por parte da sociedade internacional, de que homens e mulheres de fé, pertencentes a diferentes credos e comunidades religiosas, vêm dando uma importante contribuição para os esforços em favor da justiça e da paz mundiais.
Em 1930, o arcebispo luterano de Upsala na Suécia, Nathan Söderblom (1886-1931), primaz da igreja local recebeu o prêmio Nobel da Paz por suas iniciativas em favor da superação dos conflitos internacionais, a partir da cooperação e da busca da reconciliação e da unidade entre as igrejas cristãs. Foi Söderblom quem convocou em Estocolomo, em 1925, a primeira conferência internacional do movimento “Life and Work”, ”Vida e Ação” que se fundiu depois com o movimento “Faith and Order”, “Fé e Constituição” para constituir, em 1948, em Amsterdam, o Conselho Mundial de Igrejas.
Em 1952, foi a vez de o missionário luterano, teólogo, músico e médico da Alsácia, Albert Schweitzer (1875-1975) receber o Nobel da Paz, por incrementar a fraternidade entre os povos, a partir do seu hospital para leprosos no Gabão, a antiga África Ocidental Francesa.
A corajosa atuação não-violenta do Pastor batista, Martin Luther King (1929-1968), em favor dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, valeu-lhe o Nobel da Paz em 1964, mas também a vingança dos intolerantes que o assassinaram, em 1968, em razão dessa sua luta.
Nas últimas décadas do século passado, ao mesmo tempo em que se multiplicavam os conflitos e guerras no terceiro mundo, surgiram pessoas e organizações que se tornaram construtores de paz, sob inspiração de sua fé religiosa.
Em 1979, pela primeira vez, uma mulher recebeu o Nobel da Paz: Madre Tereza de Calcutá (1910-1997), fundadora da Ordem das Missionárias da Caridade, hoje espalhada pelo mundo todo.Em 1999, tive o privilégio de conhecer pessoalmente o seu magnifíco trabalho em prol do povo que ela adotou como seu apesar de ser ela uma religiosa, de origem albanesa. Dedicou toda sua vida aos intocáveis, leprosos, coxos, paralíticos e aos pobres, moradores de rua na Índia.
No ano seguinte, em 1980, o prêmio veio para a América Latina, para o jovem escultor e arquiteto, músico e pintor, Adolfo Pérez Esquivel (1931), fundador do SERPAJ (Servicio de Justicia y Paz), em razão de sua corajosa e intransigente defesa dos direitos humanos, em oposição ao regime militar argentino que, nos anos de chumbo da ditadura, foi responsável por mais de 30.000 pessoas desaparecidas, grande parte cruelmente torturadas, antes de serem assassinadas pelos órgãos de repressão e seus corpos jogados no mar ou incinerados.
Em 1984, foi a vez de o primeiro arcebispo anglicano negro da África do Sul, Desmond Tutu, nascido em 1931, receber o Nobel pela sua luta em favor dos direitos humanos e civis da maioria negra, contra a discriminação racial do apartheid.
O Dalai Lama, chefe religioso do budismo Tibetano, nascido em 1935, recebeu o Nobel da Paz, em 1989, pela sua incansável campanha não violenta de denúncia contra a ocupação política e militar do seu país, por parte da China.
Em 1992, a catequista da diocese do Quiche guatemalteco e ativista dos direitos indígenas, Rigoberta Menchú, recebeu o Nobel da Paz.
Em 1996, o Nobel da Paz foi conferido ao bispo católico de Dili no Timor Leste, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo, junto com José Ramos Horta, por sua luta não-violenta em favor da independência do Timor Leste, ocupado pela Indonésia logo após a saída do governo colonial português em novembro de 1975.
Em 1998, o Nobel foi conferido a John Hume, líder católico da Irlanda do Norte e a David Trimble, líder protestante do Ulster, pelo acordo de paz, assinado a 10 de abril de 1998, colocando fim a 30 anos de guerra civil na Irlanda do Norte.
Em 2000, o prêmio Nobel foi para o militante cristão e ativista dos direitos humanos e civis na Coréia do Sul, Kim Dae Jung, que se opôs às sucessivas ditaduras de partido único que dirigiram a Coréia, desde 1954. Tornando-se presidente do seu país, Kim empenhou-se também na reconciliação entre as duas Coréias, separadas desde o armistício que se seguiu à guerra de 1950 a 1953. Foi o primeiro presidente a encontrar-se com seu colega do norte, King Jong II, e a abrir as fronteiras para que famílias , de ambos os lados, separadas desde a guerra, pudessem se reencontrar.
Outras pessoas, sem terem recebido o prêmio Nobel, o mereceram pelo exemplo de suas vidas e de seu combate não-violento pela Justiça e pela Paz, tal como o Mahatma Ghandi na Índia, um homem santo na sua busca incessante de reconciliação entre os hindus e muçulmanos.
Muitos ganharam prêmios alternativos da paz, como o Papa João XXIII depois de sua corajosa atuação durante a crise dos mísseis em Cuba, em outubro de 1962. João XXIII instou diretamente as duas superpotências, Estados Unidos e União Soviética, que estiveram à beira de um conflito nuclear, a dialogarem e a superarem a crise sem uma guerra, possivelmente nuclear. Da crise nasceu sua encíclica Pacem in Terris na Páscoa de 1963. Naquele momento, João XXIII foi agraciado com o Prêmio Balzan pela Paz e, diante do novo quadro de armas de destruição massiva: nucleares, químicas e biológicas, condenou todo e qualquer tipo de guerra, como crime contra a humanidade.
Dos budistas no Japão, Dom Paulo Evaristo Arns recebeu, em Tóquio, o 11 º Prêmio Niwano da Paz (11-05-1994), pelos seus esforços em favor dos direitos humanos e do diálogo entre as religiões para o estabelecimento da justiça.
Dom Helder Camara, excluído do Prêmio Nobel da Paz pela oposição e sistemática e pressão do governo do Gal. Garrastazu Médici, sobre os jurados do Prêmio, acabou recebendo, em Oslo, em 1974, o “Prêmio Popular da Paz”, por parte da juventude dos países nórdicos. Dom Helder denunciava, naquele momento, a outra guerra silenciosa que mata milhões de pessoas por ano, de modo particular crianças pela desnutrição, pela fome e pela falta de cuidados médicos. Este doloroso quadro levou posteriormente os bispos latino-americanos a afirmarem, com ênfase, no documento sobre a Paz em Medellín”:
“A luta contra a miséria é a verdadeira guerra que devem enfrentar nossas nações” (Medellín, Doc 2 Paz, n º 29)
Dom Samuel Ruiz, bispo de San Cristobal de Las Casas no México, insistentemente indicado para o Nobel da Paz pela sua atuação na superação do conflito em Chiapas, acabou recebendo o prêmio Oscar Arnulfo Romero dos Direitos Humanos, outorgado pela Rothko Chapel da Fundação Menil de Houston no Texas.
Concluindo podemos ver, com todos estes testemunhos representando correntes e movimentos teológicos e políticos, nas várias religiões, que a busca da paz, da compaixão, do perdão e da solidariedade forma uma sólida e antiga tradição espiritual e ética. Entre muitas dessas religiões tem havido um diálogo consistente, aberto também a correntes humanistas inclusive agnósticas ou atéias, para superar preconceitos atávicos, ignorâncias mútuas e estabelecer plataformas de cooperação e respeito, para o bem da humanidade.
E aí, qual dos líderes de Organizações e Estados se levantará agora em Busca desta PAZ tão almejada e diante da ATUAL crise mundial que nos encontramos????
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